Até ele voltar

12 Capítulo 12 - Em meio ao meu pequeno apartamento


Notas iniciais
POV PEDRO, COMO UMA LEITORA PEDIU! Eu sei, eu sei... demoro muito pra postar ): juro que to tentando, gente, JURO! Muito obrigada pelos comentários. Continuem me comentando!!! Espero que vocês gostem!!

POV PEDRO

Eu precisava de qualquer música boa de rock para me acalmar.

Acendi as luzes e suspirei ao ver a luminosidade possuir os cômodos e me mostrar a realidade de meu pequeno apartamento: uma completa bagunça. O irônico era que isso combinava perfeitamente com a minha vida fora do lugar. Tirei o casaco e o joguei no sofá de couro preto. Logo tratei de ligar o aparelho de som e colocar um CD com minha trilha sonora favorita para dias confusos como aquele.

Só mesmo acordes de guitarra para me salvar.

A secretária eletrônica piscava insistentemente enquanto eu abria uma cerveja. Só fui me render a ela depois de um grande gole.

“Pedro, é a mamãe. Tentei te ligar na hora do almoço, mas como sempre você não me atendeu. Seu celular, como sempre, você ignora. Sei que você acha brega e desnecessária a secretária eletrônica, mas essa é a única forma que me resta pra conseguir falar com meu próprio filho. Liguei para te avisar que consegui resolver o problema da passagem de TomTom... está tudo certo agora”.

Soltei o ar pelo nariz, achando graça. Dona Delma já havia me explicado dias antes que havia conseguido trocar as passagens da minha irmã para que ela retornasse mais cedo ao Brasil. Apenas esperei quieto, escutando sua respiração pesada do outro lado da linha. Segundos depois, ela tomou coragem para me dizer o que realmente queria.

“Já que eu liguei... hoje de manhã a Lorena esteve aqui no restaurante.... ela me contou que vocês, bem, brigaram mais uma vez”.

Uma cerveja não era o suficiente para aguentar um discurso daquele. Eu precisava de mais álcool.

“Sei que você deve estar revirando os olhos e me xingando mentalmente por estar me intrometendo novamente na sua vida. Mas é que... ela é tão gente boa, Pedro. Gente fina mesmo...”

Apaguei a gravação antes mesmo de ouvir até o final. Era melhor ouvir a próxima. A voz rouca e firme de Nando inundou o ambiente.

“Pedro! Onde você está, caralho? Estamos te procurando que nem loucos. A Paula não tem mais coragem de te cobrar, mas eu tenho. Entrega o que você deve pra Paula o quanto antes. Ela não pode ficar te encobrindo né, cara. Sabe que a situação na casa dela tá bem foda. Liga pra ela, de verdade. Nem tudo é sobre você e seus problemas, moleque. Te espero amanhã pro teste, brother”.

Respirei fundo encarando a caixa de onde saia a maldita voz digital. A maldita voz que só me trazia problemas ao final do dia. maldito dia que aceitei aquela tralha de presente da minha mãe.

“Você não atende celular como uma pessoa normal, então usará isso que nem seus antepassados”, dizia ela.

Peguei a carteira no bolso e conferi as notas necessárias para poder pagar minha parte da dívida. Dez notas de cem reais sorriam tristemente para mim, magoadas por estarmos nos separando. Era quase possível ver aquele dinheiro chorar sangue por estar sendo tão mal gasto. Aquele dinheiro era, com toda certeza, o dinheiro mais desperdiçado da minha vida.

Eu nem sabia mais quantas mensagens tinham naquela máquina do inferno. E nem importava afinal. Eu queria apagar todas, encher a cara até esquecer de tudo e apenas dormir. Fingir que eu não existia mais para o mundo naquela noite.

Caminhei em passos largos até a secretária eletrônica, tomando o resto de cerveja que restava na garrafa. Meu dedo foi com vontade para a tecla de deletar. Mas eu não fui tão rápido.

A voz de minha mãe voltou a soar. Dessa vez, nervosa.

“Dane-se que você provavelmente vai jogar essa máquina na parede depois de ouvir isso, mas eu vou falar. Bernardo chegou no Perfeitão todo feliz... sabe o que ele me contou? Que ela voltou. Mas isso você deve saber, não é mesmo?”.

Apertei os olhos com força, sentindo minhas mãos formigarem em contato com a garrafa gelada.

Não, Pedro. Pelo amor de Deus, filho, não vá atrás dela”.

Minha mãe chorava.

“Você se faz de forte, você finge ser uma pedra... mas eu sou sua mãe. E eu sei, filho. Sempre soube o que ainda tem aí dentro, bem escondido. Mas isso é besteira. Não é justo com ela, não é bom para você”.

Fim de todas as gravações daquela noite. Somente eu e o silêncio, como costumava ser.

Até o aparelho de som parecia estar contra mim naquela noite. Hanson começou a tocar.

Amo você como eu nunca amei ninguém antes. Preciso de você para abrir a porta. Se implorar a você pudesse, de algum modo, mudar a maré...

Meu estômago protestou de repente, mais uma vez. Estava tão tenso na casa dos Duarte que não havia comido o suficiente. Qualquer porcaria congelada teria que servir. Fucei em meu frízer lotado de comidas rápidas atrás de algo que pudesse me satisfazer. Uma lasanha quatro queijos era tudo que eu precisava. Enquanto a massa girava no micro-ondas, abri mais uma cerveja. Encostei-me no balcão e fechei os olhos quando o refrão chegou.

Você não vai me salvar? Pois a salvação é o que eu preciso. Eu apenas quero estar ao seu lado. Você não vai me salvar? Eu não quero ficar apenas vagando através desse mar da vida...

FLASHBACK — 5 anos atrás.

