Assim, do meu jeito.
21 Capítulo 21 - Denying Doubt
Notas iniciais
—Eu sei como se fazem tacos... — Jasper falou, um pouco baixo. -
—Então por quê não vem me ajudar? Vai ser muito legal. — sugeri, com um sorriso gentil, que fez ambos se aproximarem da bancada em que eu estava encostada. -
—O que vamos precisar? — Alice perguntou, dando pulos de alegria. -
—Bem, eu vou falando e vocês vão pegando, pode ser? — olhei nos olhos deles, que assentiram rapidamente. — Vamos precisar de Farinha de Milho, água, manteiga, sal — vi-os correrem pela cozinha imensa, procurando pelos itens e trazendo-os para perto da pia -, molho de tomate, pimenta, pimentão amarelo — observei, rindo baixo, a confusão que se formava na hora de abrir a geladeira. -, tomate, cebola, alface, queijo, feijão, e carne moída.
—Carne moída? Onde fica? — Jasper questionou, e eu chutei qualquer lugar em que achava que poderia estar. -
—Acho que deve estar no congelador, num saquinho. — vi, atenta, se eles não fariam bagunça no freezer, na hora de encontrar a carne. Por sorte, a mesma estava logo na porta do congelador. -
—Cheguei! — Emmett apareceu na entrada da cozinha, animado e vestindo uma bermuda azul marinho. -
—Podemos mesmo usar todas essas coisas? — questionei, preocupada com o que Esme e Carlisle achariam disso. -
—Claro que podemos, é pra usar, se está aí. — Emmett sorriu, me abraçando pelas costas. -
—Então, quem estiver pronto pra pôr a mão na massa, tem que vir lavar as mãos, pra podermos começar. — abri a torneira de água fria, despejando detergente nas mãos de Alice, Jasper e Emmett, que tinham se colocado ali como num passe de mágica, e depois, quando a bagunça com água havia cessado, nas minhas. -
Uma hora depois...
Com os tacos ficando prontos no forno, e a bagunça, enfim, organizada — principalmente depois da tarefa de preparar guacamole à oito mãos -, sugeri que fôssemos todos para um banho e depois descêssemos para comer tacos assistindo filme.
Sendo assim, subi para o "meu" quarto e tranquei a porta, para tirar meu roupão e pendurá-lo num cabideiro perto da janela. Com as roupas encharcadas, preferi adentrar o banheiro para depois tirá-las, e assim fiz. Coloquei as roupas, já torcidas, na pia, e entrei num banho morno, com os cabelos para lavar. No processo todo de tomar banho, gastei cerca de vinte minutos, e depois saí, enrolada numa toalha que havia trazido, para trocar de roupa no quarto.
Vesti um cropped branco com detalhes nas mangas, e um short de moletom cinza — eu sei, um short de moletom parece contraditório. -. Coloquei uma gargantilha preta, de veludo, que tinha um coração de ouro como pingente, passei meu lip balm nos lábios e espirrei um pouco do meu outro perfume que havia trazido, da Rihanna, pelo meu corpo, e calcei minhas mesmas sandálias que havia usado para ir na praia, mais cedo.
Look Rosalie:
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Quando cheguei na sala, depois de descer as escadas, antes de poder apreciar de relance o mar no fundo da vista, como de costume nos últimos dias, vi Jasper sentado no sofá sem ninguém por perto. Ele mexia nas próprias mãos, com os cabelos loiros enrolados úmidos sobre os ombros, e dessa vez, não tinha Alice ao seu lado, inquieta como sempre. Ele vestia uma bermuda de moletom cinza e uma camiseta em tons de azul, em degradê, com uma estampa de oceano, discreta.
Me aproveitei do silêncio e da onda de calma que Jasper parecia emitir, ainda que, agora, parecesse não sentir o mesmo por dentro, e cheguei mais perto do sofá, me afundando nele com o máximo de cuidado que pude. As costas largas tensas dele, se ajeitaram no tecido camurça do sofá.
