Até Onde Eu Consigo Insistir
1 Parte I
—Quarta-feira, 29 de março de 2017. Só ama quem é capaz de enfrentar, de se matar por alguém e de se aventurar mesmo sabendo que poderá se machucar.- diz Marcus, olhando para seu reflexo no espelho de seu banheiro gélido, em par com a temperatura invernal de sua cidade.
Quem o vê de primeira instância não imagina a angústia que esquenta o seu sangue e o motiva a procurar mais e mais por uma pessoa- ele terminara um namoro conturbado há 3 dias, mas ainda ama muito a pessoa, que se chama Chris.
— O que será que ele está fazendo? Deus, o que será que Chris está fazendo e com quem ele está? Ele DEVE me esperar e VOLTAR comigo.- diz Marcus, aos prantos, mas um pranto interno, pois sua mãe está na sala e poderá ouvir.
Chris terminara com Marcus pelo simples motivo de estar saturado com todas as coisas que conturbaram o “romance” deles na estrada de 4 meses de convivência.
O clima não passou a ser favorável a partir de um mês e meio atrás – ofensas rolavam, bloqueios nas redes e pouca importância de ambas as partes eram coisas rotineiras para os dois. Mas Marcus o amava tanto que não chegou a pensar que o término viria, de fato, a acontecer. Quando ocorrera, Marcus trancara-se no quarto e chorara durante o dia inteiro, perguntando aos amigos de Chris sobre o mesmo e querendo saber um porque para tudo.
Após sair de um momento choroso no banheiro de sua casa, Marcus vira-se para o sofá e deita nele. Seus olhos castanho-escuros estavam tão fundos que chegaram a causar um realce aos seus cabelos pretos, que, por sinal, indicaram que algo estava errado com ele. Sua mãe, Emilly, uma renomada psicóloga e escritora, de longos cabelos ruivos e óculos, conhece-o muito bem e logo percebeu que não estava em seus melhores dias. Marcus sempre brincara dizendo que seus cabelos ruivos radiavam uma interna inteligência emocional e ela se orgulha disso sempre. Após essa breve lembrança em sua mente psicóloga, ela aproxima-se do filho, abordando-o para conversar.
— Filho, não gosto de te ver assim. Sabe que sou psicóloga, não precisa ter vergonha. Eu sei que seu namoro acabou há 3 dias. Quer conversar sobre isso comigo?- perguntara Emilly ao filho.
— Mãe, me desculpe por deixar a senhora preocupada. Acontece que sinto muito a falta do Chris. Embora você não goste muito dele, eu o amo e sinto esse amor forte rasgando meu peito. Como faço para encontra-lo? Ele me bloqueou das redes e bloqueou meu número do celular dele...- respondeu Marcus.
— Entendo... Esse tempo entre vocês foi suficiente para ele te prender e fazer você depender dele. Eu...
— EU NÃO DEPENDO DELE! DE ONDE TIROU ISSO?- pergunta Marcus, interrompendo a mãe.- Ah, tinha que ser desses livros doidos que a senhora lê...- completa, enfurecido.
— OLHA COMO VOCÊ FALA DOS MEUS LIVROS! EU SOU SUA MÃE, NÃO SUA COLEGA DE ESCOLA! FALA DIREITO COMIGO!— diz Emilly, enquanto acerta um tapa no braço de Marcus, causando uma vermelhidão notável.
-Ai!!! Eu não quero mais conselhos...- diz Marcus, entristecido.
— Desculpa, não queria te machucar. Sobre teu caso, não quero mais saber. Cansei de conversar contigo e você não me escutar. Sofra sozinho!!!- diz Emilly.- Com licença, vou para o trabalho.- completa.
Emilly pega a chave de seu carro e sai de casa, sumindo da vista de Marcus. Agora, Marcus vê-se sozinho na sala-de-estar, que é tomada por uma gélida brisa. Solitário, pega seu celular na esperança de receber mensagens, mas nada tem. Lágrimas começam a cair de seu rosto.
— Tem razão, mãe... Preciso fazer algo...- decide ele.
Marcus tenta saber sobre o paradeiro de Chris, mas nada consegue descobrir. Os amigos dele só dizem a mesma resposta: ”Não faço ideia de onde ele esteja. Perdão.”, e isso o entristece mais ainda. Como não há mais algo para ajuda-lo, então, larga o celular na cama e vai em direção à cozinha para beber água. A água congelante desce rasgando pela sua garganta, acompanhada com a cara de rejeição. Nesse instante, o celular começa a vibrar. Marcus quase deixa o copo cair no chão e sai correndo para seu quarto. Suas mãos soam e tremem tanto que chega a deixar o celular escorregar. Quando digita a senha para desbloquear, a mensagem vem de...
— Prima??????- o ânimo de Marcus pareceu ser sugado como a água que cai no chão e é puxada para o ralo. Após respirar fundo, digita sua resposta.
