Astronaut One Shot

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Minha primeira OS. Espero realmente que gostem ^^

A missão estava indo bem. Muito bem. Estávamos chegando à Marte, os primeiros homens a pisar neste planeta. Tudo caminhava perfeitamente bem. Até que a grande tragédia aconteceu.

- Atenção todos os astronautas – anunciou o alto-falante da nave. Todos estávamos animados, imaginamos que nosso destino estava chegando. Um erro. – A nave está passando por uma chuva de meteoros. Mantenha a calma e se algo ocorrer use o que aprendeu no treinamen...

Um silêncio momentâneo, seguido por um estrondo que abalou toda a nave. As luzes apagaram, então todos começaram a gritar. Eu levantei assustado e procurei o rádio mais próximo.

- Alô, central? – chamei. Nenhuma resposta. – Central? Alguém pode me ouvir?

Nenhuma resposta. Outro estrondo atingiu a nave. A porta da frente se abriu. Corri para a sala de comando, o piloto estava desacordado, afastei-o. Outro estrondo. Desta vez, toda a parte de trás da nave foi para os ares, eu fui puxado para trás. Segurei-me nas paredes da parte intacta da nave. Notei que uma mão impedia que eu fechasse a porta.

- Caio? Por favor! – Nick pediu. A mão dele estava quase solta. – Me ajude!

A pressão me empurrava cada vez mais. Nick me olhava. Eu sabia que se eu salvasse-o, perderia minha última chance de sobreviver.

- Sinto muito – sussurrei.

Fechei a porta com força e os dedos de Nick se soltaram. Ele voou como os outros para o espaço. Eu senti a pressão levar a nave para baixo, voei contra o teto, mas, um instante depois, ela parou em pleno ar e eu voltei ao chão. A nave estava sendo sustentada pela gravidade zero. Era meu fim.

Corri até o rádio.

- Central? Alô? – chamei.

- Alô? – ouvi a voz de alguém no outro lado. Talvez eu ainda não esteja perdido.

- Aqui é a nave especial três-meia-um. – Informei. – Fomos atingidos por uma chuva de meteoros, sou o único sobrevivente.

- Pode me dar suas coordenadas? – pediu o homem no outro lado da linha.

O painel de controle estava desligado. O radio era a única coisa que ainda funcionava.

- O painel de controle foi afetado. Não consigo dizer as coordenadas exatas – respondi.

- Essa é a nave que estava indo para Marte? – perguntou.

- Sim – assenti. Um momento de silêncio. – Senhor?

- Eu... – a voz dele falhou. – sinto muito. Não há nada que possamos fazer.

- Não é possível – gritei. – Por favor!

- O senhor está a sessenta dias de distância, mesmo para nossa nave mais rápida – ele disse. Sua voz soava baixa e frágil. – Todo o suprimento da sua nave estava na parte traseira. Não há nada que possamos fazer.

- Qual é o seu nome? – perguntei.

- Igor. E o seu?

- Caio... – Parei de falar por um instante. – Apenas Caio.

- Tem alguma última coisa que eu possa fazer por você? – Igor perguntou.

- Tem uma coisa – eu disse. Tirei uma foto de meu bolso. Uma garota de olhos e cabelos castanhos sorria, os cabelos cacheados caíam sobre os seios cobertos por um biquíni azul. A pele dela era bronzeada, provavelmente por passar muito tempo no sol. – Poderia dizer algo para uma pessoa especial?

- O que quiser, Caio – ele disse.

- O nome dela é Julliana – eu disse. – Eu queria dizer que a amo. E que conhecê-la foi, provavelmente, a coisa mais feliz que já me aconteceu.

- Eu direi – ele disse. – Sabe, Caio, meu sonho era ser um autor. Como parei na NASA? Uma longa história. Mas, eu quero escrever sobre você.

- Como?

- A história de um astronauta que morreu em uma missão por seu país – ele disse. – Quem não compraria?

- De onde eu começo?

- Do começo.

Ajeitei-me na cadeira.

- Lá vai. – Comecei. – Desde pequeno meu sonho era pisar em Marte, conhecer um novo planeta. Então eu cresci, sempre com esse sonho. Formei-me e entrei para a NASA, depois de três anos fui promovido e virei astronauta. Mas essa não é a parte interessante da minha história.

- E qual é? – ele perguntou.

