Assim Estava Escrito
13 Fim de semana em Santa Teresa
Notas iniciais
No sábado, já era por volta do meio dia quando Clara abriu os olhos lentamente. Havia tido a noite de sono mais tranquila das últimas semanas, e sentia-se verdadeiramente leve ao acordar. Olhou para o lado e viu que Marina ainda dormia. A morena sorriu com aquela visão. A fotógrafa também tinha o semblante sereno, e vê-la assim era confortante para Clara.
A assistente passou a observar como Marina dormia. O lençol cobria apenas seu quadril. Suas pernas e suas costas ficaram à vista, e mesmo estando de bruços, parte de seu seio direito também podia ser apreciado. Ver a fotógrafa assim, junto com as lembranças da noite anterior deixaram a morena muito excitada. A imagem de Marina estava tão bonita, que se Clara pudesse a colocaria num quadro, para poder contemplá-la sempre. A morena pensou em pegar seu celular para tirar uma foto da namorada e registrar a bela visão que tinha à frente, mas olhou em volta e lamentou não ter o telefone ao seu alcance.
Pensou em se levantar para procurá-lo, mas naquele momento Marina começou a se mexer, e Clara resolveu então se aproximar dela. A fotógrafa abriu os olhos e sorriu ao ver a namorada ali perto.
– Bom dia linda! — A morena falou num sussurro rouco, selando os lábios de Marina a seguir.
– Bom dia meu amor! Tão bom acordar e ter você aqui do meu lado.
– Também acho maravilhoso! Tava te olhando dormir e apreciando o quanto você é linda! — Clara se declarou, deixando a fotógrafa levemente ruborizada.
– Nossa, eu tenho que me beliscar pra ter certeza de que não estou sonhando. — Marina custava a acreditar no que estava vivendo.
– Não belisca não. Eu tenho outro jeito de mostrar que você não está sonhando. — A morena se aproximou e deu um beijo ardente na fotógrafa. Levou sua mão esquerda até o quadril de Marina, tocando sua pele com desejo e trazendo-a para junto de si. Clara interrompeu o beijo por um instante e fitou os olhos da namorada. Marina abriu um sorriso, estava encantada pela libido aflorada da assistente. — Obrigada pela noite maravilhosa, Marina! Você me provoca desejo demais!
– Adoro te ver com vontade assim, Clara! — A fotógrafa respondeu e logo retomou o beijo quente. Inclinou-se sobre a morena e pressionou seu sexo no dela, arrancando o primeiro gemido da namorada naquela manhã.
Parou o beijo e desceu os lábios até os seios de Clara, chupando-os com intensidade. A assistente gemeu ainda mais. Seu tesão estava à flor da pele pedindo pela fotógrafa. E Marina percebeu a urgência de Clara. Levou sua boca até o centro da namorada, e teve a confirmação do quanto a morena estava molhada. Passou a língua por todo o sexo da outra, lubrificando-o ainda mais. Chupou o clitóris da assistente brevemente, mas tempo suficiente para Clara agarrar o lençol com muita força. Marina então cessou o toque com os lábios. Encostou seu sexo no de Clara, que gemeu alto ao sentir o encaixe dos corpos. A fotógrafa deixou a perna direita de Clara entre as suas, e deitou-se no colchão, ficando na posição contrária à da namorada, com sua cabeça ao pé da cama. Começou a movimentar o quadril de modo que seu sexo esfregava no da outra, ambas se estimulando assim. Clara logo entendeu o ritmo que Marina empreendia e começou a mexer seu quadril de forma a aumentar os estímulos. A fotógrafa gemeu alto. Segurava forte a perna da morena e chegou a arranhá-la, o que na verdade aumentou ainda mais o tesão de Clara, que por sua vez começou a chupar e dar pequenas mordidas no pé da fotógrafa.
Por um instante Marina parou o movimento, e inseriu dois dedos em Clara, num estímulo extra. Eles saíram de lá encharcados. Juntou seu sexo ao dela novamente e retomou o ritmo intenso que empreendiam pouco antes.
– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! — O gozo das duas veio logo a seguir. O gemido alto ecoou no quarto pela primeira vez naquele dia. Chegaram ao orgasmo juntas.
Ainda ofegante, Marina se virou de volta na cama e deitou ao lado da morena, que se voltou para ela. Clara respirava com dificuldade também. Levou suas mãos até o rosto de Marina.
– Que delícia! — A morena declarou, fazendo a namorada sorrir. Clara selou os lábios da outra e completou: — Me mostra mais!
Marina soltou uma risada gostosa, feliz com a curiosidade e desejo da assistente.
– Clara, eu quero te dar prazer de todas as formas possíveis! Ainda vou mostrar e descobrir muita coisa junto com você! — A fotógrafa mordeu os lábios e fez a morena abrir um sorriso também. — Eu queria te fazer uma proposta...
– O quê? — A morena perguntou curiosa.
– O que você acha da gente passar o dia hoje aqui no quarto?! A gente só desce pra comer alguma coisa, repor as energias, e volta aqui pra gastar tudo. — Marina riu, fazendo Clara soltar uma risada junto.
– Fechado! — A morena concordou.
Pediram comida japonesa no almoço, e vestiram uma roupa apenas para descer, receber o pedido e fazer a refeição.
Almoçaram em um clima descontraído. Trocavam sorrisos e olhares de cumplicidade. Sabiam da plenitude daquele momento e era uma alegria sem fim poder finalmente vivenciá-lo.
Logo após o almoço subiram, deitaram na cama, resolveram relaxar um pouco. Marina se aproximou da namorada e a abraçou por trás, trazendo-a para junto de seu corpo.
– Tão bom te ter aqui, Clara! Não me canso de dizer isso.
– E eu não me canso de ouvir. Te amo, viu?!
– Também te amo! — Marina respondeu e beijou carinhosamente a nuca da morena.
