Assim Estava Escrito
16 Jantar com o Ivan
Notas iniciais
No sábado à noite, Marina chegou ao prédio de Clara por volta das 20h, de táxi, pois sabia que beberia um pouco e assim não voltaria dirigindo. Levava na mão uma garrafa de vinho e uma rosa vermelha. O porteiro, que já sabia de sua chegada, a acompanhou até o elevador.
Quando chegou ao andar da namorada, ficou por alguns instantes parada em frente à porta do apartamento. Pensou no jantar, em como ele era significativo para Clara e para ela mesma, pois integrar o pequeno à vida delas como casal era um grande desejo das duas. Deu um suspiro longo e tocou a campainha.
Ao abrir a porta, a morena tinha no rosto seu belo sorriso, o que fez a namorada sorrir também. Era incrível como mesmo se encontrando todos os dias, cada vez que se reviam, seus corações se aceleravam e os lábios expressavam naturalmente a alegria que sentiam por estarem juntas. A fotógrafa deu um passo à frente e abraçou a assistente, que a envolveu com firmeza.
– Muito feliz que você está aqui! — Clara sussurrou no ouvido da namorada.
– Eu também! — Marina falou de volta.
A morena a puxou para dentro do apartamento e fechou a porta.
Ivan estava sentado no chão da sala, montando um quebra cabeça na mesinha de centro. Cabisbaixo, parecia aborrecido.
– Não vai cumprimentar a Marina filho?! — A assistente perguntou, tentando atrair a atenção do pequeno.
– Oi Marina! — O menino falou sem muita empolgação e sem olhar para a namorada da mãe.
– Ivan... — Clara pronunciou o nome do filho, em uma entonação que ele logo percebeu ser de reprovação ao modo como ele tinha cumprimentado a fotógrafa.
Na mesma hora, o bichinho se levantou e deu um abraço em Marina, que lhe beijou o topo da cabeça.
– Tudo bem mocinho?! — Ela perguntou.
– Tô sim... — O menino respondeu, sem muita convicção, e voltou a se sentar e mexer com o quebra cabeça.
Marina olhou para Clara com uma cara de preocupação, mas a morena balançou a cabeça, como se dizendo para ela não ligar, e a chamou para a cozinha.
– Não liga não, não tem nada a ver com você. Ele tá aborrecido assim o dia todo, porque já tinha feito um tanto de planos com o pai, e ficou meio decepcionado por não passar este final de semana com ele. Mas logo passa. — A morena afirmou, enquanto Marina observava de longe o pequeno. — E isso aí que você trouxe?! — Clara perguntou sorrindo.
– Bom, essa rosa é pra você! — Marina entregou o botão para a assistente — e esse vinho é pra gente relaxar um pouquinho antes do jantar.
– Ah, obrigada! Que delícia! Vou colocar a rosa neste vasinho aqui e vou abrir o vinho pra nós! Bom que dá pra gente tomar enquanto eu termino de preparar o jantar aqui, porque acabei atrasando um pouquinho.
A fotógrafa não tirou os olhos do menino enquanto Clara abria a garrafa. A morena as serviu e fizeram um brinde, no qual não falaram nada, mas se olharam com cumplicidade. Ambas já sabiam que o desejo era por mais momentos família como aquele. Sorriram e beberam.
Marina perguntou se Clara queria ajuda, mas com a recusa da morena, ela decidiu se sentar no sofá perto de onde Ivan estava.
Ficou o observando por um tempo, até iniciar uma conversa:
– Então quer dizer que você gosta de quebra cabeça?!
– Gosto sim, mas esse aqui já ficou fácil demais, só tem 300 peças... eu até já decorei os lugares de cada uma. — O menino olhou para a fotógrafa. — Eu queria mesmo era jogar ludo, mas precisa de duas pessoas e a mamãe tá fazendo o jantar, então eu sobrei aqui. — O garoto falou com uma expressão aborrecida, voltando-se novamente para a mesa.
