Assassin's Creed: O Renascer
4 Um estranho jantar
Notas iniciais
Lisboa — 28 de novembro de 1807
Já era noite. Rodolfo ainda corria pelas ruas atrás do velho, que, apesar da idade, tinha tanto fôlego quanto o mais jovem.
Eles chegaram num bairro mais nobre, onde as casas eram extremamente brancas e limpas. As ruas estavam praticamente desertas. Em pouco tempo, as prostitutas e os ladrões tomariam conta das calçadas.
Aproveitando-se da situação, o velho se aproximou de uma casa. Certificou-se de que não estava sendo seguido e pegou uma chave, abrindo o portão. Rodolfo se esgueirou para dentro da propriedade, seguindo o outro.
Eles caminharam pelos jardins, indo à mansão. Havia árvores de vários tipos, dando uma ótima sensação de ar-puro. Uma pequena rua de pedras indicava o caminho. O velho andava tenso, como se estivesse com medo de alguma coisa.
— Estamos invadindo ou tem alguém nos esperando? — sussurrou Rodolfo.
— É isso que estou tentando descobrir. — respondeu o outro. Apesar de não entender a resposta, o jovem se calou.
Eles começaram a andar abaixados. Graças aos treinos com o pai, Rodolfo conseguiu não emitir nenhum barulho. A dupla parou abaixo de uma janela. Em seguida, espiaram o interior da casa.
Era uma linda moradia, parecida com a antiga casa de Rodolfo, que hoje era mais conhecida por “ruína”. Tinha as paredes brancas, uma porta negra, um grande tapete na sala de estar. Havia uma grande mesa de jantar á esquerda. Lá, três pratos estavam em cima da mesa, acompanhados dos talheres e dos copos. Se aquela era a propriedade de uma família ou não, Rodolfo não sabia.
— Venha. Estão nos esperando. — anunciou o velho, ao ver a mesa.
Quando eles bateram na porta cor de carvão, um homem veio atendê-los. Devia ter a mesma idade que o velho. Seus cabelos loiros tinham apenas alguns fios brancos. Os olhos, castanhos, eram profundos, parecendo deter todo o conhecimento do mundo. Vestia uma túnica, um capuz lhe cobrindo a cabeça. As vestes eram negras e impunham tanto respeito quanto a própria aparência do dono.
Lembrando-se do pai e do velho, Rodolfo olhou seu pulso. O mesmo bracelete, que, sem dúvida alguma, continha a mesma lâmina. Com a mesma certeza o jovem sabia que o pai e os velhos tinham a mesma ligação. O que faltava era definir qual era essa ligação.
Finalmente, o anfitrião abriu a boca:
— Entrem, entrem! — exclamou. Assim que ambos entraram, ele fechou a porta. — Como vai, Victor? — perguntou, cumprimentando o velho. — E quem é este jovem? Onde está Luís?
— É uma longa história. — advertiu Victor. — Mas adianto que o garoto é filho dele.
— Certo. Contem-me no jantar.
Quando todos estavam acomodados em seus lugares na mesa, um criado serviu a comida e se retirou. Logo que todos começaram a comer, o proprietário pediu:
— Contem-me tudo.
— Cinco dias atrás, quando minha casa foi atacada, meu pai foi morto, meus irmãos fugiram, minha mãe foi raptada e junto dela, levaram o recém-nascido Raul. — iniciou Rodolfo. As notícias foram espantosas para ambos. O jovem segurou as lágrimas. — Em seguida, me levaram para o subterrâneo de uma igreja, local onde fiquei preso por alguns dias. — Com isso, olhou para o velho, Victor, pedindo-lhe para continuar.
— Eu invadi o local, como pedido por você, grão-mestre. Buscava Luís, mas quando entrei na cela, encontrei este garoto.
— Joana estava lá? — perguntou o anfitrião. O jovem reparou que não havia comentado o nome da mãe. Aqueles homens conheciam seu pai de alguma maneira, exatamente como suspeitado.
— Não houve tempo para procurá-la. — explicou Victor. — Os reforços vieram muito rapidamente. Não foi fácil fugir com o garoto.
