Assim Estava Escrito

30 Uma noite para esquecer


Notas iniciais
Pessoal, Espero que estejam bem e com saúde! Peço sinceras desculpas a todas e todos pela demora em terminar a fic. Nunca foi minha intenção demorar tanto, mas surgiram algumas questões que praticamente dobraram minha jornada profissional e que me impediram de seguir adiante com o texto da fic. Eu não queria ficar postando capítulos a conta gotas. Queria voltar a postar somente quando a fic tivesse terminado, então é exatamente por isso que estou aqui. De hoje até a próxima sexta, postarei um capítulo por dia, totalizando 8 capítulos, com os quais encerraremos a fic no dia 24 de setembro de 2021. As postagens já estão todas programadas, então podem ter certeza que, a não ser que o mundo acabe, a fic terminará na próxima sexta! Boa leitura! Comentem à vontade! Abraços

Marina saiu em disparada deixando a porta da sala de aula bater. No mesmo instante, Clara empurrou Juan para longe de si. Esfregou a mão em sua boca, como se quisesse limpá-la do contato com aquele homem.

A morena não disse nada. Olhou o professor com raiva. Mas não havia tempo para palavras, ela sentiu que precisava ir atrás de quem havia deixado a porta aberta. Teve medo que Marina tivesse visto aquela cena lamentável, temia o pior. Nem juntou suas coisas, apenas deixou a sala e se apressou.

Passando pelo bistrô, perguntou ao ex-marido:

— Cadu, você viu a Marina?!

— Vi sim Clara, passou que nem uma bala aqui na direção do estacionamento, o que foi hein?!

— Nada Cadu, um mal entendido, só isso. Preciso ir atrás dela pra esclarecer. Deixa eu correr.

E a assistente saiu voando em direção à saída.

Chegando lá, encontrou Marina manobrando o carro com dificuldades. A fotógrafa ia e voltava diversas vezes. Estava desnorteada. Clara se aproximou gritando.

— Marina, pára o carro, deixa eu te explicar, pelo amor de Deus!

A fotógrafa tinha perdido o brilho no olhar, aquele brilho que encantou Clara desde a primeira vez que se viram. Quando ela olhou para a morena, só tinha rancor e tristeza. A esposa nunca tinha visto Marina assim.

— Sai da minha frente Clara, eu não quero te ver, eu não quero te ouvir, eu preciso sair daqui. — A fotógrafa falou com raiva.

— Mas você não vai me ouvir, vai aceitar as coisas assim, não vai me dar uma chance de me explicar?!

— Explicar o que?! Que você voltou a ser a 'Clara indecisa'?! Que você agora não sabe mais se quer estar com uma mulher?! Que você está sentindo falta de um homem?! O que você quer me explicar Clara?! O que?! Eu já convivi com sua indecisão por meses. MESES! Quando nos casamos, acreditei que era em definitivo, que era pra sempre! E você me faz uma coisa dessas?! Eu não quero olhar pra você agora!! Some da minha frente Clara! SOME! — Marina gritou de dentro do carro e Clara percebeu então que seria inútil argumentar naquele momento. A fotógrafa estava transtornada. Cantando pneus, conseguiu finalmente deixar o local. A morena ficou ali, também sem chão, sem acreditar que estavam vivendo aquele pesadelo.

Nunca haviam brigado desta forma e a morena ainda não tinha visto nos olhos de Marina tanta raiva e tristeza como no momento em que tentava manobrar o carro totalmente sem rumo. Clara sentiu um calafrio na espinha e temeu o pior.

Limpou as lágrimas que havia derramado pois não queria que ninguém a visse assim. Voltou para o Galpão e parou no Bistrô para conversar com o ex marido.

— Cadu, eu preciso te pedir um favor.

— Tá tudo bem Clara?! Bom, na verdade eu sei que está acontecendo alguma coisa. Primeiro a Marina passou aqui correndo desnorteada e saiu. Depois você passou atrás dela. Agora voltou sozinha. O que foi hein?!

