Len’s POV.

Nunca tinha escutado uma gargalhada daquelas… Mesmo sendo um pouco desafinada era doce, suave e irregular, como o crepitar do fogo em uma lareira. Meu rosto começou a esquentar e eu virei para o outro lado tentando parecer bravo.

— Qual vai ser?

— João e o pé de feijão!

Lun encosta a cabeça no meu ombro enquanto boceja. Ela apoia o livro no meu joelho sem perceber que continuava grudada em mim. O calor da pele dela era algo bom de se sentir ainda mais naquele frio. Finalmente ela percebe que estava me usando de travesseiro e se afasta quicando para o lado. Eu dou risada e abro o livro antes que ela falasse alguma coisa.

“Há muito tempo atrás, uma viúva muito pobre sustentava sua família trabalhando e vendendo o leite da única vaca que tinham, porém, um dia ela parou de dar leite. Preocupada, teve que procurar uma nova fonte de renda. João, seu filho, até tentou encontrar um emprego para ajudar, mas por mais que procurasse ninguém o contratava. No fim das contas decidiram que deveriam vender a vaca”.

—­ João, tem certeza de que você consegue fazer isso? Sei que você se ofereceu e de bom grado, mas você teria que fazer isso sozinho…

— Certeza de quê? — “João pergunta meio desnorteado quase largando a corda que segurava”.

— De que consegue vender a nossa vaca na cidade. — “Suspira cansada”. — Apreste mais atenção no que eu digo.

— Eu já disse que consigo, não disse? — “Ele pergunta sem saber se realmente o havia feito”.

— Conto com você! — “Se esforça para confiar nele". — Não a venda por menos de duas moedas. — “Pega a corda e começa a dar um nó em uma das pontas”. — E não vá perdê-la.

“João suspira, detestava ser subestimado. Ele vai em direção à porta querendo sair logo dali. Mas antes dele tocar na maçaneta, alguém entra na casa”.

— Quem? Ah, Joana, minha filha. — “Diz a viúva piscando várias vezes como se tentasse reconhecê-la por um breve instante”.

— Pediram para eu te chamar. — “Passa o recado meio sem fôlego”.

— Só mais um minutinho querida. — “Ela sorri indo para o lado de fora, colocando a corda em volta do pescoço da vaca”.

— Oi! — “João cumprimenta a irmã com um aceno que é retribuído com um sorriso”.

— Volte logo para casa. Não se esqueça do que eu te disse e tome cuidado. — “A mãe recomenda devolvendo a corda ao filho e o enxotando para fora dali”.

“João encontra o caminho com facilidade, mas pouco depois da metade dele a vaca simplesmente para de andar para pastar e nada que ele fizesse a convencia a terminar seu banquete”.

— Droga! — “Ele tenta em vão arrastá-la e então empurrá-la, mas para quando escuta um homem se aproximando. Imediatamente olha para o mesmo”. — Quem está aí? — “Pergunta sem saber o que esperar”.

— Ninguém importante. — “Ri simpático analisando o garoto”. — Por que está arrastando essa mimosa por aí?

— Quero vendê-la na cidade. — “Mais uma vez tenta puxá-la: sem sucesso”.

— Você a trocaria por essas belezinhas aqui? ­­— “Balança um saco entre os dedos”.

— Por? — “João pergunta estendendo a mão na direção errada, mas disfarçadamente corrige o curso”.

— Esses são feijões mágicos! ­— “Vira o saco na mão de João”.

— Mágicos? — “O garoto franze o rosto estranhando o calor e leveza dos grãos”.

— Sim, eles foram encantados de verdade e pode apostar que funcionam… Trato?

— Mesmo sendo bastante suspeito, se é João e o pé de feijão… — “João murmura para si”. — Feito. — “Estende a mão”.

— Foi ótimo negociar com você. — “O homem a aperta e vai embora levando a vaca que surpreendentemente resolveu obedecê-lo”.

— Espero que seja isso… — “Ele guarda os feijões no bolso”.

“Depois de um tempo João chega em casa. Sua mãe o recebe bastante contente ao ver que ele voltara sem a vaca”.

— Joana, venha ver quanto seu irmão conseguiu!

— Eu os troquei por isso. — “Ele sorri tirando os feijões do bolso”.

