Notas iniciais
Espero que você se divirta tanto quanto eu enquanto escrevia o capítulo. Vamos a ele!

O trio seguia pela estrada e era evidente que Freya os conduzia a contragosto ao próximo destino. Ficou com cara fechada e não quis muita conversa. De certo modo, Edgar até tentou tirar aquela expressão carrancuda conversando amenidades, mas ela continuou impassível, ou melhor, insondável.

Sugestão de trilha: Code Geass – Lelouch of the Rebellion OST 2 – I can’t do it

O que levou os dois a se desentenderem?”, perguntou-se um curioso Edgar. Precisou se segurar para não indagá-la e virar o abelhudo do ano.

A estrada era de terra vermelha, irregular, porém, o suficientemente firme para não atrapalhar o andar da carruagem. E assim prosseguiram, escoltados pelas Valkyrias.

― Bem, estava bem enganado com esta carruagem... Digo, a princípio eu a achei estranha. Porque... Vejamos, não estamos acostumados com... Como posso falar? Gatos! Não é, Raven?

A empreitada de rapaz foi tão infeliz que Freya parou o carro, o encarou e disparou:

― Não precisa se sentir culpado, Edgar, por eu ser obrigada a levá-lo à presença de Odin.

Ele jurava que a mulher iria chamá-lo de O Pendurado, assim quando estava na presença de Morrighan.

― No entanto, a ideia da Morrian acreditar que... grrr Bom... Como devo denominar o cara mais catatônico que conheci em minha vida?

― O Pendurado? – Raven tentou completar de modo desajeitado.

― É!

― Desculpe, aí fica a minha dúvida... Por que O Pendurado?

O questionamento do conde criou um clima nada amistoso. Freya o olhou de soslaio, enquanto conduzia o carro. Passado um tempo, a mulher voltou ao assunto.

― Vou te contar o porquê o chamo de O Pendurado. Mas, isso é para ficar entre nós.

― Por mim, tudo bem. – disse Edgar e encarou Raven.

― Para mim, também.

― Pois então, Odin é um dos melhores guerreiros que temos. Mas, de tempos em tempos, ele se pendura em uma árvore para buscar a sabedoria. O seu tempo de meditação é tanto que ele criou peças enigmáticas chamadas runas. Acredito que vocês já tenham ouvido falar, não?

Ambos concordaram com a cabeça. Continuaram atentos ao discurso de Freya.

― Duvido que até nos dias atuais, alguns charlatões as usam para prever o futuro. Não é?

― Pior que sim! – concordou o jovem conde.

― Sabia... – disse em múrmuro. Dado um tempo, ela prosseguiu: ― No nosso mundo, as runas são como presságios para caminhos a serem seguidos. No entanto... Na minha humilde opinião, creio que... Odin sofra de depressão.

Em uma época como a Era Vitoriana, a ciência evoluía a cada dia, mesmo que tenha recebido algumas influências religiosas. Contudo, Edgar sabia um pouco sobre assuntos relacionados ao tema. Tentou ligar os pontos, mas não descobriu onde entravam as runas.

― Mas, e as runas?

A sua pergunta foi interrompida pelo chacoalhar da carruagem, e a parada brusca de Freya. A mulher se dirigiu a eles com a seguinte orientação:

― Que tal perguntar diretamente para ele? Afinal, ele é o grande sábio! Pois bem, aliás... Vocês estão dando as costas para o caminho onde ele se encontra.

Raven e Edgar voltaram-se para trás e viram que em meio à relva havia um caminho muito estreito de terra. Ali, provavelmente não passava mais de uma pessoa, o que dirá uma carruagem com uma comitiva. Foi ponto pacífico para o rapaz entender que eles deveriam seguir sem a companhia de Freya.

― Quer dizer que...

― Isso mesmo, Edgar. Você e Raven deverão trilhar aquela estrada e no alto daquela montanha, é onde ele está. – e apontou para um carvalho imenso que sobressaia todas as outras árvores ao redor. E, se observassem bem, reconheceriam um homem suspenso de cabeça para baixo, preso por uma das pernas, sendo que a outra se encontrava dobrada e sobreposta a outra.

Eles desceram da carruagem sob o olhar da mulher e sua escolta.

― Mas, não há perigo de nos perdemos? – questionou o jovem conde.

― Vocês não sabem andar em linha reta? – Freya devolveu a pergunta.