– Ludo?! — Marina perguntou surpresa. — Nossa, há quanto tempo eu não ouço falar desse jogo. Esse jogo é antigo. Você gosta dele então?!
– Pois é, a mamãe que me deu, falou que era pra eu não ficar jogando só vídeo game. Eu achei que ia ser chato, mas ele é bem legal. Eu mesmo já cansei de ganhar dela. — O menino falou abrindo o primeiro sorriso da noite ao olhar pra mãe e lembrar-se de suas inúmeras vitórias.
– Ué, mas se ela não pode, então eu jogo com você! Você quer?! — A fotógrafa perguntou.
– Claro! Deixa eu ir lá pegar. — O menino saiu correndo para o quarto, enquanto Marina olhou para Clara, que estava feliz com o jeito que a namorada foi se aproximando do garoto. Ambas sorriram.
Logo Ivan estava de volta e começou a montar o tabuleiro e as peças sobre a mesa, após recolher o quebra cabeça.
– Bom, mas o senhor vai ter que me lembrar como se joga, porque faz muito tempo que eu não brinco de ludo mesmo. — Marina declarou.
– Tá bom, eu explico sim! — Ivan respondeu sorrindo, e foi pacientemente relembrando a fotógrafa sobre os objetivos e as regras do jogo.
Deram início à partida, e Ivan se divertia ao ver a falta de costume de Marina com o dado, somado ao fato de que ela só conseguia números baixos. Após um tempo, o garoto já tinha dois peões na casa final enquanto a fotógrafa ainda não tinha conseguido dar nem uma volta no tabuleiro.
Pouco depois Clara os chamou para jantar, no que o garoto protestou:
– Mas mãe, ainda tá no meio do jogo.
– Não tem problema, vocês vêm jantar e depois voltam pra continuar!
– Tá bom... a gente vai continuar, né Marina?! — O menino quis confirmar com a fotógrafa que terminariam o jogo.
– Vamos sim meu lindo! Depois do jantar a gente continua! — Ela tranquilizou o garoto.
Foram para a mesa, e Clara serviu um macarrão de forno que tinha feito.
– Que cheiro bom! — Marina elogiou.
– Tomara que o gosto também esteja, né?! — A assistente respondeu rindo.
– Tenho certeza que vai estar! — A fotógrafa falou dando uma piscadinha para a morena.
Clara os serviu, e assim que começaram a comer, tanto Ivan quanto Marina elogiaram o prato feito pela assistente, que ficou toda feliz. Se divertiram durante o jantar, e as duas riram muito enquanto Ivan contava de como a mãe já tinha perdido no jogo pra ele, inclusive da vez em que perdeu sem ter conseguido colocar uma peça sequer na casa final. Foram se distraindo e ao final do jantar o menino já tinha deixando o aborrecimento do início da noite completamente para trás.
Após a refeição, Ivan mal deixou que Marina ajudasse Clara a tirar a mesa, e já foi puxando a fotógrafa de volta para o jogo. E assim ficaram por mais um bom tempo, tanto que a assistente terminou de organizar as coisas na cozinha e ainda sentou no sofá para assistir o final da partida, e ver seu bichinho comemorar a vitória sobre a fotógrafa, que também se divertiu ao ver a empolgação do garoto.
– Bom meu lindo, obrigada pela partida, e eu espero em breve ter a minha revanche! – Marina anunciou.
– Combinado! — Respondeu o garoto, tocando a mão da fotógrafa.
– Clarinha, tá bem tarde já, eu preciso ir. Será que você chama um taxi pra mim?!
– Acho tão perigoso você voltar pra casa a essa hora sozinha. — A morena protestou.
– Mas eu não estarei sozinha, eu vou de taxi.
– Ah, mas mesmo assim, você não quer dormir aqui?! — Clara olhou nos olhos da namorada, realmente preocupada com o retorno dela pra casa.
Antes que a fotógrafa pudesse responder, Ivan emendou:
– É Marina, fica aqui! Você dorme na cama da mamãe!
