Assassin's Creed: Guerra Biológica.
1 Capítulo 1: O Começo.
Notas iniciais
Comentem!
Já passava da meia noite quando cansado, o zelador do prédio de bio-astrologia da universidade decidiu ir embora.
Usando um macacão azul escuro e um boné vermelho do Dodgers, ele dirigiu-se ao almoxarifado devagar, tentando fazer o menos de barulho possível com o carrinho de limpeza. De vez em quando, parava em frente às salas de aula e espiava lá dentro, nunca se sabia quando um aluno deixaria uma peça pregada para o dia seguinte.
Ao chegar à sala do almoxarifado, o velho fez a costumeira última tarefa de colocar as chaves das salas em seus lugares enquanto ouvia em seu mp3, uma seleção de músicas de Elvis Presley.
Depois de deixar tudo em ordem, o zelador trancou a sala e saiu caminhando pelo corredor mal iluminado em direção à saída do prédio. O percurso de aproximadamente cem metros foi rápido enquanto o eterno Rei do Rock cantava suas músicas contagiantes no ouvido de seu fã. Teria sido o fim do trabalho perfeito se trinta metros antes das portas, o zelador não tivesse visto um infectado do vírus Chaoslumen, era o quinto nessa semana.
Do que devia ter sido um homem, agora só restava o tronco cheio de feridas, braços ainda musculosos devido ao vírus e uma cabeça desproporcional que pendia para um lado enquanto arrastava-se em direção do corredor que dava acesso à secretaria do prédio. Sem falar que o sujeito ainda gemia e grunhia enquanto as feridas causadas pelo vírus espalhavam um fedor pútrido no ar.
— Santo Deus... — disse o zelador antes de se virar e sair correndo até o almoxarifado novamente.
No caminho, o velho zelador encontrou outro infectado, porém, dessa vez um bem conhecido pelos cidadãos da Nova Manhattan.
Embora nunca tivesse o visto, o zelador percebeu que a descrição dada pelo Exército era a mesma do sujeito diante dele.
Com 1,80m de altura, usando uma jaqueta de cauda preta e vermelha, capuz em forma de bico de águia puxado até os olhos e uma pistola em cada coxa, aquele só poderia ser o Assassino Oliver Miles.
— Onde ele está? — perguntou Oliver enquanto deslizava uma lâmina oculta pela manga esquerda da jaqueta.
— Lá — apontou o velho na direção do corredor que acabara de vir — Perto das portas de saída, uns noventa metros eu acho.
Oliver agradeceu com um aceno e baixou o visor de seus óculos especiais. Enquanto caminhava para longe do velho; que aproveitou a presença do Assassino para se esconder junto do material de limpeza; viu um segundo infectado no teto tentando arrancar a grade do duto de ventilação. Parecia um tipo de macaco grande, um gorila infectado talvez?
O quê aquilo era, Oliver não fazia idéia, mas, era uma ameaça para a sociedade.
Antes que o monstro terminasse de arrancar a grade, Oliver subiu nos armários escolares e saltou na direção do monstro para cortar sua nuca.
Enquanto o infectado tentava se agarrar ao duto com uma das mãos e com a outra estancar o ferimento, Oliver caiu rolando em segurança na outra ponta do corredor.
O Assassino continuou caminhando sem olhar para trás. Não havia remorso em seu coração por ter matado uma criatura daquelas, não havia cura.
“Oliver, está ouvindo?” — disse Mark pelo audifone no ouvido do Assassino.
— Aqui é o Oliver, acabei de matar um infectado. Pelo jeito os Templários estão tentando pegar alguma coisa aqui na universidade.
“Como assim? Tipo uma página do Códex ou uma Peça do Éden?”
— Não sei, vasculhe o quarteirão digitalmente. Quero saber se tem algum Templário por perto.
“Ok, assim que eu tiver feito isso eu te aviso, até mais Oliver”.
— Até mais.
Oliver ergueu um pouco seu capuz para conseguir uma área de visão maior e olhou para o corredor à frente. Parecia vazio. Exceto pelo infectado saindo de uma sala de física carregando um Sol de material brilhante.
— Esse é dos grandes...
O infectado devia ter mais de dois metros de altura, tinha músculos extremamente desenvolvidos e seu peito era largo demais para ser comparado a uma simples árvore.
Oliver, notando que sua lâmina simples não iria parar uma coisa daquela, girou o selecionador de armas preso ao cinto. Pelo seu visor ocular, o selecionador definiu que seu par de Magnun’s. 44 dariam conta do recado.
Oliver empunhou ambas quase no mesmo tempo que o monstro lhe percebera ali.
Oliver destravou as pistolas Magnun e descarregou ambos os pentes de munição no infectado.
O poder de fogo das armas empurrou o monstro para trás enquanto o perfurava.
Miles continuou caminhando na direção do infectado embora o corpo deste tivesse a capacidade aparente de se regenerar.
Oliver girou seu selecionador novamente. Dessa vez a arma selecionada foi a katana.
O Assassino levou a mão às costas e puxou a espada, presa numa bainha abaixo da jaqueta.
