Assim Estava Escrito
14 Clara volta a trabalhar no estúdio
Notas iniciais
Naquela segunda, Marina acordou cedo, ainda abraçada ao travesseiro de Clara. Tinha passado toda a noite acompanhada pelo perfume da morena. Mas a ansiedade pelo reencontro com ela era tamanha que quando a fotógrafa despertou, não conseguiu voltar a dormir mais.
Levantou-se, colocou um de seus vestidos leves e soltinhos que gostava de usar para trabalhar, tomou café e rumou para o estúdio. Depois de sexta-feira, não tinha entrado ali mais. E o lugar, que estava vazio, lhe trouxe ainda mais lembranças da namorada. Ficou contemplando o local onde tinha beijado Clara pela primeira vez. Depois olhou as almofadas espalhadas no chão e relembrou os momentos que tiveram ali. Estava com um sorriso bobo na cara quando Gisele chegou para trabalhar naquele dia.
– Bom dia! — Falou a assistente.
Marina olhou para a prima e com um sorriso enorme no rosto a cumprimentou:
– Bom dia Gi! — Gisele se aproximou e deram um forte abraço.
– E essa carinha de quem viu passarinho verde, hein?! — A jovem perguntou sorrindo.
– Verde só não! Eu vi passarinhos de todas as cores que você possa imaginar! — A fotógrafa soltou uma risada. — Eu tô me sentindo viva, Gi! Todos esses meses de espera valeram muito a pena! Porque esse foi o final de semana mais incrível da minha vida!
– Que lindo, Marina! — A assistente falou e fez um carinho nos cabelos da outra. — Tô tão feliz de ver isso tudo finalmente acontecendo pra vocês!
– Tem horas que eu ainda acho que tô sonhando, sabe?! Nem acredito que estou vivendo tudo isso... — A fotógrafa voltava mais uma vez às lembranças. — Eu me sinto uma adolescente na ansiedade do primeiro amor! Ah Gi, te agradeço demais pelo carinho com a gente, por tudo que arrumou aqui na sexta, ficou lindo!
– Não tem que agradecer prima, fiz de coração! Além do mais, só segui as instruções da Clara, ela que planejou e pensou em tudo. Quero vê-las muito felizes, e tudo que eu puder fazer para ajudar, eu vou fazer.
As duas deram um abraço apertado mais uma vez. Quando se soltaram, outra voz familiar ressoou no estúdio:
– Bom dia!!!
O coração de Marina se acelerou quando ouviu o cumprimento de Clara. Olhou para a morena, que ainda estava próximo à porta do estúdio, e sorriu. Ambas sentiam um frio na barriga, como adolescentes apaixonadas mesmo. Encaravam-se como no dia que se viram pela primeira vez.
– Bom dia!!! — Respondeu a fotógrafa.
O encantamento de uma ao rever a outra era tão intenso que esqueceram de se aproximar, ficaram ali imóveis, apenas se olhando. Percebendo isso, Gisele tratou de mexer com o casal.
– Ah, vocês vão ficar aí só se olhando de longe?! Pára com essa fita e se cumprimentem direito, por favor. Finjam que eu nem estou aqui. — A jovem riu.
Clara caminhou na direção de Marina, acariciou seu rosto, olhou em seus olhos e disse com um sussurro rouco:
– Bom dia linda!
Em seguida, deu um selinho nos lábios de Marina, mas longo o suficiente para causar arrepios na fotógrafa.
Ao final do beijo, encararam-se novamente.
– Que lindo!! — Gisele exclamou mais uma vez, aproximando-se das duas e dando um abraço nelas.
O abraço triplo foi interrompido por barulhos de passos na entrada do estúdio, que logo se revelaram ser de Flavinha e Vanessa voltando da viagem.
– Bom dia pessoal! — Flavinha cumprimentou todas com um sorriso aberto.
