Até Às Últimas Consequências
5 A esperança
Notas iniciais
Depois de serem levados sob custódia para o FBI, Vinicius e seus amigos foram jogados em uma cela durante toda a noite.
Nenhum deles conseguiu dormir. Estavam furiosos e ao mesmo tempo preocupados.
— Temos que pensar em alguma coisa para fugir daqui. – ditou Vinicius.
— Como? – perguntou Thabata. – Estamos no FBI, rodeados de agentes armados. Mesmo que saíssemos da cela logo teriam vários agentes atirando em nós.
— Ela tá certa! – apoiou Tales. – O melhor que temos a fazer é cooperar com eles, quem sabe não conseguimos algum benefício?
— Vocês estão malucos? – perguntou Vinicius irritado. – Ajudar esses policiais de merda, qual é?
— Caso você não tenha reparado, nós estamos presos! – ditou Tales. – Mullins nos traiu, nos usou como isca para que pudesse fugir.
— Concordo com o Tales. – falou Thabata. – O melhor a se fazer é contar a eles tudo o que sabemos sobre Mullins e os outros.
— Não sei se é uma boa ideia. – Lorena manifestou-se pela primeira vez. – Eles estão nos perseguindo por mais de um ano e até agora nem o nome do Mullins eles sabem. Os policiais são burros e lerdos, nunca irão pegá-lo.
— O melhor a se fazer é tentar fugir. – insistiu novamente Vinicius.
— Não! – falaram Tales e Thabata.
— Isso seria suicídio! – gritou Thabata.
— Eu não quero morrer... – choramingou Tales.
Antes que Vinicius pudesse responder, ouviram passos se aproximando e logo a cela começou a ser aberta.
— Eles devem nos levar para o interrogatório agora, não falem nada! – cochichou Vinicius para todos. – Entenderam?
— Sim – disseram os três juntos.
Quando a cela foi aberta, haviam quatro agentes, todos apontando armas para eles.
— Viemos levá-los para dar uma palavrinha com o comandante. – falou um deles. – Se tentarem alguma gracinha, nós atiraremos em vocês.
Um dos agentes encarava os quatro com um brilho estranho no olhar e um sorriso malicioso.
Lorena encarou esse agente e sentiu uma sensação muito ruim.
— Vamos levar um de cada vez, então; você vire de costas e mãos atrás do corpo. – ordenou para Vinicius, que obedeceu rapidamente.
Antes que ele saísse, olhou para os amigos, tentando dizer-lhes que seguissem com o combinado e que não estragassem tudo.
Logo Vinicius foi deixado na sala sozinho.
Involuntáriamente, começou a pensar sobre sua vida até àquele momento.
Com 10 anos perdera os pais em uma operação da policia na favela em que moravam. Seu pai foi confundido com um traficante e foi morto, sua mãe em desespero, partiu para cima dos policias e acabou sendo baleada também.
O pequeno Vinicius foi levado para um abrigo para menores e lá permaneceu por dois anos. Ao completar 12 anos teve de ser transferido para outro abrigo com crianças mais velhas, e ao chegar em sua nova “casa”, sua vida piorou. Por ser o mais novo, ele era frequentemente agredido pelos mais velhos, roubavam-lhe suas refeições, enfim transformaram sua vida em um inferno. Ao completar 16 anos fugiu do abrigo e começou a viver na rua atrás de um futuro, porém não era fácil.
No final do primeiro dia nas ruas, com fome e cansado, considerou voltar ao abrigo onde pelo menos era alimentado e tinha uma cama, mas a rejeitou e viu somente uma alternativa para conseguir sobreviver: “roubar”. Começou a bater carteiras de pedestres, sempre roubava apenas o necessário para comer, nunca causou muito prejuízo. E assim viveu até os 18 anos.
Um dia sua vida mudou quando estava tentando encontrar a sua vítima. Viu um homem de óculos escuros, alto, com um ar de superioridade irritante. Ao tentar roubar-lhe a carteira, viu que cometera um grande erro, pois o homem o agarrou e lhe encostou uma arma discretamente.