Ela usava um shortz que eu adorava. Era preto, curto e marcava muito bem suas pernas. Sorria para mim com ternura, e logo percebi seus olhos marejados.

O que ela queria, afinal?

Saiu detrás das cortinas e caminhou com passos tímidos até mim. Parou a poucos metros e continuou a me encarar, como há muito tempo não fazia.

“O que aconteceu?”, questionei, desconfiado. Repousei minha guitarra na beirada do palco e me levantei. “Não que eu não esteja feliz de você estar aqui... mas... é bem estranho”.

“Estamos sozinhos aqui?”, retrucou ela, em um sussurro.

“Estamos sim. Eu fico até mais tarde para poder ensaiar... a Ribalta é só minha neste horário”.

Vi quando ela olhou para todos os lados possíveis, conferindo para ver se era mesmo verdade. Ela me parecia cansada, exausta. Seus olhos azuis brilhavam com as lágrimas e seu rosto estava fundo.

“Eu soube sobre o campeonato... K, eu sinto muito. Seu pai...”

“Não, Pedro”.

Karina abaixou os olhos e mais lágrimas caíram. Eu podia ver o quanto aquilo a magoava. Tentei puxá-la para meus braços, mas ela não permitiu.

“Não quero sua piedade”.

“Não estou com pena. Só quero cuidar de você”.

Ela pareceu que ia ceder. Seus lábios tremeram e ela quase sorriu para mim. Mas antes que eu pudesse falar ou fazer qualquer coisa, algo surpreendente aconteceu. Com gestos rápidos e bem calculados, Karina tirou suas roupas, ficando apenas de lingerie preta em minha frente.

Ao contrário de tantas outras vezes, ela não pareceu estar envergonhada por mostrar seu corpo para mim. Ela me parecia confiante de uma maneira que eu não lembrava que ela conseguia ser. Aproximou-se devagar e foi ela quem me envolveu com os braços.

Fizemos amor como nunca antes naquele palco da Ribalta em uma sexta feira qualquer.

Meu coração explodia pela felicidade de poder sentir seu corpo pequeno e delicado se encaixar com o meu. Minhas mãos passeavam por suas curvas e a apertavam com vontade. Depois de tanto tempo, ela estava sendo minha novamente. Minha boca queria explorar cada detalhe, sugar o sabor e sentir a macieza da pele dela.

Antes de atingirmos o orgasmo juntos, Karina puxou meu rosto para que eu a encarasse. Eu não conseguia ler suas pupilas dilatadas. Mesmo que elas quisessem desesperadamente me dizer alguma coisa.

“Faz como se fosse a última vez. Como se você nunca fosse me ver de novo”.

Obedeci. Apertei-a contra meu corpo e passei a investir com mais força, sem nunca deixar de admirar meu céu particular.

Exausto, deixei meu corpo cair sobre o chão frio e a puxei para perto de mim.

“Nunca mais vou deixar você ir embora. Me recuso a te perder mais uma vez”.

Karina sorriu. Parecia muito satisfeita com alguma coisa. Levantou-se depressa, vestiu-se e ignorou minhas perguntas. Me olhou uma última vez antes de sair correndo dali.

No dia seguinte, a procurei em sua casa.

“Ela foi embora, Pedro”, me disse Bianca, aos prantos. “Arrumou as malas e fugiu para sabe lá onde com o Cobra”.

FLASHBACK OFF.

O barulho do micro-ondas me informando que a lasanha estava pronta me tirou de meus pensamentos. Segui para a mesa de jantar. Mas não sem antes abrir mais uma cerveja. Após o jantar improvisado, tratei de conferir se toda a papelada do escritório estava bem organizada para o dia seguinte. Afinal, tudo que eu menos precisava era que um descontentamento do meu insuportável chefe me colocasse no olho da rua.

Eu tinha que me sustentar.

Apaguei as luzes e segui para meu pequeno quarto. Um banho rápido e eu estava pronto para finalmente dormir. Encarava o teto. Maldita mania de pensar demais antes de dormir.

FLASHBACK

Gael gritava coisas sem sentido no andar de baixo. Dandara interrompeu a aula de canto e correu para as escadas. Nós, obviamente, fomos atrás. Estava uma bagunça na academia. Gael estava nervoso de uma maneira como eu nunca havia visto. Bianca chorava e berrava ao mesmo tempo, enquanto Duca tentava acalmá-la. De repente, percebi que alguns dos lutadores me olhavam diferente.

Eu conhecia bem aquele olhar: pena.

Aproximei-me devagar e Fabi não hesitou em me estender um jornal, mesmo com os outros me sussurrando que não valia a pena.

Ela era capa de jornal.

Não havia foto. Apenas uma grande manchete anunciando que ela havia sido pega por porte ilegal de arma. Ela e Cobra, é claro.

Naquela noite, eu fiz uma limpa. Foi para o lixo qualquer coisa que me lembrasse a ela: fotos, presentes, cartões, roupas, tudo. Até mesmo retirei o que já estava impregnado com o cheiro dela ou que me trazia lembranças. Nada poderia ficar. Se eu não a deletasse completamente de minha vida, eu não poderia seguir em frente. eu não poderia ser feliz de novo.

FLASHBACK OFF.

Deitado ali, admirando o teto.

Nada de fotos, presentes ou objetos sobre ela.

Mas ela estava ali, rondando meus pensamentos. Ali, ela nunca deixou de estar.

Notas finais
Pedrinho claramente não está bem. Tá afastado de todos, só bebe... o que será que aconteceu com o bichinho?? Próximo capítulo tem mais Perina.... e infelizmente um personagem vai entrar pra atrapalhar um pouco nosso casal. IHIHIHIHIHI Twitter: hereforsantoni