Vanessa, que estava logo atrás dela, tinha a expressão fechada. Apesar de ter se distraído no final de semana, ela ainda não tinha processado a cena da última sexta, quando viu Clara e Marina juntas. E ver a morena ali logo cedo não estava em seus planos.
– Ué, a Clara vai bater ponto aqui todo dia agora?! — A ruiva perguntou ironicamente, deixando todos do estúdio com a expressão séria.
Mas logo Marina olhou para a morena e sorriu. Voltou-se para a sócia:
– Foi até bom você tocar no assunto Vanessinha. — Marina tinha um sorriso desafiador para a ruiva. — E aproveitando que está todo mundo junto aqui, eu queria anunciar que a partir de hoje a Clara volta a trabalhar no estúdio com a gente. — Flavinha e Gisele abriram um sorriso. — E outro motivo para ela estar sempre por aqui, e que me deixa imensamente realizada — a fotógrafa e a morena se olharam com cumplicidade — é que nós estamos juntas e felizes! Muito felizes! — Clara estava um pouco acanhada, mas muito alegre pelas palavras da fotógrafa. Deram-se as mãos.
Flavinha e Gisele estavam animadas e se aproximaram da morena para cumprimentá-la e lhe desejar as boas vindas. Vanessa não. A ruiva pegou as malas e saiu do estúdio dizendo que ia guardar as bolsas no quarto. As outras quatro não se importaram. Ficaram ali num clima animado comemorando o retorno de Clara e conversando ainda por um tempo, até que decidiram por fim iniciar a segunda feira de trabalho.
Antes de retomar suas tarefas, a morena chamou Gi em um canto e, assim como Marina, agradeceu pela ajuda que a jovem tinha lhes dado na sexta. A prima da fotógrafa se colocou à disposição, e abraçou Clara, reiterando o quanto estava feliz por ela e por Marina, e que faria o que fosse para incentivar o amor delas. A morena sorriu. Estava alegre com a cumplicidade e carinho da garota.
Depois de tanto tempo afastada do estúdio, Clara precisava recuperar a organização dos arquivos que ela já tinha processado, para então dar continuidade ao trabalho. Marina acompanhou de perto o retorno da assistente, tanto para auxiliá-la na retomada do ritmo, quanto para aproveitar e separar algumas de suas fotos antigas para utilizar como referência de pesquisas que estava fazendo para o próximo trabalho. A fotógrafa encheu Clara de mimos a manhã inteira. Buscava água, café, fazia carinho, preocupava-se com a alimentação da namorada.
Toda a equipe almoçou junta em uma mesa no entorno da piscina. Conversaram distraidamente, embora Vanessa emburrasse toda vez que via a fotógrafa ser carinhosa com Clara. A ruiva, Gisele e Flavinha se levantaram e foram de volta para o estúdio. Clara fez menção de segui-las, mas seu braço foi segurado por Marina, que permanecia sentada.
– Vem cá um pouquinho, meu amor! — A fotógrafa falou, trazendo Clara para sentar-se de lado em seu colo. — Senti tanto a sua falta essa noite!
– Eu também senti, Marina! Muita!
Clara envolveu o pescoço da fotógrafa com um braço, e com sua mão livre acariciou o rosto da outra. Aproximou-se de sua boca e logo seus lábios se encontraram. O beijo começou suave, mas em pouco tempo se intensificou e o calor tomou conta do corpo das duas. Com um braço Marina envolveu a cintura de Clara, apertando o quadril da outra contra o seu, sentindo seu sexo latejar. A outra mão da fotógrafa subiu pela coxa da morena, e logo estava pressionando o sexo da assistente por sobre a calça jeans que ela usava.
– Hhhnnnn...você me dá muito tesão, Clara... — Marina declarou, interrompendo o beijo, enquanto a morena descia os lábios até seu pescoço, fazendo-a se arrepiar ainda mais.
– Você também me provoca muito desejo! — A morena continuava a trilha de beijos pelo pescoço, até subir novamente a cabeça e encostar sua testa na de Marina. Estavam de olhos fechados.