Em pânico, tentou de todos os modos escapar do homem, porém não teve chance. Foi arrastado até um beco e jogado no chão.
Achou que seria o fim de sua vida, mas se surpreendeu quando o homem lhe ofereceu uma chance de mudar de vida.
Steven Mullins era o nome do homem que lhe tirou das ruas, ensinou-lhe diversas coisas, a criar explosivos, a atirar e a manipular as pessoas.
Vinicius acreditava que era um dos melhores homens de Mullins, jamais esperou que ele o deixaria para trás e ainda por cima preso.
Agora estava sentado em uma mesa simples de madeira com as mãos algemadas à espera dos policiais.
Havia duas cadeiras na sua frente, tentava manter-se calmo, mas estava começando a ficar nervoso.
Momentos depois, dois policiais entraram na sala.
Bob encarava com ódio o homem algemado, estava se controlando para não quebrar a cara do cretino; Winter trazia um copo de café.
Se sentaram.
Vinicius não os olhou, continuava encarando a mesa à sua frente. Winter depositou um copo de café próximo de sua mão e começou o interrogatório.
— Estamos procurando vocês há muito tempo. – falou calmamente, enquanto Vininicus continuava a encarar a mesa. — Depois do truque de ontem no galpão você e os outros conseguiram definitivamente irritar todos os policiais e Agentes de toda a Nova York, então vou direto ao ponto. – bradou com certa furia — Você tem duas opções Vinicius Young: colaborar conosco e conseguir uma redução na sua pena ou a prisão, onde passará o restante da sua vida enjaulado com um animal. O que vai ser?
O homem continuou em silêncio encarando a mesa à sua frente, sem dar sinais que o havia escutado.
— Olhe, comandante, parece que o marginal não está disposto a colaborar, — Bob disse.
Assim que disse a palavra marginal, Vinicius levantou a cabeça e o encarou de forma fria, com raiva nos olhos. Entretanto, não disse uma palavra.
— Vinicius é melhor você cooperar conosco, porque a situação de todos vocês está péssima, ainda mais depois da bomba naquele gal...
O comandante foi interrompido pelas primeiras palavras de Vinicius:
— Não tínhamos noção de que a bomba causaria tanta destruição, pensávamos que era apenas um artefato que iria atordoar os policiais e não matá-los.
Ao ouvir aquelas palavras, Bob não conseguiu se controlar e acertou um soco fortíssimo no rosto do bandido que foi ao chão imediatamente
— Seu desgraçado! – urrou agarrando a gola da camisa do homem atordoado. – Você e seus malditos amigos mataram pessoas boas, pais e mães de família, tem ideia de quantas famílias vocês destruiram? – Winter tentava soltar o Vinicius do agressor, mas Bob estava completamente fora de si, bradando ofensas sem controle.
Depois de sucessivas tentativas fracassadas, Winter teve de pedir ajuda a Luiws e Adam. Com a ajuda deles, finalmente conseguiram libertar Vinicius de seu agressor.
— Levem ele pra fora daqui! – gritou Winter furioso.
Bob ainda lutou para se soltar e voltar a atacar o bandido, porém os dois agentes conseguiram arrastá-lo para fora da sala.
Winter tentou ajudar Vinicius que estava jogado no chão com a boca e os supercilios ensanguentados.
Após deixar Vinicius novamente sentado e livre dos sangramentos, Winter foi para fora da sala, onde os agentes ainda o estavam aguardando. Bob estava tremendo de tanta raiva, nunca imaginou que perderia o controle dessa maneira.
— Que diabos você estava fazendo Lincher? – ditou furiosamente fulminando-o com o olhar.
— Desculpe comandante, não consegui me controlar!
— Isso é notável! – retrucou com rispidez. – Irei voltar para a sala e ver se ainda consigo alguma coisa com ele. Nós dois vamos ter uma conversa mais tarde! Agora, todos vocês sumam daqui!
