Até o Fim
1 Capítulo 1 - Um começo...
Notas iniciais
Será um prazer conhecer vocês!!
Uma gangorra. Duas crianças. Amigas. A diversão envolvia o ambiente. Engraçado como o mundo pode se tornar um simples brinquedo infantil. Depois de muito tempo, com a mesma amiga, fiquei parada num banco próximo observando as gangorras e as brincadeiras daqueles que têm pressa para crescer. Eles nem imaginavam o mundo de altos e baixos que um dia enfrentariam. O mesmo mundo que acabou se tornando, para mim, uma mixórdia logo ao completar meus 15 anos.
É surreal como tudo acontece tão rápido. Um dia você está perfeitamente bem e aprecia o ambiente em seu entorno, como acontece quando subimos na gangorra, mas em um piscar de olhos, seus pés batem com força no chão, alertando que a descida é bem dura e um pouco dolorosa, se pensarmos na visão menos pessimista, é claro.
Digo isso, porque é na adolescência que as coisas mais bizarras acontecem. Primeiro você vai para o ensino médio, depois se apaixona e aí partir daí tudo vira do avesso, começando pelo coração, que com o calor do aconchego dos braços da pessoa amada, derrete. Só que antes de tudo isso, teve um período na minha vida que senti minhas costas encurvadas pelo peso dos livros e da pressão colocada não só em mim, mas em todos os alunos que estavam prestes a concluir o ensino fundamental.
A resposta para tudo isso que estava sentindo era muito simples: Bryan Suiti. A escola dos sonhos de qualquer estudante que estava prestes a concluir o ensino fundamental. Colégio integral com uma ótima avaliação e uma história marcada por conflitos. Com tudo isso, é fácil supor que não era nada fácil adentrar este ambiente, até porque ele se tornou uma escola modelo após muitos anos desde sua criação. Resumindo: era necessário fazer um vestibular, um dos mais difíceis e da seguinte forma:
“Modelo: 150 questões + 1 redação;
Tempo: 6 horas e 30 min;
Conteúdo: Toda a matéria do fundamental;
Local: Em todas as escolas da região (a prova nunca era feita na própria instituição, apesar de seus 4 andares);
Matrícula: No mesmo local em que avaliação fora realizada.”
Dessa forma, o pânico tomava conta de todos da região e até mesmo de pessoas de outros lugares, já que essas se mudavam, somente para estudar ali.
— 2 meses... – Disse minha amiga ainda olhando as crianças na gangorra.
Sim... Esse era o pouco tempo que tínhamos para o vestibular. 2 meses para se preparar, para revisar... Um frio percorreu minha espinha só de pensar e as gargalhadas das crianças arrancadas pelo simples brinquedo, fez com que eu voltasse para a realidade.
— Angélica... Espero que continuemos juntas. – Eu disse um pouco tristonha.
— Por mais que a gente tenha que estudar em escolas diferentes, continuaremos com a nossa amizade. Relacionamentos verdadeiros não acabam, amiga. – Foi até estranho ouvir isso vindo dela, admito. Angélica era o tipo de pessoa que não fala coisas fofas, tão pouco falava dos seus sentimentos.
Durante todos os anos da escola, eu tive duas amigas: Angélica e Mylla. É engraçado lembrar como eu era o intermédio das duas, já que elas eram o oposto uma da outra. Angélica era o tipo de pessoa que todos temiam – menina de poucas palavras e gestos, sempre andava com a cara emburrada pelos cantos. Era gótica, vestia-se inteiramente de preto e tinha mexas roxas no seu cabelo levemente ondulado. Ela era alta, parda e seu rosto parecia ter o formato de um losango. Era grossa e de curtas falas, seu olhar penetrava e seus olhos castanho-escuros brilhavam com sua autoconfiança exacerbada. – Mylla já era totalmente o oposto: Calma; sua felicidade irradiava a todos. Muito meiga, carinhosa e fofa, adorava um rosa e gostava de conversar com as pessoas; era baixinha, de cabelo ruivo e curto, não apresentava sardas e seus olhos pareciam mel.
Com tudo isso, posso dizer que brigas entre elas eram inevitáveis. E eu, como mediadora de tudo, corria o risco de pelo menos algumas semanas ser odiada por uma das duas.
Apesar das discussões, fazíamos um trio incrível. E as pessoas ainda apelidavam o pequeno mar de diferenças de: “amg”. O que isso significa? Bom... A palavra “amiga” abreviada. E se parar para pensar, faz muito sentido: Angélica, Mylla e Gabrielly. A inicial de cada nome, formava uma palavra marcada por muito amor e sentimentos.
Enquanto a mim... Eu só era a menina nada popular, de cabelo castanho-escuro, longo e meio encaracolado; Tinha um rosto arredondado, olhos parecendo jabuticabas de tão escuro; era pálida e adorava me vestir com roupas de cores neutras e estampas bem simples. Minha personalidade continha um pouco das minhas duas amigas. Mas com certeza... Agir por impulso fez com que a minha vida rendesse altas confusões. Um verdadeiro exemplo de uma rosa com muitos espinhos, que rasgavam a pele deixando a cor avermelhada da perfeita flor nos dedos de quem ousasse me confrontar.
Metáfora feita... Seguiremos para o próximo capítulo.
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