Assim, do meu jeito.
26 Capítulo 26 - Clarifying
Notas iniciais
POV. ROSALIE
Passados alguns dias desde a conversa sobre o baile, eu e Emmett acabamos decidindo ir. Carlisle e Esme contribuíram muito para tal decisão, assim como minha mãe e Edward – que ligaram diversas vezes tentando me convencer -. Um pouco mais cedo, Carlisle disse que deveria voltar para o hospital o mais rápido possível devido à uma emergência, e então, nos preparamos para ir embora de manhã.
Depois do café, eu e Emmett arrumamos a cozinha e apressamos Alice e Jasper, que ainda estavam arrumando seus respectivos quartos. Esme e Carlisle colocaram todas as malas no carro, certificaram-se de que nada estava sendo esquecido e trancaram todas as janelas e portas, por fim, quando todos já estavam do lado de fora.
Antes de partirmos, nos despedimos, sabendo que, como eu iria com Emmett, ele me deixaria em casa. Esme pediu que tirássemos fotos quando estivéssemos a caminho do baile e Carlisle apenas assentiu e sorriu o tempo todo – como sempre, aliás –. Alice e Jasper estavam entretidos com a música que tocava no rádio, então nos despedimos brevemente. Finalmente, nos dirigimos ao carro de Emmett e partimos em seguida à Carlisle.
(...)
No meio do caminho, quando já estávamos a apenas alguns minutos de Nova Iorque e eu e Emmett cantávamos Aerosmith, que tocava no rádio um de seus maiores sucessos — “Crazy” -, meu celular tocou em meu bolso. Com certa preguiça, levei a mão até ele e atendi – era Edward.
—Oi, Ed. – falei, esperando que ele começasse a falar em seguida.
—Você tá no caminho pra casa? — ele perguntou simplesmente.
—Sim, dentro de alguns minutos chego em casa. – fiz uma pausa – Vou precisar de ajuda com as malas. – ri e ele apenas bufou impaciente do outro lado da linha.
—Tudo bem, posso te ajudar com isso. Preciso de um favor também. – ele pareceu sorrir travesso do outro lado e eu revirei os olhos, imaginando.
—Diga. – disse de uma vez e dei espaço para que ele falasse.
—Bem, Bella precisa de ajuda para escolher o vestido do baile, mas não posso ir porque tenho que escolher meu terno.
—Não acredito que está me pedindo isso, Edward. – fiquei séria por um instante e Emmett me fitou, questionando o por que da expressão.
—Olha, eu sei que não fica confortável com isso, mas ela precisa de ajuda, não tem ninguém que possa ajudar. A mãe dela não é lá muito boa com essas coisas e eu menos ainda. – ele pareceu sério – Sabe que nunca te pediria isso se tivesse outra saída.
Fiz uma pausa antes de responder e, percebendo isso, Emmett colocou uma das mãos na minha perna esquerda, fazendo um afago, tentando me acalmar. Quando paramos no semáforo ele levou a mesma mão à minha nuca, também afagando suavemente, enquanto ainda me encarava com a expressão serena. O encarei e sorri, enfim, respondendo ao meu irmão.
—Tudo bem, posso ajudá-la. Só me diga que horas e peça para a Senhora Hale emprestar o carro dela.
—Obrigado, Rose. – ele parecia sorrir, de acordo com seu tom de voz – Chegando em casa, pode almoçar e desfazer suas malas, porque Bella só irá às 14 horas. Já falei sobre o carro com a Senhora Hale, está tudo certo.
—Tudo bem então. Por volta das 11h45min estarei aí.
—Até já.
(Ligação off)
—Por que não gosta da Bella? – Emmett me fitou rapidamente, desviando os olhos dos carros por alguns segundos.
—Não é que não gosto dela... – pensei um pouco – Apenas não vou muito com a cara dela em alguns sentidos. Digo, ela nesse time de líderes de torcida, passando por tudo que eu um dia passei, acabando com a vida dela por isso e tentando conciliar essa rotina doentia com o tal amor que ela tem pelo meu irmão e os sonhos do futuro dela... Não entra na minha cabeça como ela realmente acha que isso é possível. É como ter duas mãos e querer carregar o mundo todo. Esse universo de líderes de torcida não é a cara dela, as escolhas dela fora dali não condizem com isso; parece que é algo que ela escolheu apenas porque sabe fazer bem e então, não pode fugir porque as meninas de lá não deixariam.