Os quatros agentes começaram a protestar, até o comandante gritar que era uma ordem. Assim, os quatros agentes saíram ainda resmungando. Reunindo mais uma vez seu autocontrole, o comandante voltou à sala para continuar o interrogatório.
Viniicus estava encarando a mesa novamente, não dando sinais de que iria cooperar.
Por dentro, o comandante estava com muita vontade de encher a cara desse cretino de socos, mas era crucial manter a calma, muita coisa dependia disso.
— Vinicius, agora é só você e eu.
O rapaz o encarou e sorriu.
— Não fará muita diferença, não vou falar mais nada.
— Sua situação e de seus amigos não está favorável, vocês mataram vários agentes ontem, então pense bem, tudo o que você disser pode diminuir sua pena.
— E se por acaso eu não falar nada? O que vocês irão fazer? – questinou astutamente.
O silêncio do Comandante Winter foi como uma resposta.
— Sabia, sem nós vocês não têm nada! Se quiserem nossa ajuda, terão que nos garantir o perdão judicial completo. É pegar ou largar!
— Você só pode estar brincando comigo! Nunca irei concordar com isso!
— Então, boa sorte para encontrar os outros sem nossa ajuda. – ditou com desprezo. – Mas já advirto que pode levar alguns anos para vocês encontrarem alguma pista deles.
— Bem — disse o comandante com a voz fria — você fez sua escolha, vai ficar bastante tempo na prisão.
Após isso, o comandante deixou a sala frustrado, porém, em partes, o bandido tinha razão. Estavam há um ano tentando encontrar esses caras e não tiveram sucesso, só tinham pego esses quatro por sorte.
Winter ainda tentou a sorte com os outros três detentos, porém com eles, não foi diferente, não disseram nada que pudesse ajudar, absolutamente nada.
Deixou a sala de interrogatórios e se dirigiu para sua sala, mas não antes de ser bombardeado de perguntas dos agentes.
— Nenhum deles me falou nada de útil, ficaram quietos ou zombando de nós. — disse irritado.
— E agora o que vamos fazer? — Perguntou Luiws
— Temos que encontrar esses caras por conta própria, eles não vão ajudar. -Disse Winter indo até sua sala e fechando a porta.
Cristian sabia que o comandante sempre fora um policial dedicado desde que começou a profissão, sempre estava pronto para qualquer emergência, e sempre conquistou a simpatia dos superiores. Hoje, aos 45 anos, conseguiu o cargo de comandante. Porém, olhava incrédulo Winter ir para sua sala sem nenhuma informação, sua mente estava a mil, tinha quatro prisioneiros bem ali, ao seu alcance, e provavelmente eles sabiam onde o filho estava e isso o desesperava. Mas tinha que manter a calma, eles eram perigosos.
Ele tinha que tentar, não poderia desistir assim tão fácil!
As horas passaram lentamente naquele dia, Cristian não havia conseguido se concentrar em nada, seus pensamentos estavam somente nos quatro prisioneiros e em como tentaria fazê-los cooperarem com ele.
Os presos eram vigiados por agentes a todo o instante, a única chance que teria de falar com eles seria depois do comandate sair da sede.
Horas depois, Winter foi embora, alegando que estava cansado. Cris, imediatamente pediu a Luiws e Bob que levassem os quatro para a sala. Iiria falar com eles e os convenceria a ajudar.
xxx
Em Boston, o grupo de Mullins estava com alguns problemas, um deles era a falta de mão de obra para conseguirem executar seus planos, o serviço era muito arriscado, entretanto esse problema foi sanado rapidamente.
Bastou apenas uma ligação para um traficante dali perto, e este conseguiu alguns homens para ajudar.
— “É muito bom ser temido e respeitado” pensava Mullins.
