Astoria
6 Capítulo 5 - Sentimentos
Finalmente poderia sentir algo novo quando percebi a razão de meus sentimentos. A consciência dos meus atos não era sóbria o bastante para agir novamente em sanidade. Eu havia beijado um homem nu. Sentindo cada parte de seu corpo. Isso era algo realmente diferente para mim, que nunca tive coragem de tomar essa atitude.
– Senhor Gourgel. — disse o guarda abrindo a porta.
– Sim!?. — indaguei afirmando.
– Bem, preciso lhe dar roupas novas, afinal, você está fora do protocolo. Então tome estas, de nossa época. — disse entregando os novos pertenes.
– Obrigado, pode ir. — disse enxotando-o.
Eu não queria ninguém próximo de mim naquele exato momento. Afinal, eu estava confuso e poderia causar certo distúrbio no meio de todos. Aos poucos comecei a explorar o quarto com o olhar, até o ponto de ouvir vozes. Vozes que sussurravam um estranho pensamento de que algo existe nesta dimensão. Não hesitei, mas dormi repentinamente.
O dia amanheceu de uma forma ríspida, com um fino orvalho. O sol dourado reluzia entre as flores e folhas da casa da Guarda. A cavalaria se alvoroçara repentinamente, os cavalos despertavam e relinchavam o tempo todo, esperando pelo alimento.
– Alan! — exclamou Elliot.
– Oi, o quê?! — indaguei furioso.
– Anda, é hora de trabalhar. — disse esboçando um sorriso adulto.
– Em quê? Aonde? Eu não vou! — disse e remexi o corpo nos lençóis.
Elliot acabou me puxando de forma brusca e acabei acordando batendo o tórax no canto da cama. Foi uma dor insuportável, porém logo me recompus.
– Você gostará muito do trabalho do campo, — disse Elliot colocando um par de botas próximo da cama. — Afinal, faz parte de seus testes. — sorriu.
– Não foi me dito nada disso. — retruquei.
– Eu dou a palavra aqui, senhor Gourgel. — repondeu ríspido. — Tome seus pertences e vamos. — saiu.
O campo era realmente pitoresco. Animais, esterco, odores agradáveis e desagradáveis. Tudo de fazia presente no meio dos fundos da Casa da Guarda. Elliot me colocou para trabalhar junto dos porcos selvagens, uma espécie bem comum, porém nada dócil de porcos que aparentavam ser javalis. Não me sai muito bem, afinal, escorrgeuei no esterco e todos começaram a rir de mim. Era uma experiência feliz e suja.
***
– Jane! Jane! Por favor, abra a porta — um homem gritava desesperadamente.
Nada se ouvia no corredor do pequeno vagão do trem. A suíte de Jane era um pouco ampla, mas de fácil circulação de pessoas e sons. Cris não sabia o que fazer, entao arrombou a porta do pequeno aposento, e tentando empurrar, compreendeu o que a bloqueara. O corpo desfalecido de Jane ali estava, com sangue para todos os lados do alvo piso.
– Não, não é possível! Por quê?! — gritou Cris segurando o cadáver em seus braços.
– Alguém, por favor! Socorro! — exclamou novamente.
Duas criadas surgiram e ao notarem o corpo, se sentiram um pouco mal e o embalaram em lençóis de linho. Cris foi consolado por um escrivão local que havia ouvido o barulho e aparecido para ver.
– Com licença, meu jovem. Me chamo Fritz Alden, sou escrivão, porém sei o que está passando. Perdi minha esposa da mesma forma. — disse Fritz afagando as costas do jovem.
– Jane não era minha esposa, nem namorada. Na verdade, eu estava querendo me declarar para ela. Eu nutria uma paixão por esse ser que agora está morto. Nada mais posso fazer. — disse chorando.
Fritz abraçou Cris em um ato caridoso, tentando acalmá-lo. Mas no entanto era perceptível que Cris chorava como uma criança prenha.
O trem começou a parar repentinamente, freios de emergência foram acionados por algum ser desconhecido e o trem desligou. Tudo estava escuro, parado. Ligeiramentem barulhos ecoaram do fundo do trem. Saqueadores tentavam invadir a preciosa locomotiva. Inúmeros guardas apareceram no corredor e os deteram, porém um dos saqueadores deixou um item importante. Um diadema.
Cris ao olhar o diadema, percebeu que seria algo para conquistar alguma donzela caso surgisse, e colocou sobre a cabeça de Jane, condecorando-a, mesmo depois de morta.
– Eu te amo, Jane — disse Cris beijando o cadáver.
As criadas o afastaram do ato necrófilo. Cris estava inconformado e manteve o corpo da amada perto de si, mesmo que contido pelas criadas. Realmente era uma situação instigante.
***
– Senhor Gourgel, devo-lhe admitir, o senhor é ótimo, mesmo fazendo tanta sujeira. — disse Elliot coçando a barba.
– Obrigado, senhor. — respondi.
– Bem, vamos lhe levar para o café, assim você podera se deliciar com frutos de nossa terra. — disse Elliot gentilmente.
A mesa de café da manhã da guarda era gigantesca. Enormes pratos decorados em azul e branco, cheio de ovos quentes, carne, salsichas e vinagretes. Além de torradas e pães de todos os gêneros. Alan se fartava daquilo como nunca havia visto, porém com certa moderação. A sineta da mesa foi tocada e Elliot disse:
– Bem, caro Alan. É uma grande alegria recebê-lo em nosso meio, porém devo-lhe informar que seu querido Marcus voltará para lhe buscar em breve. Por isso, arrume suas coisas. — olhou fixamente.
– S-sim, s-enhor! — respondi ansioso.
– AGORA! — gritou.
– Entendido. — reverenciei-o e saí em direção aos aposentos.
A casa dos guardas era enorme, como um castelo mas com decorações militares e diversas. Fui adentrado corredor por corredor e admirando armaduras e quadros de pessoas mortas. Aquilo era divertido, porém de certo modo, uma ironia na visão das pessoas que ali passavam. Finalmente cheguei ao grande hall e percebi que estavam à minha espera com pergaminhos em mãos. Aquilo seria um momento favorável, não sei ao certo. Porém estava redundantemente me impressionando.
– Senhor Alan Sonian Gourgel, o senhor foi selecionado a ser nosso novo membro dentro de Astoria, o reino mágico onde nossas capacidades idealizam o poder da mente e conservação. Você passará por um julgamento, e assim, terá chances ou não de pertencer à uma boa classe.
Eu não sabia o que dizer, realmente estava perdido e sem as orientações de Marcus para me salvar, o que farei?
De repente, a porta do salão é aberta e uma voz surge dizendo:
– Eu irei determinar a que classe ele pertence.
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