Assombrada
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Boa leitura...
Perto, muito perto, cada vez mais próxima, sinto a presença dela.
Um silêncio se segue, os risos seçam.
Um arrepio percorre todo meu corpo em choque quando Margareth sai da escuridão, com o mesmo vestido sujo com sangue, o mesmo olhar perturbado, e com o sorriso que até o próprio capeta teria medo.
– VOCÊ FOI UMA MÁ MENINA LUCY!! — Ela grita descontrolada, avançando em minha direção — VOCÊ É UM DÊMONIO QUE DEVE SER MANDADO DE VOLTA PARA O INFERNO!!!
Horrorizada não consigo me mexer.
Mas mesmo que tivesse, não haveria tempo suficiente para desviar da facada que recebi no peito no instante seguinte a seus gritos.
NÃO! Eu não queria morrer. Eu queria gritar, queria implorar por ajuda, até mesmo sua ajuda, mas não consegui dizer nada.
Prendi o folêgo. Sangue saiu de minha boca quando tentei falar mas pude sentir as lágrimas descendo por minha face.
A dor era insuportável...
Margareth fechou os olhos com as mãos na faca ainda empunhada em meu peito. E seu rosto ficou lívido, como se aquilo lhe desse um imanso prazer, como se a estivesse libertando, ou pior, como se ela tivesse me libertando.
Ela abriu seus olhos e, Deus, pior que a dor que a faca causava em meu peito agora, foi ver o sorriso de um anjo ,a face de um anjo em um monstro capaz de matar os próprios filhos.
Algo dentro de mim acendeu.
Não sei como ou de onde surgiu, mas, com uma força inesplicável empurrei Margareth ao chão. Mas como suas garras ainda agarravam a faca em meu peito, a levou junto.
– AAAH!!- Gritei quando a senti ser retirada, e me joguei no chão de quatro, ofegante , tentando suportar a dor .
Margareth aproveitando-se de minha fraqueza e momento de agônia, e se recuperou rapidamente da surpresa de minha reação.
Ela voltou a fincar a faca em minha costas, várias vezes.
– MORRA!!MORRA! MORRAAAAA!!- Ela gritava, cada vez mais louca — PORQUE VOCÊ NÃO MORRE MALDITA!!? PORQUE NÃO MORRE?! PORQUE?!M ORRA!
– AAAH! — Gritei acordando dezesperada.
Olho onde estou. A água transborda da banheira e começa a inundar o chão do meu banheiro.
Suspiro alivida de está na banheira e não mais no pesadelo onde era esfaqueada até a morte por minha maldita mãe.
Desligo a torneira e saiu da banheira procurando por uma toalha, tremendo de frio e sentido meus dedos enrrugados.
Me pergunto quanto tempo passei dentro d,água para minha pele ficar enrrugada dessa maneira. Vinte minutos? Meia hora? Uma hora inteira?Quando estou tendo esses pesadelos é como se não existisse tempo.
Acho que tenho que começar a contar o tempo dos intervalos dos meus sonhos.
Mas isso era o de menos que me preocupava no momento.
Me enrolei em uma toalha branca e me apoei no mármore da pia. Olhei meu reflexo no espelho.
Fico olhando fixamente para mim mesma feito uma idiota e mesmo tentando evitar, acabo comparando coisas, como a cor dos olhos, o formato do rosto, o naris, a pálides da pele, os lábios...Como eu posso parecer tanto com um monstro?
Deixei que as lágrimas rolacem frias por meu rosto e, sem me controlar mais ,comecei a chorar compulsivamente.
Sai do banheiro me arrastando, completamente acabada. Me joguei na cama do meu quarto e, sem me importar se teria mais um pesadelo, me deixei levar pelo cansaço e acabei adormecendo...
Notas finais
Beijos e até...
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