Agora estavam prontos para agir. O item que precisavam estava em uma empresa de fachada que, na verdade, era uma sede do governo que tratava de alguns assuntos internacionais. Quase ninguém sabia desse esquema, e até Mullins admitia que era um lance genial, no entanto, sempre há alguém mais genial que o governo.
Embora não fosse fácil entrar no prédio, tinham um bom plano baseado nas informações coletadas com os novos empregados. Os bandidos teriam apenas uma chance. Era exatamente na troca de turnos que o prédio ficaria vulnerável por alguns minutos e, tinham que estar prontos, não poderia haver falhas.
Passaram um dia e meio em preparativos para executarem o serviço. Natasha e Kimberly ficariam cuidando do garoto.
Faltando aproximadamente uma hora para a troca de turnos, eles sairam da casa e foram para o local. Ficaram esperando o momento de agir. Quando chegou a hora, os novos “ajudantes” apagaram os guardas, os levaram para um beco próximo e tiraram seus uniformes.
Assumiram os lugares dos seguranças.
Mullins, Rojas e Smith entraram pelos fundos da empresa com a ajuda da chave do segurança.
O componente estava em um depósito no terceiro andar.
Sem qualquer empecilho, conseguiram chegar ao seu objetivo. Lá estava seu precioso componente e sem delongas o pegou.
Mas algumas vezes as coisas não saem como planejado.
Quando estavam saindo, toparam com um pequeno contingente de agentes.
Os agentes logo sacaram as armas e mandaram os três pararem, entretanto Mullins não era de se intimidar e começou uma troca de tiros com os agentes que praticamente destruiram o corredor.
Mullins tinha uma boa mira, conseguiu abater dois agentes e ferir alguns ganhando tempo para saírem do lugar.
No entanto, um dos agentes feridos conseguiu alertar a polícia.
Momentos depois, diversas viaturas chegaram ao local. Os seguranças falsos tentaram em vão avisar aos companheiros sobre a chegada dos tiras, mas antes de pegarem o rádio, foram rendidos e levados sob custódia.
A polícia de Boston rapidamente cercou todo o prédio aguardando o momento para invadirem e prenderem os invasores.
Após o tiroteio no terceiro andar, Mullins e os outros passaram por uma sala no primeiro andar, nela continha uma grande variedade de armas e explosivos.
A sala estava aberta, não havia ninguém vigiando o local. Mullins pegou algumas granadas.
— Só por precaução. – disse a Rojas e Smith.
Continuaram a ir em direção à saída do prédio, porém quando chegaram ao saguão, se depararam com diversas viaturas e policiais cercando e eliminando sua única possibilidade de fuga.
Mullins e os outros ficaram sem saída, e tendo novamente o seu lado racional superado pelo irracional, voltou a trocar tiros com a polícia, no entanto, não havia possibilidade de vitória para eles, mesmo com sua mira certeira não haveria como abater todos os policiais, eles estavam em maior numero.
Mullins ficou sem opção, e quando o desespero começava a se instalar nele, eis que uma ideia maligna surgiu em sua mente.
Entregou uma granada para Rojas e outra para o Smith, mandou se posicionarem e arremessarem as granadas ao seu sinal. Acionando as granadas, eles arremessaram em direções diferentes.
A de Mullins atingiu uma viatura, e esta foi arremessada pelos ares como uma grande bola de fogo incandescente, destruindo tudo em seu caminho; as outras duas foram lançadas nas laterais do prédio, só haviam policiais lá, e agora todos estavam mortos, só restaram pedaços e poças de sangue para contarem história.
Após as explosões, foi fácil para os bandidos acabarem com o resto dos policiais sobreviventes.
Em meio àquele cenário de pura destruição, Mullins sorria satisfeito.
Não houve nenhuma dificuldade para que eles saíssem do prédio com o artefato e seguissem em direção à casa onde estavam Natasha e Kimberli esperando junto com o pequeno Kevin.
Chegando, Mullins chamou as garotas para planejarem o próximo passo.