— Ah Cadu, um grande mal entendido, só isso. Mas que eu preciso resolver antes que vire uma bola de neve. Por isso queria te pedir para ficar com o Ivan hoje. Você faz isso por mim, por favor?! — Pediu a morena.

— É lógico que fico Clara! Com todo prazer! — Respondeu prontamente. Ele ficou um momento em silêncio olhando para a ex. — Quer que eu te ajude com mais alguma coisa?! — Perguntou carinhosamente. — Você sabe que pode contar comigo, não sabe?!

Clara acenou que sim com a cabeça. O chef abriu os braços e ela se encaixou entre eles, deitando a cabeça naquele peito onde batia um novo coração. As lágrimas da morena voltaram a escorrer. Ela ficou ali por alguns segundos, até que enxugou o rosto molhado mais uma vez.

— Obrigada Cadu!! Muito obrigada!! — A assistente agradeceu, já se afastando do abraço e olhando nos olhos do ex marido.

— Sempre que você precisar Clara! — Respondeu o chef, abrindo seu gracioso sorriso.

A assistente então voltou para a sala de pintura para pegar sua bolsa e seus materiais e sair em busca de Marina. A única coisa que tinha em mente era encontrar a fotógrafa e esclarecer todo aquele mal entendido.

Quando entrou na sala, Juan ainda estava lá, sentado sobre a mesa do professor, como se a esperasse para dizer algo. Clara o fitou por um instante. Tinha rancor em seus olhos. Mas a morena logo desviou o olhar. Foi na direção de seu material, sua tela, seus pincéis, e começou a guardá-los rapidamente. Em menos de um minuto já estava com tudo em mãos e foi caminhando na direção da porta.

Juan se colocou entre ela e a saída:

— Clara, a gente precisa conversar sobre nós! — O professor substituto falou, colocando a mão no antebraço esquerdo da aluna.

A assistente se desvencilhou facilmente da mão de Juan, visto que ele não a segurava com força. Ela olhou séria nos olhos de Juan e disparou com raiva:

— Não existe, nunca existiu e nunca vai existir um "nós" Juan. NUNCA!! Tenha certeza absoluta disso. Eu sou louca pela minha mulher, ela é o amor da minha vida. Eu não sei o que eu posso ter falado ou feito que te deu essa impressão equivocada de que eu e você pudéssemos ter algo. Mas para que fique claro de uma vez por todas: "NÃO EXISTE E NUNCA VAI EXISTIR "NÓS""!! — A morena esbravejava. — E eu nunca mais quero te ver na minha vida, entendeu?! — A aluna terminou sua fala com o olhar firme e sério para o professor.

Juan apenas concordou com a cabeça.

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Marina saiu dirigindo descontrolada. Embora estivesse sóbria, as lágrimas deixavam sua visão completamente embaçada. Ela estava sem rumo, sem atenção. Dirigia apenas por instinto. Passou direto em alguns cruzamentos e por pouco não acertaram seu carro em um deles. A imagem do professor beijando Clara não saía de sua cabeça, e dois sentimentos se misturavam em seu coração: a raiva, que ela descontava na direção imprudente, e uma profunda tristeza, manifestada nas lágrimas que não paravam de cair de seus olhos.

A fotógrafa dirigiu por horas sem saber para onde ir. Se em alguns momentos cruzava esquinas de forma temerosa, em outros parava no farol e o pensamento ia longe, voltava nos momentos vividos com Clara, no primeiro beijo, na primeira vez delas, tudo que já tinham passado para chegarem até ali. Mas infelizmente suas lembranças sempre levavam ao evento daquela tarde, quando seu coração se enchia de tristeza e os olhos de lágrimas. Imersa nessas lembranças, ela nem notava o farol ficar verde, e só arrancava o veículo quando os outros motoristas começavam a buzinar atrás. Passou horas rodando sem rumo.

Não queria ir pra casa. Não queria encarar aquela realidade em que a vida não era mais como ela e Clara tanto sonharam. Depois de dirigir por muito tempo, decidiu parar em um bar que conhecia. Queria arejar as ideias. Foi até um lugar onde ela ia frequentemente com Vanessa, e onde também já havia levado Clara (Capítulo 21 — Vamos dançar?).