E alguns risinhos surgiram ali e acolá.

O rapaz só a olhou contrafeito. E a mulher foi categórica:

― O que estão esperando? Vão! O tempo corre!

Os dois fizeram uma reverência e caminharam em direção à estrada, ainda observados pelo grupo, e a adentraram. Durante a trilha, o Edgar se encontrava inquieto, o que não passou despercebido do zeloso Raven. Ele, então, o interrogou:

Sugestão de trilha sonora: Yes — Roundabout

My lord? Que o incomoda?

― Não sei exatamente, Raven. Mas, pense! Depois de tudo que ficamos sabendo, por que elas não nos deixam agir? Seria o caso de consultar Odin para receber sabedoria, sendo que a situação exige atitude?

― Tem razão, jovem! Esse evento obriga a atitude de gente que tem colhão!

Definitivamente não era Raven que falava. Edgar encarou o mordomo que tinha um semblante bastante interrogativo. Checaram em volta se havia alguém, e não encontraram.

― Raven, não foi você quem disse aquilo! Portanto, há mais alguém por aqui!

― Evidente que tem!

A voz era rouca, ligeiramente tremida e pelo fato de ser emitida de algum lugar não identificado, ganhava um ar fantasmagórico. Ambos entreolharam-se e começaram a observar ao redor. E então, um vulto passou muito rápido perto de Edgar. Instintivamente colocou a mão no bolso direito e sentiu a falta do relógio. Pensou num lapso: “Mas, como isso é possível?”.

― Raven, há um ladrão por aqui!

O jovem servo o fitou surpreso, como fosse perguntar: “Isso é possível em outra dimensão?”.

― Oh, o relógio do pimpão é lindo, hein? – disse um gordinho que comia uma estranha fruta.

― Bacana! Mas o que faremos com ele? – indagou um moço mais magro, alto e com sardas e apresentava os cabelos espigados.

― Podemos vender. – sugeriu o garoto moreno, com a pele tostada pelo Sol, de olhos e cabelos negros.

― Que nada! É de ouro! Vamos ficar com ele! Podemos usá-lo como bússola! – propôs um homem de estatura mediana, ruivo, de olhos verdes cintilantes. Portava na cabeça um capacete com dois cornos como os de um touro. Todos da trupe trajavam roupas que remetiam a um teatro mambembe. Pareciam surradas, mas muito limpas e enfeitadas.

― Ei, vocês! – esbravejou Edgar. ― Este é o meu relógio!

― É seu relógio? – perguntou o ruivo. ― O certo seria era o seu relógio.

Edgar colocou as mãos na cintura e espreitou os olhos ao falar:

― Como que é?

― Isso mesmo! – se aproximou o homem, que aparentava ser o líder da trupe. ― O que é dado não é furtado!

― Ah! Eu te dei o relógio? – ironizou o rapaz.

― Calma, meu jovem! Só o peguei emprestado. – quando ele estava quase devolvendo para o conde, trouxe para si e leu com curiosidade o que estava gravado atrás do objeto.

Hum... Com amor, Lydia!

Os outros três o imitaram:

Hummmmmmmmmmm

― Poderia me devolver o meu relógio? – indagou o jovem conde impaciente.

― Então, me responda uma pergunta.

Edgar entortou a boca em desagrado e aí disse:

― Diga.

― Em primeiro lugar, vocês vieram com a bonitona? E em, segundo, vocês vão conversar com o louquinho das pedras?

― Senhor, louquinho? É melhor, mudar para malucão! – disse o menino moreno.

E o quarteto caiu na risada. Edgar e Raven continuavam a observá-los com cara de poucos amigos. No fim, foi o jovem conde que deu a quebra na situação.

― Para começo de conversa, você disse que iria me fazer uma pergunta. Acabou fazendo duas.

― Uma, duas, três... Tanto faz! – e caiu na risada.

O rapaz continuou sisudo e entortou mais ainda a boca.

― Este relógio tem um valor sentimental. Não furto e nem roubo valores sentimentais. Ainda mais vindo de um casal tão bonito... – e o homem devolveu o relógio.

E os rapazes fizeram coraçõezinhos com as mãos. A essa altura, Edgar respirou fundo procurando se controlar.

― Bem, se me der licença, preciso...

Ele foi cortado novamente pelo homem com:

― Não me apresentei ainda, não?

― Sinceramente, não me interessa! – reclamou o conde. ― Afinal, tenho pouco tempo para...