— Pensando bem, essa loirinha esperta pode, muito bem, me ajudar. Aliás, ela adora ser cúpida e tem o Chris em sua rede social. Boa ideia...- conclui Marcus, que pede para que sua prima compareça à sua casa.
Após dez minutos do envio da mensagem, Ammy, prima loira de 10 anos de idade, chega em sua casa.
— Priminho lindo do meu coração, quanta saudade! O que você quer?- pergunta Ammy, direta.
— Amorzinho, você sabe muito bem da minha situação com o Chris. Ninguém consegue me ajudar. Será que você poderia...
— Acho que você quer saber ONDE ele está! Te conheço, Marcus!- diz Ammy, às risadas, interrompendo Marcus.
— Muito bem! Menina inteligente...- diz ele, retribuindo o sorriso.
— Bem, eu vi uma postagem dele. Ele postou que iria à Casa da Alegria hoje à noite. Mais precisamente, às oito horas!- informou Ammy.
— A boate!?!?- diz Marcus, revoltado.- Descarado! Mal terminamos e ele já...
— Marcus, vocês não estão mais juntos... Desculpa!- alertou Ammy, interrompendo-o.
— É... Eu ainda sinto como se estivéssemos...- respondeu.- 90% da minha consciência diz que eu não tenho mais chance com o Chris...- completou Marcus.
— E os outros 10%? Vá a luta, ainda tem 10% de chance. 10% é melhor que 0%, não acha?- motivou Ammy.
-Sim...- respondeu Marcus.
— Então, meu bem! Enxuga esse rosto e escolha a melhor roupa que você tem. Eu tenho que ir para casa agora, mas você sabe o que DEVE fazer e QUANDO! Não se atrase. Boa sorte!— despediu-se Ammy.
— Obrigado, minha flor.- despediu-se Marcus da prima, levando-a à porta. Quando ela foi embora, ficou um enorme silêncio e Marcus começara a refletir. Bom, são 5 horas da tarde. Essa é a minha chance. Vou com minha blusa gola-V azul e calça jeans. Vou largado, mesmo.
3 horas mais tarde...
Marcus já saíra de casa, estava à frente da Casa da Alegria. Não fez questão de usar suas roupas combinadas, estava apenas preocupado em achar o amor “perdido”. Seu coração batia cada vez mais acelerado. Parecia que ia morrer de tanta ansiedade.
— Essas luzes fluorescentes são inconfundíveis. Esse lugar é cheio de gente. Só o Chris para me fazer entrar nesse lugar.- diz Marcus, resmungando.
Como ele não é muito íntimo desses tipos de local, sentiu uma repulsa ao entrar na boate. O ar é quase rarefeito, devido à intensa concentração de corpos presentes. O estômago de Marcus começara a embrulhar-se e suas mãos soaram de nervoso. Eu só quero concluir meu objetivo e sair daqui. Que nojo.
Um remix da música Where Have You Been, da Rihanna, toca no local, servindo como fonte de várias coreografias e motiva a alegria das pessoas que estão localizadas nas pistas de dança. A única coisa que agradou Marcus foi a pulseira colorida que lhes deram quando ele entrou. Fora isso, repulsa.
— Cadê aquele garoto branco, magricelo e de cabelos pretos que eu amo e estou tanto procurando? Há tantas pessoas aqui que chega a ser impossível de procurar.- Marcus olha ao relógio. – São oito e cinco. Como ele é pontual, deve ter chegado.— concluiu ele.
Emergindo como um anjo, na luz fluorescente vermelha e laranja, com uma calça e blusa brancas, sapatos beges e óculos escuros, Chris aparece e faz o coração de Marcus bater como tambores de escola de samba.
Marcus começou a correr contra a multidão que impedia sua locomoção, numa tentativa desesperada de rapidamente chegar perto de Chris, para o abraçar e beijá-lo. Após quase ser pisoteado, consegue chegar em Chris. Estica partes da blusa que foram amarrotadas, respira fundo e toma coragem para ir ao encontro dele.
— Eu consegui!!!- pensara ele, ansioso.
Antes de tocar em Chris, um homem aproxima-se da pessoa que Marcus estava ansioso para encontrar, arrancando sorrisos de Chris.
— Chris?!?!- pergunta Marcus, desentendido.
— Marcus? O que faz aqui? Não entendeu que terminou?- diz Chris, destratando Marcus.
— QUEM É ESSE GAROTO?- pergunta Marcus, enfurecendo-se.
— É o Lucas, o garoto que eu estou saindo e conhecendo no momento. Por quê?- afronta Chris.
— EU NÃO ACEITO ISSO!!!- enfurece-se Marcus, dando um soco que faz Lucas cair ao chão. As atenções de todos estão voltadas para essa cena, chocados.
— Marcus, você vai se arrepender eternamente de ter feito esse papel ridículo aqui!- diz Chris à Marcus.
Continua...
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