Neste momento, as duas se entreolharam e ficaram meio boquiabertas, sem saber o que dizer, no que o menino completou:
– Daí é bom que a mamãe dorme comigo lá no meu quarto!
Ao ouvir isso, Clara se aliviou do susto que tinha tomado na fala anterior do garoto:
– É Marina, fica aí, você dorme no meu quarto e eu fico lá com o Ivan. — A morena sorriu.
– Tem certeza Clarinha?! Não queria dar trabalho...
– Que trabalho que nada! Fica aqui sim!
– Tá bom então, eu fico! — As duas se olharam e sorriram.
– Bom meu filho, já passou da hora de ir dormir né?! Seu olho já tá ficando pequenininho de sono. Vai lá escovar os dentes e colocar o pijama que eu já vou lá pro quarto arrumar nossas camas. Só vou pegar uma escova de dentes nova e uma roupa pra Marina dormir e já te encontro lá.
– Tá bom mãe! — O menino aceitou numa boa, visto que já sentia mesmo o sono chegar. Se aproximou da fotógrafa e deu um beijo em seu rosto. — Boa noite Marina!
– Boa noite meu lindo!
O garoto seguiu na direção do banheiro e deixou as duas na sala, que se entreolharam e sorriram.
– Você coisinha, acabou dando um jeito de me convencer a ficar, né?! — A fotógrafa falou.
– É claro, eu gosto de te ter por perto. Quanto mais, melhor! — A morena piscou. — Mas vamos lá que eu vou preparar a cama pra você.
Clara a puxou para o quarto. Chegando lá, arrumou a cama, e entregou para a namorada uma de suas camisas de dormir, além de uma escova de dentes nova.
– Essa aqui vai ser sua escova aqui em casa, pra você usar sempre que ficar aqui, e eu espero que sejam muitas vezes!
– Eu também minha linda! — Marina falou baixinho. — Espero dormir aqui muitas vezes mais. Quem sabe com você, né?! — Falou sussurrando.
– Vamos sim, muitas e muitas vezes! — Clara sorriu e acariciou o rosto da fotógrafa. — Agora eu tenho que ir, desculpa.
– Eu sei. — Marina concordou e segurou a mão da assistente, beijando-a carinhosamente.
– Fica à vontade viu?! Quero se sinta como se estivesse em casa! — Se olharam com cumplicidade.
A morena foi se encaminhando para a saída. Olhou para trás e viu a fotógrafa descalçar os pés. Ainda dentro do quarto, encostou a porta, pois não resistiu a acompanhar a cena que viria a seguir. Percebendo a permanência da assistente, Marina deu um sorriso malicioso e lentamente começou a levantar seu vestido, retirando-o completamente e permanecendo só de calcinha na frente da morena, que se deliciou com aquela imagem. Clara permaneceu parada, mas mordeu os lábios e sorriu. A namorada pegou a camisa deixada pela morena e vestiu. Logo em seguida, levou a mão até a cintura, por baixo da blusa, e foi descendo a calcinha que vestia, jogando a peça longe. Clara observou tudo boquiaberta.
Fechou os olhos e sussurrou:
– Não faz isso comigo... você me deixa louca assim, sabia?!
– Ué, você não disse que eu podia ficar à vontade?! — Marina sorriu maliciosamente.
Clara terminou de fechar a porta e passou a chave. Foi em direção à fotógrafa, segurando-a pela cintura e levando-a até a parede do quarto, onde a morena a pressionou com o corpo. Iniciaram um beijo quente, cheio de desejo e tesão. O contato de seus corpos só fazia aumentar o calor que já sentiam internamente. A assistente começou a levantar a blusa da namorada, mas em seguida parou, interrompendo também o beijo. Abaixou a cabeça.
– Desculpa meu amor, eu não posso mesmo, desculpa. — A morena lamentou.
Marina levantou a cabeça de Clara e sorriu.
– Tudo bem linda! Esse beijo já valeu minha provocação! – Deu um sorriso safado.
– Ah é né Dona Marina!! Muita covardia sua me provocar assim, viu?!