— Muito bem, escutem – disse Mullins autoritário – só precisamos de mais um componente para finalizar o artefato, temos de seguir para Los Angeles o mais rápido possível, mas um de vocês deverá ficar aqui e cuidar do pirralho, o sequestro dele já é notícia e não há a menor possibilidade de não ser reconhecido em alguma via de acesso. – finalizou encarando Natasha.
— Você quer que eu fique e cuide do garoto? – perguntou indignada.
— É exatamente isso que eu estou mandando. – respondeu friamente.
Natasha não gostou nem um pouco da ideia, detestava crianças, queria ir junto com seu amado chefe, mas temendo alguma represália de seu senhor, ela se manteve quieta e acatou suas ordens.
— Senhor — disse Kimberli – em relação aos outros que deixamos em Nova Iorque, o senhor não teme que acabem falando alguma coisa para os policiais que possa prejudicá-lo?
Mullins olhou para ela e soltou uma sonora gargalhada.
— Não devemos nos preocupar com eles! A essas horas eles já devem estar mortos.
Os quatro ficaram atônitos com a notícia, não que eles caíssem de amores pelos ex-companheiros, mas certamente não esperavam que o destino deles fosse a morte.
Essa informação causou um grande desconforto em todos, pois se Mullins seria capaz de se livrar dos outros com tanta facilidade, o que faria com eles quando deixassem de ser úteis para seus planos?
Mullins continuou com o discurso.
— Tenho informantes em vários departamentos, e para evitar quaisquer problemas futuros, mandei matar os quatro, apesar de que eles não iam ser de grande ajuda, uma vez que não sabiam de nada sobre os planos futuros, — “por isso é sábio não confiar todas as informações a todos os subordinados” concluiu em pensamento.
— Sim senhor! – responderam juntos.
— Agora, descansem e recuperem as energias! – falou antes de sair.
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Na sede do FBI de Nova Iorque, os antigos empregados de Mullins estavam tensos.
Depois do interrogatório foram levados novamente à cela para aguardar o que aconteceria com eles. Provavelmente seriam mandados a algum presídio para aguardarem julgamento.
— Acha que foi uma boa não falar nada para eles sobre o cretino do Mullins? – perguntou Thabata.
— Sabe, estou pensando a mesma coisa Thabata – disse Lorena – poderíamos ter uma boa redução de pena se colaborássemos.
— Não meninas, o Mullins é perigoso, vocês acham mesmo que ele não tem informantes aqui? – Vinicius disse – se falássemos algo, ele mandaria nos matar.
— Viniciuis, quem nos garante que mesmo sem falar nada sobre eles, ninguém irá tentar nos matar? – indagou Tales.
— Ele tem razão! Mullins não é confiavel, ele vai tentar se livrar de nós a qualquer custo. – afirmou Thabata.
— Maldito Mullins, nunca pensei que ele nos trairia dessa forma, depois de tudo que já fizemos por aquele desgraçado – disse Lorena com raiva.
— Fiquem quietos! – sussurou Vinicius. – Tem alguem vindo para cá!
Momentos depois, a cela onde estavam se abriu, revelando as figuras de Luiws e Bob.
Ao ver o agente que o agrediu, o corpo de Vinicius se enrijeceu e o encarou com ódio.
— Senhores, iremos levá-los novamente para o interrogatório, queremos falar com vocês. – falou Luiws. – por favor, mão para trás do corpo,
Os quatro fizeram o que foi mandado. Luiws algemou as duas garotas, depois olhou para Bob, que encarava o grupo com raiva.
— Agente Lincher, preciso de ajuda para levá-los.
Bob avançou para o grupo e algemou os outros com um pouco mais de brutalidade que o normal. Os prisioneiros não ofereceram nenhuma resistência ao serem levados.
Próximo à cela estava dois agentes encarando o grupo, Lorena não deixou de reparar num deles que os estava encarando de modo muito estranho, com um brilho maligno no olhar.