—Deveria falar tudo isso pra ela. – ele opinou e deu de ombros – Não sei, posso estar errado, mas talvez ela só precise te ouvir e saber que alguém a entende, saber que existem outros meios de lidar com isso.
—Pode ser que tenha razão. – concordei, depois de pensar por alguns segundos – Quem sabe hoje eu tenha a oportunidade de conversar com ela e entendê-la. E ajudá-la também.
Depois de alguns minutos, Emmett me deixou em casa e ajudou-me com as malas – assim como Edward – e logo depois foi embora, dizendo que também iria sair com a mãe dele mais tarde, para escolher o terno e a gravata do baile.
Assim que o carro dele saiu da minha vista, Edward terminou de levar as malas para o meu quarto, enquanto eu tirava os chinelos e ia beber água. Assim que terminei de fazê-lo, subi e desfiz minhas malas – em cansativos 45 minutos -. Mais tarde, às 12h45min, almocei e depois deitei-me na rede do jardim, enquanto pensava em algumas coisas. Em muitas coisas, na verdade.
Era estranho pensar que ali tinha sido o berço de muitas das melhores coisas da minha vida. Os dias de verão mais felizes da minha infância e de meu irmão tinham se passado ali, dentro da pequena piscina de plástico, brincando até com os brinquedos que não deveriam ser molhados. Depois, a breve festa de Edward de 4 anos, quando ele ofereceu o primeiro pratinho de bolo pra mim, espontaneamente, sem sequer saber o que estava fazendo. Enfim, entre milhares de coisas, depois de anos sem visitar aquele jardim com um bom propósito, o meu mais recente paraíso particular havia se formado bem ali: minha relação com Emmett – ou o próprio –. Se há algum tempo atrás alguém me dissesse que um plano para melhorar minha relação com a minha mãe se transformaria em um namoro de longa duração – e ainda com tanto carinho, amor e felicidade envolvidos –, eu não acreditaria, com toda certeza. Entretanto, depois de vivenciar apenas o início dessa experiência maravilhosa, o universo se encarregou de provar-me que tudo se encaminha para o melhor destino possível. Até os erros, as feridas e as coisas ruins que às vezes parecem não acabar, têm um motivo: existe uma coisa melhor esperando por você, em algum lugar, em algum momento. Basta esperar e então, fazer valer à pena.
****
Quando minha linha de pensamentos se tornou tênue o bastante para desaparecer em minha mente, o farfalhar agitado das árvores alertou-me para o horário que já deveria ser. Antes de levantar-me, ouvi a voz de Edward aproximando-se da porta dos fundos e, consequentemente, do jardim. Me dei conta de que Isabella já deveria ter chegado e assim, tomei impulso e coloquei-me de pé num pulo, para então dirigir-me ao lado de dentro de casa.
Chegando na cozinha, avistei o casal conversando na mesa. Percebendo minha entrada, ambos voltaram seus olhares para mim — Edward com a expressão de sempre e Isabella com um sorriso gentil no rosto.
—Pronta para irmos? — perguntei tentando parecer gentil, à Isabella -
—Claro, estava te esperando. — ela moveu-se até a pia, onde depositou o copo vazio que antes estava em uma das mãos -
—Bem, então podemos ir. Vou buscar minha bolsa lá em cima e colocar um tênis. — avisei, certificando-me de que a roupa com a qual eu estava (um cropped azul bebê com listras brancas e um short jeans cintura alta despojado) só precisava estar acompanhada de um tênis, e estaria perfeita.
Look Rosalie:
https://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=232508156
Depois de pegar minha bolsa e calçar um par de meias e tênis, desci ao encontro de Isabella, que estava abraçada à Edward no portão. Interrompi o momento com o bater leve da porta da frente e ambos fitaram-me rapidamente, antes de despedirem-se. Encaminhei Isabella para o carro de minha mãe, estacionado em frente à casa e despedi-me de meu irmão, instruindo que ele fosse logo comprar o tal terno para o baile, antes que fosse muito tarde.
Alguns minutos depois...
