Notas iniciais
Hey!!! Se eu demorei? Sim. Tenho culpa e assumo a mesma. Peço perdão, porque como diz minha sábia mãe "perdão é mais do que desculpa". Bom, aqui estou com um novo capítulo, um tanto quanto ruim, confesso. Um pouco dramático, confesso também. Mas, com uma alegria sem igual de poder estar postando novamente. Queria agradecer as leitoras sempre maravilhosas que me inspiram e me incentivam com comentários incríveis e que apoiam de forma magnífica a fic. eu amo vocês! Todas, desde as veteranas até as calouras ♥ Queria agradecer em particular a Kaká pela recomendação. Vocês não tem ideia do quanto eu adoro essa menina! Nos conhecemos dos tempos de ouro de do Princípio..., ela começou a ler a fic, começamos a nos corresponder por redes sociais e logo BUM! já havíamos feito uma amizade inquestionável e leal. Kaká, eu te adoro sempre, sempre! Pode contar comigo pra tudo! ♥ E isso eu deixo aberto aqui pra todas as minhas leitoras. Podem contar comigo quando precisarem! Bjs! Amo vocês!

P.O.V Suzana

Minha mão nunca ficara tão trêmula quanto naquele momento.

A maçaneta parecia vibrar de tão ansiosa que eu estava.

Eu não conseguia parar de sorrir.

Pedro havia me dado a prova de seu amor por mim, e eu não podia estar mais grata.

Decididamente eu estava apaixonada por Pedro Pevensie e por mais que um mundo de pessoas ficassem contra nosso amor, ainda assim eu não me permitiria que isso ficasse entre nós.

Eu me sentia pronta para encarar o mundo de frente se no fim do caminho Pedro estivesse me esperando de braços abertos.

Com um sorriso nada contido em minha face abri a porta do meu quarto e pisei firme no corredor.

A porta de Pedro estava fechada, mas não me dei por satisfeita e fui de encontro à ela.

Minha mão agarrou a maçaneta e girou-a, o coração disparado no peito de modo frenético, quase alucinante.

Mas, para minha completa frustração, a porta estava trancada. Um silêncio perturbador do lado de dentro.

_Pedro?_chamei hesitante, minha voz cautelosa e amedrontada.

_Ele saiu._disse a voz de Lúcia sobre meu ombro, um sorriso doce em sua face jovial.

_Sabe onde ele foi?_perguntei sorrindo fraco, tentando transparecer uma calma não existente em meu ser.

Lúcia negou uma vez dando de ombros logo em seguida.

_Talvez encontrar Keyna..., não sei dizer._completou com uma expressão suave.

O ciúmes ardeu forte e vivido em meu ser.

Imaginar Keyna, que era, de fato, uma moça muito atraente que transbordava charme, agarrada a Pedro, ao meu Pedro, era demasiadamente desconfortável.

_Tudo bem. Falo com ele mais tarde._disse de forma casual, descendo em seguida as escadas e correndo para a cozinha.

Edmundo, para minha surpresa, estava arrumando algumas coisas em uma mochila em cima da mesa de jantar.

Sua expressão era calma, alegre até.

_Onde você vai?_questionei.

Ele nem se deu ao trabalho de levantar os olhos, estava muito concentrado arrumando a mochila.

_Pedi a Pedro para ir até a casa de Joseph, ele me convidou para almoçar com a família dele._respondeu com entusiasmo.

Para Edmundo era difícil fazer amizade, então quando o fazia aquilo se tornava o centro de seu mundo.

_Pedro permitiu?_perguntei mordiscando o lábio, a ansiedade queimando em meu estômago.

_Sim. Disse que posso ir e levar Lúcia na casa de Meredith. Na verdade nem sei porque ele sugeriu isso, normalmente ele não aceitaria bem a ideia de irmos para casa de estranhos em pleno fim de semana._falou com o cenho franzido, mas não dando a real importância ao assunto.

Me permiti sorri discretamente.

Se Pedro havia liberado Lúcia e Edmundo de casa isso me dava esperanças que ele pudesse estar querendo ficar a sós comigo para conversarmos.

E é claro que, apesar do frio extremo na boca do estômago, ainda assim eu estava nas nuvens só por imaginar que teria uma tarde toda ao lado de Pedro. Apenas eu e ele.

_Espero que vocês se divirtam!_anunciei bebericando um copo de água, no intuito de esconder um sorriso presunçoso que crescia em meus lábios.

Edmundo, enfim, levantou os olhos.

Seu olhar era questionador e pareciam me avaliar como se estivesse tentando encontrar a solução de um cálculo matemático extremamente complexo.

_O que foi?_perguntei levemente assustada, com medo que ele suspeitasse de algo.

_Você...parece feliz. Feliz demais._completou colocando a mochila nas costas.

Engoli em seco e sorri de leve, tentando transmitir alguma confiança naquele gesto, mas falhando consideravelmente.

