Notas iniciais
One Shot - Esta mesma fanfic pode ser lida em: http://socialspirit.com.br/gautama

"Erga uma cruz rica e imponente,

Na qual sua estátua brilhará com glória;

E a partir de então veja ela ser chamada de Charing Cross."

George Peele – Templário

Abram-se as cortinas!

~~~~~~ ~~~~~~ ~~~~

Inner London

Tower Hamlets – 1867

Havia um mau cheiro no ar, repugnante, odor que adentrava minhas narinas, um cheiro fétido, desprezível, repulsante!

E não vos falo sobre a rua na qual me encontro, uma via repleta de detritos, espalhados em meio a fezes, ratos e mais sujeiras. Bem como o próprio distrito, onde não existiam locais com mínima condição de saneamento.

E há famílias vivendo ali, sim, há pessoas que se alojam nesta lixeira. Se elas possuíam casas? Ráaa, luxo, não lhe passavam por suas cabeças!

Sim meu camarada, a miséria rondava pelos arredores da Cidade de Londres, reflexo da chamada por eles de Revolução Industrial, cuja promessa de um padrão de vida melhor, proveniente de um sustento fixo, se limitava apenas aos nobres. Claro, aos donos de fábricas, os insanos, como costumo chama-los. Conduziam a vida de um trabalhador como mera "peça" funcional, por não dizer apenas, uma extensão de suas máquinas. A mão de obra artesanal quase que extinta, devido a impossibilidade de competição, com isso, muitos mestres artesãos abandonaram o ofício ou foram "forçados" a virar meros peões de fábrica. Bem como, a área rural, que tornou-se limitada, em virtude do governo pela preferência nas exportações, assim, muitos rumaram para as cidades, imaginando um estilo de vida e trabalhos mais "dignos".

Companheiro, veja, ainda mal comecei a falar sobre as mulheres, exploração infantil, a insana jornada de trabalho, sub-salários... Bem, prefiro não começar mesmo, os olhos chegam a lacrimejar, de ódio.

Mas ainda digo, que tal fedor presente e quase irrespirável, era do lixo chamado, John Finlay, aquele maldito yorkie. Jamais pensei um dia, ter que matar alguém de um trade union, vulgo grupo dos sindicatos. Nesta zona, era por intermédio dele que os trabalhadores recebiam aqueles indignos salários, que por muitas vezes, não serviam para a compra de uma refeição diária, o que não estava certo. O motivo, era que Finlay sempre ao fim da semana, retirava vinte e cinco porcento do pagamento total dos operários, e repassava para o líder do burgo local, com a alegação de que os trabalhadores tivessem proteção naquela região. De fato, não havia crimes maiores, mas este suposto líder era nada mais, nada menos que Lane Finlay, seu irmão.

Lane, era conhecido nas ruas por Horse Face, e já há algum tempo vem tomando conta deste distrito com sua gangue. Eu mesmo já tive o prazer de tirar-lhe quatro dentes de sua boca, com meu inseparável soco inglês.

Narro estes fatos amigo, pois John Finlay já não existe mais neste mundo.

Jazia em frente á fábrica, onde bem cedo, uma vez por semana aparecia para recolher o dinheiro. Não costumo fazer esta prática, mas fiz questão de ceifa-lo no momento em que vários operários chegavam para o trabalho. Disse a todos ali o que acontecia, e solicitei que espalhassem a notícia do ocorrido, além de forma justa, escolher um novo líder sindical. Não demorou muito para que corpo de Finlay fosse acometido por dezenas de chutes, pedras e até tomates.

A vez de Horse Face e seu bando chegará, mas para isso, preciso ter a minha própria gangue.

========

London City

Tempos depois, estou de volta ao Seven Bells, um pub destinado á classe média.

Aprecio outra caneca de cerveja, quando sorrateiramente inserem um papel em meu sobretudo.

Estou para conhecer pessoa mais discreta do que minha irmã, Evie, que acabara de puxar uma cadeira, sentando à minha frente.