Ao chegarem na sala de interrogatório, que como a outra só continha uma mesa de madeira simples e cadeiras para os réus, os quatro se acomodaram e esperaram para ver quem iria falar com eles.
Do lado de fora, Bob e Cristian olhavam para os quatro quando chegou um outro agente. Eric Bennet, um rapaz franzino de 25 anos, que chamava a atenção por ser ruivo e por ser muito desengonçado, geralmente era comparado com a preguiça de “A era do gelo”.
— O que vocês estão fazendo? – perguntou com certa curiosidade.
— Vamos mostrar para os quatro lá dentro, nosso número de malabarismo. – disse Bob com a voz carregada de sarcasmo – O que parece que vamos fazer, Sid? – perguntou irritado.
— Meu nome é Eric – disse com raiva — e o comandante sabe que vão interrogá-los novamente?
— Não, ele não sabe e se você abrir a boca garoto – disse Bob com ferocidade – acabo com sua raça. Agora suma daqui, idiota.
Eric saiu em disparada pelo corredor.
— Por que você é tão rude com o rapaz? — Perguntou Cris.
— Nunca fui com a cara dele, ele não é muito confiável. – respondeu Bob.
— Deixa isso quieto, vou entrar, me deseje sorte. – falou respirando fundo e entrando na sala.
Os quatro encararam Cristian com olhar meio assustado. Eles haviam notado que ele era muito parecido com Mullins.
Ele retribui o olhar que lhe dirigiam com calma e em seguida sentou-se.
— Sei que vocês não quiseram falar nada para o comandante – disse calmo – talvez pelo modo como ele e meu amigo os tratou, ou quem sabe foi por medo do vosso chefe – disse astuto.
Nenhum deles lhe respondeu.
— Se vocês temem qualquer represália por parte dele ou de algum comparsa, fiquem tranquilos, aqui estarão seguros e se nos derem informações valiosas poderão ter a pena reduzida. É um bom negócio cooperar conosco.
Os quatro se entreolharam e em seguida Lorena falou:
— Você estava no galpão ontem, não é?
— Estava sim, fui eu quem viu o Civic onde vocês estavam.
— Então porque está sendo tão simpático conosco? – perguntou Thabata – Você, como seus amigos, deviam estar nos acusando de matar tiras e outras coisas.
— Ontem meu filho de 5 anos foi sequestrado, e tenho certeza que foi vosso chefe quem o levou. – respondeu, lutando para não chorar na frente deles. — Eu preciso da ajuda de vocês para encontrá-lo. Por favor, me ajudem a encontrá-lo.
Os quatro olharam surpresos para Cristian, nenhum deles sabia onde Mullins estava e nem o motivo que levaria a sequestrar uma criança, porém nenhum deles falou nada.
— Por favor, eu preciso da ajuda de vocês. – suplicou novamente.
— Bom, nós podemos entrar em um acordo – disse Vinicius – nós te ajudamos a pegar o nosso antigo chefe e em troca você nos dá o perdão judicial.
— Não posso prometer isso, está acima de minha capacidade, posso conseguir uma boa redução na pena, mas o perdão total não será possível.
— Pensei que você quisesse encontrar seu filho. Se quiser nossa ajuda, esse é o preço! – sentenciou Vinicius. – Vai me dizer que você não está disposto a fazer qualquer coisa para encontrá-lo?
Cristian ponderou por alguns instantes.
Ele estava disposto a fazer qualquer coisa para encontrar seu filho. Se essa era a única maneira, que assim fosse.
— Muito bem, se me ajudarem a encontrar meu filho, eu consigo o perdão judicial para vocês quatro.
Os quatro prisioneiros sorriram satisfeitos, esta era uma chance imperdível. Além de se vingarem do chefe, eles não iriam para a prisão.
— Tudo Bem! Nós iremos ajudá-lo.
Para Cristian, a esperança de recuperar seu pequeno crescia em seu interior, para os outros era a chance de fazer Mullins pagar por sua traição e, nenhum deles iria perder essa chance.
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