Adormeceram assim.
No meio da tarde, foi a vez da fotógrafa acordar primeiro. Ela se levantou com cuidado para não despertar a assistente. Seguiu até o toalete e começou a encher a banheira. Espalhou sais e algumas essências que gostava. Um tempo depois retornou ao quarto.
Voltou a deitar na cama e abraçou a morena pelas costas, refazendo a conchinha com qual haviam dormido.
– Ei dorminhoca! — Marina brincou, no que Clara começou a se mexer e abrir os olhos lentamente. Sorriu.
– Nossa, que horas são?! Eu dormi tanto assim?! — Perguntou assustada. Marina soltou uma risada.
– Tô brincando sua boba! E não se preocupa com hora, hoje a gente não tem hora! O que você acha de um banho de banheira?! — Falou no ouvido da assistente, que respondeu com um sorriso. — Vamos então?! — Clara acenou positivamente com a cabeça e seguiram na direção do banheiro.
Chegando lá, Marina delicadamente desamarrou seu robe, e o deixou deslizar por seu corpo até chegar ao chão, repetindo uma cena muito familiar para a morena. Clara sorriu com a lembrança.
– O que foi Clarinha?!
– Nada demais não. É que ver você aqui tirando a roupa me trouxe algumas recordações.
– Do que você se lembrou? — Marina perguntou, ainda sem entrar na água.
– Ah, do dia seguinte ao da sua exposição, quando a gente se conheceu. Lembra que eu voltei aqui pra te visitar, ver como você tava passando?! Daí você me pediu pra te acompanhar até aqui no banho. Então você fez exatamente como fez agora, tirou a roupa e ficou nua em pelo na minha frente.
Marina riu com um pouco de malícia.
– E porque você tava sorrindo, Clarinha?! Gostou da lembrança?!
– É uma bela lembrança sim! — Clara sorriu. — Mas Marina... aquele dia você me fez perder o rumo de casa, sabia?! Você sabe o tanto que eu sou envergonhada, tímida, daí na segunda vez que eu te vejo você tira a roupa na minha frente, e ainda fala que de todas as pessoas presentes na exposição, eu era a que mais importava para o seu coração. Aquilo mexeu comigo, eu saí daqui desnorteada!
Foi a vez de Marina rir.
– Você ri né?! — A morena fez um beicinho.
– Ué, mas você que riu primeiro.
– Eu ri hoje, mas no dia o negócio foi sério, saí daqui com o coração na boca, quase bati o carro.
– Oh Clarinha, desculpa, não foi minha intenção te deixar sem graça. — A fotógrafa deu um sorriso malicioso.
– Não né?! Sei... Você me fazia arrepiar só com um olhar, imagina ficando nua na minha frente. — Clara sorriu. — Mas eu não lamento nada do que eu senti por você desde o início viu, Marina?! Porque tudo que eu senti me trouxe até aqui hoje, e eu tenho certeza que valeu a pena!
– Que bom Clara! — Marina se aproximou e deu um beijo na assistente. — Mas então. Olha só, aqui neste banheiro eu já tirei a roupa duas vezes na sua frente e você não tirou nenhuma vez pra mim. Vamos ter que compensar isso aí, né?! E acho que podia começar agora já!
A assistente riu e desamarrou seu robe, também deixando-o cair suavemente até chegar ao chão.
Marina sorriu com a visão do corpo da morena, e do belo quadro que se formava juntando a imagem de Clara e a luz que penetrava pela janela do banheiro. A fotógrafa se aproximou mais uma vez e abraçou a namorada.
– Linda! — Marina elogiou a assistente, beijando-a com desejo.
Após cessarem o contato, a fotógrafa caminhou até a banheira. Estendeu sua mão para Clara e chamou pela morena:
– Vem!
Clara sorriu e foi até ela. Entraram juntas na água e a assistente ficou nas costas da fotógrafa, envolvendo-a com suas pernas. Arrepiou-se ao sentir a bunda de Marina tocar o seu sexo.
– E naquele dia você ainda falou que não ia tirar a minha roupa! — A morena continuou se recordando da primeira conversa que tiveram ali.
– Eu falei isso?! — Marina questionou, franzindo a sobrancelha e virando o rosto para ver Clara.
– Falou, quando pediu pra eu posar pra você.
– Ah, então foi isso. Bom, em minha defesa, eu disse que não tiraria sua roupa no ensaio. E eu não tirei. — Marina falou rindo. — Mas isso valeu só para o primeiro ensaio também, né?!
– Como assim o 'primeiro'? Vai ter outros ensaios? — Clara riu fazendo uma cara de interrogação.
– Ué, se você topar Clarinha, você vai ser a minha musa inspiradora pro resto da vida!
A morena sorriu. Selou os lábios de Marina.
– Topar ser a sua musa eu topo, sempre que você quiser!! Confesso que fico com um pouco de vergonha, mas também envaidecida com isso. E quero sim fazer outros ensaios com você! Mas sem roupa, aí eu não sei não... — Falou rindo.
–Tudo bem Clarinha, eu sei ser paciente. Você já está sem roupa aqui comigo, já é um grande avanço, né?! — Marina riu. — Um dia eu consigo colocar você nua na frente da minha câmera também. — Finalizou gargalhando.
– Sua boba! — Clara brincou, dando um leve tapa no joelho da namorada.
Ficaram ali por um tempo, relaxadas, aproveitando o efeito dos sais e essências na banheira. Marina sentia-se protegida dentro do abraço de Clara.