– Boas novas, irmão — Disse ela

Descobri um descarregamento de armas, será em Westminster.

– De quem, desta vez — perguntei

– Bloody Nora — Respondeu Evie

– Hum, ela irá pessoalmente?

– Acredito que não, deve estar ferida ainda, depois dos ataques de Big Wallace preferiu se resguardar.

– Bem, pode ser, acho que será mais fácil tentar roubar desta vez, irmã!

– Jacob, você não pode falhar, contamos com isso para aumentar nossa gangue!

Realmente, uma oportunidade de ouro como essa não surge todo dia. Pouco depois, a cerveja, quente, já não me interessava, me recompus e me dirigi a saída. Desta vez solicitei a minha irmã que pagasse minha caneca, como nas três ultimas vezes. Subi em minha velha carruagem, e parti rumo a Westminster, outro burgo controlado por gangues.

Recordo-me agora, de um fato incomum em minha vida, foi há dois anos, numa missão dada pela Ordem, de assassinar uma mulher de nome Jaclyn Flore. Segundo relatos, Jaclyn uma bancária, desviava fundos destinados à melhorias de obras públicas de bairros mais humildes, para enriquecer ilicitamente toda a corja templária e suas empresas em Charing Cross.

Soubera que para chegar em sua casa, tomava um atalho em um beco da Oxford Street. Neste dia, nada de indiferente aconteceu em seu trajeto diário, pelos telhados fiquei em seu encalço, no entanto, não pude mata-la! Embora ficamos frente à frente, sua expressão assutada foi trocada por uma série repentina de tosses, muito fortes, bolhas de sangue até. Logo, sob minhas costas, fui tomado por um grande puxão, me estatelando no chão. Um homem de vestimentas simples se pôs a mim, portando um cavanhaque estilo Van Dyke, com um pequeno machado conduzido na mão esquerda, tentou me atacar, fui mais ágil, desviando em movimento circulares.

Aparentava estar acima dos trinta, e tinha uma força descomunal, que por pouco não morri, era muito hábil e habilidoso com uma arma.

Era uma emboscada?! Pensei, não, apenas um homem defendo sua mulher, adoentada por sinal.

Demorei um pouco para absorver tamanha história, em que a mulher, Jaclyn, não era o que aparentava ser, e este homem, seu marido, dizia que a mesma não tinha mais que seis meses de vida. Com muito pesar explicou, que sua esposa embora fosse pressionada pelos templários à praticar este tipo de crime, jamais vivera no luxo, no qual o salário permitia. Culpando-se até o último momento, Jaclyn dissera que praticamente doava o seu ganho, ajudando muitas famílias necessitadas de Londres. Isto explica as vestes simples de seu marido, um carpinteiro, ao que parece.

Neste exato dia, acabara de entregar sua carta de demissão, preferindo agora aproveitar a vida que lhe resta. Mas fazendo isto, assinou sua própria sentença de morte, contra os templários. Seu marido suplicou, queria viver junto dela, seus últimos meses. Com toda a cena presente, eu Jacob Frye, poderia achar tudo isso um grande teatro, mas algo que me caracterizava, era a sensatez. Doenças contagiosas culminam a baixa Londres há mais de três décadas, o tifo, varíola, escarlatina e cólera devastaram milhares de famílias no decorrer dos anos, no caso de Jaclyn, tuberculose, suspeito!

Porém, amigo, como disse acima, isto foi um fato incomum em minha vida, onde ainda, demonstrei auxilio em localizar refúgio para o casal. Lembro-me agora, de seu marido, Alastair Graham era seu nome, demonstrar eterna gratidão por minha ajuda, e isto foi há dois anos.

Bem, talvez agora, esta gratidão se torne um grande aliado contra os templários!

=======================================================

Westminster

Me apressei, cheguei ao burgo mais cedo do que esperava, mas deveras necessário. O bilhete deixado em meu casaco por Evie não descrevera um exato local, era descrito como um tipo de código, criado por eles.