— Como você teve a coragem de trocar tudo o que tínhamos por isso! — “Ela os arranca de sua mão”. — Como acha que vamos nos sustentar agora, seu inútil? — “Ela ralha encarando o garoto”. — Nunca ouse ser assim como ele, Joana… E sabe? Essa porcaria de feijões coloridos só serve para virar lixo. — “Ela os joga pela janela e respira fundo”. — Já para o quarto. — “Sua voz treme”.

“João sai sem dizer nada. Era uma situação estranha para ele”.

— Será que eu fiz a escolha certa? — “Ele se joga na cama e pergunta para o teto que obviamente não lhe responde”. — Não foi para o teto. — “Fala sozinho enquanto, distraído, finge encarar a parede”.

— Len? — “Joana o assusta entrando no quarto”.

— Oi. — “Ele fecha os olhos rapidamente”.

— Finalmente podemos conversar. — “Ela se joga do lado dele. — O que você acha que vai acontecer nessa história?

— Sei lá! — “Encosta-se à parede”. — Trouxe aqueles feijões pensando no título, mas… Você viu no que deu.

— A cara de brava dela era meio assustadora. — “Joana ri”. — Mas ela não parecia tão radical quanto a bruxa da nossa última aventura.

— Nossa última aventura? — “João ri”.

— Você queria que eu chamasse do quê? — “Pergunta cruzando os braços. Como ele continuava rindo ela vira de costas para ele”.

— Estranha… — “Ele deita na cama bocejando”.

— Boa… — “Boceja”. — Noite. — “Ela morde o lábio olhando ao redor”.

— O que foi? — “João arqueia as sobrancelhas”.

— Só tem uma cama aqui… — “Ela esconde o rosto em um dos cobertores e se deita encolhida”.

— Já dormiu? — “Pergunta estranhando o seu raro silêncio”. — Parece que sim. — “Puxa os cobertores e passa a mão levemente sobre ela garantindo que ambos ficassem cobertos”. — Quão pequena você é? — “Cochicha sentindo ela quase entrelaçar suas pernas em uma das dele pouco antes de também cair no sono”.

“No dia seguinte, quase de tarde, João acorda com o sol batendo em seu rosto. Ele deveria estar pensando no que fazer para compensar seus atos, mas ao invés disso, tentava afastar os cabelos de Joana que faziam cócegas em seu braço”.

— Que horas são? — “Ele estranha a inconstância do sol quente batendo em sua pele. Tinha certeza de que deveria cobrir boa parte do lugar que estava”.

— Bom dia, parece que a voz do narrador me acor… Caramba! Tem uma planta enorme lá fora! — “Joana exclama sentando na cama”.

— Será um pé de feijão? — “Ele ri pegando uma bolsa vazia, vai que precisariam colher feijões…”.

— Vamos lá ver. — “Ela pula pela janela”. — Adoro poder fazer isso! — “Comenta ao vê-lo sair pela porta da frente”.

— Tá bom então. — “Prefere não questionar”.

— Vamos! — “Joana começa a andar e ambos param na frente do pé de feijão gigante”.

— Não pensei que fosse tão literalmente. — “Assobia surpreso com o tamanho da planta que tocava”. — Deve dar uma volta de uns vinte e poucos passos!

— Parece que sobe até o céu! — “Joana pisa num nó da planta”. — O que deve ter lá em cima? Acho que podemos escalar.

— Como se eu tivesse escolha… — “João engole em seco”.

“Eles subiram por muito tempo, atravessando vários ramos. Passaram até mesmo por umas nuvens que os deixaram completamente encharcados para finalmente encontrarem o final da planta que ainda crescia, mesmo que cada vez mais vagarosamente.”

— Onde nós estamos? — “Joana senta no chão admirando a imensidão aparentemente deserta à sua volta”.

— Como se eu pudesse saber. — “João tenta recuperar o fôlego”. — Deve ter uma placa em algum lugar… Pergunta para o narrador!

— Narrador? — “Ela vira os olhos ao não receber resposta alguma”.

— Acho que nós devemos ir para lá. — “Aponta para uma direção aleatória e Joana o encara”. — Tem uma ideia melhor?

— Não. — “Ela ri caminhando para onde ele apontara”.

“Sentindo como se caminhassem por horas e horas sem sair do lugar, naquele terreno semirregular no qual João tropeçava recusando ajuda, eles começaram a sentir fome e sede. Mas estavam longe demais para voltar”.

