Até o último Dia
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Notas iniciais
eu não costumo fazer isso, mas quem faz, por favor, ouça as músicas de cada capítulo enquanto lê :D
Música: Sonate au Clair de Lune (Moonlight Sonata) — Beethoven (http://www.youtube.com/watch?v=zKl72bR0D4I)
Olhou mais uma vez para a pessoa ao lado. Aquele rosto tão conhecido e adorado também a encarava. Nenhuma palavra saía nem da boca dela, nem da boca dele, aquela tão conhecida e desejada boca de batom preto, os olhos azuis profundos, a maquiagem preta os destacando ainda mais. Os cabelos curtos e pretos arrepiados, aquela voz gutural e a habilidade com a guitarra. Tudo isso a enlouquecia desde que havia conhecido a banda.
Agora ele a olhava nos olhos e aproximava o rosto do dela. Ela simplesmente não conseguia respirar, agora que as mãos dele tocavam-lhe a cintura. Quando os lábios estavam para se tocar, sentiu algo que lhe lambia o rosto. Segundos antes de acordar, teve a consciência de que era mais um sonho.
Acordou com Rosenrot lambendo sua face. Era uma Weimaraner de dois anos. Mais um sonho com o Richard Kruspe. Não aguentava mais essa platonice, esse sofrimento por alguém 25 anos mais velho e que nem sabia que ela existia. Não encontrava pôsteres dele em nenhuma revista, nem ao menos nas importadas da Alemanha.
Nesse dia, resolveu acabar com os dois anos de sofrimento contínuo. Não conseguia se envolver com nenhum menino depois de conhecê-lo. Deu um abraço apertado em Rosenrot e beijou-lhe a cabeça. Pegou as armas, que havia preparado há tempos, na gaveta, pegou seu mp4, uma caneta, um papel e uma foto dele. Seguiu para o banheiro e fechou a porta. Não queria dar mais trabalho ainda para seus pais.
Ligou o mp4 na pasta do Rammstein. Tomou as gotas amargas do sonífero. Escreveu uma carta de despedida para os pais, e quando começou a sentir o efeito do remédio, preparou a seringa, enchendo-a quase até o fim com ar, encaixou a agulha na ponta e olhou para o braço. Tinha que acertar de primeira ou iria dormir sem fazê-lo. Sorte que sua veia era bem visível na dobra do braço. Espetou a primeira vez e nada. Na segunda vez, pareceu acertar. Para ter certeza, puxou um pouquinho o êmbolo e o sangue veio à seringa. Perfeito. Apertou o êmbolo até o fim. Agora, uma bolha de ar estava no seu sangue. Quando chegasse ao seu coração, não haveria o que bombear e este pararia. Agora ela estava adormecida. Para sempre.
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