A fotógrafa sorriu e selou os lábios da morena, que a abraçou.
– Logo vai ser diferente, você vai ver. — Clara tentou ser otimista.
– Tudo bem, Clarinha! Tá tudo bem!
– Tão bom te ter aqui em casa, no meu quarto, na minha cama... ainda que eu não possa ficar aqui com você, estou muito feliz!! Com você e o Ivan aqui a casa parece que está cheia, completa!!
– Que bom meu amor!! Também me sinto muito bem aqui com vocês!
A morena selou os lábios da fotógrafa mais uma vez e caminhou novamente até a porta. Abriu a maçaneta e olhou pra trás mais uma vez, mandando um beijo de longe para a namorada, que o retribuiu.
Quando chegou ao quarto do filho, Ivan já cochilava em um colchão estendido no chão. Mesmo assim, ela conseguiu que ele se levantasse um pouco para que ela estendesse ali uma colcha, e em seguida ele voltou a se deitar. Clara beijou a cabeça de seu bichinho, desejando-o uma boa noite.
A morena ajeitou também a cama do filho, onde ela dormiria, e foi para o banheiro trocar de roupa. Saindo de lá, olhou para a porta de seu próprio quarto, já cerrada. Fechou os olhos e suspirou. Seguiu para o quarto do filho e se deitou.
Passaram-se 10, 15, 20, 30 minutos e nada de Clara conseguir dormir. Rolava de um lado para o outro na cama, tentando achar uma posição, mas nada lhe deixava menos inquieta. O pensamento não saía de Marina e da imagem da namorada deitada em sua cama no quarto ao lado, usando somente a blusa que ela tinha lhe emprestado.
Resolveu se levantar e ir até a cozinha beber algo que lhe refrescasse do calor que estava sentindo.
Pegou uma garrafinha de água na geladeira e tomou-a pela metade. Fechou os olhos. Deixou o restante da garrafa no balcão e rumou na direção do quarto do filho. Chegando no corredor, olhou para uma porta e outra. Cerrou os olhos novamente. Respirou fundo. Girou a maçaneta.
O quarto estava em silêncio. Aproximou-se e viu que a fotógrafa dormia tranquilamente, de costas para a entrada. Deitou-se atrás dela e a abraçou, juntando seus corpos sob a coberta.
– Você veio. — A fotógrafa sussurrou logo após acordar do sono que ainda era recente.
– Eu não consegui dormir com você aqui no quarto ao lado, na minha cama, sem calcinha. Não resisti. Acho que eu tô pagando meus pecados por ter resistido tanto a você antes. Porque agora, só de você me olhar, eu já me desmancho toda. — A morena declarou, no que Marina virou-se para ela e sorriu.
– Que bom que você parou de resistir! — A fotógrafa exclamou, beijando Clara logo a seguir.
O beijo começou suave, uma sentindo a maciez dos lábios da outra. Abraçaram-se e aproximaram seus corpos. Logo o calor do beijo anterior foi retomado. As mãos de uma percorriam as costas da outra, deixando-as com o desejo ainda mais aflorado. Beijaram-se até o fôlego acabar, quando Clara falou em um sussurro:
– Mas a gente vai ter que ser bem silenciosa, não dá pra fazer muito barulho aqui, os quartos são muito pertos. Você acha que dá?!
– Pra te ter aqui agora eu abro mão até de falar minha linda! — Marina riu. — Mas você vai conseguir ficar quieta?!
– Claro que vou, eu sou a rainha do silêncio! — Clara respondeu com firmeza.
– Ah é?! Engraçado que pra mim pareceu o contrário lá em casa. — A fotógrafa soltou nova risada.
– Mas é porque lá a gente podia fazer o barulho que fosse. Quando precisa fazer silêncio eu sei ser bem discreta. — A morena respondeu.
– Então tá, se você está dizendo... — Marina decidiu concordar com Clara, mas em sua cabeça estava disposta ao desafio que não deixar a assistente ser tão silenciosa assim.