Pouco depois, se encararam e sorriram.
– A gente precisa voltar, meu amor! — A morena declarou.
– Eu sei. — Marina concordou, um pouco frustrada. — Mas é que está difícil concentrar no trabalho sem pensar em você, no seu corpo, no seu toque. Minha vontade é de te agarrar o tempo todo. — A fotógrafa riu, sendo acompanhada por Clara.
– A minha também! Mas a gente precisa se esforçar, senão como eu vou voltar a trabalhar aqui. Não vai dar certo...
– Não fala isso nem de brincadeira, Clarinha! Não quero ficar sem você aqui nunca mais! Olha, eu prometo me controlar. — Marina cruzou seus dedos e os beijou. — Vou me concentrar no trabalho e vou deixar você se concentrar também. — A fotógrafa falou séria.
– Tá bom! — A morena sorriu. — Eu também prometo! — Clara repetiu o gesto da fotógrafa e também cruzou seus dedos e os beijou.
Voltaram e se ocuparam do trabalho durante toda a tarde, embora a fotógrafa continuasse com os pequenos agrados à namorada.
Era por volta de 17h. Todas permaneciam no estúdio, envolvidas em suas tarefas, quando Marina voltou-se para Clara, que estava sentada organizando algumas fotos:
– Ehhhh Clarinha... vamos lá no meu quarto pra eu te mostrar no meu notebook umas fotos que eu andei pesquisando como referência?! — Marina olhou para Clara com a cara de quem diz: "Por favor, sente o meu tom e entende o que eu quero dizer!"
Clara percebeu na hora. Olhou para Flavinha e em seguida olhou para Gisele, voltando a encarar Marina. Ruborizou. Gi e Flavinha se entreolharam e deram um leve sorriso, pois também tinham percebido as intenções da fotógrafa.
– Ehhh... bom... vamos sim! — Clara colocou de lado as fotografias que estavam em seu colo e se levantou.
A fotógrafa foi na direção da porta do estúdio seguida pela morena.
Assim que saíram, Flavinha e Gisele soltaram uma gargalhada.
– Que bonitinho as duas tentando disfarçar que estão doidas pra se agarrar!! — Gi foi a primeira a falar.
– Elas estão muito fofas mesmo! — Flavinha completou. Vanessa, que até então tinha observado tudo calada, saiu do estúdio bufando ao ouvir a quase-namorada. Gisele ficou olhando a cena. — Deixa ela, Gi! Aos poucos ela vai ter que se acostumar com a ideia de que as duas estão juntas, a Van vai ter que superar isso.
Gisele olhou então para uma mesinha que ficava ao fundo do estúdio e viu o computador da chefe.
– Como é que a Marina vai mostrar as fotos pra Clara se o notebook dela ficou aqui?! — Gisele brincou e soltou uma nova gargalhada, sendo acompanhada por Flavinha.
Clara e Marina subiram correndo a escada, e assim que entraram no quarto, a fotógrafa fechou a porta atrás de si e foi urgente ao encontro da morena. Abraçaram-se forte e deram um beijo cheio de desejo, como se não se vissem há meses.
Clara envolvia a cintura de Marina, que por sua vez passou aos mãos no entorno do pescoço da outra. Pressionavam seus corpos. Sua línguas se misturavam naquele beijo molhado que esquentava a cada segundo. Ofegante, a fotógrafa parou o beijo por um momento:
– Você sabe... que eu não te trouxe aqui... pra mostrar nenhuma foto, né?! — Falava pausadamente e arfante.
– Eu e o estúdio inteiro sabemos, né Marina?! — A morena riu.
– Oh Clarinha... desculpa... — a fotógrafa continuava tocando os lábios da morena com os seus — eu me comportei a tarde toda, mas é que eu não aguentava mais de vontade de te trazer aqui pra cima... — Falou tentando se justificar.
– Eu não lamento nem um pouco que você tenha me chamado pra vir! — Clara sorriu maliciosamente.