— Valeu por informar o óbvio! — “João resmunga apertando o estômago que roncava alto, afinal, não tinha jantado na noite anterior e já passava da hora do almoço”.

— Deveríamos ter preparado alguma coisa antes de subir…

— É muito estranho termos andado tanto e até agora nada. Isso não tem fim?

— Acho que… — “Ela vê uma mancha no horizonte, corre alguns metros e para sorrindo animada”. — Até que enfim! Eu estou vendo um castelo um pouco pra frente.

— Lá deve ter comida! — “Ele comemora internamente”.

“Eles seguem depressa até o castelo que estava um pouco mais próximo do que imaginavam”.

— Acho que dá para um gigante morar aí dentro. — “Joana comenta depois de bater na porta”.

— Sim, exatamente. — “Diz uma mulher muito alta bastante preocupada”. — Meu marido é um gigante devorador de humanos. Saiam já daqui, é perigoso.

— Isso é sério!? — “João exclama azedo”. — Viemos até tão longe atoa para quando conseguirmos voltar para casa já estar entardecendo?

— Na verdade já está ficando de noite … — “Joana cochicha.”. — É, deveríamos ter nos preparado melhor…

— A senhora teria, pelo menos, um copo de água? — “Ele suspira encostando uma das mãos na porta. Seu estômago ronca alto”.

— Pobrezinhos! — “A mulher com dó deles os deixa entrar”. — Desculpem a minha grosseria, vocês devem estar famintos e, como vejo, exaustos. — Acho que se passarem apenas uma noite aqui não tem problema. Venham em silêncio. — “Gesticula os convidando para entrar”.

“João segue logo atrás dos passos barulhentos e confusos de Joana pelos muitos corredores inundados pelo cheiro de comida e música suave”.

— O que foi? — “João murmura quando Joana para subitamente”

— É um gigante de verdade! Deve ser umas quatro ou seis vezes maior do que um humano. — “Ela sussurra voltando a andar sem tirar os olhos do gigante adormecido numa das cadeiras da sala de jantar”.

— Tão específica. — “Ele vira os olhos fechados e ela ri”.

“A mulher os deixa descansando em um quarto e sai para preparar a refeição”.

— Acho que aquela harpa que eu vi perto dele é o que o mantêm adormecido. — “Joana comenta depois de um tempo”. — Enquanto ela estiver tocando provavelmente estaremos fora de perigo.

— Então… desde que você não chegue perto… — “Ele diz ao se jogar na cama”.

— O que você está insinuando? — “Joana soca o joelho dele”.

— Isso doeu! — “João mente fazendo uma careta”.

— Meninos, podem vir. — “Diz a mulher entrando no quarto”.

“Ela os leva para a cozinha passando pelo gigante adormecido e serve um verdadeiro banquete. Eles o devoram rapidamente enquanto ela continuava preparando o jantar do gigante”.

— Gostaram? — “Pergunta retirando uma bandeja vazia”.

— Delicioso! — “Os dizem juntos”.

— Mulher, o que você preparou para hoje!? — “O gigante grita se levantando da cadeira. Seus passos pesados e lentos ecoavam enquanto ele se aproximava da cozinha”.

— Se ele os encontrar, vocês serão devorados. — “Murmura andando de um lado para o outro”. — Rápido, rápido, entrem embaixo do… forno!

— Sinto cheiro de gente! — “Aproxima-se mais e mais de onde eles estavam escondidos”.

— Deve ser o cheiro do que eu estou preparando, desses frangos ou quem sabe da carne de carneiro. Pode esperar lá na mesa que eu já estou levando as coisas. — “Ela mente levando uma travessa cheia de legumes para a mesa”.

“Joana observava tudo encostada no chão frio. Seu coração batia tão depressa quanto o de seu irmão que assim como ela queria sair logo dali”.

— Pode ser. — “Ele fareja o ar e sai da cozinha”.

— Quando ele adormecer vocês poderão sair da cozinha, por enquanto podem esticar as pernas. — “Avisa quando volta para pegar mais uma travessa cheia de carne”.

“Eles sentaram em dois banquinhos sem dizer nada enquanto velozmente a mulher ia e voltava para a sala de jantar levando comida para seu esposo que nunca parecia satisfeito”.

— Mulher, traga-me a galinha e vá para o seu quarto! — “Ordena depois de comer o suficiente para mais de cem pessoas”.