– Do Grande Fedor, por baixo de Westberth, próximo ao chá.

Dispensável dizer que o Grande Fedor refere-se ao Rio Tâmisa, que atingiu o seu auge, entenda poluição, há pouco menos de nove anos atrás, cabendo a criação de estações de tratamento em Londres. Próximo ao chá, hum, só consigo pensar que o carregamento deverá acontecer antes das cinco da tarde. Mas e Westbert, o que seria? Uma fábrica, um lugar, um prédio, uma rua?! Desse nome, desconheço algo do tipo neste distrito. Ao menos sei, que devo procurar nas intermediações do Tâmisa.

Faço uma breve revisão em minha manopla, de minha cartola de feltro dou lugar ao meu capuz, e estendendo minha corda, subo para os telhados...hora de investigar.

De uma visão panorâmica, procurei me ater a pontos chaves dos lugares mais conhecidos, assim, já elimino os locais onde poderiam ser um ponto de encontro. A questão, era que por quarenta minutos, fiquei saltando entre fachadas de lojas, prédios, becos e não localizei um só ponto suspeito nos arredores. Procurei me acalmar, colocando meus pensamentos no lugar, ao longe, comecei a contemplar o imponente Palácio de Buckingham, mais próximo de mim havia o Big Ben e o Palácio de Westminster, próximo a ponte de mesmo nome.

Pensando bem, somente um louco faria uma entrega de mercadoria em um dos lugares mais nobres e vigiados de Londres.

Porém algo inusitado me inquietou, uma barco de pequeno porte bem parecido com aqueles que limpavam o Tâmisa, a cada quinze, vinte minutos passava por debaixo da Ponte Westminster, estacionava embaixo dela sob alguns instantes e retornava para a Ponte Lamberth, sem aparente destino traçado.

Pois bem, pelo barulho do motor, vejo que ele está retornando. Desci em uma das pilastras da Ponte Westiminster tomando cuidado se não havia alguém, e sim, havia, um narigudo de costeletas com roupas surradas segurava um pacote debaixo dos braços. O velho balofo que guiava o barco sequer parou desta vez, via-se ao mesmo tempo um arremessando algo para o outro. Para o narigudo, pelo tilintar, ele recebera uma bolsa de moedas, já o pacote jogado para o gordo velho, não consegui distinguir.

Rapidamente, enquanto fazia o retorno me joguei na parte traseira, o alto e estarrecedor som do motor, evitou qualquer reação do velho referente ao barulho do meu salto.

E o que eu temia estava acontecendo, o descarregamento de armas estava acontecendo em forma de revezamentos entre as pontes Westminster e Lamberth. Agora entendo o que dizia no escrito, — Do Grande Fedor, por baixo de Westberth (WESTminster — lamBERTH). For fuck's sake, ridiculamente Westberth era a junção destas duas palavras, uma espécie de código entre a gangue de Bloody Nora.

Mantive-me imóvel, deste lado da ponte vi outro carregamento, agora de caixas, grandes e pesadas ao que parece.

O barco finalmente tomou outra rota, e entre Lamberth e a Ponte Vauxhall deslocamos para um muro, rente a ele, o o piloto balofo foi diminuindo a velocidade e a parede do muro descera lentamente sobre a água, uma parede falsa. Entramos numa espécie de galpão dentro de um prédio comercial. O operador do barco, nem sequer revisou a mercadoria, simplesmente se retirou do barco e saiu, entendo que apenas finalizara seu trabalho.

Ouvi alguns passos...sorrateiramente escalei as colunas de madeira que sustentava o galpão, e esperei alguém surgir.

O que vi entrar foi uma pessoa esguia, baixa estatura, trajando terno masculino, sapatos e cartola, todos cinzas, cabelos grisalhos cortados até o ombro, portava uma bengala a qual com sua ponta batia fortemente sobre o chão.