Retomaram o beijo e ainda abraçadas foram na direção da cama. Chegando lá, rapidamente a morena se despiu, jogando longe sua calça jeans e seu body, assim como tirou o vestido que a fotógrafa usava.
– Você tá rápida hoje hein?! — Marina falou rindo.
– Pra você ver o que a necessidade faz com a gente! — A morena riu.
Puxou Marina para junto de si e lhe deu um beijo ardente. Ambas, que estavam só de calcinha, sentiram o tecido umedecer entre suas pernas. Clara retirou sua peça e ajoelhou-se na frente de Marina, ficando de frente para o centro dela. Deu-lhe um beijo por sobre o tecido. A fotógrafa estremeceu. A morena segurou cada uma das alças da calcinha da namorada e num ritmo agora bem lento, foi descendo a mesma pelas pernas de Marina. Quando terminou, voltou a encarar o sexo da fotógrafa. Beijou novamente o centro da outra, que gemeu alto assim que sentiu os lábios de Clara encostarem ali.
A assistente deitou Marina na cama e delicadamente sentou-se sobre o quadril da namorada. A fotógrafa gemeu mais uma vez ao sentir o sexo da outra tocando o seu. A morena aproximou seu rosto de Marina e a beijou com paixão. Voltou seu corpo para a vertical e começou a rebolar seu quadril, intensificando o contato de seus sexos.
– Ohhhh... Clara... que delícia... rebola mais pra mim... — A fotógrafa tentava falar em meio a alguns gemidos.
Ouvindo o pedido da outra, Clara aumentou o ritmo do movimento que empreendia.
– Assim? — A morena perguntou com um sorriso.
Marina respondeu com um aceno afirmativo da cabeça, enquanto mordia seus lábios. A fotógrafa segurou a bunda de Clara e pressionou o centro da morena contra seu sexo com mais força ainda. Passou a mexer seu quadril acompanhando o ritmo da outra. A assistente gemeu alto.
– Hhmmm... Marina... você me dá muito tesão...
A morena diminuiu um pouco o ritmo, e mais uma vez abaixou seu corpo, aproximando-se do rosto da namorada. As duas aproveitaram então o contato de seus corpos. Os seios de uma roçavam no da outra, fazendo seus centros se encharcarem. A fotógrafa levou suas mãos até o rosto da morena e a beijou com muito desejo. Após o contato, Clara ficou dando pequenas mordidas nos lábios de Marina.
– Ahhhh Clara... eu não vou demorar a gozar...
– Eu... também... não... ohhhhh... — A morena respondeu ofegante, já sem conseguir articular bem as palavras.
Clara levantou o corpo novamente e voltou a intensificar o movimento de seu quadril. A morena arqueou o corpo para trás, apoiando suas mãos nas pernas de Marina, que por sua vez apertava as coxas da assistente com força, chegando a arranhá-la. Não demorou e as duas atingiram o orgasmo, juntas.
A morena ficou entre as pernas da fotógrafa e se deitou sobre o peito dela. Suas mãos estavam sob os ombros da namorada, envolvendo-a carinhosamente. A assistente podia sentir a respiração ofegante que a outra tinha, enquanto ela mesma tentava recuperar o seu fôlego. Clara mantinha os olhos fechados. Marina a acariciava passando a mão por seus cabelos. Olhava para a assistente com ternura.
– Senti tanto a sua falta essa noite! — Clara exclamou.
– Eu também, meu amor! Só consegui dormir depois que abracei o seu travesseiro e fiquei sentindo o seu cheirinho gostoso. Isso me traz tanta paz! — Marina se declarou e a morena sorriu.
– Estou muito feliz em voltar a te ver todos os dias, Marina! Estar com você me faz bem, me dá alegria de viver!!
– Você também me faz muito bem, minha linda!! Tanto que você nem imagina!! — A fotógrafa completou.
Ficaram deitadas se acariciando e se curtindo por mais um tempo.