— Estou indo. — “Obediente, ela pega uma chave com o marido e vai até os fundos. Entrega-lhe a galinha e vai para seus aposentos”.

— Preciso ver isso… — “Joana murmura se aproximando silenciosamente da porta”.

— Bote o ovo! — “O gigante manda e a galinha assustada obedece. Ele coleta o belo ovo dourado que parecia uma gota em sua mão”. — Bem que poderia ser maior… — “Ele encara a galinha apavorada, mas para o alívio dela, ele se levanta e pega uma cesta enorme cheia de ovos também dourados e começa a poli-los deleitosamente”.

— Será que são de ouro de verdade. — “João toca o ombro de Joana que leva um susto”.

— Brilham como se fossem. — “Responde tentando se acalmar”.

— O narrador me deixou um tanto curioso. — “Explica”.

“O gigante, depois de deixá-los brilhando mais ainda, deita a cabeça na mesa”.

— Toque! — “Ordena à harpa encantada que prontamente volta a tocar sua doce melodia”.

— Parece que já podemos sair. — “João comenta ao ouvi-lo roncar alto”.

— Certo. — “Ela diz tropeçando logo em seguida”.

— Atrapalhada. — “João ri apanhando-a pouco antes dela quase cair no chão”.

— Fale mais baixo. — “Ela pede com um dedo na frente dos lábios e sai da cozinha”.

— O que você está fazendo? A porta não é para lá? — “Ele aponta para a porta que levava ao corredor”. — Viu?

— Quero ver uma coisa aqui. — “Ela para de andar”. — Me ajuda a escalar a mesa?

— Como assim? Você é louca? — “Sussurra indignado”. — Não sabemos o que acontece se morrermos aqui dentro.

— Eu não vou morrer! — “Joana exclama cruzando os braços”. — E se você quiser me abandonar pode ir. — “Põe a mão na testa dramatizando”.

— O que você quer? — “Ele acaba rindo”.

— Só preciso de ajuda para alcançar aquela estaca gigantesca. — “Ela se estica”

— Onde?

— Aqui! — “Ela pula percebendo que mesmo assim não alcançaria”.

— Onde?… — “Ele vira os olhos por dentro da pálpebras”.

— Nesse pé da mesa, é tipo uma remenda com outro tipo de madeira. Um pouco acima de onde eu alcanço. — “Ela cora explicando direito” — Narrador dedo-duro! — “Ela cora mais ainda”.

— Aqui? — “Ele ri passando a mão no pé da mesa alcançando a ponta da estaca sem precisar subir totalmente na ponta dos pés”. — Tampinha…

— Não precisa se gabar por uns dez centímetros a mais. — “Ela desvia o olhar”.

— Sei… Pare de reclamar e vem logo. — “Ele junta as mãos para ela subir”.

— Prontinho! — “Ela testa a resistência” — Você também vai vir?

— Tenho escolha? Se eu te deixar, você é capaz de se matar aí em cima. Além disso, o que você vai fazer se não alcançar algo? — “Implica”.

— Um pouco mais para frente. — “Ela pega a mão dele o ignorando, era maior do que isso”. — Que piadinha de quinta narrador! — “Ela quase fala alto” — Um metro e sessenta e cinco até que é razoável!

— Puxa logo. — “Ele não consegue segurar o riso direito”. — Calma! — “Ele se agarra no pé da mesa quando ela o puxa com mais força do que precisava”.

— Agora nós…? — “Joana, assim como ele, senta na estaca. Ela olha ao redor bolando um plano”.

— Como você sobe num troço desses antes de pensar no que fazer? — “Pergunta ainda grudado na madeira”.

— Quieto! — “Ela bate um pé no outro”. — Hm… A ponta. Já sei! — “Ela levanta e se estica, sem alcançar”. — Você consegue ficar de pé um pouco mais para frente do que você está?

— É claro! — “Ele levanta devagar, morrendo de medo de se espatifar”. — Ei, não é bem isso, eu só estou meio desnorteado aqui em cima. — “Ele se justifica para ninguém em especial”.

— Hm… — “Faz de tudo para conter o riso”. — Uns três passos pequenos e eu acho que dá. — “Ela o observa andar inseguro”. — Acho que deu certo. — “Ela pega uma das mãos dele”.

— E agora? — “Estava mais fácil agora que tinha um ponto de referência extra”.

