Assombrado
7 Capítulo 6
“Eu disse que o amo, meu amigo. Escapou, foi mais forte do que eu. Quando dei por mim, já havia dito e Killian estava estático... Ele não disse de volta, Graham. E eu quase me entreguei para ele, deixei que me tocasse e me declarei. Nunca será reciproco e estou me sentindo uma verdadeira tola, de por um momento sequer ter sonhado de que Jones poderia vir me amar. Ele ainda ama sua antiga senhora, Milah, e eis que sou apenas alguém para tentar suprir a falta que ela faz... Mas meu amigo, eu o amo tanto, tanto que nunca achei ser possível um sentimento tão forte como esse...”
Carta de Emma Swan para Graham Humbert, Outubro de 1862.
—Killian!- Zirba exclamou surpresa ao entrar na tenda acompanhada de Landon. — O que está fazendo aqui? Está perdido?
Ri, ninando a bebê que eu tinha em meu colo. Segurando-a com todo cuidado com medo de derrubá-la.
—Eu queria passar um tempo com as crianças.
—Você?- ela instigou incrédula, olhando para Landon em busca de respostas.
—Ele quer ser pai. — explicou.
—Nossa… Isso é uma novidade, não?
Zirba havia presenciado um de meus muitos discursos sobre não querer filhos e de como era bobagem a vontade de muitos de serem pais.
Agora eu estava ali, louco para que acontecesse comigo e Emma.
Esperando que Vovó tivesse a resposta que ninguém teve.
—Espero que não se importe que eu tenha vindo para cá. Eu tirei o gancho para pegá-la, fiquei com medo de machucá-la por acidente. — sorri para a, bebê que dormia com a boquinha aberta, parecendo confortável. — Emma vai ficar surpresa de ver como eu tenho jeito com crianças. Surpresa e feliz. Ela disse que queria três filhos, quatro no máximo, mas eu quero uns sete. Uma casa cheia. – contei para ela, animado.
—Coitada de Emma… E onde está ela que ainda não a vi?
Engoli em seco, virando de costas, para ela, imaginando quantos meses a menina em meus braços tinha.
—Nós a perdemos. — Landon respondeu sem graça. — Ela decidiu ir embora sem avisar ninguém e não temos ideia de onde esteja.
—Ah. — Zirba soltou levemente. — Sinto muito, Killian.
—Eu também. Agora você entende por que preciso treinar, não? Para provar para Emma que eu posso ser bom nisso. Que eu sei ser pai.
—Ela foi embora assim, do nada?- quis saber. Landon olhou para mim.
—Foi culpa minha. Eu a traí e mandei que fosse embora, entre outras coisas que foram ditas da boca pra fora. Ela obedeceu sem me dar à chance de pedir perdão. Agora eu estou me esforçando para ser um bom homem, para quando encontrá-la, Emma possa ver que podemos nos casar e ter nossos filhos. Para que possa me aceitar. Ela me fez querer isso, sabe? Uma família. E eu vou encontrá-la, sei disso. — garanti, colocando a bebê de volta ao berço. — Eu a amo. — fui para o berço do lado, ajeitando o bebezinho de forma que ele ficasse de lado. Emma havia falado uma vez que essa era a posição certa, que se caso tivesse refluxo, a criança não engasgaria.
—Acredito que irá encontrá-la sim. — Zirba falou com animação. — Ainda mais com toda essa mudança que ela fez em você. Parece até outro homem, por mais que eu saiba que é o mesmo Killian.
—Eu espero. Tenho procurado por meses e nada.
—Vovó irá ajuda-lo nisso. Ela sempre sabe das coisas.
—E falando nela... Libélula quer falar com você, Killian.- Landon avisou.
—Estou indo. Volto aqui quando elas estiverem acordadas. – atalhei para Zirba, saindo da tenda. — Como eu nunca quis isso antes? É algo tão bom segurar uma pessoinha assim nos braços e sentir como ela confia em você.
—Agora entende por que gosto de ficar aqui na tenda das crianças quando visitamos a ilha?
—Agora eu entendo Landon. Elas conseguem dormir com a segurança de que não a deixará cair.
—E você se sente a pessoa mais especial... – completou com um leve sorriso. — Tenha uma boa conversa com Libélula.
—Vovó vai ter a resposta para que eu encontre Emma. Nós vamos voltar a ficar juntos. Seremos uma família e você fará parte dela. — falei para ele, abrindo a porta. -Meus filhos o chamarão de avô, Landon. – comentei animado, vendo-o indicar com a mão para que eu entrasse logo.
—Killian! – a voz frágil exclamou animada.
—Vovó, como vai?
Ela deu de ombros.
—Fraca. Sinto que não tenho mais muito tempo.
Sentei-me ao lado dela, segurando sua mão.
—Não diga isso. A senhora ainda vai durar muito. O suficiente para me ver casando e tendo uma família.
Ela sorriu, apertando minha mão de leve.
—Eu adoraria menino… — sua expressão se tornou triste. — Mas você perdeu sua luz, por isso veio ao meu encontro.
—Sim vovó. Eu preciso de sua ajuda para achar Emma, não a encontro em lugar algum, não tenho um sinal… — ponderei por uns instantes, vendo o contraste de idade em nossas mãos unidas. — Eu a amo, vovó.