A morena pegou o sabonete e começou a passá-lo no corpo da fotógrafa. Primeiro deslizou pelo lado de fora da perna da outra, voltando pela parte interna da coxa da namorada, chegando bem perto de seu sexo. Passou o sabonete pelo abdômen de Marina, subiu até os seios. O contato entre as duas esquentou um pouco mais. Clara deixou o sabonete de lado na banheira e voltou as mãos até os seios da fotógrafa. Como ela abraçava a namorada por trás, uma mão se ocupou de cada seio, que ela passou a massagear com vontade. A morena beijou toda a extensão do ombro de Marina, subindo pelo pescoço até chegar à orelha da outra. Começou a chupar o lóbulo da fotógrafa ao mesmo tempo em que sua mão direita atingiu o sexo dela, iniciando uma massagem em seu clitóris. Nesse momento, Marina se moveu na banheira, e sua bunda pressionou ainda mais o sexo de Clara. Apertou suas mãos nos joelhos da morena e jogou seu pescoço para trás, deitando no ombro da namorada, deixando ainda mais espaço para que a outra continuasse seu rastro de beijos por ali.
A assistente continuou a massagem no clitóris de Marina, que gemia continuamente, começando a ficar com a respiração acelerada.
– Gosta assim? — Clara perguntou baixinho no ouvido da outra.
– Gosto muito! — A fotógrafa respondeu ofegante. Mordeu seu lábio inferior.
A morena continuou o estímulo que fazia na namorada com a mão, e ela mesma era incitada pelo roçar da bunda da fotógrafa em seu sexo.
Algum tempo depois, Marina gemeu alto e fechou as pernas, apertando a mão da namorada. Tinha atingido o orgasmo mais uma vez. Relaxou o corpo e Clara novamente a envolveu com os braços, beijando seu pescoço com carinho.
Pouco depois, saíram da banheira, se secaram e voltaram para a cama, ainda mais relaxadas. Foi a vez da fotógrafa cair no sono. Clara não chegou a cochilar. Logo após Marina dormir a morena desceu e foi preparar algo para comerem.
Um tempo depois, Clara voltou ao quarto. Marina ainda dormia. Estava de bruços na cama. A morena foi engatinhando devagar pelo colchão. Aproximou-se do ouvido da namorada e sussurrou baixinho:
– Quem é a dorminhoca aqui, hein?!
A fotógrafa sorriu. Lentamente abriu os olhos e se virou na cama, ficando de frente para Clara, que selou seus lábios.
– Vamos jantar? — A assistente convidou.
– Jantar??
– É, preparei um jantarzinho pra gente. Coisa simples, mas feito com carinho. Tinha uma massa na sua dispensa, então fiz um molho. Só isso. Nada demais.
– Mas tudo que você faz é tão bom... — Marina sorriu e beijou a morena.
Desceram para a região da piscina, onde Clara tinha arrumado a mesa.
– Hum, tá com um cheiro maravilhoso! — Disse a fotógrafa quando a morena destampou o vasilhame onde tinha servido a massa.
– Vamos ver se o gosto tá bom também, né?! — Respondeu a morena rindo.
Clara serviu as duas. Logo na primeira garfada Marina a elogiou:
– Tá muito bom, Clarinha!! Nossa, eu tô com vergonha de você, aquele dia eu te chamei pra jantar aqui, fiz aquele macarrão que ficou uma porcaria. Preciso de ter umas aulas de culinária com você!
– Bom, craque na cozinha eu não sou, mas eu me viro bem. Com o tempo vou passando o pouco do que eu sei pra você. Afinal, só você me ensina as coisas, vai ser bom eu poder ensinar alguma coisa pra você também, pra variar.
– Mas você já me ensina muito Clarinha, muito mais do que você imagina. — A fotógrafa estendeu sua mão para a morena, que a segurou com carinho. Olharam-se e sorriram.
Jantaram nesse clima de romance, apreciando a massa e algumas taças de um vinho que tinham aberto.
Ao final do jantar, Marina olhou para Clara. Tinha um sorriso malicioso no rosto.
– Vamos voltar lá pra cima?! — A fotógrafa convidou.
A morena mordeu os lábios e fez um sinal de afirmativo com a cabeça.
Levantaram-se e foram caminhando até a casa de mãos dadas. Após entrarem na mansão, a morena voltou-se para a namorada:
– Amor, pode ir na frente que eu já vou subindo com a sobremesa!
– Ah meu Deus, tem até sobremesa?! Mas você é muito prendada mesmo!! O que você fez?!
– Surpresa! — A morena sorriu. — Já já você vai ver.
Alguns minutos depois que fotógrafa entrou no quarto a morena foi ao seu encontro. Chegou com uma vasilha redonda recheada com um creme que levava umas raspas de limão em cima. A fotógrafa sorriu logo que a viu.
– Mousse de limão, que eu sei que você adora! — Falou Clara.
– Você vem sempre ao encontro do meu desejo mesmo, né Clarinha?!
A morena sorriu. Marina viu que a namorada não tinha trazido nenhuma colher, nenhum pratinho para servirem.
– Tem uns potinhos pra servir sobremesa lá na cozinha, você não encontrou?! — A fotógrafa falou já se levantando para descer e pegar os utensílios.
Clara se posicionou em frente à namorada e levou sua mão que estava livre até a cintura da outra, segurando-a.
– Quem disse que a gente vai comer com colher? — Clara falou. Tinha um sorriso safado.
Marina ficou boquiaberta e estática. Engoliu em seco. E assim que caiu a ficha de qual era a intenção da namorada, sorriu.
Clara colocou a sobremesa na mesinha de canto da cama. Tirou a roupa e deitou, olhando para a fotógrafa, que ainda estava imóvel.
Pegou a vasilha da mousse, e com o dedo retirou um pouco do creme, colocando uma boa quantidade em cada seio. Serviu uma quantidade ainda maior sobre seu sexo.
Marina observou toda a cena mordendo os lábios, e após Clara preencher seu centro inteiro com o creme, a fotógrafa engoliu em seco mais uma vez. Seu sexo latejava.
A assistente percebeu a imobilidade da namorada e a encarou, ainda com o olhar malicioso.