Em seguida, um servo, também encapuzado, pediu licença para entrar. Correu e foi até o ouvido do dono da casa. Sussurrou algo para ele e foi embora rapidamente.
— Acharam tua mãe — afirmou o homem que Victor havia chamado de “grão-mestre”. Apesar daquilo, não mostrou intenção de ir buscá-la.
— Ora, então o que estamos esperando? — perguntou Rodolfo. — Vamos lá agora!
— Não é tão fácil assim, meu jovem. — avisou o “grão-mestre”. — Depois de uma fuga assim, eles devem ter, no mínimo, reforçado a segurança. Também podem ter plantado a informação. Aliás, nem sabemos se ela está de fato lá. Pode ser uma armadilha. Além disso, os Templários têm recursos para te caçar. Você deve sair desse país logo. Procuraremos por sua mãe. Só não farei loucuras. Seu pai foi um grande Assassino, Rodolfo. Espero que você também seja. Deve ir para o Brasil com a corte. Faça alguns trabalhos por lá. — novamente, ninguém havia comentado o nome de Rodolfo. — Não seja tolo, meu jovem. Você pode morrer. Achas que vale o risco?
— Desculpe-me, meu senhor. —falou Rodolfo. — Mas eu me lembro das aulas de história. Templários foram extintos há muitos anos. — em seguida, ele estourou: — E meu pai não era um matador ou um assassino! Além disso, minha mãe vale por qualquer risco!
— Luís não lhe contou? — estranhou o velho. — Não deveria ter guardado segredo.
— Meu pai não tinha segredos comigo! — bradou Rodolfo. — E, se vocês não quiserem me ajudar a encontrar minha mãe, eu quero mais é que vocês vão pra merda! — gritou nervoso. Em seguida pegou uma taça vazia e arremessou no chamado “grão-mestre”. — Vocês sabem onde ela está e não fazer nada? Vocês têm dinheiro! Servos! O quê os impede? Aposto que nem conheciam meu pai!
— Quer uma prova? — perguntou o grão-mestre. Ele provara que tinha bons reflexos apesar da idade. Segurara a taça arremessada em pleno ar. — Não tenho dúvidas que já viu uma dessas com seu pai. — acertou o homem, mostrando a lâmina do pulso. — Além disso, eu sei que a montaria favorita dele era um puro-sangue inglês. Também sei que seus irmãos, chamados Ugo e Laura, estão na casa da família Ferreira. Sei que você treinava seu irmão. — provou ele. — Seu pai era um grande amigo meu, Rodolfo. Eu conversava muito com ele.
Rodolfo ficou atônito. Aquele misterioso homem conhecia sua família de perto. Mas ele nunca o vira! Como podia haver alguém tão próximo sem que o jovem soubesse?
— Como você…? — ele estava boquiaberto, mas sabia que não poderia confiar em ninguém. Não depois do ataque. — Você era, de fato, amigo de meu pai? — indagou. — Ou é um dos mandantes do assassinato?
Com aquilo, o homem pareceu perder a calma. Conseguiu, porém, não estourar. Respirou fundo e se acalmou, dizendo em seguida:
— Eu nunca mataria ou mandaria matar seu pai, Rodolfo. Mas eu entendo sua desconfiança. Darei a prova: seu pai, em seu aniversário de quarenta anos, fez uma festa em sua casa. Nela, para quem ele dirigiu os agradecimentos?
— Para mim, minha mãe, meus irmãos, Clóvis e um homem… — Rodolfo olhou para o homem, abismado — Você!
— Sim. Está provado agora? —sorriu o grão-mestre.
—Talvez… — Rodolfo estava extremamente confuso com tudo aquilo. Não se lembrava do homem. Segundo ele, seu pai era um tipo de “assassino”, os Templários ainda existiam e estavam por trás do ataque. Era possível acreditar naquilo tudo? A única coisa que conseguiu fazer foi pedir desculpas e dizer: — Obrigado por tudo, senhor. Mas tenho de ir. Alugarei um quarto para passar a noite.
— Um quarto? — perguntou Victor. — Do que está falando? Você vai dormir aqui! Tenho que lhe explicar muito sobre Assassinos e Templários.
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