—Sempre soube disso. Desde a primeira vez que vocês dois entraram aqui. Sabia que eram destinados a ficarem juntos. Suas crianças seriam lindas.
—Isso não me soou muito positivo, vovó.
Vovó procurou meu rosto e o afagou.
—Não tem nada a ser feito, menino. Acabou.
—Deve haver um jeito. Eu me arrependo do que fiz… Isso deveria ser o suficiente para eu ter outra chance de ter Emma comigo.
—Deveria, mas não é. Emma é especial…
—Eu sei! Eu sei que ela é especial. Ela é incrível e maravilhosa. A criatura mais magnífica e amorosa que já coloquei meus olhos.
—E é uma Donzela-Cisne, filho. A regra é bem clara quando há quebra de juramento, e é a única que realmente importa para elas... Quando isso ocorre, a Donzela parte para Asgard, onde se tornará uma verdadeira Valquíria, levando os guerreiros para o salão dos mortos, para que possam beber com Odin. Ela lutará quando necessário e o protegerá de lá.
—Então eu... Nunca mais verei minha Emma?
—Emma pode optar por passar um tempo em terra, mas vocês só poderiam ficar nove anos juntos. Ela teria que retornar para seu lugar, afinal, não fará parte desse mundo mais... Por sinal, é capaz de sua menina não estar mais no mesmo plano que nós.
Pisquei, sentindo o anel que deveria ser de Emma em meu bolso, queimando enquanto meu coração se contraía tão forte como se quisesse desaparecer para não sentir a dor da culpa por ter falhado.
—Emma deixou algo para você, Killian... Ela esteve aqui já tem uns dois meses. – anunciou depois de minutos em silêncio, como se me deixasse assimilar que a havia perdido. – Ela sabia que estaria nesse estado, e pediu para que eu entregasse isso para que se sentisse melhor.
Vovó se levantou com dificuldade, dando passos lentos em direção a sua cômoda. Ela pegou um envelope grande e o esticou para mim, pedindo que eu a ajudasse a se sentar novamente.
Observei o papel pesado do envelope e escrito com a caligrafia tão conhecida estava “Killian” na parte exterior.
—Por que ela veio até a senhora e não a mim?
—Emma não podia ir até você, rapaz. Ela quer, contudo não pode. Sua menina achou um jeito de se comunicar com você, do mesmo modo que você encontrou. Abra, pode ser palavras importantes. – incentivou.
Respirei fundo, abrindo devagar com medo do que encontraria ali dentro.
Que palavras estariam destinadas para mim?
Quatro cartas caíram do envelope. Estudei os nomes “Grania”, “Liam” e “Brennan”, reconhecendo-os da minha infância. Ignorei-os, pegando o de Emma com hesitação.
“Meu amor...
Sei que esse não é o meio mais corajoso de se ter essa conversa, contudo não tem como ser de outro jeito. Recebi sua carta, querido, e as pessoas com que você conversou estão certas, não podemos mais ficar juntos.
Devo dizer que sinto sua falta em cada momento do dia. Fico esperando você surgir e me abraçar, beijando-me da forma que tanto gosto, que me faz sorrir em seus lábios. Assim como eu sei que espera o mesmo, pois eu sinto seu desespero querido. Vivo todo dia na mesma agonia que você e o único motivo pelo qual estou escrevendo essa carta é na tentativa de dar-lhe alguma paz de espirito.
Não sei como irá reagir ao ler isso, mas você não foi o culpado pelo o que aconteceu naquela noite. Eu fui, e não estou dizendo isso para tentar tirar a culpa de seus ombros, digo por que é verdade. Manipulei-o para que quebrasse o juramento. Pedi para Regina ajudar-me com isso, porque eu queria protege-lo, querido. Eu precisava ir até Gotland, contudo eu sabia que não deixaria que eu fosse sozinha e deixa-lo ir até lá estava fora de cogitação.
Misturei uma poção do caos em seu rum, para que sua pior parte tomasse conta. Sabia que o antigo Killian não hesitaria em fazer aquelas coisas e sendo assim eu estaria livre para ir derrotar Cora. Não pensei nas consequências que teriam depois, na sua dor, apenas tinha em mente o fato de que estaria vivo e isso era tudo que importava para mim, Jones.
Então por favor, imploro para que pare de se culpar por aquela noite. Eu esperava aquilo e acredite Killy, sabia que não era você ali. Eu o conheço querido. Conheço você por inteiro para saber que não faria tal coisa. Fique com raiva de mim e me odeie o quanto quiser. Direcione toda essa destruição para mim e viva a vida que abri mão para dá—la a você.
E a resposta também é sim, meu amor. Assim como as pessoas que você conversou estavam certas sobre não pudermos ficar juntos, elas também estão certas sobre meu curto tempo. Eu estou morrendo, Jones e sabia que isso iria acontecer quando decidi dar a chance de você viver. Tenho pouco tempo, talvez quando pegar essa carta eu nem esteja mais aqui.
E nem por um único momento pense em vir atrás de mim.
Eu não quero.
Quanto a estar grávida, não aconteceu, meu amor. Não estou grávida de você e acredito que seja melhor dessa forma. Vamos nos considerar sortudos por não termos conseguido de primeira... Não seria justo para a criança e nem para você. Eu não conseguiria sobreviver o tempo necessário para que ela nascesse.