- Eu cresci em Nova York. E lá também foi onde eu conheci meu melhor amigo, Nick. Eu e ele crescemos juntos, éramos amigos inseparáveis, até eu pegar ele e minha irmã transando na sala da minha casa, foi constrangedor. Aqua, minha irmã, ficou desesperada e tentou desmentir tudo. Eu estava irritado, subi até meu quarto e joguei todas as roupas que Nick tinha deixado lá para fora da janela. Ele tentou me impedir, disse que se gostavam muito, mas eu não me importei. Apenas desci as escadas e taquei fogo em todas as roupas.

- Uau, você pirou – Igor comentou.

- Você não ouviu nada ainda – eu disse. – Eu e Nick ficamos brigados por um ano, eu nem sequer falávamos oi na escola. Ninguém entendeu o que aconteceu, até que lançaram um vídeo dele com minha irmã na internet, não entrarei em detalhes sobre o vídeo. Eu fui até a casa de Nick e soquei-o. O garoto não sabia o que estava acontecendo, mas eu tinha certeza que ele havia colocado o vídeo na internet. Eu estava errado. Depois de deixa-lo inconsciente de tantos socos, o irmão mais velho dele, Matheus, me tirou de cima dele e me levou para casa.

- Agressivo – Igor ironizou.

- Apenas ouça – continuei. – Um dia depois, na escola, todos já tinham visto o tal vídeo. Eu estava completamente irritado e fora de mim. Todos faziam piadas sobre o vídeo, minha irmã entrou em depressão e correu para o banheiro feminino, e eu nem sequer pude ajuda-la. Minha raiva por Nick cresceu ainda mais. Até que eu descobri a verdade: Nick nunca havia postado vídeo algum, foi o irmão dele que filmou tudo e enviou para a internet.

- Cara, que mancada.

- Não acaba por ai – eu disse. – Depois que descobri tudo, eu parti para cima de Matheus. Quando dei por mim, estava com a mão toda suja de sangue, batendo em um cara ensanguentado, inconsciente e machucado. Eu teria continuado batendo, se Julliana não tivesse aparecido.

- E a garota entra na história!

- Ela não é qualquer garota – comentei. – Depois que Julliana me impediu e ajudou a cuidar da minha mão machucada, acabamos nos beijando. Passamos o resto do ensino médio junto, até que eu peguei Matheus beijando Julliana, obviamente, eu o soquei de novo, e foi quando eu descobri: minha namorada tinha uma irmã gêmea.

- Cara, você não acerta uma.

- Nem me diga – murmurei. – Depois de alguns anos, Nick e eu fizemos as pazes. Matheus acabou sendo preso por assaltar um banco, bem, ele tentou. Aqua e Nick casaram-se assim que ela terminou a faculdade de direito. Eu e Nick, agora amigos de novo, entramos na NASA.

- E o final feliz.

- Até parece – resmunguei. – Aqua já havia superado o trauma do vídeo, que ajudou a manter Matheus na cadeia por mais alguns anos. Ela e Nick tiveram um filho, e o batizaram com o nome de Josh. Tudo estava bem, até que minha irmã descobriu ter câncer de mama. Ela lutou contra ele, mas era tarde demais, ela faleceu. Na época, eu e Julliana estávamos na nossa Lua-de-Mel, obviamente, assim que eu soube, voltei correndo para casa. Nick estava depressivo, e foi quando a oportunidade de viajar para Marte apareceu.

- Então ele também...

- Sim – interrompi, triste. – Ele também estava aqui. Quando a parte que ele estava da nave quebrou, ele conseguiu segurar na porta, mas eu teria que ajuda-lo. Se eu o ajudasse, eu teria voado junto com ele.

- Então você o deixou morrer.

- Pior – respondi. – Eu fechei a porta na mão dele, com a pressão, os dedos dele partiram ao meio e ele voou para o espaço. Talvez eu mereça tudo isso, essa viagem para Marte ter dado errado é um castigo. Eu fui capaz de matar o meu melhor amigo.

- Fazemos coisas para sobreviver.

- É uma pena quando essas coisas são em vão.

- Eu sinto muito.

- Esse é o seu grande final, Igor. – Levantei da cadeira. – Um astronauta encontra um amigo, no momento de sua morte. Alguém que o ouve. Um escritor.

- Fico feliz por ser esse amigo.

- Antes – eu disse. – Responda-me: qual será o título? O título da minha história?

- O Astronauta. – O radio falhou. Ouvi um estrondo e tudo ficou escuro.

Notas finais
Então, eu achei a história interessante e eu resolvi que se vocês gostarem, eu posso transformar ela em uma história detalhada. Talvez mostrar o livro que o Igor escreveu.
Gostaram? Comentem. E respondam: querem que vire uma fic longa?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!