A fotógrafa inclinou-se sobre a morena e retomou o beijo, pressionando seu sexo sobre o dela. Logo Marina desceu os beijos para o pescoço da namorada, que passou a gemer baixinho em seu ouvido. Levou suas mãos até a base da camisa que Clara usava, e começou a subi-la lentamente, sendo ajudada pela assistente, que arqueou o corpo para facilitar a saída da peça, ficando só de calcinha.
Marina então foi com a boca até os seios da morena e começou a beijá-los suavemente, passando a língua em cada mamilo, o que aumentava ainda mais o tesão que sentiam. Clara mordeu os lábios e sua respiração ficou mais forte.
A fotógrafa percorreu o abdômen da morena com leves beijos, até chegar a seu sexo, beijando-o por sobre a calcinha, o que fez Clara dar um suspiro um pouco mais alto. Marina segurou as alças da peça e foi descendo-a lentamente pelas pernas da assistente. Quando tirou-a por completo, aproveitou e despiu-se também da blusa que utilizava.
Voltou-se para a morena e começou a beijá-la no joelho esquerdo, descendo pela parte interna de sua coxa, até chegar ao sexo novamente, onde deu um beijo longo, que fez a assistente latejar ainda mais. Logo Marina aproximou-se do rosto de Clara e voltou a beijá-la.
Sem cessar o contato, inclinou-se um pouco para o lado e levou sua mão direita até o sexo da morena, que estava encharcado. Nesta constatação, a fotógrafa parou o beijo e sorriu para a namorada, que a olhou também com um sorriso nos lábios.
– Adoro te ver molhadinha assim! — Marina declarou.
– É tudo culpa sua. — Clara respondeu sorrindo.
Voltaram a se beijar, e logo a fotógrafa penetrou a namorada com dois dedos. Clara apertou o quadril de Marina ao senti-la dentro de si.
A fotógrafa voltou a beijar o pescoço da morena, que gemia baixinho em seu ouvido à medida que sentia intensificar o movimento que a namorada fazia em seu sexo.
– Você é gostosa demais Clara! — Sussurrou Marina.
– E você é maravilhosa, me deixa morrendo de tesão! — A morena respondeu ofegante.
Logo a fotógrafa aumentou o ritmo e também passou a esfregar seu sexo na coxa da morena. Os gemidos de Clara em seu ouvido, mesmo baixos, intensificaram-se, e ela percebeu que o orgasmo da amada não demoraria a chegar.
Quando gozou, a assistente apertou seu rosto na cabeça de Marina e gemeu no ouvido da namorada, tentando manter controle sobre o volume dos sons que fazia.
A fotógrafa não parou. Continuou estimulando a morena, que logo voltou a beijá-la. Sentir a assistente ainda mais molhada deixou Marina com muito tesão, e o desejo de ver a assistente gozar mais uma vez lhe estimulava também.
Ela intensificou o toque, e não demorou muito para que Clara gemesse em seu ouvido mais uma vez. Ambas ainda estavam cheias de vontade. Voltaram a se beijar, intercalando o toque dos lábios com pequenos gemidos que as duas não conseguiam segurar. Ainda com os dedos dentro de Clara, Marina voltou a movimentá-los. A morena mordeu os lábios. Sentia tanto tesão que percebeu que não conseguiria mais segurar apenas com gemidos baixos.
A assistente pegou o travesseiro e o levou até sua boca, mordendo-o com força quando seu terceiro orgasmo chegou, o que não impediu que fosse ouvido o gemido que soltou entre os dentes. Marina gozou junto com a namorada, mas conseguiu não fazer barulho ao pressionar os lábios contra o pescoço da morena.
Por um tempo a fotógrafa permaneceu com seu corpo sobre o da assistente, que tinha a respiração muito acelerada. Pouco depois, deitou-se de lado e olhou para o rosto de Clara, que ainda ofegante lhe falou:
– Essa noite a senhorita me fez perder a noção duas vezes: primeiro quando tirou a calcinha ali na minha frente, e agora de novo... as minhas pernas estão bambinhas... quase que eu soltei um grito que ia acordar o prédio inteiro... — A morena fingiu seriedade.