Parou por um momento, moveu a cabeça de um lado para o outro como se procurasse algo, em seguida levou a mão a boca para segurar a tosse. Pelo som rouco de sua garganta, descobri de quem se tratava...

=======================================================

Srª Cinzenta

Ora, se não era Madame Gray, um dos braços direito de Bloody Nora.

Apesar de sua aparência decrépita, entre os burgos, diziam que ela ainda não chegara aos quarenta, e tinha esse aspecto devido a uma doença na infância. Sabia-se também que era muito boa de briga, Evie que o diga, acho que seria perfeito eu enfrenta-la agora, já que estava ali sozinha analisando a mercadoria.

Novamente bateu com a ponta de sua bengala no chão, porém ouvi três toques desta vez.

toc, toc, TOC!!!

Quando me dei conta, quanta infelicidade! Um chicote enroscara em meu pescoço puxando-me violentamente para o chão.

Mulher maldita, tinha olhos na cabeça? — disse para mim mesmo, num tom surpreso.

Havia quatro capangas de Madame Gray me cercando, e a mesma aproximando-se de mim dissera:

– Bem, menos um coelho com que se preocupar, devia ser mais experto Mr. Frye.

Madame Gray puxou a grande lona que cobria a mercadoria no barco, pediu para um dos capangas pegar uma caixa e abri-la,...para minha nova surpresa...eram tecidos! Sedas, lãs, casacos, ternos e até sapatos. Fiquei admirado com o que vi, então onde diabos estariam as armas, perguntei.

– Huh, hu, o armamento foi entregue ontem pela madrugada, em um ponto distante de Westminster, Bloody Nora salientou que receberíamos duas mercadorias e que uma delas seria entregue aqui neste galpão de uma antiga padaria. Propositalmente não informou qual delas era o recebimento de armas. disse a Madame Gray

Tenho que pensar numa maneira de escapar, a missão praticamente fora um fiasco, mas primeiramente tinha que me levantar, um chicote preso ao pescoço e com uma perna em meu peito era meio difícil tomar qualquer ação. Madame Gray voltara em minha direção e percebendo agora, sua bengala era uma sword cane. Aproveitei que um dos capangas ainda estava no barco e puxei a perna do que estava atras de mim, o ruivo sardento que me segurava com a outra perna e o chicote. Com ele tombando para o lado, chutei o joelho do outro que estava a minha direita, um mais magrelo e de cartola de feltro vermelha, rapidamente me reergui e ainda consegui segurar sua cabeça jogando-o seu rosto contra a dura coluna de madeira. Só então percebi que este capanga era uma mulher, agora descordada no chão.

Tive tempo de me desenroscar do chicote e usa-lo contra seu usuário, mas para o meu espanto ele sabia se defender, com um dos braços segurava a corda me puxando com o outro, mas mantive-me firme, ficando numa especie de cabo de guerra. Havia um outro capanga, um careca, não tinha sobrancelhas e parecia ter poucos dentes na boca, mas era o maior de todos, e ainda por cima eu estava de costas para o mesmo. Não pensei duas vezes, antes dele tentar me estrangular, joguei minha nuca para trás acertando em cheio seu nariz, sua faceta foi tomada por um rosa-sangue, que dava medo, respingos de sangue eram visíveis, o nariz do grandalhão estava quebrado.

Decidi desistir do cabo de guerra ir de encontro ao capanga ruivo, na verdade corri em sua direção ativando minha lâmina e desferindo seguidos golpes em seu corpo, seu olhar assustado o fez perder a reação e simplesmente o chutei para a água, podia-se ver uma pequena mancha escura se espalhando pela água, visível com a pouca iluminação dos raios de sol que nos dispunham através das frestas do teto.