— Estica a sua outra mão para cima. — “Ela quase saltita quando ele toca no que ela queria”. — Deu certo, agora é só escalar por essa toalha, é de bordado, perfeita para isso.

— Ah, então é isso. — “Ele facilmente se pendura e a escala até ficar de pé na borda”. — Bem melhor do que aí… Você alcança?

— Se eu pular eu consigo, seu peso ajuda. — “Ela o faz e escala bem ao lado dele”. — Que bom que o gigante deixou essa parte da toalha caída. — “Ela comenta”.

— E que ainda está dormindo…

“Logo eles chegam na superfície da mesa. O fato do gigante ter se mexido, ainda dormindo, puxando a toalha para cima com o cotovelo tinha ajudado e muito”.

— Madeira firme! — “Dramatiza sendo fuzilado pelos olhos da irmã. Ele finge tossir e a ajuda a subir”.

— Vem logo. — “Ela sussurra andando pelas dobras da toalha”.

— O que exatamente você quer fazer? — “Ele bloqueia seu caminho”.

— Você vai ver. Agora, fale ainda mais baixo. — “Cochicha”.

“Eles seguem cautelosamente, ficando cada vez mais perto do gigante”.

— O que é isso!? — “Ele murmura levantando o pé e mostrando sua bota molhada com algo gosmento”.

— Parece que o gigante baba dormindo… — “Joana torce o nariz”.

— Por isso esse cheiro. — “Ele seca a bota molhada numa parte da toalha”.

— Achei. — “Ela caminha rapidamente até o pequeno ninho da galinha”.

— O que você quer com ela? — “João pergunta se aproximando com bastante cuidado”.

— Resgatá-la. Ela não é feliz aqui! — “Ela quase toca na galinha que cacareja assustada”. — Sei que não faz sentido eu conversar com você, mas eu vim salvar você. — “Ela conta para a galinha que a encara confusa”. — Deveria ter feito menos barulho…

— Você não me contou isso antes por achar que eu me negaria, certo? — “Ele pergunta parando ao lado dela”.

— Exato! — “Ela ri sem graça”.

— Doida… — “Balança a cabeça rindo dela”. — Pega logo essa galinha para compensar essa escalada toda.

“Ela tenta pegar a galinha mais uma vez, mas ela foge para longe voando poucos metros. Era realmente mais difícil do que ela imaginava e quando foram ver eles já estavam do lado da harpa que ficava consideravelmente longe do ninho, para os humanos”.

— Cuidado. — “João murmura quando Joana quase derruba a harpa que faz um barulho estranho ao ser tocada”.

— Desculpa. — “Ela se endireita rapidamente”.

— Onde está a galinha? — “João tenta escutá-la”.

— Ela vai parar bem na sua frente… Isso! Finja que vai pegá-la! — “Ela se aproxima por trás”. — Agora! — “Ele a obedece”. — Peguei! — “Comemora acariciando a galinha para que ela se acalmasse”.

— Nós precisamos levá-la para nossa casa. — “João comenta tendo assim como ela, um flash com as memórias do fim da história”. — Mas vamos deixar a harpa, pelo menos.

— Ninguém vai levar nada do que é meu! — “Urra o gigante que tinha acordado com o silêncio despercebido da harpa”. — Vocês vão pagar. — “Agarra a toalha”.

— Ferrou! — “Joana exclama entregando a galinha para João e corre para colher vários dos ovos de ouro que estavam espalhados, o que deixou o gigante com mais raiva ainda”. — Len! — “Ela grita. Ele estava parado sem saber muito bem o que fazer”. — Corre! — “Ela agarra sua mão livre e a põe em seu ombro”.

— Droga! — “Exclama João enquanto corria pensando que a mesa não era um lugar muito fácil de se correr, ainda mais quando se é cego e está segurando uma galinha que não para de se debater”.

— Passa a galinha e segura em mim que nós vamos pular! — “Joana grita observando o gigante bem na frente deles, prestes a puxar a toalha. Por sorte ela os desvia para a madeira”.

— O quê!? — “João exclama sentindo a galinha ser tomada de seus braços e o aperto forte da mão da irmã”.

— Confie em mim! — “Aperta a mão dele mais forte ainda”. — Dez segundos para chegar lá. — “Ela os força a desviar da mão do gigante que quase os acerta”.