Ao entrar no bar, sentou-se junto ao balcão. Era próximo das 20 horas e o movimento começava a aumentar. Pediu uma dose dupla de uísque puro, sem gelo. No primeiro gole, tomou metade do copo. No segundo, a metade restante. Pediu outra dose dupla. O barman, que já tinha presenciado esse tipo de comportamento várias vezes, não demorou a perceber que Marina estava li para esquecer algo. Não se achou no direito de interferir, visto que a fotógrafa estava bem e consciente, então a serviu novamente.

Passaram-se algumas doses e a esposa de Clara já começava a ficar um pouco alta quando uma voz do passado veio lhe interpelar:

— Mas que surpresa boa encontrar Marina Meirelles por aqui!

A fotógrafa fechou os olhos e suspirou fundo. Pensou consigo mesma: "Hoje é dia!". Quando se virou no balcão, Dani já vinha toda empolgada lhe cumprimentar.

— Deixa eu te dar um beijinho antes que sua 'amiguinha' volte toda enfezada do banheiro como daquela outra vez! — A ex de Marina exclamou, abaixando-se para dar um beijo no rosto da fotógrafa, que permanecia sentada. Marina olhou séria para a modelo.

— Dani, pela última vez, ela não é minha amiguinha, é minha mulher! — Falou com orgulho. — Mas não se preocupe porque ninguém vai voltar enfezada do banheiro. — Completou melancólica. — A única pessoa enfezada aqui hoje sou eu.

— Ui, tô sentindo tensão no ar. "Troubles in paradise", é?! — A modelo perguntou com o costumeiro deboche.

— Eu não quero falar deste assunto Dani, não aqui, não agora. Eu preciso clarear as ideias, deixar meu corpo e minha mente leves, para que eu volte a raciocinar e coloque a cabeça no lugar. Eu só quero um momento de paz. Só quero esquecer um pouco. — Pediu Marina.

A modelo percebeu que a ex estava séria e ressentida. Resolveu se sentar ao lado dela.

— Olha, não fica assim, eu não sei o que aconteceu, mas sei que tudo vai ficar bem. Não há nada que não tenha solução nessa vida, não é?! — Dani falou toda compreensiva tocando carinhosamente o rosto da fotógrafa. — Vamos dançar um pouco, distrair a cabeça. Vamos?! — A modelo tentou animar a mulher de Clara.

Ainda sentindo o toque da ex em seu rosto, Marina esboçou um sorriso. Deu um beijo na palma da mão de Dani. Se afastou um pouco, voltando-se para perto do balcão.

— Eu agradeço o convite Dani, mas hoje não tô no clima mesmo. Vou ficar quietinha aqui com meu drink. Mas obrigada pela atenção e carinho. — A fotógrafa agradeceu com um sorriso leve.

— Tenho muito carinho por você Marina. Muito. Qualquer coisa estarei ali, bem no meio da pista, você sabe. — A modelo declarou dando uma piscadela em seguida.

Dani se afastou e Marina ficou no bar. Pediu outra dose dupla sem gelo. Continuou a beber no mesmo ritmo de antes. Uma hora e muitas doses depois, já com a voz embolada e sem muito equilíbrio, Marina se aproximou de Dani na pista de dança e perguntou:

— O convite pra dançar ainda está de pé?! — Marina perguntou olhando nos olhos da ex.

— Claro!! — Dani respondeu prontamente, puxando a ex para a dança.

A fotógrafa se deixou levar pela música, pela luz estroboscópica e pelo efeito da bebida que já começava a alterar seu julgamento e seus sentidos.

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Do Galpão Clara foi direto para casa. Ligava insistentemente para o celular de Marina, na esperança de ter uma resposta diferente do redirecionamento da chamada para a caixa postal.

Chegando em Santa Teresa, percorreu rapidamente todos os cômodos da casa gritando o nome de Marina. Não havia sinais da mulher por ali, ou mesmo vestígios de que ela tivesse passado por ali mais cedo. Nada. A morena então se dirigiu até o estúdio. Lá chegando, encontrou Vanessa e Flavinha trabalhando. Olhou rapidamente e também não viu a esposa por ali.