– Você não quer?!
– Quero muito! — Marina respondeu imediatamente. Em um segundo a fotógrafa tirou a camisola que havia vestido, e logo foi para cima da morena na cama.
Levou seus lábios primeiramente ao peito da outra, lambendo o creme e chupando com vontade cada um daqueles seios que ela tanto adorava. Clara também se regalava com o toque da namorada, e era difícil saber qual estava mais excitada com a degustação da sobremesa.
Assim que lambeu toda a mousse dos seios de Clara, a fotógrafa desceu a boca até o sexo da morena.
Começou a tirar a sobremesa com a língua, e a assistente gemia a cada vez que sentia o toque da namorada. Logo Marina passou a utilizar também os lábios, degustando a sobremesa e chupando o sexo da morena com intensidade. A fotógrafa segurava o quadril de Clara com força enquanto pressionava sua boca contra o sexo dela. Assim que terminou de lamber toda a sobremesa, continuou a chupar a morena, e pouco depois sentiu a namorada arquear seu quadril e gemer alto, anunciando o gozo que chegaria logo em seguida.
A fotógrafa deitou próximo à assistente e a beijou com vontade, compartilhando com ela o gosto do que tinha acabado de experimentar.
– Está deliciosa! — Marina conseguiu falar, ainda recuperando o fôlego. — Eu tô vendo que você vai me fazer engordar muito Clarinha. — As duas riram.
– Se for assim, eu quero engordar também! — A morena falou soltando nova gargalhada.
Clara sentou-se no colchão e pegou a vasilha com a sobremesa.
Aproximou-se da fotógrafa e sussurrou em seu ouvido:
– Vira!
Marina sorriu e ficou de bruços na cama, virando a cabeça de lado para observar o que a morena ia aprontar.
Clara deliciou-se com a visão das costas nuas da fotógrafa, a mesma visão que a encantara na manhã daquele mesmo dia.
Com a mousse desenhou um rastro na direção da coluna de Marina. Serviu bastante sobremesa também em cada uma das nádegas na namorada. Colocou o pote na mesinha ao lado da cama e engatinhou para cima da fotógrafa. Levou sua boca até a nuca da outra, a qual beijou carinhosamente, antes de começar a descida pelo caminho indicado pelo creme. Sugava a sobremesa, e com a língua tocava delicadamente a pele da fotógrafa, que se arrepiou desde o primeiro contato. O sexo das duas latejava.
Clara foi descendo até chegar ao bumbum da namorada, o qual chupou com desejo, completando com pequenas mordidas. Clara abaixou mais um pouco e começou a chupar o sexo da fotógrafa. Apertava a bunda da namorada com vontade enquanto fazia isso. Marina ergueu um pouco o quadril, e Clara continuou a estimulá-la com os lábios. Pegou mais um pouco de mousse e distribuiu em toda aquela região. Chupava-a com intensidade, quando começou também a tocar o clitóris dela. Não demorou muito para que Marina mordesse o travesseiro com força, gemendo de prazer entre os dentes.
As pernas da fotógrafa bambearam, e logo ela desceu até o colchão o quadril que havia erguido parcialmente. Clara deitou-se sobre a namorada e ficou um tempo por ali, sentindo sua respiração ofegante.
Depois de alguns minutos a morena sussurrou:
– Vamos tomar uma ducha?! A gente tá muito melada... — A assistente riu.
– Mas teve alguma vez que a gente não dormiu melada nesse fim de semana, meu amor?! — A fotógrafa gargalhou.
– Marina, Marina, você não tem jeito mesmo, né?! — As duas riram juntas.
A assistente se levantou e a fotógrafa a seguiu até o banheiro. Tomaram uma ducha rápida e logo voltaram para a cama. Clara se deitou abraçando Marina por trás, envolvendo-a em uma conchinha. E grudadas assim elas dormiram até o dia seguinte.
Na manhã de domingo, a fotógrafa abriu os olhos e sentiu que os braços de Clara ainda a envolviam. Pegou o braço esquerdo da morena e o levou até seu peito. A assistente acordou logo em seguida.
– Bom dia! — Sussurrou a morena no ouvido da namorada.
– Bom dia meu amor! Pela luz que tá entrando na janela parece que está um sol tão bonito lá fora. Tava pensando em dar um passeio com você naquela praia que a gente foi daquela vez. O que você acha? — Perguntou Marina.
– Eu acho ótimo, linda!
Levantaram animadas e foram vestir seus biquínis. Em casa tomaram apenas um suco antes de sair, visto que não estava longe da hora do almoço. Resolveram comer algo no restaurante que tinha a caminho da praia, onde acabaram chegando já no início da tarde. Embora fosse domingo, essa era uma praia mais afastada, e assim como da primeira vez que lá estiveram, o lugar estava vazio.
Deixaram seus pertences na areia. A fotógrafa foi a primeira a ficar só de biquíni. Enquanto Clara tirava a roupa, Marina permaneceu em pé parada por um tempo contemplando o mar. Fechou os olhos e voltou sua cabeça para cima. Enquanto sentia a brisa balançar seus cabelos, parecia agradecer por tudo que estava vivendo. Clara acompanhava com os olhos o gesto da namorada. A fotógrafa abriu os braços e gritou bem alto:
– EU TE AMO CLARA FERNANDES!!!
A morena se levantou na hora e foi até ela sorrindo.
– Você é muito louca de ficar gritando aqui na praia. — A assistente soltou uma risada.
– Sou louca por você, Clara! — Marina sorriu também.
– Eu também te amo Marina Meirelles. — A morena declarou, encarando os olhos da namorada.
– Hein?! — Marina fez uma expressão de quem não estava escutando.
– Eu te amo Marina Meirelles! — Clara repetiu um pouco mais alto.