— Droga… — “Ele engole em seco e a deixa colocar as mãos dele em volta dela”.

— Três… dois, um! — “Eles pulam e ela se pendura na manga do gigante que segurava uns ovos”. — Agora escorregador! — “Eles deslizam pela parte lisa da toalha caída que unia a mesa e o chão quase verticalmente”.

— Caramba! — “João assobia aterrissando de pé no chão, assim como Joana”. — Como você sabia que daria certo? — “Ele coloca a mão no ombro dela voltando a correr”.

— Não sabia. Acho que vi algo parecido em um filme… — “Ela ri respirando descompassadamente”. — Sorte que ele é lento, porque vamos precisar correr uma verdadeira maratona.

“O gigante corre para recolher os ovos que ele mesmo derrubara dando-lhes um pouco de tempo. Eles fecham a porta da sala de jantar com bastante dificuldade”.

— Você é completamente maluca! — “Ele ri nervoso”.

— Disso você já sabia! — “Joana se solta dele e espalha os ovos que tinha pegado”.

— O que você está fazendo!? — “João aproveita a pausa mínima para respirar”.

— Ganhando tempo. — “Ela devolve a galinha para ele que finalmente a guarda dentro de sua bolsa de couro. Joana deita uma cadeira de humanos no chão para emperrar a porta”.

— Bem pensado… — “Ele comenta”.

— Espero que funcione. — “Voltam a correr”.

— Eu vi o que aconteceu! Podem ir. Vou tentar atrasá-lo. — “Grita a mulher parada na porta da frente”.

— Muito obrigado! — “João agradece por eles pouco antes de passar por ela”.

“Eles correm o que demoraram horas em pouco menos de uma hora. Quando estavam bem próximos ao pé de feijão os passos do gigante estavam perto demais, mesmo que mais leves”

— Quase lá. — “Joana segura a mão dele reparando que o gigante diminuíra?”. — Vamos precisar ir mais rápido do que ele na hora de descer. Agora!

“Joana suspira aliviada quando os dois conseguem se segurar no pé. Eles descem o mais rapidamente que podiam enquanto o gigante se agachava para vê-los descer”.

— Vocês não vão escapar! — “Ralha entre os dentes”.

— Você viu algum… machado do lado de fora da casa? — “João pergunta quase sem fôlego”.

— Sim, dois na verdade. Desacelere um pouco. Estamos quase no fim do pé. Aviso quando você chegar. — “Joana olha para o gigante notando que ele realmente estava menor”.

— Certo! — “João respira fundo esperando que a galinha parasse de se debater tanto dentro da bolsa”. — Isso está ficando mais pesado?

“Joana pula antes de chegar no chão e corre para o canto da casa pegando os machados”.

— Pula! — “Ela pede correndo na direção dele que logo o faz”.

— Wow! — “Ele pega o machado e do lado oposto do dela, a ajuda a cortar o pé de feijão”

— Só mais umas três vezes… — “Joana o alerta”.

— Vocês vão se arrepender! — “O gigante começa a descer, mas volta a subir quando sente o pé bambear”.

— Conseguimos! — “Joana quase abraça João ao ver o pé cair do lado oposto da casa”.

— Filhos!? — “A viúva desesperada corre até eles”. — Sinto muito por tudo que disse ontem. Pensei que nunca mais os veria. O que aconteceu? Estão bem? — “Os abraça”.

— Isso é uma longa história… — “Joana ri passando os braços em volta dos ombro da mãe”.

— Realmente. — “João completa fazendo o mesmo”.

— O que é isso? — “Pergunta a mãe, apontando para a bolsa que não parava de chacoalhar”.

— Uma galinha! — “Ele abre a bolsa e a galinha sai voando agitada para então se acalmar e ciscar no chão”. — Ou nosso felizes para sempre. — “Sussurra para Joana enquanto virava a bolsa pelo avesso. No meio de toda aquela agitação a galinha botara uns seis ovos”.

— Isso é ouro? Agora poderemos viver bem. — “Ela sorri abraçando-os outra vez”. — Agora vamos para casa. — “Suspira indo na frente”.

— Não só nossa família, mas todas as daqui. — “Joana aponta, suspeitava que era a ambição que fazia do gigante um devorador de humanos”.

— Vamos! — “João murmura segurando a mão de Joana e eles voltam para casa”.

Notas finais
Dessa vez investi na ação ^-~