O caminho até o centro de Nova Iorque, onde se situavam as maiores lojas de roupas de toda a região, foi um tanto quanto silencioso, com algumas trocas de comentários banais entre mim e Bella, que perdia-se em cada vitrine à parada do carro. Antes de finalmente acabar com a agonia dela e colocarmos nossas pernas para funcionar nas calçadas das largas avenidas, encontrei um estacionamento para deixar o carro seguro durante o tempo que estivéssemos fazendo as compras. Logo depois, a passos largos, chegamos em uma grande loja com fachada de vidro e vestidos chamativos na vitrine, que chamou tanto minha atenção, quanto a de Isabella. Resolvemos entrar, visto que era tão atrativa e calma em seu interior.
—Boa tarde, posso ajudar? — uma moça com a mesma vestimenta que as outras por ali, de cabelos ruivos compridos, ofereceu ajuda -
—Na verdade, sim. Estamos procurando vestidos pro baile do colegial que acontecerá essa noite, mas não temos muita ideia do que queremos. — encarei Isabella por um breve momento e continuei — Na verdade, Bella tem alguma ideia do que quer, mas eu ainda não tenho nada em mente.
—Bem, me acompanhem até a seção de vestidos de baile. Lá, enquanto ajudo vocês a escolherem alguns para provar, me falam sobre a ocasião e as preferências para o vestido. — eu e Bella apenas assentimos, sorrimos gentilmente e seguimos a moça até o local em que ela então falou -
Assim que adentramos o enorme ambiente com toda uma parede de vidro e vestidos diversos dispostos em araras de metal polido, vi de relance os olhos de Bella brilharem e ao mesmo tempo, espantarem-se. Devo dizer que os meus não expressaram-se tanto quanto os dela, mas o fizeram o suficiente para demonstrar há quanto tempo eu não adentrava um lugar como aquele.
—Fiquem à vontade! — a moça gentil gesticulou de nós para os vestidos e sorriu — Podem falar sobre a ocasião e as preferências, para que eu possa ajudar vocês?
—Bem, — tomei a frente, já que Isabella estava perdida no meio dos vestidos — será no colégio em que estudamos, de noite e haverão estudantes de todas as séries, como o usual, já que não é um baile de formatura, e sim de final de ano. — fiz uma pausa, pensando em mais informações para dar, enquanto a ruiva apenas assentia, sorrindo — Eu sou da turma que está se graduando esse ano, já Isabella irá para a última série ano que vem, então acredito que ela vá optar por algo menos chamativo dessa vez.
—Certo, senhorita... — ela sugeriu que eu dissesse meu nome -
—Rosalie. Rosalie Hale. — sorri, apresentando-me finalmente -
—Certo, senhorita Hale. Vamos escolher o seu primeiro, já que Isabella parece estar entretida com os demais vestidos. — ela riu baixo e eu acompanhei, observando a figura um tanto pequena entre as araras que abrigavam os vestidos -
(...)
POV. EMMETT
Já faziam trinta minutos que eu e minha mãe estávamos andando pelos corredores do principal shopping de Nova Iorque. Já havíamos almoçado na praça de alimentação, tomamos sorvetes e passamos a perambular por cada um dos andares daquele enorme prédio de infinitos elevadores e escadas rolantes. Minha mãe estava procurando pela melhor loja possível, enquanto eu já havia visto várias que podiam ocupar esse posto — mas, segundo ela, saberia quando fosse a ideal -.
—Ah, essa parece perfeita! — finalmente, as palavras que eu precisava ouvir saíram da boca dela. Antes que ela mudasse de ideia, adentrei a loja puxando-a pela mão -
—Posso ajudar? — a moça com cabelos bem curtos e escuros ofereceu, com um sorriso -
—Bom, estou procurando por um terno que seja ideal para um baile do colegial, de fim de ano letivo. — disse simplesmente, enquanto minha mãe observava nossa conversa -
—Claro, acho que tenho exatamente o que precisa! — ela sorriu e gesticulou para que a seguíssemos — Tem alguma ideia da cor do terno e da gravata? — fiz menção de responder, mas me dei conta de que não sabia qual cor de gravata usar, uma vez que normalmente combina-se a cor do vestido da garota com a cor da gravata do garoto e eu não sabia a cor do vestido de Rosalie -
—Bem, o terno será preto, — Esme dirigiu-se à moça e depois à mim — encarregue-se de encontrar algum que goste e que fique alinhado, enquanto eu ligo à Rosalie para saber a cor do vestido dela. — minha mãe instruiu e eu assenti, seguindo a mesma moça até a seção de ternos para o meu tamanho.