Eu o amo Killian e nada me deixaria mais feliz que ser a mãe dos seus filhos.
Eu o amo e sinto sua falta, tanto que me tira o ar.
Neste envelope junto com minha carta há mais três. Uma de seu irmão, e de sua mãe. Eu fui atrás deles, espero que não se importe. Sua mãe é uma mulher adorável e que sente sua falta, Jones. Assim como seu irmão é um bom homem. Seu padrasto morreu, tenho esperança que ao receber essa informação o faça ir atrás deles.
A terceira carta é de um homem que eu procurei determinada a odiar, mas eu precisava ir até ele para chegar a sua mãe e irmão. É de seu pai verdadeiro, o conde Brennan Jones… Killian, eu não tenho palavras para descrever o quanto são parecidos fisicamente (com exceção dos olhos é claro), mas olhá—lo era como se eu estivesse o vendo em minha frente.
Contei à história que você me disse, e sei que é difícil acreditar, mas aquele homem chorou. Ele disse que se lembra de você. Do garotinho miúdo e de olhos azuis. Brennan me contou que o único motivo pelo qual ele o mandou embora daquela forma, foi por causa da esposa. Ele era casado, estava tentando um herdeiro e não queria que a mulher soubesse que havia sido traída. Seu pai e sua mãe estão casados agora, Killian. Como mencionei seu padrasto morreu e a esposa de seu pai também, e ele finalmente teve coragem de fazer o que deveria ter feito tantos anos antes.
Você é o único herdeiro dele, Jones, e ele disse que se você ainda quiser um pai, ele será. Se ainda o quiser, será uma honra para ele.
Brennan estava dizendo a verdade. Vi nos olhos dele.
Não sei o conteúdo de nenhuma das três cartas, apenas espero que sejam melhores que a minha.
Não pense que eu o esqueci com facilidade, meu amor, eu nunca poderei esquecê—lo, pois está marcado em mim como as cicatrizes em nossos corpos que contam nossas histórias.
Você pediu perdão tantas vezes em sua carta, mesmo que não tenha nada para pedir perdão, Jones. Mas se ajudar a lhe dar alguma paz de espirito, se meu perdão o fizer deitar a cabeça no travesseiro e dormir sossegado, então resposta é sim. Eu o perdoo por tudo Killian, por aquela noite que não foi culpa sua, pelos seus atos terríveis do passado, que fez por estar machucado demais, por cada um de seus erros. Eu o perdoo, porque você se mostrou merecedor de recebê—lo, porque em cada ato seu demonstra o seu arrependimento e eu amo o quanto você é humano.
A questão é: você pode me perdoar pelo o que eu fiz?
Sobre seus pesadelos, sempre que os tiver, coloque seus joelhos no chão e reze. Com o tempo irá ajudar, lembra que demorou um tempo para que resolvesse da primeira vez? Apenas seja paciente que eles irão embora.
E eu sei que ama cada um dos filhos que não poderemos ter. Sempre disse que você seria um pai incrível e continuo acreditando piamente nisso.
Eu o amo, eu o amo Killian Jones, nunca se esqueça, não tem um dia que eu não passe desejando estar naquele navio velho ao seu lado, dá para acreditar nisso?
Para terminar, quero lhe agradecer por cada momento e sensação nova que me apresentou no tempo que ficamos juntos. Por me amar de verdade, por nossa noite. Não me arrependo por um minuto de ter me entregado a você. Seria muito pior partir sem saber como era fazer amor à noite e toda e acabar em seus braços. Eu fui tão feliz que se eu fechar os olhos e me concentrar-me bem, ainda sou capaz de sentir o calor de seu corpo. Muito obrigada por ter me mostrado quão intenso um verdadeiro amor pode ser. Você é o meu verdadeiro amor, o único dono do meu coração, apesar da situação que estamos.
Eu gostaria de voltar para o meu lar, sinto saudades dele, porém isso não será possível. Sendo assim, cuide bem dele, sei que outra pessoa pode ocupá—lo e será extremamente feliz como eu um dia fui.
Precisava lhe escrever essa carta para por um ponto final em nossa história. Foi linda e trágica, e vou levar cada momento comigo para o resto de meus dias. Seus toques irão aquecer meus sonhos, a lembrança de seus lábios colorirá minhas horas e tudo o que rezo é para que encontre aquilo que busca e seja feliz.
Muito obrigada por ter sido um amigo incrível e um amante ainda melhor…
Com amor, de para sempre sua,
Emma.”
Terminei de ler, encarando a folha, a visão borrada. Sem saber como reagir ao ler suas palavras.
—Killian? – Vovó chamou com hesitação e senti sua mão em meu ombro.
Levantei-me sem dizer nada, precisando de ar, apertando a carta de Emma na mão.
Ela causara aquilo. Meu tormento.
Emma quis me deixar para trás. Não quis que eu a ajudasse.
—Killian! Qual o problema? – Landon me parou, preocupado.
Meu corpo todo tremia por conta da raiva.
Como Swan pode fazer aquilo comigo? Envenenar-me e forçar-me a trai-la como se essa fosse à solução.
Como se eu não fosse bom o suficiente para ajuda-la. Ou para lutar ao seu lado.
—Emma Swan aconteceu. Esse é o problema, Landon! – cuspi, jogando a carta para ele.