Pouco depois se levantaram. Clara ainda se vestia, enquanto Marina já com sua roupa procurava o notebook por ali, para instantes depois se lembrar que tinha o deixado no estúdio, e riu de si mesma ao perceber como tinha dado na cara quando chamou a morena até seu quarto. Clara não pôde deixar de rir também.
Desceram juntas para o local de trabalho, e cada uma agradeceu silenciosamente por ele já estar vazio. Assim evitaram que seus rostos se corassem ao encarar as meninas após aquela escapadinha que deram no final da tarde. Lá Marina finalmente encontrou seu computador e Clara aproveitou para pegar sua bolsa. Despediram-se e a morena seguiu para o Leblon.
Chegando a seu prédio, a assistente foi direto para o apartamento da irmã, matar as saudades do filhote. Ao encontrá-lo, encheu Ivan de beijos, abraços e cosquinhas.
– Vamos lá pra casa meu bichinho?!
– Ah mãe, espera só um pouquinho, a Rosa está fazendo aquele macarrão que eu adoro no jantar. A gente não pode comer e depois ir?!
Clara riu da sinceridade do filho.
– Podemos sim meu amor!
Logo Helena chegou na sala e conversaram um pouco sobre como tinha sido o dia e o retorno da morena ao trabalho.
Pouco depois, Clara se lembrou do que tinha planejado fazer naquela noite.
– Leninha, você sabe se a Dona Chica tá em casa?!
– Tá sim irmã! Ela chegou da rua e passou aqui rapidinho, depois foi para o apartamento dela, tinha que ajeitar umas coisas por lá, amanhã o Ricardo chega de viagem.
– Vou dar uma chegada lá então! — A morena olhou para a irmã, que fez um sinal de afirmativo, em apoio a ela. — Daqui a pouco eu volto pra buscar o Ivan, tá?!
– Sem problemas, irmã! Fica tranquila! Hoje vocês jantam aqui com a gente! — A mais velha piscou para a morena.
Clara se levantou e seguiu para o apartamento da mãe.
Chegando na porta da casa de Chica, a morena respirou fundo. Embora a mãe já tivesse sinalizado que tentaria abrir sua mente em relação ao sentimento da filha pela fotógrafa, Clara estava ansiosa, pois agora ela efetivamente estava com Marina, e temia a reação da mãe quanto à nova condição das duas. Tomou coragem e tocou a campainha. Pouco depois, Chica abriu a porta.
– Oi minha filha, você tá sumida? Tá tudo bem? Eu não te vi o final de semana inteiro.
– Tá tudo bem sim, mãe! Será que a gente pode conversar?!
– Claro minha filha, entra aqui!
Foram caminhando pelo apartamento e sentaram-se no sofá. A morena apertava uma mão na outra. Estava apreensiva. Olhou para a mãe, que percebia a inquietação no olhar da filha.
– Clara, eu tô vendo nos seus olhos que algo está te deixando preocupada. O que foi, meu amor?!
A morena suspirou novamente e começou a falar.
– Sabe o que é mãe?! Ehhhh... é que... hoje eu voltei a trabalhar no estúdio da Marina. — Clara mantinha seu olhar em Chica. — E... na sexta... eu e a Marina conversamos... e a gente se entendeu... sabe?! — A morena estava reticente em sua fala.
– Entendeu, entendeu?! — Chica perguntou, dando ênfase na segunda palavra, já percebendo o que a filha estava tentando dizer.
– É isso mesmo mãe. Nós estamos juntas. — A morena finalmente falou, com todas as letras. Ficaram se olhando por um tempo. Clara esperava alguma fala da mãe enquanto Chica tentava encontrar as palavras. Como elas não vieram, ela se aproximou da filha e a abraçou forte.
As lágrimas da morena abriram passagem em seu rosto. Uma ficou envolvida nos braços da outra por um bom tempo.
Quando o abraço se desfez, a mãe olhou para a morena e enxugou as lágrimas de Clara.