— Ei meninas, a Marina passou por aqui?! — Clara perguntou angustiada.

— Ué, vocês não iam voltar juntas do Galpão?! — Vanessa perguntou surpresa.

— Íamos Vanessa. Íamos. Mas deu tudo errado.- Clara falou com desespero. — Um grande mal entendido e eu preciso encontrar a Marina para fazer com que ela entenda isso. — A morena olhou aflita para Vanessa e Flavinha.

As namoradas se entreolharam e perceberam a aflição da esposa da fotógrafa.

— Bom Clara, pra cá ela não veio ainda. Vamos pegar o carro e ir até alguns lugares por aí onde talvez ela possa estar. Daí no caminho você me explica o que aconteceu. — Vanessa olhou para a morena tentando tranquilizá-la. Então voltou-se para sua amada. — Eu e a Clara vamos rodar por aí procurando a Marina em alguns lugares. Você fica aqui Flavinha, pro caso dela aparecer.

A namorada concordou. Então a ruiva e a morena seguiram para o estacionamento. Vanessa foi dirigindo, pois a mulher de Marina estava nervosa demais para fazê-lo. Clara contou exatamente o que havia acontecido naquela tarde, como o mal entendido fora construído, o que a fotógrafa tinha visto, como tinha reagido e saído do Galpão. Vanessa ouvia tudo atentamente enquanto percorria lugares onde a sócia poderia estar. Mesmo sendo noite, foram até uma praia onde há algum tempo a fotógrafa e Clara haviam ido juntas para tomarem banho e se refrescar. Pensaram na possibilidade de Marina ter ido arejar as ideias ali.

Percorreram a praia e alguns bares da região, mas sem sucesso. Gastaram um bom tempo nisso. Voltaram dessa praia por volta da meia noite. Vanessa ligou para Flavinha, que ainda estava no estúdio sem pregar o olho. Nenhum sinal de Marina. A cada minuto que passava a angústia de Clara aumentava.

Para além do medo de ficar sem a esposa, temia que algo de ruim pudesse acontecer a Marina. Vanessa sugeriu então que procurassem em alguns bares onde elas tinham o costume de ir antes de Marina conhecer Clara. Foram a um, dois, três bares. Nenhum sinal de Marina. De repente, veio uma luz para a ruiva:

— Clara, tem uma boate que costumávamos ir muito, não sei como não me lembrei antes. Fica na Lapa. — Vanessinha recordou, despertando a lembrança da morena também.

— Eu sei onde é Vanessa. — A esperança voltou no semblante da morena. — Marina já me levou ali uma vez... — Clara se lembrou de como foi gostosa a noite que passaram naquele lugar. — Vamos lá sim, é uma tentativa, não é?!

— Com certeza!! Vamos lá!! — Respondeu a ruiva animada, já tomando o caminho da boate.

Chegaram ao local por volta das 4h30 da manhã. A esperança de Clara encontrar a esposa por ali foi embora assim que desceram do carro e perceberam que a boate já havia encerrado suas atividades naquela noite. As portas estavam semi cerradas e do lado de fora um segurança aguardava a saída dos últimos funcionários para fechar de vez o local.

— Moço, eu tô vendo que vocês estão fechando, mas deixa eu entrar só pra procurar uma amiga minha, por favor?! — Vanessinha pediu encarecidamente.

— Olha minha linda, vocês vão me desculpar, mas não posso mesmo deixar vocês entrarem. Mas te garanto que não tem ninguém mais por aqui, afirmou o segurança.

Com essa declaração, o restinho de esperança que ainda havia em Clara foi embora de vez. Mas em seguida ela teve uma ideia: pegou o celular, abriu uma foto de Marina e mostrou para o homem.

— O senhor saberia me dizer se esta moça esteve aqui hoje?! — A morena perguntou com uma pontinha de esperança novamente.

O segurança olhou, tentou se lembrar de algo, mas logo fez um sinal de negativo com a cabeça.

