Assombrações e Mitos

1 Comerciante da Rua 10


Notas iniciais
Oi e aê? Como vai possível e milagroso leitor? Nesses tempos em que existe uma extrema desvalorização das lendas brasileiras. Trago a 'vosmecês', queridos e queridas, uma lenda nacional e um conto de suspense e ASSOMBRAÇÃO... ou não né? É uma lenda Catarinense, mas, botei na Bahia na cidade de Feira de Santana, por causa de um roteiro que estou fazendo. Bem espero que gostem e boa leitura.

É uma noite tranquila e os telefones da delegacia do bairro de Muchila tocam. O delegado exausto da repetição de acontecimentos, simplesmente reclama:

— Ai que droga! Mais um recém chegado da rua 10! – Diz o delegado debruçado em sua mesa.

— Ar... de novo aquela estória de barulho na rua, chefe? – Pergunta um jovem rapaz, carregando uma caixa cheia de papeis.

— Pois é, pois é! Toda vida é isso Claudio! Chega até dar uma raiva! Eles reclamam, reclamam e reclamam...

O Claudio, com um sorriso debochado, fala colocando a caixa de papeis sobre uma cômoda de arquivos.

— Toda vida é assim chefe. Ligam e ligam, mas depois param. Certeza que é trote dos pivetes de lá.

— Trotes?!

O delegado pega a sua caneca de café que estava sobre a mesa, e ré encostando na cadeira, olhando para o teto, continua.

— Não Claudio, isso não são trotes. Isso é outra coisa. Quem liga pra gente, é quem recém se mudou pra rua 10. Ainda não sabem como as coisas lá funcionam. Desacostumados, essa é a palavra. Assim que vem a razão dos barulhos, se acostumam rapidinho.

Claudio caminha até o canto da sala onde tem uma jarra de café e se serve, colocando apenas uma colher de açúcar. Após tomar um gole, se encosta na porta do escritório do delegado, perto de uma outra mesinha pequena, com uma cadeira mais simples e um computador branco quase amarelado de tão antigo.

— Hum, desacostumados né? – Diz Claudio.

Claudio observa o delegado com uma expressão confusa, quase insatisfeita com o que foi dito pelo delegado. O delegado percebendo que o garoto está confuso, sorri como um caçador que capturou a presa. Limpando a garganta com alguns pigarros diz:

— Sim, sim. Desacostumados, pois quem vive nessa rua já viu o que faz esses barulhos rapaz. É um comerciante. – Diz o delegado abaixando o tom de voz.

— Comerciante?! Ora, se já sabem quem é! É só meter o sarrafo no infeliz. Comerciante safado. Não deixando o povo dormir de noite!

— Sim, sim. Mas não é um comerciante qualquer, sabe rapaz? É um dono de uma carroça. E é uma carroça velha, cheia de panelas e trapos. – Diz o delegado em tom ameno.

— Ouxi delegado, do jeito que o senhor está falando, tá parecendo até assombração.

— Sim, sim... Por que sabe como é né, garoto? É que esse comerciante, só trabalha da meia noite até 3:00 da manhã e a carroça dele. É puxado por cavalo nenhum.

O Delegado olha de canto de olho para o rapaz que ficou paralisado. Um frio arrepio correu pela espinha do jovem moço, sentia seu coração acelerado e a respiração forte. Por um espaço de tempo, ficou imóvel e tremulo, até que de supetão, o telefone toca mais uma vez e ele, em um salto quase derruba seu café. Com isso também o delegado cai na gargalhada.

— Mais que coisa, delegado! Contar esse tipo de estória para a pessoa! Quer me matar do coração?!

— Desculpa, desculpa Claudio. – Tomando um pouco de ar – Mas eu não pude evitar. Acabou que seu susto fez minha noite.

— Tá... Tá... que engraçado né? Se já se divertiu me enganado com essas lendas bestas de assombração! Atenda aí mais uma reclamação.

O delegado ainda com um sorriso no rosto e enxugando as lagrimas da brincadeira, limpa sua garganta, e sentando olhando para sua caneca de café quase vazia diz.

— Pois é... Pois é...

TRIM

— Eu esqueci de dizer. Isso não é uma lenda Claudio.

TRIM

— Eu sei porque, depois da primeira ligação, eles ligam de novo.

TRIM

— Eles descrevem quase que nitidamente o que viram.

TRIM

— Se não acredita!

TRIM

— É só atender.

TRIM

Claudio olha novamente o delegado e suando frio pega o telefone. Levando vagarosamente até a sua orelha, escuta um respirar pesado e angustiado, de uma mulher. Que diz.

— Alô? É da delegacia?

Notas finais
Sim haverá outras lendas e até continuações.