Assuntos Pendentes (Pernico)
4 Capítulo IV-A Afirmação
Notas iniciais
Percy estava visivelmente magoado, seu cabelo estava bagunçado de um jeito que geralmente não ficava e tinha um ar cansado em seu belo rosto. Nico estudou a fisionomia de Percy por um tempo até deixar o garoto entrar.
"Sobre o que quer falar?"
"Por que você faz isso comigo? Diz que me ama e depois diz que estamos indo rápido demais quando te toco, depois chora suas mágoas com Jason até tarde. O que quer que eu faça?"
"Oh, Percy! É que eu não sei se deveríamos ter alguma coisa." Respondeu Nico sentindo lágrimas aparecerem nos seus olhos.
"Por que não?"
"Não sei, eu simplesmente não sei o que devemos fazer. Por um lado, eu quero sair daqui agora e nunca mais voltar e por outro lado quero te abraçar e nunca mais te soltar."
Nico baixou os olhos e sentou na cama. Seu pijama de repente se tornou a coisa mais interessante do mundo. Quando voltou seus olhos para Percy, ele parecia magoado. Quando ele levantou e saiu do chalá, Nico pensou que nunca o viu tão aborrecido antes.
Percy não se despediu quando bateu a porta deixando Nico sozinho com seus pensamentos.
Assim que Percy saiu, Nico jogou-se na cama de cara para os travesseiros de seda negra e começou a gritar. Nunca havia se exposto tanto para outra pessoa como para Percy.
Cogitou sair dali de vez mas chegou a conclusão de que se Percy fez o que fez, queria dizer que ele realmente sentia o que falou para Nico e o garoto se sentiu um idiota por ter rejeitado, se sentiu como se estivesse rejeitando os sentimentos de Percy. Trocou de roupa e foi atrás de Percy.
"Isso é tão ridiculamente nostálgico" pensou a caminho da praia e avistando o garoto de longe sentado em uma pedra de frente para o mar.
"Percy, pode vir aqui, por favor?" disse Nico com a voz mais doce que sabia fazer.
Quando disse isso, Percy se levantou e mergulhou, saiu do mar e parou ao seu lado. Nico foi andando até o Chalé 3 aonde fechou a porta ao entrar.
"Me desculpe" conseguiu falar "Não estou sendo justo contigo. Eu realmente te amo mas tenho medo de tomar qualquer decisão. Sou novo nessas coisas e não sei como funciona ainda, então, mais uma vez, me desculpe."
Assim que disse essas palavras, a expressão de Percy se abriu como um raio de sol depois de uma tempestade e quando olhou para Nico, ele parecia querer abraçá-lo mas temia a reação do garoto, por isso Nico tomou a iniciativa e praticamente se jogou nos braços de Percy.
"Então é assim que é ser amado." pensou Nico. Era tão bom estar alí, no meio de toda a bagunça do chalé e em meio aos braços do garoto que ama. Ele se sentia como se nada no mundo importasse mais. Minutos passaram voando enquanto Percy acariciava os cabelos de Nico.
"Eu te amo, Percy. Me sinto a pessoa mais sortuda do mundo quando estou aqui contigo."
"Eu te amo, Nico" respondeu Percy enquanto apertava Nico ainda mais para si.
Não demorou muito para suas bocas se encontrarem e foi como se tudo o que estivesse passando pela cabeça de Nico estivesse sendo esvaziado e sento trocado por um torpor que ele só conseguia encontrar com seu amado.
Percy correspondia seu amor e nada mais importava.
Como já haviam perdido a café-da-manhã resolveram atacar o suprimento de guloseimas clandestinas de Percy.
"Percy?" disse Nico enquanto arrancava a cabeça de uma bala de ursinho.
"O que?"
"Só queria deixar claro que entre o Jason e eu só existe amizade mesmo, ele me ajudou num momento muito delicado da minha vida."
"Tudo bem, isso não importa mais." A resposta foi seguida de um silencio constrangedor quando Percy quebrou o gelo com uma gargalhada.
"O que foi?"
"Nada, é que você fica muito fofo arrancando as cabeças das balas de urso."
"Hey,! Eu não sou fofo!" disse Nico jogando longe as balas e pegando um donnut enquanto corava um pouco.
"Com raiva fica mais fofo ainda"
"Qual é o seu problema?" disse Nico começando a se aborrecer.
"Você, Nico di Angelo. Você é o meu problema." disse enquanto limpava o açúcar do donnut que havia caído no queixo de Nico quando o mordeu.
Foram interrompidos por um Jason muito sem-graça que os chamava para o almoço.
Depois da refeição e de oferecerem um sacrifício a mais para Afrodite, Nico e Percy foram fazer suas atividades rotineiras e não se viram o resto do dia.
A noite, depois de sair do banho, Percy entrou no Chalé 13.
"Fiquei com saudades, fantasminha!"
"Também fiquei, cabeça-de-alga"
"Trouxe pra você" disse Percy entregando uma concha para Nico. Parecia simples mas, naquele momento, a pequena concha furta-cor se tornou uma das posse mais valiosas de Nico.
"Já disse que te amo hoje, Jackson?"
"Já, mas adoro ouvir isso quando sai da sua boca."
Nico ria agora. Era espetacular ter o garoto por perto. Já não se sentia confuso e cheio de dúvidas, ao contrário, sentia como se cada parte dele quisesse gritar:
"Percy Jackson é meu e eu sou dele!"
E no final das contas, era isso que importava pra ele.
Fale com o autor