– Não estou te ouvindo. — A fotógrafa fez um sinal de negativo com a cabeça, enquanto apontava para seu ouvido.
– EU TE AMO MARINA MEIRELLES!! — Gritou a morena, virando-se para o alto, na mesma intensidade com a qual a namorada tinha se declarado.
– Agora sim! — Marina sorriu, acompanhada pela assistente. — Vamos dar um mergulho?!
Clara concordou e as duas saíram na direção da água. Mergulharam, brincaram um pouco, se refrescaram. Sentiam-se leves, soltas. O banho de mar parecia renovador, e combinava com o momento que viviam, em que tudo era novidade.
De repente Marina olhou para Clara, que estava a cerca de dois metros dela.
– Vem cá! — Chamou a morena, enquanto reforçava o pedido estendendo suas mãos para ela.
A assistente olhou para Marina e depois voltou-se para a praia, como se quisesse se certificar que não havia ninguém por ali mesmo. Estava receosa. Marina percebeu o olhar da namorada.
– Não tem ninguém aqui, Clara. — A fotógrafa tentou tranquilizá-la.
– Eu sei, Marina. — Balançou a cabeça. — Desculpa. Eu vou me acostumar. É que é tudo muito novo pra mim. — A assistente tentou se justificar.
– Eu entendo, Clara. — A fotógrafa falou compreensiva. — Não quero te apressar a nada. Cada um tem seu tempo. Eu já passei por isso também. E estou aqui pra te apoiar, não se esqueça. Vem cá! — Marina repetiu o convite.
Clara chegou mais perto. Marina acariciou o rosto da morena, colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha. A assistente sorriu. Por mais que estivesse receosa e tímida, ela queria receber o carinho da namorada ali. Clara então se aproximou de Marina, segurou seu rosto e lhe deu um beijo longo e intenso, cheio de paixão. Quando cessaram o encontro dos lábios, uniram suas testas.
– Viu, não foi tão difícil assim, foi?! — A fotógrafa perguntou.
– Não foi não. Mas aqui também não tem ninguém né?! — A morena respondeu.
– Mas é um espaço público, já é alguma coisa. Logo você acostuma com multidão. — Marina gargalhou, porém a assistente deu um sorriso meio tímido. — Agora falando sério, Clara, com essas coisas a gente se acostuma aos poucos, não tem pressa. Mas a gente também não pode se privar de demonstrar esse carinho, porque se a gente não assumir que isso é natural, como vamos querer que as outras pessoas nos respeitem, não é?!
– Tem razão, Marina. Acho que é isso mesmo. E eu vou aprender a naturalizar isso pra mim também.
– Eu sei que vai, Clara. Agora vamos sair da água um pouco, quero ver se ainda pego um bronze hoje. — Marina foi caminhando para a areia, sendo seguida pela assistente.
– Lá vem você. — Brincou a morena.
– Vem o que?! — A fotógrafa perguntou, enquanto começava a desamarrar a parte de cima do biquíni.
– Isso mesmo que você tá fazendo! — Clara apontou na direção das mãos de Marina.
– O topless?! Mas não tem ninguém aqui, Clarinha. Essa praia é meio deserta, por isso gosto de vir aqui. É própria pra isso. Só acho que você devia fazer junto comigo também. — A fotógrafa riu, enquanto se sentava sobre a toalha, já sem a peça.
– Eu né?! Marina, eu custei a tirar a roupa na sua frente, imagina ficar sem roupa aqui na praia?! De jeito nenhum. — A morena foi definitiva, embora tivesse o tom leve.
– Tá bom, meu amor. Hoje não. Mas um dia eu te convenço. — A fotógrafa riu.
Ainda sentada, Marina apoiou suas mãos na toalha, de modo a ficar um pouco inclinada para trás. Voltou o rosto para cima e fechou os olhos. Clara encarou a namorada desde o momento em que ela se desfez da peça superior do biquíni. Não conseguia parar de olhar aqueles seios que ela considerava tão perfeitos. Mordeu os lábios de tanto desejo.
A fotógrafa abriu um de seus olhos, virou-se pro lado e deu uma leve risada ao perceber como a morena a fitava.
– Não faz isso comigo, Marina. — A assistente suplicou.
– Não faz o que, Clarinha?! Eu tô só pegando um bronze. — A fotógrafa se defendeu, embora no fundo soubesse do charme que estava jogando para mexer com a morena.
– Você tá me provocando. — Clara a acusou, fingindo estar brava.
– Isso não é verdade, Clarinha. Te provocando eu estaria se dissesse pra você imaginar que está beijando meu seio — Marina levou a mão até o local — depois descendo sua língua pelo meu corpo — passou a mão por seu abdômen — até chegar seus lábios aqui. — A fotógrafa colocou a mão sobre seu sexo, por sobre o tecido do biquíni.
Clara acompanhou o percurso das mãos de Marina salivando. Mordia os lábios com força. Ao final da fala da namorada, engoliu em seco. Seu sexo latejava e ela não aguentava mais de vontade de tocar a fotógrafa e tê-la ali mesmo.
– Vamos pra casa? — Clara pediu, desesperada.
– Pra casa? Não Clarinha, vamos ficar mais um pouco. — Marina continuava a provocá-la.
– Marina, pelo amor de Deus, vamos pra casa. — Clara mordeu os lábios novamente.
– Só mais um pouquinho, logo a gente vai. — A fotógrafa falou com um sorriso malicioso. Sabia exatamente o que estava provocando na morena.
Clara teve uma ideia. Pegou o bronzeador e se ajoelhou atrás das costas da fotógrafa.
– Então já que a gente vai ficar, deixa eu te ajudar com o bronzeador aqui. — A morena ironizou.