Landon pegou o papel confuso, desamassando-o com cuidado.
—Ela causou isso! Esse inferno! – gritei para ele, não conseguindo esperar que lesse. – Emma fez-me traí-la para que fosse embora... Ela percebeu que eu não seria útil em sua vida, em uma batalha. Swan se deu conta do inútil que eu seria como guerreiro se tentasse lutar, o peso morto para atrapalhá-la.
—Não diga isso, Killian. Ela o ama.
—Mesmo? Swan diz isso, mas suas ações demonstram outra coisa... Ela quis ser mais uma na lista de pessoas que me machucaram. E fez questão de ficar com o maior estrago. Logo quando eu achei que teria alguém fixo, que fosse ficar para sempre. Que eu poderia amar sem medo de ficar sozinho de novo.
—Filho, eu estou aqui com você. Acalme-se e verá que ela fez isso na melhor das intenções. Você conhece Emma e sabe que ela nunca o machucaria.
Passei a mão nos olhos, secando as lágrimas.
—Eu não sei mais de nada, Landon. Além de que todas as pessoas que eu amo... Vão embora. Eu nunca consigo mantê-las e eu não sei o porquê isso acontece. É Deus me castigando por tudo de errado que já fiz...
Landon puxou-me, abraçando com força.
—Ninguém está o castigando, filho. Você não tem culpa de nada, Killian. Nada. Pare de se culpar, de achar que não é bom suficiente, porque você é! Eu me lembro do garoto da marinha que me salvou de mim no meu pior momento. Do rapaz que se rebelou contra a coroa quando descobriu sobre os escravos que estavam transportando. Olhe para onde está e veja quantas pessoas são gratas a você, rapaz! Você é bom. Não teve culpa de sua mãe ter traído seu padrasto, não pediu por isso. Não teve culpa quando foi atrás de seu pai e ele o mandou embora, o problema não era você e sim aquele homem. Não foi culpa sua Milah ter caído do navio naquela tempestade, como você mesmo disse. Assim com agora sabe que não é culpa sua Emma ter partido, foi uma escolha dela para protegê-lo. Ela fez isso por amá-lo demais, por não suportar perdê-lo.
Peguei-me retribuindo seu abraço, chorando nos braços de Landon e segurando-me a ele, como uma criança.
Soltei-o respirando fundo.
—Vou dar uma volta. – anunciei.
—Irei com você, Killian.
—Não. – o parei. – Quero ficar sozinho.
Seus ombros ficaram tensos.
—Olhe lá o que você irá aprontar filho. Não faça nenhuma besteira. Eu estou aqui, não está sozinho, Killian.
Anuí, indo para a trilha, sem dizer nada.
Desci sem dificuldades pela trilha que levava até a praia. Lembrei-me de quando Emma estava naquela trilha comigo, quando viemos até a ilha. Sorri com a recordação de seus braços ao meu redor quando ouviu o barulho entre as árvores. A forma como não parava de falar por um minuto.
Quando me aproximei da praia, fechei os olhos e o som do riso de Emma junto com o de Baelfire invadiram meus ouvidos como se eles estivessem ali, brincando e correndo felizes.
Hoje eu daria tudo para poder voltar e correr com eles. Ter dado mais valor no momento e naquelas duas pessoas tão importantes para mim.
Eu não tinha mais Emma e nem Baelfire e tive a constatação que nunca mais ouviria o riso deles.
Assim que me permiti parar, percebi até onde minhas pernas tinham me levado.
Para o meu lugar preferido na ilha. Onde eu havia levado Emma para conhecer.
Onde eu havia beijado pela segunda vez sem conseguir resistir e ela havia ficado furiosa.
Estava acabado.
Eu havia perdido.
Eu não tinha nada, assim como no começo da história.
Sozinho.
Fechei os olhos e pude jurar que o cheiro dela ainda estava presente naquele local. Sua presença... Ainda podia ouvir sua voz daquele dia em que nos sentamos e conversamos sobre tudo e nada.
Que eu havia ficado ainda mais fascinado por aquela mulher.
—Por que você fez isso comigo, Swan? Por quê? — gritei para a noite, aproximando-me da borda do penhasco. — Por que me consertou para então quebrar novamente?
—Killian se afaste desse precipício. — a voz calma de Emma chegou aos meus ouvidos. Virei-me surpreso para trás, imaginando que estava louco.
Ela parecia real. A capa branca escondendo o corpo. O cabelo estava meio solto, modelado com cachos e sua face estava sem cor, às bochechas e olhos fundos.
—Ora vamos querido. Eu tenho um casamento para comparecer e vão notar minha ausência se demorar muito aqui. Venha, ande calmamente até mim, se afastando da beira. — instruiu.
—Você… Você é real? Está aqui? De verdade? – perguntei receoso, andando em sua direção. – Não é mais uma alucinação?
Emma mexeu na capa e abriu um sorriso fraco.
—Cortesia da capa. Sou uma Donzela-cisne esqueceu?
Senti raiva ao ouvir sua pergunta. Tanta que o sangue pareceu borbulhar em minhas veias, enquanto lhe dava um sorriso de escárnio.