—Tudo bem, Jazz? – o olhei de relance, desviando minha atenção pro tecido do sofá –
—Acho que sim. – ele sorriu, simplesmente. –
—Acho que não, na verdade. – insisti, me ajeitando de frente para ele. –
Ele pareceu relaxar mais, com a confiança que tentei passar.
—Não vai contar pra ninguém, né? – os olhos verdes me encararam, sinceramente. –
—Claro que não. Se você quer assim, assim vai ser. – ofereci o dedo mindinho pra ele, sorrindo, e ele entrelaçou o seu mesmo dedo no meu, como numa promessa. –
—Bem, Rose... Eu e Alice, somos primos distantes, certo?
—Sim, muito distantes, pelo que me contaram.
—Somos primos de 4° grau, eu acho – ele contou nos dedos, e desistiu de calcular, no fim. –. Enfim, antes que eu viesse passar um tempo com a Dona Esme e o Doutor Carlisle, eu falava com Alice por chamadas de vídeo, ligações longas e por mensagens também. E isso, na verdade, já tinha algum tempo, porque já tínhamos uma amizade de quando éramos menores. Alice nunca contou isso para ninguém, é claro, e ela me dizia isso — ele deu de ombros, como quem acha normal -. Acho que talvez Esme saiba, e só. Eu nunca me incomodei, sabe, porque achei que ela soubesse o que eu sentia, depois de conversarmos tanto. – ele me encarou, sincero, com os olhos profundos. –
Eu pensei pouco, porque entendi o que ele queria dizer; mas não sabia o que dizer. Ele era só um garoto de 15 anos, passando por isso. Um garoto tão doce quanto Jasper, de coração tão puro.
—Bem, Jazz, eu sei como se sente. Na verdade, é clichê, mas todas as pessoas passam por isso algum dia. A verdade sobre você e Alice é que, é claro que ela sabe o que você sente e você tem toda certeza sobre isso, mais do que qualquer pessoa; mas Alice, você sabe: ela é extrovertida, é do mundo, a cabeça dela vai no compasso do coração, e ela tem mil ideias em uma fração de segundo; ela é livre, de corpo e alma, sabe? – ele assentiu, com os olhos brilhando a todo momento. — E acho que ela tem medo de perder isso se doando demais para as outras pessoas. Por isso ela acaba se precavendo demais do que cogita sentir, e só consegue se deixar levar por esse lado de coração, se não perceber o que está acontecendo com ela mesma. –dei uma pausa, para tranquilizá-lo. – Viu que ela, até hoje, deve ter menos de 15% de confiança em mim, né? – ele riu, assentindo. –
—Tem razão, Rose. Acho que ela não faz por querer, né?
—Claro que não. Ela faz sem ao menos saber. Sabe que eu acho que ela gosta de você sim, no fundo? Ela só não ligou essa lâmpada na cabeça dela ainda. – sorri, acariciando os cabelos úmidos dele, quando ele, de surpresa, me abraçou forte. –
—Obrigado, Rose. Obrigado, mesmo. – ele me apertou forte contra seu abraço. –
—Não precisa me agradecer, vou sempre estar aqui quando precisar. – ele sorriu, quando nos soltamos. –
Ouvi os passos ecoarem múltiplos nas escadas, e olhei junto à Jasper para encarar os rostos sorridentes, que não paravam num só degrau.
—Já posso sentir o cheiro dos tacos daqui. – Emmett falou, fechando os olhos e inspirando forte, numa tentativa de sentir o cheiro melhor, enquanto chegava mais perto de mim. –
—Então vamos comer! – Alice pediu, em seu tom de voz fino. –
Automaticamente, eu e Jasper nos levantamos do sofá, e encontrei meu corpo com o de Emmett, quando ele me pressionou delicadamente contra seu peito forte, antes de caminharmos para a cozinha.