(...)
POV. ROSALIE
Bella passou duas horas exatas escolhendo seu vestido, até finalmente chegar em um que fosse exatamente o que imaginou — palavras dela -. Depois dessa jornada cansativa, fomos tomar café e comer alguma coisa no Starbucks mais próximo. Eu pedi um cappuccino de chocolate, enquanto Isabella preferiu um chá gelado com limonada. Cada uma de nós escolheu um salgado e um doce: eu pedi um toast de queijo com tomate e um donut de creme; Isabella, por sua vez, pediu um croissant multigrãos e um muffin de blueberry.
Enquanto aguardávamos a chegada dos últimos pedidos, ambas bebericávamos nossas respectivas bebidas, vez ou outra, encarando o movimento na avenida. Isabella parecia pensar em alguma coisa para dizer, mas estaria relutante em falar. Vi nossa breve conexão ser quebrada com o bater leve dos pratos de porcelana na mesa, indicando a chegada dos pedidos tão esperados.
—Aqui está, moças. — um rapaz de aparência jovial anunciou, com um sorriso no rosto antes de retirar-se.
—Muito obrigada. — ambas agradecemos, porém minha voz foi a que chegou aos ouvidos do rapaz, já que Isabella apenas sussurrou, um tanto tímida, como o usual.
Organizamos nossos pratos de acordo com o que o espaço da mesa permitia e logo começamos a comer. Isabella comia devagar: mordia um pedaço pequeno, pairava os olhos em alguma coisa lá fora e voltava à refeição. Vez ou outra bebia seu chá com ímpeto — parecia ser seu favorito do cardápio.
—Bella, — lembrando-me do quão aérea e ao mesmo tempo relutante ela estava, decidi começar — Você quer falar alguma coisa pra mim? — ela me encarou, um pouco perdida, depois de bebericar seu chá. Eu a incentivei com um arqueio de sobrancelhas e um olhar receptivo.
—Bem, não sei. — ela deixou o pedaço final da croissant no prato e limpou as mãos no guardanapo para então falar — Na verdade, eu tenho algumas dúvidas, Rose. — ela fitou os próprios dedos e arqueou a sobrancelha em uma expressão de dúvida.
—Então pergunte. — incentivei-a outra vez, para então beber mais um gole do meu café.
—Por que você me odeia às vezes? — ela foi direta e pareceu tirar um grande peso de seus pulmões, por sua postura agora — Digo, porque às vezes parece que é indiferente, como enquanto esperávamos pela comida; às vezes parece que se preocupa comigo, como no dia em que eu fui para o hospital e hoje na loja de vestidos; e em algumas vezes parece que simplesmente me odeia, como já aconteceu tanto. — ela me fitou e eu desviei o olhar para a mesa, preparando-me para responder.
—Bella, eu não te odeio. — eu esbocei um sorriso sincero, como se o que eu dissesse fosse óbvio — Eu só vejo em você a Rosalie antiga e acabo me sentindo desconfortável com isso. Quero dizer, eu já fiz todas as coisas malucas que você faz, acreditando no que minhas amigas falavam: que era um sonho meu também, já que eu tinha talento. Que eu deveria correr atrás disso. Mas, veja: eu nunca sonhei em ser líder de torcida. Antes de estudar naquela escola, eu nunca me senti atraída pelas atividades de uma líder de torcida, pelas apresentações delas e sequer tive vontade de saber como era. Foi só quando eu passei a estudar lá e vi que era a única atividade extracurricular que eu poderia praticar e talvez fazer para me divertir, que comecei a ficar perto desse universo. Ainda assim, eu só comecei porque as garotas me arrastaram para o grupo delas e colocaram na minha cabeça a ideia de que eu deveria tentar, porque eu era bonita e com certeza tinha talento pra isso, conforme elas diziam. — dei de ombros e fitei-a brevemente.