—Não, não esqueci. Foi isso que a tirou de mim, como poderia esquecer? – retruquei com amargura. – Foi por causa de sua condição como Donzela-cisne que foi embora sem deixar rastros. Por ser uma Donzela-cisne você me fez quebrar um juramento para que nossa ligação fosse quebrada. – acusei. – Por ser assim, deixou-me sozinho, mesmo sabendo que era a última coisa que eu queria... Quando sabia o quanto quero um futuro com você.
Ela apertou as mãos, parecendo sem jeito.
—Bem... Você leu minha carta? – perguntou, erguendo os olhos brilhantes para os meus.
Dei mais alguns passos em sua direção, mesmo estando com raiva dela, eu queria tocá-la. Sentir sua pele e saber que ela estava realmente ali.
Aquiesci.
—E as outras? Dos seus pais e seu irmão?
Balancei a cabeça em uma negativa.
—Li apenas a sua... Assim que reconheci sua caligrafia, era a única que importava. – confessei. – É verdade? Você está morrendo? – indaguei, querendo que a resposta fosse uma negativa.
Emma assentiu apenas uma vez.
—Eu sinto tanto Emma, eu não queria...
Comecei. Aquilo era sim culpa minha. Eu deixei o caos me dominar, mesmo que tudo dentro de mim alertasse que não seria uma boa ideia. Não lutei contra aquela parte horrível e agora eu iria perdê-la por ser fraco demais.
—Shh meu amor, não foi culpa sua. Eu o forcei a fazer isso. Coloquei a poção do caos para que agisse daquela forma. Fiz isso para protegê-lo. Você é o homem mais maravilhoso da face da Terra. Você é bom e fiel para aqueles, que ama Killian, nunca faria isso em sã consciência. Sei que já disse em minha carta, mas talvez eu tenha sido trazida até aqui para que escutasse essas palavras de minha boca e acreditasse dessa vez. Você não foi culpado de nada. Eu fui. – ela bateu em seu peito para dar ênfase. – Eu fui egoísta porque não podia imaginar você morrendo e optei por manter a sua vida. Então por favor, viva da forma que eu o ensinei a viver. Não faça esse meu gesto ter sido em vão.
Cerrei o maxilar, sentindo meus olhos pinicando por causa das lágrimas.
—Eu a amo, Emma. – falei como se isso pudesse resolver tudo.
Eu esperava que resolvesse.
—Eu também o amo querido. Amo de verdade. Você sabe.
—Deveria ter sido mais forte e não ter me deixado cair à tentação do caos... Você prometeu uma família para mim. Disse que quer que eu seja feliz, mas está definhando e irá me deixar sozinho... – tentei me aproximar mais dela, todavia, algo me impeliu para trás, como se houvesse labaredas ali, queimando-me, fazendo com que eu gritasse de dor. – Eu não consigo sem você, Emma. Não sei ser feliz sem você.
—Não podemos mais ficar juntos, Killy! É a regra. – Emma atalhou sua voz saindo mais alta que o normal. – Se você se esforçar, conseguirá ser feliz...
—Eu poderia ter ajudado. Estaríamos juntos... Eu preferiria que não tivesse me protegido Emma. Preferiria que não fizesse eu me tornar aquele homem que detesto apenas para me proteger. Eu disse coisas tão horríveis para você, fada. – levantei-me, retornando a tentar chegar até ela. Não me importaria com a dor. Não me importava uma estupida regra. Swan estava ali, na minha frente e eu a teria em meus braços novamente. – Não era verdade, nada daquilo.
—Eu sei Killian, sei que não era e não levei nada a sério, tenho apenas as mais doces lembranças de nós dois. Esqueci aquela noite, agora pare que você irá acabar se machucando.
—Eu não esqueci. – rebati. – E eu não me importo desde que eu consiga segurá-la mais uma vez. – declarei um resmungo de dor saindo sem minha permissão de meus lábios. – Foi errado o que fez Emma. Você deveria ter me dado uma escolha. Deveria ter me deixado escolher e não ter escolhido por mim.
Eu sentia meu rosto em fogo e as lágrimas que escorriam por ele. A dor que eu sentia a cada passo que chegava perto dela, se tornava pior, como se se infiltrasse e fosse costurando por meu corpo, sem pressa.
Percebi Emma dando um passo em minha direção e no mesmo instante sendo puxada para trás, mas voltando a tentar, parecendo determinada a chegar até mim.
Ela emitiu um som de dor e tocou sua barriga como se a protegesse. Observei seu gesto com curiosidade e soube nesse momento, que ela estava tentando proteger nossa parte.
Nosso filho.
Eu sabia que ela estava grávida.
Eu havia os encontrado e nada ficaria no meu caminho para que eu ficasse com eles.
Voltei a tentar chegar até os dois, mais determinado que antes, pouco me importando com as consequências que teria para mim.
Fui jogado para trás novamente, desequilibrando e caindo, tendo dificuldade para respirar, porém não perdi tempo e logo já estava em pé novamente para chegar até eles.
E Emma voltou a tentar.
Queria dizer para ela que não fizesse esforço, que eu conseguiria, contudo se eu me atrevesse a falar, iria acabar desconcentrando e talvez voltando à estaca, zero.
Enlacei Swan, aproximando-a de mim, enquanto sentia seus braços se grudando ao meu corpo com desespero, como se tivesse medo de não se sentir abraçada e ela me apertou, deixando sua cabeça descansar em meu peito, um suspiro profundo de deleite deixando seu frágil corpo que parecia ainda menor do que eu me lembrava.