– Eu só quero que você seja feliz, minha filha! — Chica sorriu, arrancando também um sorriso da filha. Mas lágrimas de emoção ainda escorriam pelo rosto da assistente.
– Obrigada mãe! — A morena falou com a voz embargada. — Eu preciso muito do seu apoio!
– E você tem o meu apoio, minha filha! Porque eu sempre vou apoiar tudo o que lhe trouxer felicidade! — Chica apertou as mãos da filha sinalizando carinho e proteção.
– Mãe, eu sei que isso vai acabar refletindo em você, porque você vai ter que ouvir das pessoas que sua filha agora é isso, sua filha virou aquilo...
Chica logo interrompeu Clara.
– Minha filha, eu posso não saber muito de como o mundo funciona hoje, e o relacionamento de vocês é uma novidade pra mim, eu tenho que admitir. Mas se tem uma coisa que eu aprendi nesta vida é não ligar para o que os outros falam. Eu passei muito tempo preocupada com isso, e demorei anos para buscar a minha felicidade. Mas daí o Ricardo reapareceu e eu percebi que eu tinha que parar de viver pensando no que os outros iam falar, e passei a viver para mim. E eu estou muito mais feliz assim. Você também vai perceber que viver assim te fará muito melhor, minha filha! A gente tem que assumir as nossas escolhas! A minha escolha pelo Ricardo, a sua pela Marina. Contanto que isso nos faça feliz!
Clara ouviu a fala da mãe com os olhos marejados, e lágrimas novamente escaparam dali. Levou as mãos de Chica até seus lábios e as beijou carinhosamente.
– Eu te amo, mãe!
– Também te amo, minha filha! Muito!
Abraçaram-se mais uma vez.
Quando se afastaram, Chica logo perguntou para a filha:
– O que você acha da gente combinar um jantar aqui em casa, eu e o Ricardo, você e a Marina?!
Clara sorriu, estava muito emocionada e feliz com o apoio da mãe.
– A gente marca sim mãe! Daqui a alguns dias a gente combina! Muito obrigada viu?!
A morena explicou que ainda iria pegar Ivan na casa de Helena e se despediu de Chica, que lhe deu um último abraço, passando conforto e carinho para a assistente.
Clara jantou na casa da irmã e depois seguiu com o filho para seu apartamento.
Depois de colocá-lo na cama, foi para seu quarto. Tomou um banho e se preparou para dormir também. Embora estivesse cansada pela retomada da rotina de trabalho fora de casa, também estava muito feliz por retornar ao estúdio de Marina, e ter a possibilidade de encontrar todos os dias aquela que fazia seu coração bater mais forte.
Antes de deitar, abriu sua bolsa e retirou dela uma fronha que colocou no outro travesseiro que tinha em sua cama. Abraçou a peça com carinho, sentindo o perfume do tecido. Sentou-se em seu colchão e pegou o celular.
Em Santa Teresa, Marina havia ficado trabalhando mais um pouco em seu computador, ainda no estúdio. Um tempo depois foi para casa. Comeu um sanduíche que preparou e seguiu direto para o banho. Vestiu uma camisola e foi até sua cama, quando observou que seu travesseiro estava sem a fronha. Ficou sem entender. Sentou-se em sua cama pensativa. De repente, seu celular tocou sinalizando a chegada de uma mensagem de texto. Ao abri-la, um SMS de Clara:
"Desculpa te deixar sem a fronha do travesseiro, mas eu também queria poder dormir com o seu cheirinho. Te amo linda!"
Marina terminou de ler e sorriu. Achou o gesto de Clara muito doce e espontâneo. Deitou sobre o travesseiro utilizado pela morena, que ainda estava por ali, e dormiu mais uma vez sentindo o perfume da assistente.
Naquela noite Clara também dormiu mais tranquila. Abraçou o travesseiro que tinha a fronha da namorada e adormeceu num sono leve, sonhando com o dia em que poderia sempre dormir sentindo o perfume e o calor da fotógrafa.
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