— Me desculpe senhora, mas é muita gente que passa por aqui toda noite. Infelizmente não me lembro desta mulher.

Clara olhou para Vanessa. A ruiva sentiu o desânimo no olhar da amiga. Colocou a mão em seu ombro e tentou confortá-la. Neste momento, o barman saiu pelo portão principal da boate. O segurança olhou o celular de Clara que estava em sua mão e mostrou a foto de Marina para o colega:

— Essas moças estão procurando esta mulher aqui — o segurança falou mostrando a foto de Marina. — Você se lembra de ter visto ela aqui hoje?!

O barman olhou a fotografia e sem pensar duas vezes respondeu:

— Lembro sim! — Falou com certeza.

Ao ouvir a resposta do barman, o semblante da morena mudou e a esperança voltou em seu olhar.

— Ela esteve aqui hoje?! — A assistente perguntou ao barman.

— Sim, ela esteve aqui esta noite. — Ele afirmou. — Eu me lembro bem, porque ela passou boa parte da noite no balcão. E consumiu muito. Estava com vontade de afogar as mágoas na bebida mesmo. — As palavras do barman deixaram Clara com um sentimento de culpa ainda maior. — Ela bebeu várias doses de uísque puro. Depois eu a vi dançando no meio da pista. Daí não a vi mais até quase no final da noite. — A morena ouvia atentamente. — Ela saiu meio escorada em outra moça, vou te falar que não parecia nada bem viu?! — O barman completou olhando para Clara. Essas últimas palavras provocaram um frio na espinha da assistente.

"Quem seria essa moça e qual era o real estado de Marina? Pra onde elas teriam ido?" — Essas perguntas rondavam a cabeça da morena.

— Que moça era essa com quem ela saiu? Vocês conhecem? — Vanessa perguntou sem hesitar.

— Ah sim! — O barman respondeu. — Ela está sempre por aqui. É uma mulher alta, muito bonita, pele negra, acho que é modelo.

— Qual o nome dela mesmo? — Perguntou o barman, voltando-se pro segurança.

— É a Dani?! — O segurança respondeu com uma interrogação, no intuito de confirmar se falavam da mesma pessoa.

— Isso mesmo, a Dani!

Aquele nome caiu como um soco no estômago de Clara. Ela não imaginava que naquela altura da vida voltaria a ouvir aquele nome e a se preocupar com a presença da modelo em suas vidas. Ela não queria acreditar. Olhou para Vanessa. Estava incrédula. A ruiva percebeu o choque da morena. Procurou rapidamente a foto da modelo em uma rede social e a mostrou para o barman.

— A Dani que vocês estão falando é essa aqui? — Vanessinha pediu uma confirmação.

— Exatamente! Essa mesma! — O barman confirmou, provocando em Clara um sentimento de angústia misturado com raiva.

Vanessa percebeu o estado da morena. Agradeceu o segurança e o barman e puxou Clara na direção do carro. Entraram no veículo e fecharam a porta. Depois de alguns momentos em silêncio, a morena voltou-se para a ruiva:

— Você tem o endereço dessa mulher Vanessa? — Clara perguntou nervosa.

— Clara, vamos pra casa, a Marina já deve estar chegando, se é que já não chegou lá. — A ruiva tentou ponderar.

— Se ela tivesse chegado a Flavinha teria nos ligado. Ela não foi para casa. Você tem ou não tem o endereço dessa mulher Vanessa?

— Aqui não Clara. Mas no catálogo de modelos lá do estúdio deve ter. A gente tem o registro de todo mundo que já trabalhou conosco.

— Então liga pra Flavinha e pega esse endereço com ela, por favor.

— Clara, vamos com calma, você nem sabe se a Marina está lá. — Vanessa tentou inutilmente acalmá-la.

— Vanessa, pela última vez, por favor, pega o endereço dessa mulher com a Flavinha. Ou você vai me fazer voltar lá em casa pra eu mesma procurar isso?! — A morena falou extremamente nervosa.