Eu sentia uma camada insistente, vibrando entre nós, tentando nos separar e estava determinado a destruí-la. Apertei Emma mais forte, afundando o nariz em seus cabelos e tomando cuidado para não machucar a protuberância em sua barriga que eu sentia de encontro ao meu corpo.
Uma força nos impeliu para longe um do outro, soltando algo dourado que fez um barulho ensurdecedor, balançando tudo ao redor, e quando cessou o que restava era o silêncio.
—Emma! – gritei assustado ao vê-la caída, correndo para ela.
Quão aliviado fiquei ao conseguir chegar até Swan sem problemas. Tomá-la nos braços como havia feito tantas vezes.
Emma agarrou meu pescoço e eu a ajudei para que ficassem em pé, deixando que se aconchegasse em meus braços, matando a saudade de tê-la daquela forma, sentindo a vida começando a ser enviada para todo meu corpo, enchendo de luz cada espaço que estava escuro com a sua ausência.
Ela estava de volta.
Afastei sua capa, querendo ver como estava sua barriga e a admirando como havia sonhado... Não exatamente. Queria vê-la sem aqueles panos todos, tocar e sentir sua pele, a única coisa entre nosso bebê e eu. A camada de pele que ajudava a protegê-lo.
Fitei Emma, esperando que ela visse em meus olhos toda a felicidade que eu sentia dentro de mim e que nunca conseguiria colocar em palavras por mais que tentasse.
E soube que ela sabia como eu estava, quando sorriu, seu sorriso mais brilhante e desceu sua mão, pousando-a sobre a minha, as observando com uma expressão de que não acreditava que era real.
—Você está...? – sabia que era uma pergunta estupida, mas eu queria ouvir da boca dela. Ouvi-la dizendo que teríamos nosso filho, depois de ter escondido sua existência de mim na carta.
Emma aquiesceu animadamente.
—Mas você...
—Eu menti, não queria mais lhe causar dor, Jones. Eu não tinha certeza se conseguiria aguentar o suficiente para o nosso bebê nascer. – contou de supetão. Era como se ela falasse rápido para evitar brigas.
Acariciei sua bochecha, olhando para ela como se fosse à primeira vez. Com toda a adoração que minha menina merecia, não querendo perder nenhum detalhe dela, antes de tomar seus lábios com aflição e saudade.
Eu a segurava como se tentasse fundi-la a mim para que não me deixasse nunca mais. Se tivesse que lutar, seria obrigada a me levar com ela.
—Onde você esteve fada? – questionei, encostando minha testa na sua. – Por que não apareceu antes? Foi um inferno sem você.
—Estava em meu reino, Mistheaven. Com meus pais. – falou, depositando um beijo no canto de minha boca com suavidade. – E não sei o que aconteceu. Minha capa simplesmente me trouxe até você. – explicou sorrindo, escrutinando meu rosto lentamente.
Senti algo agitado chutando minha mão e olhei pasmo para Emma, que também fitava a barriga.
—Ele está mais inquieto essa noite.
—Vocês dois sempre mexendo com o destino não é mesmo? – uma voz feminina, e perigosamente temporal, fez-nos separar.
Havia uma mulher de cabelos carmim e olhos de um azul tão claro e límpido que lembravam um céu em um dia bom ou as águas calmas do mar nos observando. Ela tinha uma expressão de autoridade e estava séria. Suas vestes negras possuíam pontos brilhantes que pareciam se mexer sem rumo.
Ao seu lado, uma mulher de cabelos louros e, olhos que lembravam duas safiras, estudava atentamente suas joias, como se todos presentes não merecessem sua atenção. Suas roupas eram douradas, com os seios fartos desnudos e uma capa feita de pena de falcão descansava em seus ombros, dando-lhe um ar extremamente sensual. Ela ergueu o olhar para nós dois, fixando- em Emma com desaprovação.
A nossa volta, um círculo começou a ser formado por mulheres muito bonitas, trajando vestes de guerreiras e com as capas brancas jogadas sobre os ombros, com suas lanças empunhadas, as faces sérias.
—As Valquírias. – Swan afirmou, apertando minha mão da maneira que costumava fazer sempre que estava assustada.
—Primeiro você o força a quebrar um juramento. – a mulher loura, e de seios expostos começou. Aquela devia ser a deusa do amor. — Depois ele acha um jeito de se comunicar com você e então aqui estão um nos braços do outro... Não fora suficiente, termos decidido deixa-la viver tempo bastante para ter seu filho? Existe uma regra que devemos seguir e aqui estão zombando dela.
—Regras foram feitas para serem quebradas. – soltei de modo cínico.
A outra mulher de cabelos carmim olhou para mim, a cor de seus olhos escurecendo.
—Não para nós. Graças a essas regras mantemos o mundo como vocês o conhecem. Houve uma quebra de juramento e sempre deixamos bem claro o que acontece.
Emma soltou minha mão, dando um passo à frente para longe de mim. Tentei alcançá-la e puxá-la para mais perto, contudo ela se esquivou inconscientemente.