Mas me descuidei, ao me virar para tentar liquidar o capanga grandalhão, Madame Gray com um corte de sua espada-bengala, feriu minhas duas pernas na região da coxa. Praticamente não podia mais fazer movimentos bruscos. Ainda sim, peguei um canivete em seu bolso e sem pensar lancei contra o olho do gigante careca, foi certeiro, mas não se deu por rendido. Furioso simplesmente correu em minha direção, mesmo com o nariz e olho vertendo sangue, mas esquivei sutilmente para seu azar, deixando-o bater de cara na coluna de madeira, antes de cair dei uma cotovelada em sua nuca, este não deve acordar tão cedo.

Se quisesse, Madame Gray teria me matado ali mesmo, mas preferiu me ver em ação contra seus homens.

No entanto agora era entre eu e ela, e no primeiro movimento com minha lâmina oculta, vi que não era meu dia. O capanga que estava no barco, o de boina, tinha uma pistola, ou melhor um revolver, uma arma que chegava a disparar seis tiros antes de recarrega-la, e este mesmo capanga fizera um tiro certeiro que não atingira minha mão, mas quebrastes minha lâmina. E o pior que a rouca e decrépita Srta Gray aproveitando da situação me fizera mais dois cortes, um no ombro e outro na cintura, e uma estocada na barriga que se não fosse por puro reflexo teria me atingido órgãos vitais. A desgraçada queria me dar uma morte lenta e dolorosa!

Mas ela não esperava por um soco e uma cabeçada em seu rosto bisonho, e numa reviravolta usei algo que não imaginaria como arma, meu gancho. E foi com um leve toque em meu punho que a corda se soltou, indo na direção do peito da velha cinzenta.

A dor fizera Madame soltar sua sword cane, se contorcendo no chão com aquela voz estridente, porém tinha forças para dizer:

– Mate ele Morris, mate ele!

Pelo menos sei que o último de seus homens tinha um nome. Resolvi testar sua mira, chegando próximo de sua chefe, outro disparo foi feito, tive que recuar, me escondendo entre as pilastras de madeira. Tentei pegar a bengala-espada, dera mais dois disparos como aviso. Dentro do barco, esse tal de Morris, tinha uma visão completa de mim, não tinha escapatória. Fui em sua direção, e desta vez o projétil me acertara de raspão acima do supercílio, pelas minhas contas só restava uma bala.

Do meu lado esquerdo estava me observando Madame Gray, rindo sarcasticamente dizendo:

– Você está perdido Assassino hahaha!

Outro som de disparo!

Mais alto e próximo a mim, não era de Morris, pois estava atento ao seu dedo no gatilho, o som viera da única mulher do bando, a mesma que ficara postada com minha investida. Olhei para baixo, vi sua testa cortada, segurando um revolver com o braço esquerdo, só então percebi, que minha perna direita tinha sido atingida...

=======================================================

Auxílio

Se é que isso pode ser chamado de sorte, mas após o disparo a mulher voltou a desmaiar, pela perda de sangue imagino.

Não me recordava eu ter passado por uma situação parecida no passado. Caí pesadamente como um saco de arroz, sem tirar os olhos do revolver de Morris comecei a me arrastar para trás. Senti um zumbido passando acima de minha cabeça, um som curto e seco, algo foi atingido, não pude ver.

Morris deu um breve soluço, e olhou para seu ombro esquerdo, uma pequena mancha de sangue surgia, mas o que o acertara?

Mais uma vez senti o zumbido, algo muito rápido passou por minha orelha... acertando o pulso de Morris, no entanto puder ver desta vez, um dardo, tão preciso que por um momento os nervos de sua mão ficaram inativos, largando o revólver.

Ouvi:

– Pensando bem, esta missão extra foi mais simples do que pensei.

Um homem oculto pelo capuz branco andou lentamente até mim dizendo estas palavras.

Era Henry Green, nosso amigo, filho adotivo de Abaaz Mir um Mestre Assassino da Irmandade Indiana, ou seja, ele também era um de nós. Confesso que jamais saberia o final que me esperava.

Visando Morris e Madame Gray, Henry me suspendeu pelo braço alertando para os dois não tentarem algo impensado.