_Acho que deve ser só impressão._esclareci de forma sucinta.

Edmundo negou, levando a mão ao queixo e fingindo pensar por um momento.

_Não. Você está contente. E acredito que essa alegria se deva ao seu novo namorado. Call, não é mesmo?! Lúcia nos contou._falou rindo, enquanto minha perplexidade e alívio se diluíam com igual gradatividade.

Edmundo se aproximou e apertou em meu ombro, um gesto de afeto que raramente ele demonstrava.

_Se ele lhe faz feliz, eu fico feliz. Ok?!_falou de forma dócil.

Não pude evitar pensar em qual seria a reação de Edmundo se descobrisse que o homem que tanto me faz feliz é também nosso irmão mais velho e que, possivelmente, Call nunca terá um lugar adequado em meu coração, uma vez que Pedro ocupa todo o espaço vago.

_Ok._respondi olhando de forma quase que fantasmagórica para Edmundo. Vendo-o, mas perdendo o mesmo de vista, enquanto me afogava em indagações e medos.

Edmundo assentiu e deu-me um breve beijo no rosto, rumando em seguida para a sala.

_Lúcia, vamos!_anunciou ele do pé da escada.

Lúcia desceu arrumada demais para quem só iria almoçar com Meredith e os pais.

Ela estava radiante, seus olhos tinham um brilho quase palpável, seu sorriso era uma fileira de belos e brancos dentes. Nada parecia estar fora do lugar em sua figura.

Ela imitou Edmundo e se despediu com um beijo em minha bochecha, mas, diferentemente dele, Lúcia me abraçou com força.

_Não deixe Edmundo saber._cochichei em seu ouvido durante nosso curto abraço.

Lúcia olhou-me sorridente.

Ela sabia que eu estava ciente que Meredith era só um pretexto para ela se encontrar com sua nova paixão adolescente: Ryan.

Mas, diferente de meus irmãos, eu tinha perfeita confiança em Lúcia.

Sabia que ela precisava conhecer pessoas, se sentir aceita e, principalmente, amar como qualquer garota de sua idade.

_Aproveitem._falei com um sorriso resplandecente, que poderia explodir o mundo de tão contagiante.

_Voltamos às seis._avisou Edmundo, enquanto mantinha a porta aberta para Lúcia passar.

Assenti desejando, pela primeira vez, que eles não chegassem antes da meia noite.

***

Aproveitei a manhã para fazer um almoço maravilhoso para mim e para Pedro.

Deixei tudo pronto e me arrumei, esperando sua chegada.

Mas, de forma decepcionante, o conto de fadas em minha mente se desfez quando Pedro não apareceu para almoçar.

Sua ausência acabou no meio da tarde, quando eu, já coberta de preocupações, ouvi a porta de baixo abrir e fechar com rapidez.

Sem qualquer vergonha de ser notada pulei para fora do quarto e corri até a escada, dando de cara com meu irmão mais velho.

Pedro, aparentemente, estava bem.

Não estava machucado, não fisicamente, mas em seus olhos a magoa era evidente.

_Boa tarde._falou de forma curta, passando ao meu lado e adentrando o corredor com indiferença.

É claro que eu merecia ser ignorada.

Ele havia deixado bastante claro que não voltaria a correr em meu encalço.

Que se recusava a sofrer mais um segundo que fosse por alguém que havia insinuado que apenas sentia atração por ele.

Eu entendia sua raiva.

Sua tristeza.

Mas não estava disposta a cometer o mesmo erro.

Corri até Pedro e o detive antes que entrasse em seu quarto.

Sua expressão continuava intacta.

Sem nenhum vestígio de sentimento.

_O que aconteceu na noite passada foi incrível._comecei hesitante, minhas palavras trêmulas.

_Você não sabe o que está falando._respondeu grosso.

Suas palavras eram esperadas.

Ele estava magoado, mas eu não iria permitir desfazer o erro que havia feito.

_Não. Não estou. Você sentiu aquilo. Eu sei que sim.

_Suzana, não comece com seus discursos de auto ajuda de novo. Já falei: nossa relação de agora em diante será estritamente ligada por nosso sangue. Nada mais do que isso._por mero segundo Pedro quase perdeu sua compostura, a raiva ardendo em sua fala cordial.

_Não vou começar com nada! Mas preciso dizer o que está trancado aqui em meu peito. Preciso dizer que a noite passada ficou marcada em mim de modo profundo e indiscutível._meus olhos estavam marejados, minha voz roca beirava a histeria, mas, de forma alguma, eu me permitiria aceitar aquilo calada. Não podia e não queria mais negar meus sentimentos por Pedro.

Nada mais importava desde que ele estivesse do meu lado.

Como homem, como amante, como marido...

Pedro parecia um pouco mais vulnerável, diferente de minutos atrás. Aproveitei a oportunidade para colocar as cartas na mesa.