Colocou um pouco do creme nas mãos e começou a passá-lo nos ombros da fotógrafa, tocando com intensidade a pele dela. A massagem iniciada provocou arrepios em Marina. Em seguida, Clara deslizou suas mãos pela lateral do corpo da namorada, levando-as até a região do peito da outra. Com um toque intenso, espalhou bronzeador no entorno dos seios de Marina, que sentiu seu sexo latejar também. A morena se aproximou da nuca da outra. Levou sua boca até o lóbulo da orelha da namorada e começou a chupá-lo com desejo. A fotógrafa fechou os olhos e mordeu os lábios.
– Vamos pra casa agora? — A morena sussurrou no ouvido da outra.
– Tá na hora, né?! — Marina respondeu imediatamente, arrancando uma risada maliciosa de Clara, que comemorava ter sido tão provocativa quanto ela.
Tentaram se controlar dentro do carro, afinal Marina estava dirigindo e precisava ficar atenta. Mas toda vez que paravam o veículo, a mão boba de uma deslizava pela coxa da outra até tocar o sexo por sobre o tecido das roupas que estavam vestindo. Mantiveram assim o clima de desejo e tesão que tinha começado na praia.
Entraram em casa correndo e foram direto para o quarto, tirando as roupas pelo caminho. Pareciam duas meninas brincando de pique. Seguiram até o box, abriram o chuveiro, e assim que a água começou a cair, Clara pressionou Marina contra a parede azulejada e fria.
– Você vai me pagar agora! — A morena declarou fingindo seriedade.
– Com juros? — Marina brincou debochando.
– Altíssimos! — A morena completou.
Clara a beijou com muito desejo. A água que escorria em suas cabeças deixava o encontro de seus lábios ainda mais molhado. Cessado o beijo, a assistente passou a arranhar o pescoço de Marina com os dentes. Suas mãos seguraram o quadril da fotógrafa, enquanto a morena levantou o joelho até pressionar o sexo da outra. Marina gemeu alto e apertou os cabelos da assistente. Clara desceu um pouco mais e começou a chupar os seios da namorada com força, sugando-os junto com a água que escorria neles. Passou os lábios pelo abdômen da fotógrafa, repetindo o caminho insinuado por ela quando estavam na praia. Clara ajoelhou-se no chão do chuveiro e começou a chupar o sexo da outra com vontade. Marina gemia sem parar, e mais alto a cada investida da morena. A assistente passou a perna esquerda da namorada sobre seu ombro, deixando Marina sustentada apenas por sua perna direita. A fotógrafa então apoiou suas mãos no box, de modo a conseguir manter-se de pé enquanto seu sexo era massageado pelos lábios da morena.
Clara lambia todo o centro da namorada, e em alguns momentos penetrava sua entrada com a língua. Marina fechou os olhos e jogou sua cabeça para trás. Sentia o orgasmo se aproximar. Levou uma das mãos até a cabeça da assistente, forçando ainda mais a boca da morena contra seu sexo. Clara entendeu a urgência da namorada. Aumentou a intensidade com que chupava o clitóris da outra. A respiração da fotógrafa ficou ainda mais forte, e pouco depois seu grito fez um alto eco no banheiro:
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!
Clara deliciou-se com o gozo da namorada que escorreu até seus lábios. A única perna de Marina que estava apoiada no chão bambeou. Percebendo isso a morena logo desceu a outra perna da fotógrafa que estava em seu ombro, e levantou-se para abraçá-la e servir de apoio a seu corpo, que naquele momento estava extremamente relaxado e amolecido.
Marina não conseguia falar. Ainda estava ofegante quando fitou os olhos de Clara e sorriu, selando seus lábios com os dela, num beijo suave e terno. Terminaram o banho, secaram-se e foram para a cama da fotógrafa. Trocaram carícias e amaram-se mais algumas vezes.
O final da tarde chegou. Ficaram deitadas uma de frente para a outra, ambas ainda nuas. Estavam em silêncio. Olhavam-se com afeto. Tinham um sorriso bobo nos lábios. Estavam relaxadas enquanto pensavam sobre tudo que havia acontecido nos últimos dias.
Clara se aproximou de Marina e selou seus lábios com carinho.
– Eu nunca vivi um final de semana tão intenso quanto esse em toda a minha vida. — A morena declarou.
– Eu também não. — Confessou a fotógrafa. — Foi mágico. Perfeito. Eu te amo tanto, Clara.
– Também te amo muito, Marina! — Respondeu a assistente, acariciando o rosto da outra. — Obrigada por tudo!
– Eu que tenho que te agradecer por fazer parte da minha vida, por ser minha namoradA, por me amar! — A fotógrafa sorriu e Clara a acompanhou.
– Só que... eu preciso ir agora, meu amor. — A morena disse com o semblante um pouco triste.
– Ah, não. — Marina protestou.
– Desculpa... Mas eu tenho que estar lá em casa para receber o Ivan, o Cadu vai deixá-lo lá agora à noite. — A morena se justificou.
– Eu sei. — Marina aceitou, porém não conseguiu evitar o semblante triste. — Mas é que estava tão bom ficar aqui juntinho com você. Não quero mais ficar longe.
– Mas eu também não quero, Marina. Aliás, sei que não é muito ético pedir isso agora, já que eu acabei de dormir com a 'chefe', — a morena sorriu — mas será que eu podia ter o meu emprego aqui no estúdio de volta?! — Clara falou com o olhar um pouco encabulado.
Marina abriu um sorriso enorme. Embora não gostasse de ser chamada de chefe, resolveu brincar com a denominação utilizada pela assistente.
– Bom, acho muito justo que você tenha seu emprego de volta, mas com uma condição.
– Qual?
– Você vai ter que dormir com a chefe todo dia! — Marina falou e riu.
Clara abriu um sorriso e respondeu:
– Acho bem válida essa condição. — Gargalhou. — Será cumprida. — As duas riram.
– Tô brincando Clarinha. Não precisa de condição nenhuma, muito menos quero que você me chame de chefe. Vai ser um prazer te ter de novo aqui na equipe, você fez muita falta, pro estúdio e pra mim.