Vanessa percebeu que seria inútil insistir na tentativa de distrair Clara. Não falou mais nada. Apenas pegou o celular e ligou para a namorada. Pediu que procurasse o endereço da modelo, sem dar maiores explicações. Pouco depois que desligaram, Flavinha enviou o endereço de Dani para o celular de Vanessa.

Para surpresa de Clara, a modelo também morava no Leblon, não muito longe de sua mãe, em um prédio com pequenos studios.

Vanessa foi dirigindo. Ficaram o tempo todo em silêncio. Clara estava pensativa e tinha o semblante sério. Muito sério na verdade. Tentava em vão evitar certos pensamentos.

Chegando ao endereço da modelo, seu coração disparou ao ver o carro de Marina estacionado do outro lado da rua. Suas suspeitas de que a esposa tivesse ido para a casa de Dani estavam certas.

Já eram 6h30 da manhã. O dia estava claro. O movimento de pessoas e carros na rua começava a aumentar. A morena ficou paralisada por alguns minutos. Sem conseguir sair do carro, observava o prédio à distância.

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Marina abriu os olhos e percebeu que a claridade do dia já entrava pela janela. Sua cabeça latejava de tanta dor. Piscou os olhos. Quando conseguiu mantê-los abertos de vez, percebeu que aquela janela por onde a luz passava não era a sua janela. O quarto não era o seu quarto. A cama de casal onde estava deitada não era a sua. Olhou em volta e não viu ninguém. Um porta retrato na mesinha de canto com uma bela foto de Dani lhe informava que aquela era a casa da modelo. Fechou os olhos novamente tentando se lembrar como chegara até ali. A tentativa foi em vão.

Uma percepção lhe causou estranhamento. Tateou seu corpo sob as cobertas e percebeu que estava nua. Nua em pêlo, sem uma única peça de roupa. Abriu os olhos e olhou sob a colcha, constatando com a visão o que suas mãos já haviam sentido. Fechou os olhos novamente.

"- Meu Deus, o que foi que eu fiz?!?" — Foi a única coisa que conseguiu pensar.

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— Qual é o número do apartamento Vanessa? — Clara perguntou nervosa.

— Cla... — Vanessinha nem conseguiu completar o nome da morena.

— O número do apartamento Vanessa! Só me fala isso. — Clara pediu irritada.

— 1104.

— Muito obrigada. Agora é comigo. — Clara abriu a porta do carro e saiu nervosa.

— Me espera Clara! — Vanessa se apressou em sair do veículo e correu atrás da morena.

Atravessaram a rua. Quando chegaram na porta do prédio, um senhor estava saindo. Antes que a portaria de vidro se fechasse, Clara a segurou e entrou rápido. O senhor ficou olhando, meio estranhado com a cena. Para disfarçar, Vanessinha justificou:

— Ela tá muito apertada pra ir ao banheiro. — A ruiva riu sem graça. Quando entrou no hall do prédio, a porta do elevador já estava fechando com Clara dentro. Vanessinha levou as mãos à cabeça.

"- Agora ferrou tudo. O que que você foi aprontar Marina?!?" — A ruiva pensou.

Assim que o elevador parou no 11º andar, Clara saiu correndo. Chegando na porta do 1104, começou a apertar insistentemente a campainha.

No intuito de acalmar a campainha nervosa, Dani correu para atender a porta, sem se atentar para o olho mágico. Assim que puxou a maçaneta, Clara entrou em disparada.

A morena estava desnorteada. Olhou rapidamente a sala vazia e foi direto para o pequeno corredor que levava ao único quarto do studio.

— Bom dia! Entre por favor! — Dani falou com ironia para si mesma.

Sem raciocinar, Clara abriu a porta do quarto. Marina estava sentada no centro da cama. Tinha os ombros nus e o restante do corpo coberto por um fino lençol. As duas se olharam. Foi a vez da morena ficar sem chão.

Notas finais
Até amanhã pessoal! Não deixem de comentar!! Ainda temos mais 7 capítulos de "Assim Estava Escrito"!! Próximo capítulo: A separação Capítulo 30 postado em 17 de setembro de 2021.