—Eu os salvei! Isso deveria significar alguma coisa. Tudo o que eu fiz, foi pensando no bem de todos... Eu não queria ser a escolhida para derrotar Cora, não queria ter tido todo o meu destino mudado ainda quando criança, não queria ser donzela-cisne. Mas aconteceu assim, e se forcei Killian a quebrar o juramento é porque o amo e não suportaria perdê-lo por culpa minha. Se eu fiz isso, foi para salvar o lugar privilegiado que ficam lá em cima. Vocês poderiam mostrar uma coisa chamada “gratidão” e... Não sei... Deixar essa passar. – sugeriu com frustração e raiva.
Elas se entreolharam como se estivessem considerando as palavras de Swan.
—Mas fomos gratas. Decidimos deixa-la viver tempo o suficiente para ter seu bebê. – a deusa seminua informou.
—Foram ótimas palavras, guerreira, mas não muda o fato que houve quebra de juramento. Se permitirmos que você fique com seu guerreiro, então teremos que permitir que outras façam o mesmo. Você não é diferente, Emma Swan e devido ao reencontro caloroso e emocionante dos dois, você irá para Asgard agora, onde assumirá seu lugar como Valquíria. – a ruiva, que a cada vez que abria a boca fazia com que eu gostasse menos dela, falou.
—Não!- abracei Emma pela cintura, puxando-o a para perto de mim. Elas até poderiam tentar, mas não deixaria Swan ir. – Vocês não irão levá-la a lugar algum. Eu não deixarei que a tirem de mim agora que a recuperei.
—Se a amasse tanto assim, teria lutado contra o caos, guerreiro. – como era mesmo o nome daquela deusa? – Não foi o que aconteceu.
—A deusa que passou a noite com quatro anões para conseguir um maldito colar, que visita a terra para poder usufruir dos desejos carnais, quer mesmo achar que tem alguma moral para dizer isso para mim? – instiguei descrente, sem conseguir me controlar. – Por ser a deusa do amor está faltando um coração dentro de você.
Ela deu de ombros com desdém.
—A vida é curta para não se aproveitar tudo que tem dela. E o colar era o mais bonito que já havia visto. Valeu a pena. – disse como se se defendesse, com um tom ofendido.
—A vida é curta e vocês ainda querem tirá-la de mim? – perguntei fazendo Emma ficar atrás de mim, na tentativa de escondê-la. – Eu a amo. Sei que deveria ter sido forte, mas infelizmente eu sou humano e cheio de falhas, mas Emma é tudo de bom que tenho nessa vida. Não foi correto o que ela fez, sei disso e senti raiva quando li sua confissão, porém entendo que foi pensando no melhor, como tudo que ela faz. Emma salvou a vida de vocês. Salve a dela também. – implorei. — Deixei-a comigo como tinha que acontecer se não tivesse sido sequestrada. Prometo a vocês que não iremos desrespeitar mais nenhuma regra que envolva o destino.
Um leve burburinho se instalou entre as Valquírias que pareciam discutir sobre o assunto, antes de passar para as deusas.
—A resposta continua sendo “não”. Ela agora é nossa e tem um dever em Asgard. – a ruiva decretou.
Senti o corpo de Emma, colando ao meu.
Virei-me para ela, tentando encontrar alguma alternativa para sair daquela situação, indagando com o olhar se tinha algo.
Swan ergueu uma das mãos para o meu rosto, secando as lágrimas que eu nem havia percebido que havia derrubado, a outra pousada firmemente sobre a minha que estava em sua barriga.
—Talvez na outra vida. – murmurou. – Você vai ficar bem. Por favor, viva por nós dois. – suplicou, levando seus lábios até os meus. Senti o gosto salgado de lágrimas que eu não sabia se eram minhas ou dela. – Eu o amo Jones. Amo de verdade Killian. Perdoe-me, por ter feito o que fiz. Acredite que fiz pensando na vida que poderia ter. Nunca quis que sofresse meu amor.
Abri os olhos para ver seu rosto.
Não queria perdê-lo mais uma vez.
Eu achei que... Teríamos mais uma chance.
—Eu também a amo de verdade Emma. Com todo coração. – sussurrei com dificuldade para falar. – Não tem pelo o que pedir perdão, minha menina... Obrigado por ter me amado como nunca fui antes. Por ter feito, eu sentir novamente.
Ela sorriu de leve, afastando-se e indo em direção as deusas.
—Killian... Procure meu reino e informe meus pais. – pediu. – Diga por mim que eu amo-os, sim? E leia as cartas de sua família.
Anuí, engolindo o choro.
—E prometa-me que ficará aqui. Que irá viver.
Hesitei por um instante, pensando no peso daquele pedido. Se eu conseguiria fazer tal coisa. Se eu saberia como viver.
Olhei para seu rosto apreensivo e recordei tudo que ela me ensinara. Cada palavra de sabedoria que compartilhou comigo. O esforço que havia feito, sacrificando-se para que eu tivesse a chance de viver. Como mesmo longe, Emma se esforçou para encontrar minha família, para garantir que eu não ficasse sozinho.
Eu poderia cumprir aquela promessa.
—Eu prometo Swan.
Ela sorriu satisfeita para mim, e mesmo que estivesse morrendo por dentro, aquele sorriso e o orgulho em seus olhos, fez valer a pena.
As Valquírias foram, em sua direção, com suas lanças erguidas.