Observei que a expressão dela parecia suavizar e ao mesmo tempo se desmanchar agora. Prevendo que ela não interromperia, continuei.
—O que estou tentando dizer é que, muitas vezes, somos influenciadas demais. Nos rendemos ao primeiro sinal de que "pode ser legal" e acabamos nos jogando de cabeça numa coisa que sequer tem uma importância real para nós. Todo impulso extremo é ruim, Bella. Pode perceber que nossa saúde fica em décimo lugar quando pegamos uma responsabilidade pelos outros, quando queremos nos dedicar pelos outros? — ela assentiu positivamente com a cabeça, levemente, e então eu continuei — Porque simplesmente não estamos em sã consciência. Quando fazemos algo inteiramente por nós, cuidamos de nós como um todo: as responsabilidades, o corpo, a mente, a saúde, as relações, o lazer. É como deve ser.
Dessa vez, fiz uma breve pausa e ela ergueu o olhar, encarando-me com olhos expressivos. Percebi que, por pouco, ela não derramara uma lágrima ainda: seus olhos estavam marejados.
-Afinal, o que estou querendo dizer, Bella, é que quando conheci você melhor e vi que tinha uma menina sem futilidade alguma aí dentro, eu percebi o quão perdida você estava. Vou ser sincera: não quis isso para o meu irmão, mas por outro lado, sabia que eram escolhas dele. Estava com medo por vocês dois, porque Edward sofreria por você, e você só tinha duas opções de destino: poderia acabar como eu hoje, feliz e com plena consciência de minhas vontades, prioridades e responsabilidades, mas também poderia acabar como a Rosalie antiga: cheia de cicatrizes depois de perceber tarde demais que estava sozinha o tempo todo, porque se enganou o tempo todo, sobre tudo. — a encarei tentando expressar carinho no olhar e ela encarou-me de volta, com uma lágrima sobressaindo do seu olho esquerdo. Ali, todo o meu medo de estar falando tudo aquilo para a pessoa errada desapareceu. Vi nos expressivos olhos verdes o alívio de ter ouvido tudo o que precisava.
—Você tem razão. — ela secou as lágrimas e entoou a voz agora rouca, para então começar a falar — Eu sequer tinha percebido isso de verdade. Nos últimos dias eu tenho estado tão mais feliz do que com a rotina na escola, que me deixa exausta e me sentindo doente, que acabei me perguntando: "Por que eu estou fazendo isso?". E bem, eu não soube responder. Mas, não porque eu simplesmente amo e amor não é algo possível de explicar. De maneira alguma. — ela negou com a cabeça enquanto encarava o guardanapo molhado de lágrimas — É justamente pelo contrário: porque não há nada daquilo dentro de mim. Eu procurei por algo dentro de mim que respondesse àquela pergunta, fosse uma sensação ou um motivo sincero, que tivesse nascido de mim, e nada emergiu, exatamente por isso. Eu só fiquei com medo de estar sendo precipitada, de não estar preparada para lidar com as consequências de negar continuar naquele "universo", como você mesma disse, e ignorei minhas suposições. — ela sorriu, secando as lágrimas que ameaçavam continuar a descer por seu rosto — Obrigada, Rose. — ela segurou minhas mãos, que estavam sobre a mesa e apertou com carinho, enquanto eu ainda apenas sorria, sem perceber.
—Não precisa agradecer, Bella. É algo que faço por você e por mim mesma. — segurei firme ambas as mãos dela, retribuindo o carinho que ela havia demonstrado à mesma ação há alguns segundos atrás — Eu sei que um dia vou ser sua cunhada, oficialmente falando, — ela riu baixo e eu acompanhei brevemente — mas, mais do que isso, sou sua amiga agora. Pode contar comigo. — ela sorriu, dessa vez sem timidez, deixando os dentes à mostra e eu retribuí, dessa vez realmente feliz, pensando justamente em como isso teria ajudado "a antiga Rosalie". -
Considerei então a hipótese de ter salvo a mim mesma depois de todo o dito aquela tarde. Assim, me senti mais satisfeita; aliviada como alguém que acaba de ser salvo de cair da beira de um abismo. E acredite, Isabella fora, mas eu também acabava de ser.
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