– Também senti muita falta Marina! De você e do estúdio! Tô feliz em poder voltar. Posso recomeçar amanhã já?!
O semblante de Marina ficou ainda mais feliz e animado com a ideia de ter a morena de volta ali já no dia seguinte.
– Claro que pode! — Respondeu, batendo palmas de alegria.
– Só fiquei triste que você retirou a condição pra minha volta. Eu tava gostando dela. — Clara deu um sorriso safado.
– Mas então a gente volta com a condição inicial, sem problemas. — Marina riu.
Beijaram-se mais uma vez. Clara se levantou, vestiu a roupa e começou a arrumar sua bolsa. Marina colocou um robe. Não conseguiu evitar o olhar triste em ver Clara organizar suas coisas para ir embora, embora estivesse feliz em saber que voltaria a vê-la todos os dias. Ofereceu-se para levá-la em casa, mas a morena recusou, disse que pegaria um taxi. Ao se despedirem, deram um forte abraço.
– Foi incrível, Marina! — A morena declarou enquanto acariciava o rosto da namorada. Tinham o olhar apaixonado.
– Pra mim também foi maravilhoso, Clara! Muito especial! Te amo, viu?!
– Também te amo linda!
O beijo de despedida foi intenso. A fotógrafa acompanhou Clara até o portão. Observou a morena entrar no taxi e partir. Quando voltou até a casa, parou para observar o ambiente ao redor. Tudo ali lembrava Clara. A cozinha, a sala onde haviam almoçado, a escada que subiram correndo para se amar. Chegando no quarto então, Marina foi invadida pelo delicioso perfume da morena, que permanecia no ar. A saudade da namorada já apertou ali.
Deitou-se na cama e sorriu, repassando tudo que tinham vivido desde sexta-feira, quando Clara chegou ao estúdio. Levou a mão ao pescoço, depois ao rosto, fechou os olhos. Lembrou de todo o carinho que tinha recebido da morena. Estava em êxtase.
A assistente seguiu com um sorriso bobo nos lábios durante todo o caminho até o Leblon. Entrou em casa radiante. Sentou-se no sofá, jogou a cabeça para trás, fechou os olhos. Também relembrou tudo que tinha vivido com Marina nos últimos dias. Levou a mão até a boca, recordou-se do beijo doce e intenso da namorada, e tanta coisa nova que aqueles lábios tinham experimentado recentemente. Sorriu, deliciando-se com cada lembrança. O toque da campainha retirou-a do transe em que ela havia entrado.
Clara se levantou a abriu a porta animada, recebendo de pronto um abraço carinhoso do filho.
– Que saudade que eu tava do meu bichinho. — Falou em meio ao abraço.
– Também fiquei com saudades, mãe.
– Oi Clara! — A voz grave de Cadu ressoou no corredor.
– Oi Cadu, como vai?! E aí, o Ivan deu muito trabalho?! — Falou retornando ao interior do apartamento, sendo seguida pelo filho e pelo ex-marido.
– Que nada, a gente se divertiu muito! Foi excelente! Só agora que a gente veio caminhando pela praia e ele se lambuzou todo com um sorvete que a gente tava tomando, né moleque?! — Cadu falou em tom de brincadeira.
Foi quando Clara reparou que a camiseta do filho estava toda suja de sorvete, assim como as mãos, braços e parte do rosto dele.
– Ah senhor Ivan, então pode despedir do seu pai e ir direto pro banho. — Clara voltou-se para o filho fingindo seriedade, mas tinha o tom leve.
– Tá bom mãe! Mal cheguei e já tá me dando bronca. — Clara e Cadu riram.
Ivan se despediu do chef e seguiu em direção ao banheiro.
Cadu não chegou a se sentar. Voltou em direção à porta, que tinha ficado aberta. Olhou para Clara. A morena tinha um sorriso enorme estampado no rosto, que o ex marido percebeu desde que ela abrira a porta para eles.
– Vocês estão juntas, não é Clara?! — O chef tentou se segurar, mas não resistiu a fazer o comentário a respeito do que estava sentindo no ar.
– Cadu... — A morena começou a falar, como quem fosse dizer que não se sentia confortável em conversar sobre isso com ele. Mas antes que ela continuasse, o chef a interrompeu.
– Não precisa falar nada, Clara. Na verdade, nem eu quero falar sobre isso. Mas é que não pude deixar de notar a diferença no seu semblante. Fazia tempo que eu não te via assim. Na verdade, estou me perguntando se algum dia eu te vi assim, com essa expressão de felicidade que você está hoje.
A morena ouvia calada.
– E tenho que te confessar Clara, que de certa forma isso vai me ajudar a ficar mais conformado. Porque agora eu vejo o tanto que a gente não estava bem, e o tanto que ela te faz bem. — Cadu pausou por um momento. — Quem sabe algum dia eu também possa encontrar alguém que me faça tão bem assim. — Finalizou o chef.
– Eu torço muito para que você encontre alguém que te faça feliz Cadu, porque eu quero te ver bem. — Foi o que a morena se limitou a dizer.
– Bom, eu vou indo, amanhã tenho que estar bem cedo no bistrô. Até mais Clara!
– Tchau Cadu!
Depois que o ex-marido saiu, Clara fechou a porta e deu um longo suspiro. Apesar do desconforto da conversa que acabara de ter com o chef, sentia-se aliviada por ele já saber que ela e Marina estavam juntas. Aos poucos, todos saberiam do namoro delas, e quanto mais isso acontecesse com naturalidade, melhor. Lembrou-se de Ivan, que era quem ela mais se importava que soubesse e aceitasse sua nova relação. Mas isso ainda teria que esperar. Seu bichinho já tinha passado por muitas mudanças nas últimas semanas. Clara queria dar a ele um tempo para processar tudo, antes de contar sobre seu namoro com Marina.