E eu apenas assisti sem saber o que fazer.
Quando senti o estranho calor no meu bolso e um leve brilho vermelho.
O colar.
Quando estivemos nos domínios de Hel, os duendes afirmaram que aquela era a pedra perdida do colar da deusa.
—Esperem! – gritei. – Isso pertence a você, não? – indaguei, com o colar erguido. Swan virou-se para trás, arregalando os olhos.
—A pedra do meu colar! – a deusa exclamou surpresa. – Onde conseguiu isso?
—Não importa. Proponho uma troca. – sugeri.
—Fora de cogitação. – a ruiva cortou rapidamente.
—O que quer?
—Que deixem Emma comigo. Devolverei a pedra de seu colar se deixar Emma comigo. É minha única condição. – falei a respiração irregular.
Emma estava imóvel, os olhos fixos na pedra brilhante.
A loura olhou para a outra, com um olhar pidão.
—Não. – a ruiva falou com determinação.
—É a pedra do meu colar! Você sabe como eu estava louca atrás dela.
—Odin ficará uma fera.
—Eu lido com Odin depois. É a pedra do meu colar, que Loki roubou. Ele não tem nada que ficar bravo.
A ruiva revirou os olhos, bufando e dando-nos as costas.
—Você tem que parar de ficar defendendo esses amantes, Freyja. – resmungou. – Guerreiras, nosso trabalho aqui já terminou. Sabia que era perda de tempo no momento que vi a forma que a deusa do amor olhou para vocês. – então ela nos fitou seus olhos se suavizando. – Espero que sejam felizes juntos. Estava torcendo para ela ter a palavra final. – confessou. – Nós somos gratas por ter nos salvado Emma. Tentamos de tudo para mudar... Vimos o que você sacrificou. Fez bem de ter guardado o colar, capitão. – atalhou com leveza para mim, dando-me uma piscadela.
—Isto... Isto quer dizer...? – Emma começou confusa.
—Que desde que eu tenha minha pedra de volta, vocês poderão ficar juntos. – a deusa, Freyja, completou impaciente.
Emma olhou para mim e eu joguei o colar em sua direção sem perder tempo, vendo-a passar a pedra para as mãos da deusa, que o acariciou com todo carinho.
—Muito obrigada, já havia perdido a esperança de encontrá-la. Garanto para vocês que Loki irá pagar por isso. – ela segurou no queixo de Emma, estudando seu rosto. – Vocês terão crianças lindas e serão felizes. Muito felizes... E não se preocupe guerreira, eu lido com qualquer problema que surgir por lá. Você fez muito por nós, merece seu descanso. Cuide bem dela, capitão. Estarei observando para ver se, irá cumprir todas as promessas que fez.
—Eu irei deusa. Garanto que irei. – prometi.
Freyja nos deu um sorriso de despedida, indo se juntar ao grupo que a esperava. Cavalos alados começaram a descer dos céus, suas asas fazendo um leve, farfalhar de penas enquanto pousavam ao lado de suas donas.
Um relâmpago brilhou ao longe e uma por uma, as Valquírias deixaram o chão, voando para o céu, sem dificuldade, juntamente com as deusas.
Swan e eu ficamos parados, fitando o lugar por onde haviam desaparecido.
—Se eu soubesse que ia ganhar um cavalo alado, tinha escolhido ir com elas. – Emma brincou, reivindicando seu lugar em meus braços.
—Ah, então quer dizer que um cavalo com asas é mais interessante que eu? – perguntei fingindo estar ofendido.
Ela tombou a cabeça para trás, admirando-me com um sorriso contido, que a deixava com ar de quem queria aprontar alguma.
—Eu não o trocaria por nada, Killian. Nunca mais vou me separar de você. Eu sou sua, de coração, corpo e alma.
—Bom... Então talvez eu possa ter uma, certa resposta, para um, certo pedido de casamento que eu fiz. – comecei, soltando a rapidamente, para alcançar o anel em meu bolso, escutando-a rir de descrença quando me ajoelhei. –Então, senhorita Swan... Aceita se casar comigo?
Emma respirou fundo, e fez que sim, diversas vezes.
—Eu aceito, Killian. Não precisa nem perguntar... Sim, sim, sim! – gritou cada vez mais alto e eu senti algo estranho criando vida dentro de mim, como se estivesse buscando forças para sair de vez.
Peguei sua mão e deslizei o anel em seu dedo, esperando o momento que tudo se transformaria em um pesadelo e eu acordaria sozinho.
Mas nada aconteceu.
Era real dessa vez. Swan iria ser minha.
—Você precisa comer, está magra. – falei com seriedade ao perceber como ficara largo. – Não sabe o quanto eu sonhei em ver esse anel em seu dedo. Obrigado por aceitar, Emma.
—Sempre foi “sim”, Jones... E quanto a comer, digo o mesmo para você. Precisa se alimentar e principalmente descansar. Ainda é assombrado pelos pesadelos? – perguntou com preocupação.
Assenti, sem encará-la, olhando o anel em seu dedo.
—Desisti de dormir já tem um tempo. Você está em todos, sem exceção.
—Eu irei ajuda-lo a se livrar desses, meu amor. – prometeu. – E nunca mais você terá pesadelos.
E eu sabia que era verdade. Que essa promessa nunca seria quebrada.
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