– Ah Clarinha, mas tava tão gostoso ver você sentindo prazer, eu não consegui parar. — Marina riu. — Você não gostou?!
– Você sabe que eu adorei, olha o estado que você me deixou. Mas se eu não tivesse colocado o travesseiro na boca...
– Ué, não foi você que falou que era expert em ser silenciosa?! — A fotógrafa disse rindo.
– Marina, Marina, você fez isso de propósito, não é?! Depois eu que sou a bandida... — Clara fingiu indignação.
– Ah, vem cá minha bandidinha linda! — Marina falou puxando o rosto de Clara e dando nela um beijo carinhoso.
Quando seus lábios se soltaram, ficaram ainda um tempo se olhando. A morena passou a acariciar o rosto da namorada.
– Obrigada por me mostrar que eu podia ser mais feliz, meu amor. Eu posso dizer que finalmente eu conheci uma felicidade que me dá alegria, e foi você quem me mostrou isso. Obrigada! Te amo te amo te amo! — Clara falou repetidamente, selando os lábios da namorada ao final.
– Também te amo muito minha linda! Muito! — A fotógrafa retribuiu.
Ficaram se observando por mais um tempo, até que Marina fechou os olhos e sentiu o sono chegar.
Clara ainda ficou por ali a admirando. Quando percebeu que a namorada dormia tranquilamente, levantou-se devagar, fazendo o possível para não acordá-la. Vestiu sua roupa e seguiu para o quarto de Ivan, que tinha o sono profundo. Finalmente a morena conseguiu dormir também.
No dia seguinte, era por volta de 9h da manhã quando Marina despertou ao sentir os braços da assistente a envolverem na cama.
– Bom dia meu amor! — Clara cumprimentou.
– Que bom dia mais gostoso! Bom dia pra você também linda! — Marina respondeu.
– Pedi para o Ivan encontrar a Rosa lá na Helena para irem na padaria juntos e buscarem pão fresquinho pra gente. Você dormiu bem?!
– Muito muito bem! Dormi sentindo seu cheirinho gostoso aqui no travesseiro!
– O bom é que agora eu também vou poder dormir com o seu perfume no meu travesseiro. — Clara sorriu. — Feliz de te ter aqui no meu quarto, na minha cama!
Marina se voltou para a morena e declarou:
– Também estou feliz minha linda! Muito feliz! — Selaram os lábios.
– Vamos tomar café?!
Marina concordou e as duas se levantaram e trocaram de roupa. Quando Ivan voltou com o pão, já estavam na cozinha e Clara terminava de passar o café.
Logo quando se sentaram para comer, o menino já perguntou para a fotógrafa:
– Hoje a gente vai poder jogar mais, Marina?!
– Oh meu lindo, não dá, eu nem trouxe roupa pra ficar aqui, tenho que ir pra casa.
O menino ficou meio cabisbaixo com a resposta, e percebendo isso, a fotógrafa decidiu fazer um convite:
– E se vocês forem passar o dia comigo lá em casa hoje?! Daí a gente aproveita a piscina e joga mais partidas de ludo. O que acham?!
Assim que ouviu o convite Ivan abriu um sorriso e olhou para Clara, que nem pensou em recusar a proposta, tamanha a carinha de felicidade do filho. A morena sorriu e se voltou para a namorada:
– Tem certeza Marina?! A gente não quer dar trabalho...
– Ah Clarinha, trabalho nenhum, você sabe disso. Vai ser um prazer passar o domingo com vocês! — A fotógrafa declarou dando uma piscadinha pra assistente sem que Ivan percebesse.
Terminaram de tomar o café animados e logo partiram para Santa Teresa no carro da morena. Chegando lá, Vanessa não estava em casa. Provavelmente tinha combinado alguma coisa com Flavinha, o que Marina agradeceu, pois assim poderiam curtir o domingo sem o mau-humor da ruiva por perto.