Dentro do galpão mais três homens estavam com ele, dois deles amordaçaram e amarraram todos ali, o outro reabriu a grande parede falsa pilotando o barco com suas caixas de tecidos e vestuário para fora dali.

– O que significa isso Henry? — perguntei

– Dê os créditos a sua irmã, pouco depois de sua partida, Evie descobrira que haviam dois destinos para a mercadoria e me incumbiu para esta outra rota.

– E haviam armas?

– Sim, algumas exóticas como esta aqui, chamam de Zarabatana, agradeça a ela, por ter te salvado. O armamento está guardado em local seguro, não se preocupe, auxiliará e muito em nossa busca por um Londres melhor.

– Ainda sim Jacob, quero que fique com isto aqui.

Mr Green retirou de dentro de sua manga algo parecido com um punhal, no entanto, esta, tinha lâmina curva.

– Entre os Gurkhas, chamam isso de Kukri, simboliza a coragem e valentia de um guerreiro em batalha, e bem, isso te salvará de enrascadas como esta, tome, use-a com maestria.

– Bem, obrigado — disse Jacob.

– É melhor sairmos, a milícia chegara em breve, acredito. — disse Mr Green amparando seu amigo Assassino para fora do alojamento.

– Ah, mais uma coisa, fique com isto também, irá precisar — dissera Henry Green, sacando um revólver de seu coldre e entregando a Jacob Frye.

Jacob, ainda muito ferido aceitara de bom agrado, sabia que Green era confiável, mas algo o afligia.

Embora seria iminente sua busca pela conquistas dos burgos, iniciando de baixo para cima a queda da elite britânica, Jacob achava muito duro lutar contra pessoas de mesma classe e convívio, muitos deles ou grande maioria eram pobres e miseráveis, tinham famílias também. E ter que lutar contra estas pessoas era um grande peso para ele.

– Ora, não fique tão pensativo Sr Frye, pense que com este armamento aumentará sua gangue contra a elite, mas isso não quer dizer que você deveria usar contra as gangues, use a persuasão a seu favor, traga-os para o seu lado, use sua lábia. Mas o que precisam verdadeiramente é de um líder para seguir seus ideais. Portanto, não deixe se abater, não demonstre fraqueza, lute com todo tipo de arma que dispuser!

– Sim, você está certo amigo, deixei-me levar por pensamentos levianos.

– Perfeito, agora vamos curar suas feridas, minha carruagem está logo a frente, ainda temos alguns trabalhos a fazer.

– Outro pedido Henry?

– Sim.

– Veja, o senhor Dickens necessita de um favor, acho melhor você pegar este pedido, uma missão um pouco usual para você o fará bem.

– Dickens, você fala de Charles Dickens, o escritor?

– Sim, o Boz, e costumam chama-lo de romancista.

–Ainda não sei de muitos detalhes, mas é algo sobre um códice perdido no antigo Castelo de Bran, na Roménia.

– Hum, deveras interessante não Henry?!

– Sim, na verdade foi incumbida a mim, mas estou repassando à você.

– Cheio de surpresas hoje, Sr Green. Estou pensando em ter uma outra arma, mais discreta, não menos mortal.

– O que seria? — perguntou Heny Green.

– Durante minha luta contra Madame Gray, vi que ela utilizava uma espécie de espada bengala, acho que isso cairia bem em mim.

– Você diz ter uma Sword Cane? Bem isso é fácil de conseguir.

My mate você é demais, só peço que em sua ponta coloque um adorno de águia, please.

–Você é quem manda Mr Frye.

Jacob Frye neste momento, recolocava seu chapéu de feltro:

– Ótimo, não vejo a hora.

Um sublime pôr do sol tomou conta do trajeto de volta para o esconderijo, novas missões, intrigas, e acontecimentos importantes tomariam um rumo alucinante na vida dos irmãos Frye.

Hoje os palcos se fecham...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!