Foi até o quarto do menino, que já estava vestindo o pijama.
– E aí meu filho, aproveitou muito o final de semana com seu pai?!
– Aproveitei sim, mãe! Foi muito bom! A gente jogou vídeo game, fomos à praia, brincamos de bola.
– Que bom meu bichinho! Então agora vai deitar, que amanhã tem aula cedo. — Clara preparava a cama do garoto.
Quando o menino se deitou, ela lhe cobriu e beijou sua testa. Ajoelhou-se ao lado da cama dele.
– Queria conversar um negócio com você meu filho. Sabe o que que é?! Amanhã sua mãe vai voltar a trabalhar no estúdio da Marina.
Ivan ficou com o semblante pensativo.
– Então quer dizer que você vai passar menos tempo comigo, não é?! — A pergunta do garoto partiu o coração de Clara, mas ela soube lidar com tranquilidade.
– Um pouco menos filho. Mas da mesma forma que você tem sua escola, seus amigos, é importante pra mamãe ter o trabalho, as amigas lá do estúdio. Vou continuar te levando na escola sempre, e quando eu não puder te buscar, o seu pai vai, ou a Rosa, a tia Helena. Aliás, daqui a pouco vou na casa da sua tia pedir pra Rosa te buscar amanhã. Mas sabe uma coisa que pode ser boa? A gente aprende a valorizar mais o tempo que estamos juntos, vai se curtir mais. Porque você é o meu príncipe lindo! — A morena fez cócegas em Ivan, arrancando dele algumas risadas. — E eu vou sempre dar muito valor ao tempo que a gente passa junto, viu?!
– Tá bom, mãe! Eu te entendo! — O garoto já tinha uma expressão mais tranquila.
Clara deu outro beijo no pequeno e saiu. Seguiu até a casa de Helena para pedir a Rosa que buscasse o menino na escola no dia seguinte.
Chegando ao apartamento da irmã, foi a própria Rosa quem abriu a porta. A morena aproveitou e combinou com ela como seria a volta de Ivan do colégio naquela segunda. Perguntou também por Helena, e Rosa disse para a assistente ir até o quarto da irmã, que tinha acabado de se retirar.
A morena bateu na porta e já foi entrando.
– Eiiii... — Clara cumprimentou com sua peculiar voz rouca.
Logo que a viu, Helena brincou:
– Olha só quem resolveu aparecer! — Soltou uma risada. — Puxa Clara, você saiu daqui daquele jeito na sexta. Passou dois dias sem dar sinal de vida e volta com essa cara. Só posso concluir que o final de semana foi muito bom, né?!
Clara riu um pouco sem graça.
– Bom não Leninha. Foi perfeito! — A alegria estava estampada no rosto da assistente.
– Ai, que lindo irmã! Agora eu quero saber de tudo. Como foi lá com a Marina?
– Ah Leninha, foi fantástico! A gente conversou na sexta, se entendeu, ela me levou para jantar, fez uma surpresa me levando na galeria onde a gente se conheceu. Foi lindo! Daí a gente voltou pra casa dela e...
– E??? Me conta Clara!! Tô curiosa!! Foi como você esperava?
– Foi muito melhor do que eu esperava, irmã! Foi maravilhoso! A Marina foi tão doce e carinhosa comigo. E quente, muito quente! — Clara ruborizou. — Sabe aquele olhar dela que pega fogo?! — Helena sinalizou que sim com a cabeça. — Ela pega fogo por inteiro, irmã! Nossa... — A morena sentiu calor só de lembrar.
Helena riu.
– Clara, fico muito feliz por você, por vocês aliás! Sei o tanto que essa história te angustiou nos últimos meses, e me alegro muito em ver como o início desse relacionamento com a Marina está te fazendo bem. A felicidade está estampada na sua cara! Torço muito para que dê certo e que vocês sejam muito felizes! — Helena a abraçou.
– Obrigada, irmã! — Clara agradeceu.
– Você sabe que não vai ser fácil, que vocês vão ter que lidar com olhares e comentários muito desagradáveis, porque infelizmente nosso mundo ainda está cheio de gente preconceituosa e sem respeito pelo outro.
– Eu sei, Leninha! Mas o apoio de vocês, da minha família, é o que mais me importa agora! Isso vai me dar força pra enfrentar o que tiver pela frente. — Helena sorriu. — Por falar em família, eu ia te pedir pra não falar nada com a mamãe ainda. Amanhã eu volto a trabalhar no estúdio, inclusive tomei a liberdade de pedir à Rosa pra buscar o Ivan na escola. — Helena sinalizou que não tinha problema algum. — Daí, quando eu chegar à noite, vou lá na Dona Chica e converso com ela.
– Vai sim Clara! E vai dar tudo certo, fica tranquila!
– Obrigada pela força, irmã! Por tudo aliás!
Abraçaram-se mais uma vez e se despediram. Clara voltou a seu apartamento, e logo após checar o sono do filho, seguiu para seu quarto. Tomou uma ducha, colocou sua camiseta de dormir e deitou-se na cama. As lembranças do final de semana invadiram seu pensamento novamente. Sentiu falta de Marina. Nas duas últimas noites tinha ido dormir junto com a namorada, e acabou se acostumando a tê-la por perto. Rolou de um lado para o outro na cama, esperando um sono que custou a vir. Apesar da saudade que sentia, dormiu feliz, tanto pelo que já tinham vivido, quanto pela expectativa do que ainda iriam viver.
Em Santa Teresa, Marina também sentia falta da morena. Mas teve a vantagem de ter em sua companhia o travesseiro com o qual a namorada havia dormido. Abraçou-o bem forte e dormiu sentindo o perfume de Clara, feliz porque iria revê-la no dia seguinte nas primeiras horas da manhã.
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