― Resgatar sua amada! Não é? – pediu confirmação o homem ruivo enquanto estalava os dedos.

Raven e Edgar não tiveram nem tempo de revidar, pois o quarteto se dividiu. Cada um subiu em uma árvore e se esconderam.

― Raven, que tal sairmos devagarinho para... – sussurrou Edgar. Mas, nem teve tempo para completar a frase, pois o garoto gordinho apareceu no alto de uma das árvores:

― Ele é o rei dos mares!

― Ou seria o rei dos chás? – desta vez foi o moço magro saindo da copa da árvore ao lado.

― Definitivamente, sua língua e sua lábia são geniais! – exclamou o moço moreno.

Os três rapazes pronunciaram ao mesmo tempo:

― Senhores, eis o rei da malandragem, da picaretagem, e da malícia! Ele... Loooooooooooooki!

― Obrigado! Obrigado! – agradeceu Loki, o homem ruivo que se apresentou na última árvore, enquanto os outros três o ovacionavam com palmas, assovios e “bravos”.

O olhar que Edgar direcionou a Raven fez com que Loki descesse rapidamente a árvore e num pulo só, o que foi imitado pelos outros três.

― Meu caro, para que a pressa?

― Estamos com tempo curtíssimo, sir Loki. Se me der licença... – explicou Edgar e tentou contornar o homem. Loki o pegou pelo braço o forçando encará-lo.

― Rapaz, eu posso ajudá-lo!

― Ah, me ajudar? – debochou o rapaz. ― Que saiba até agora tem atrapalhado a minha ida até Odin.

― Aquele purgante dependurado na árvore irá lhe falar frases enigmáticas, soltar umas pedrinhas e vocês que se lixem! A situação precisa mais de colhões como eu já disse, e não apresentações de mágica!

― Ah, é? – disse um Edgar cáustico.

― Para começar, quem o indicou? – perguntou Loki.

― Bom, a princípio foi a Morrighan porque...

― A Morrighan? Ela é foda! Mesmo sendo foda, ela errou feio! – opinou.

― Posso terminar? – indagou Edgar.

― Quem os trouxe até aqui? – indagou o ruivo. – Aliás, — virou-se para Raven e disse: ― Gostei de você, rapazinho. Centrado, bom ouvinte e nem meteu o bedelho...

Sir Loki, vamos direto ao assunto? – interrogou o conde.

― Acho o máximo que você me chame de sir... Não sou tão astuto assim. – e piscou para rapaz.

Ele continuou impassível, com cara que sua paciência já estava bem longe. Loki fez novamente a pergunta:

― Quem os trouxe aqui? Você não respondeu. E isso é importantíssimo para minha ajuda!

― Freya. Por quê?

― Ah, sabia! A gostosona!

O trio que acompanhava Loki se manifestou com uma algazarra. Ele, por sua vez, chegou perto de Edgar e contou em tom de segredo.

― Sabe aquele colar que ela carrega no colo?

Edgar o encarou com um ar de “e eu com isso?”.

― Então, — prosseguiu Loki. ― Para consegui-lo ela dormiu com seis anões! Digo, não é um, não! Um, dois, três, quatro, cinco, seis! Seis anões! – E enquanto ele falava, demonstrava os números pelas mãos.

Edgar revidou:

― Não estou aqui para saber a vida sexual da Freya! Até porque ela é mulher livre, não é? Pois bem, quero saber...

Foi quando Loki apanhou a mão de Edgar, colocou um objeto pequeno nela, e a fechou. O conde o encarou com ar interrogativo.

― Vamos, abra-a! – ordenou Loki.

Edgar deparou com uma pedra, aliás, uma runa. Mas não conseguia interpretar o significado dela.

― O que ela representa?

― Sabedoria! – respondeu Loki.

― É exatamente isso...

― Que você procura? Pois bem, Edgar, você não vai precisar... Afinal, você tem quase todas as armas e artimanhas para enfrentar seu adversário.

― Só uma coisa... – disse Edgar.

― Pois não!

― Você furtou isso de Odin?

A pergunta foi à queima-roupa, que até provocou uma reação de Raven, que também encarou Loki.

― Oras, meu rapaz! É assim que se fala...

― Responda!

― Não! – afirmou Loki. ― Aliás, eu peguei emprestado. Agora! Guarde-a no bolso.