_Alguns dias atrás eu jamais me permitiria imaginar amando você do jeito que amo hoje, que amo agora!_lágrimas trilhavam meu rosto e se perdiam na gola do meu vestido_Você me fez mulher. Me fez sentir coisas que estavam adormecidas dentro de mim. Sentimentos guardados num baú fundo e escuro, coberto por uma amargura sem fim.

Pedro suspirou devagar, seus olhos me olhando como na lembrança de nossa noite juntos: atentos, apaixonados...

_Eu amei Caspian, sim. Muito. Não me permiti amar outra pessoa a não ser ele, mesmo sabendo que jamais o veria. Mesmo sabendo que nosso destino não era ficarmos juntos. Eles não estavam e nunca estariam cruzados, fazendo o enlace perfeito. Sabe por quê?

Pedro negou levemente, seus olhos sempre azuis profundos, ganhando uma tonalidade cinzenta.

Levei minha mão até o seu rosto.

Seu rosto jovem já começava a denunciar a maturidade.

Pedro era um homem, meu homem...

_Porque nunca daria certo com ele, quando minha alma gêmea estava do outro lado, me encarando de forma inocente e perspicaz._sorri, enquanto observava Pedro fechar os olhos e tentar, sem muito sucesso, não derramar lágrimas quentes e doces.

_Não me prive de ter um futuro onde você não esteja ao meu lado. Eu menti, te magoei e agora peço perdão. Eu preciso de você, Pedro Pevensie. Vou enfrentar tudo e todos que se oporem ao nosso amor. Eu prometo. Não posso viver uma vida onde você não faça parte.

Meus soluços eram o único barulho no silencio torturador que se instalara.

Pedro abriu os olhos, o tom azul ainda estava acinzetando. Sua expressão era um enigma sem fim.

_Você merece uma vida de felicidade, Suzana Pevensie._disse de forma dócil.

Quase me permiti sorrir e o beijar, se ele não se afastasse e largasse minha mão, ficando frente a frente. Olhando-me de perto, mas de modo distante.

_Eu preciso de você._argumentei chorosa, o medo de vê-lo saindo de minha vida golpeando-me como milhões de facas afiadas.

Pedro assentiu.

_Não vou sair de sua vida. Não faria isso. Sou seu irmão.

Meus olhos o encararam em pânico.

_Preciso de você como homem, Pedro. Não vou suportar trata-lo como irmão! Não me peça isso!_implorei.

Pedro não se abalou.

Sua vulnerabilidade de minutos atrás havia se dissipado.

_Me perdoe Suzana, mas eu não posso ser mais do que seu irmão.

Um frio insuportável gelou meu corpo.

_Não diga que não sentiu nada durante a noite que tivemos. Aquilo foi...

_Foi errado! Eu a amei. Estava determinado a abrir mão de tudo por você! Estava pronto para me tornar um homem ao seu lado! A noite que tivemos foi a maior demonstração de amor que eu podia lhe fornecer, mas ainda assim você não disse nada. Ficou calada. Deixou que eu partisse de sua vida de forma natural. Como se fossemos estranhos. Como se não estivéssemos conectados por algo muito maior do que apenas o sangue!_Pedro agora esbravejava, seu tom ressonando pela pequena casa de forma assustadora. Ele estava ferido, sim, ele estava. Mas, acima de tudo, ele estava com raiva.

_Mas agora eu estou aqui! Abrindo meu coração pra você. Desejando você mais do que jamais desejei um homem!_gritei estupefata, a face lavada por lágrimas..

Pedro parou e me encarou.

Seus olhos eram de um gelo implacável.

Congelavam-me a alma, o coração...

_Essa é a diferença entre nós dois. Você me deseja e eu, tolo como sou, te amo. Não há maior diferença em todo o mundo. Não há maior dor do que dizer um eu te amo e receber o mesmo de forma despojada de sentimentos.

_Mas eu te amo. Eu te amo e você sabe que sim!_argumentei.

_Não. Você não ama ninguém. Nem mesmo Caspian. Está presa em sentimentos que desconhece e denomina como amor, como se fosse algo banal. Sabe há quanto tempo eu te amo? Sabe o quanto me doeu ver você se aproximar de Caspian?! Sabe o quão duro foi vê-la beijar os lábios dele e me manter imparcial?! Sorridente, até?! Agora me responda: a quanto tempo me ama, Suzana? A quanto tempo percebeu isso?

A verdade recaiu em mim com um peso insuportável.

Pedro tinha razão, por um lado.

_O tempo não interessa, o sentimento é que conta.

_Não pra mim. E se você não pode conviver com isso terei que tomar uma providência.

E assim, Pedro desceu as escadas e saiu para o fim de tarde de um inverno congelante, deixando-me sozinha, deixando-me como quem diz adeus.

Notas finais
Comentem! Recomendem! Divulguem! Amem! Um beijo apertado a cada uma ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.