Foi um dia de muito calor no Rio e os três aproveitaram muito a piscina, fazendo mergulhos e outras brincadeiras que Ivan inventava. Com os dedos já bastante enrugados, saíram da água e aproveitaram para jogar uma partida de ludo, em que o menino comemorou mais uma vez por ter conseguido vencer a mãe e a fotógrafa juntas.
Logo ele quis voltar pra piscina e as duas ficaram sentadas conversando enquanto o observavam.
– O Ivan não sente falta de ter um irmão, ou uma irmã?! — Marina perguntou para a morena.
– Ah, às vezes eu acho que sim. A gente interage muito com ele, minha mãe, o pessoal da casa da Helena, mas acho que ele sente falta de ter alguém mais da idade dele em casa, pra dividir as brincadeiras, assistir desenhos juntos.
Após ouvir a resposta da assistente, a fotógrafa a olhou e abriu um sorriso.
– O que foi? O que tá passando aí na sua cabecinha? — Clara perguntou curiosa.
– Nada demais não. Só tava aqui pensando mais pra frente... Quem sabe a família não aumenta e o Ivan vai ter mais gente pra brincar em casa?!
A morena olhou para a namorada e sorriu. Havia entendido o que Marina quis dizer.
– Quem sabe, não é?! Ia ser muito bom! — A assistente exclamou, dando um beijo na mão da fotógrafa. Olharam-se com carinho.
No final da tarde, os três estavam no estúdio, onde se despediram. Ivan ficou muito agradecido por todo o final de semana, e a fotógrafa lhe afirmou que logo marcariam outros dias na piscina e novas partidas de ludo. Ela e Clara se abraçaram e disseram um "até amanhã", visto que na segunda se encontrariam novamente no trabalho.
A assistente foi com o filho até o carro. Depois que o menino colocou o cinto de segurança, ela lhe pediu que esperasse só um pouquinho, pois havia esquecido de dizer um negócio a Marina.
A fotógrafa ainda estava distraída no estúdio quando foi surpreendida pelo abraço de Clara em suas costas.
– Obrigada pelo final de semana, meu amor! Obrigada pelo carinho com o Ivan, por tudo! Foi muito especial pra mim!
Marina se virou e ficou de frente para a morena.
– Não tem que agradecer minha linda! Foi um prazer, eu também amei passar o final de semana com vocês!
– Gosto tanto de ver vocês se dando bem! Só quero ver quando for pra falar com ele que nós duas somos mais que amigas...
– Ah, mas se eu conquistei o coração resistente da mãe, acho que consigo conquistar o do filho também! — Marina sorriu, arrancando também um sorriso da morena.
Clara a olhou nos olhos, acariciou seu rosto e juntou seus lábios ao dela. Beijaram-se carinhosamente.
Após o beijo, despediram-se mais uma vez e a morena seguiu para o Leblon. Ambas estavam felizes pelo primeiro final de semana juntas que tiveram com Ivan. A assistente sabia que ainda havia um longo caminho pela frente, mas lhe confortava ver como o filho e a namorada se davam bem.
–----
Era uma quarta-feira de manhã, e Marina começava a despertar tranquilamente em sua cama quando deu de cara com Vanessa, que estava sentada na poltrona de seu quarto a encarando.
– Nossa Vanessinha, que susto que você me deu! — A fotógrafa exclamou.
– Credo Marina, comigo você leva susto. No dia que a Clara tava aqui olhando a gente dormir você não tomou susto na hora que acordou. — A ruiva retrucou, aproximando-se de Marina ao ficar ajoelhada ao lado da cama.
– Mas deve ser porque a Clara me olha com amor, não com esse olhar de obsessão. — A fotógrafa afirmou, deixando Vanessa cabisbaixa.
Percebendo que tinha sido dura com a sócia, Marina levantou o rosto da ruiva e a olhou nos olhos.
– BOM DIA.
O cumprimento alto ressoou no quarto, e quando a fotógrafa e Vanessa olharam para o lado, a dona da voz estava parada próximo à porta com uma expressão séria. Era Clara.
Fale com o autor