― Não, não! – negou devolvendo-a para Loki. ― Ela já tem dono!

― Assim você me magoa... Mas, enfim. Vamos de novo! Me dê sua mão, jovem!

Edgar entortou a boca em desagrado.

― Vamos! Vamos! Não temos muito tempo!

― Eu reparei! – ironizou Edgar.

Assim, ele estendeu a mão. E assim, Loki repetiu o gesto com uma nova runa. Edgar a trouxe para perto de si e olhou para o ruivo.

― Pois bem, aí está... Tempo!

― Tempo?

― Vamos lá, Edgar! Acho que você logo mata a charada... O que roubei de você?

― Tempo!

― Muito bem! E o que estou te devolvendo?

― Tempo!

― E o que você precisa fazer para enfrentar o seu inimigo?

― Voltar no tempo!?

Loki e seus companheiros gritaram:

― MUITO BEM!! Aeeeeeeee

Bateram palmas e assobiaram.

― Mas, como? – indagou Edgar.

― Então, me siga, rapaz! – aconselhou Loki.

Edgar olhou para Raven, que levantou os ombros e os seguiu. Assim também fizeram o trio que acompanhava Loki.

Andaram até uma árvore cheia de frutas vermelhinhas. Loki pegou uma pequena vareta e desenhou uma porta com uma maçaneta, e essa criou uma tridimensionalidade. Ele a abriu e disse:

― Entrem. Logo à frente, vocês saíram na casa do Senhor do Tempo, Chronos. Já digo, o velho é marrudo, teimoso e meio amargo... Melhor preparem os melhores argumentos. E assim, vocês irão voltar no ponto-chave para resolver o problema. Estamos combinados?

Loki mostrou o polegar e piscou o olho direito. E foi imitado pelo trio.

― Combinado! – respondeu Edgar com um sorriso zombeteiro. Logo depois, olhou de soslaio para o mordomo, que para sua surpresa, estava mostrando o polegar como quem concordasse com a decisão.

Edgar tentou disfarçar a risada, mas foi pego pelo semblante debochado de Loki.

― Vamos, entrem! – ordenou.

― Bom, se é assim...

Edgar se dirigiu para porta criada por Loki. Mas, assim que ele chegava perto dela, o Deus da Trapaça o apanhou o braço para dizer:

― Tenho orgulho que você seja, meu filho, viu?

Edgar não entendeu muito bem o que ele quis dizer e só o agradeceu:

― Obrigado!

Adentrou a árvore, seguido por Raven. Logo à frente, no pequeno espaço, havia outra porta. Ambos se entreolharam e Edgar girou a maçaneta. E assim, se depararam no centro de Londres, em frente ao Big Ben, o relógio símbolo de Londres. Era ali a morada de Chronos, a próxima parada para trazer Lydia de volta.

Notas finais
E você pensando que seria aquele capítulo tenso com Odin dando respostas enigmáticas ou preparando Edgar como fosse o Pai Mei com a Beatrix Kiddo. Hahaha Te peguei, aqui fomos apresentados ao Loki, Deus da Trapaça, da Mentira e dos ladrões. Você deve ter imaginado como o Loki da Marvel, que é interpretado pelo bonitão do Tom Hiddleston. Bem, Loki não é tão bonito quanto o Tom, mas tem seu charme. Isso porque ele colecionava amantes, quando não contava aos seus maridos que tiveram seus momentos... Te lembra alguém em seus 21 anos? Hahahaha Mas, o Edgar é beeeeeeeeeem mais bonito do que Loki. Enfim, Loki era apaixonado pela Freya, mas nunca conseguiu conquistá-la. A história do colar da Rainha Falcão Branco também é verdadeira. E como ele não tem papas na língua, contou ao Edgar. A trilha foi escolhida a dedo. E qual outro grupo com seu rock progressivo faria tão bonito para o Loki se não fosse Yes. E ah, para escrever o capítulo me baseie no humor nonsense e absurdo de Monty Python, que assim como Edgar e Yes, é formado por britânicos. E para encerrar, sobre ele ter falado para o Edgar que era seu filho, dentro da religião wiccana, cada pessoa tem uma identificação com um Deus ou Deusa que o protege. No caso do Edgar, um deles é o Loki. Portanto, por isso que ele tomou várias liberdades com nosso conde. Espero você na semana que vem! E agora o encontro é com Chronos! Até mais e deixe seu review! Beijos.