—Tá quente! – Alice exclamou, depois de encostar o dedo levemente no vidro do forno. –
—Eu tiro para nós. – ofereci, vestindo as luvas de cozinha, enquanto caminhava em direção ao forno. – Peguem seus pratos, pessoal!
—Eu vou pegar primeiro, claro. – Alice provocou, e as outras duas vozes masculinas se empolgaram, em meio às risadas, que nem eu consegui segurar. –
Uma hora e quarenta minutos depois...
Mais tarde, depois de termos comido todos os tacos e arrumado a cozinha, em conjunto — apesar de Emmett e Alice terem feito corpo mole -, decidimos jogar baseball no jardim que antecedia a “entrada” para a praia. Já faziam cerca de vinte minutos que estávamos jogando.
—Eu vou ficar nessa base agora; você fica na da esquerda, Lice. – Emmett ajudou Alice a se posicionar no jogo, pela milésima vez, enquanto eu me certificava de que não bateria forte com o taco na bola, dessa vez, quando ela viesse. –
—Vamos logo, Doutor Perfeccionista! – exclamei, provocando o perfeccionismo que Emmett insistia em ter num simples jogo em casa –
Ele tentou imitar minhas feições de quando o apressei, e como nisso ele sempre fora extremamente falho, nenhum de nós quatro pôde ficar quieto. Enquanto tínhamos nossos acessos de riso, e a bola e o taco já estavam no chão outra vez, a campainha soou baixo dentro da casa, duas ou três vezes seguidas.
—Eu atendo! — Emmett tentou falar alto, mas sua risada o interrompeu por pouco. — Continuem jogando. — ele deixou a ironia como se ela fosse ser entendida em algum momento, e saiu em passos longos em direção à escada para o "mezanino". -
POV. EMMETT
Sem fazer muito esforço — ainda que a campainha estivesse soando alto nos meus ouvidos, ecoando pela casa -, dei passos largos até chegar próximo à porta da entrada principal. Antes de abri-la ou fazer menção, peguei as chaves na gaveta do móvel próximo à escada, para em seguida, finalmente, abrir a porta e fazer a campainha parar de tocar.
Quando abri a porta, de início, não vi ninguém. Só depois de alguns segundos, então, senti mãos pequenas na altura dos meus joelhos, e atentei meu olhar para aquele círculo de crianças que se formava á minha volta.
—Tio, tio! — um dos meninos ali presentes, loiro com olhos castanhos, pulava tentando alcançar meus braços. -
—Calminha, pessoal, vou estar aqui pra todos. — brinquei, e todos eles deram breves risadinhas agudas. — Precisam de alguma coisa? Querem entrar? — observei algumas crianças que, mais atrás de outras, desviavam o olhar do meu corpo para alcançarem a visão atrás da porta semi aberta. -
—É que, na verdade, a gente só veio entregar isso. — uma garotinha de cabelos castanhos esticou a mão, para que eu pegasse o pequeno cartão que ela oferecia. -
—Ah, sim. — não me atentei muito ao "cartão", e continuei o pequeno diálogo com eles — Obrigado! — sorri, e antes que pudesse oferecer os doces que sempre estavam na gaveta do móvel no lado de dentro de casa, eles se agitaram em uma competição de corrida, até alguma casa mais ao fundo do condomínio. -
Assim que os vi sumirem de vista, entrei e fechei a porta atrás de mim, sem dar muita atenção para trancá-la, enquanto, enfim, podia me atentar ao "cartão" que me havia sido entregue.
—Vejamos o que será isso, dessa vez. — falei comigo mesmo, enquanto virava o pequeno papel-cartão decorado em cores variadas, em minhas mãos. -
Me atentei à um pequeno detalhe, quando percebi que já havia virado e desvirado o papel diversas vezes, em busca de alguma informação plausível: o remetente. Uma correspondência de condomínio, sem nome?
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