— Vamos lá...
Oliver colocou a katana um pouco abaixo de sua cintura e aguardou o infectado chegar mais perto.
Quando percebeu que o espaço entre eles era suficiente para o ataque, Oliver fez um corte transversal e, pondo toda a força que pode no movimento de balanço, conseguiu partir o infectado ao meio.
Assim que guardou a lâmina e viu o infectado desmoronar metade para cada lado, Oliver continuou a caminhar na direção das portas. Só mais quinze metros, ele pensou.
“Oliver”— chamou Mark em seu audiofone.
— Pode dizer.
Saia daí o mais rápido possível, o mapeamento digital está pronto e esse prédio está atraindo infectados. É improvável que sobreviva ficando aí.
— Ok, peça para que a Ordem envie um esquadrão para cá.
“Não vai ser fácil. Você sabe como seus pedidos são atendidos”.
— Entendo. Até logo.
“Até logo, tome cuidado”.
Oliver pressionou o audifone e o desligou e em seguida continuou caminhando o mais rápido que pode.
Finalmente quando chegou às portas de saída do prédio, Oliver encontrou o infectado que o velho havia mencionado.
O monstro arrastava-se lentamente na direção da secretaria do prédio, Oliver pensou na possibilidade de haver algo importante ali.
Não era mais segredo que algumas páginas do Códex estavam espalhadas por universidades e prédios do mundo inteiro. Depois da queda assombrosa da Ordem dos Assassinos, tudo que fosse ligado a eles havia sido vendido a colecionadores e estes, doado os itens a lugares públicos. Embora os Templários enviassem sua corja mais imunda para recuperar esses artefatos. Os infectados.
Voltando a si, Oliver viu o infectado cuspir na porta da secretaria. Era ácido pelo modo como corroia a madeira e criava uma pequena entrada para o hospedeiro do Chaoslumen. Com calma, Miles seguiu o infectado, abrindo a porta devagar para não fazer um barulho desnecessário e entrou na sala também.
Durante um tempo, o Assassino ficou apenas observando o modo de agir do infectado, que abria as gavetas com um dos braços enquanto com o outro se erguia do chão.
Depois de quase dez minutos abrindo gavetas de uma forma que faria inveja aos atletas olímpicos, o infectado puxou um cubo dourado de dentro de uma gaveta e pareceu se impressionar com o achado.
Rápido, Oliver deslizou sobre uma mesa e com a lâmina oculta, cortou a garganta do infectado. O sangue enegrecido espalhou-se rapidamente pelo chão e corroeu parte do carpete antes de coagular.
Oliver esperou mais alguns segundos e depois de ter se certificado que o infectado estava morto, apanhou o cubo dourado com a mão direita, assim, se fosse atacado, poderia desembainhar a lâmina oculta presa no antebraço esquerdo.
Com certa euforia em saber se aquele era uma Peça do Éden, Miles ativou seu visor e scaneou o cubo.
“Item desconhecido, procurando semelhança com artefatos relacionados à Ordem" — avisou o scanner pelo audifone.
— Agora, vamos sair daqui... — Oliver disse a si mesmo.
O Assassino saiu da secretaria o mais rápido que pode. Quando alcançou a porta de saída, Oliver notou que o velho zelador do prédio já estava do lado de fora, cercado por uma dezena de infectados.
— SOCORRO! — gritou o zelador enquanto tentava os afastar com pedras.
Oliver não precisava salvar aquele homem, sabia disso. Fez o que fez no prédio porque Mark o havia enviado. Agora, era uma escolha salvar o homem ou não. Seu bom senso decidiu salvar o homem.
Oliver saltou os seis degraus da pequena escada e rolou sobre o braço antes de se levantar rapidamente e olhar para os infectados.
— Acho que vocês precisam parar de perseguir esse pobre homem...
Tão rápido quanto pode, Oliver Miles acionou o recarregar das pistolas e, enquanto estas não estavam prontas, acionou o mecanismo de sua lâmina oculta. Ao notar que só uma lâmina não deteria aqueles monstros, o Assassino tirou uma carta da manga: sua própria habilidade de infectado.
Por baixo da manga direita da jaqueta, outra lâmina, deslizou para fora da peça de roupa e brilhou em um preto-petróleo. A lâmina, criada pela infecção do Neo-Chaoslumen no corpo de Oliver, devia ter quarenta centímetros.
O primeiro que atingiu carregava um coldre vazio debaixo do braço, o Assassino imaginou que tivesse sido um policial. Ele o atingiu com a lâmina comum o pescoço criando assim, uma fonte de sangue negro.
O segundo e terceiro eram mais durões, derrubar-los com a lâmina comum não bastou. O trabalho de separar as cabeças dos corpos ficou com a Infected Blade.
O movimento com esta lâmina foi muito mais sutil, pois, com apenas um giro, Oliver arrancou um peso dos ombros dos infectados.
“Pistolas prontas para o uso” — informou o sistema de voz do audifone.
— Ótimo...
Oliver guardou ambas as lâminas e rapidamente puxou as pistolas. Dois infectados, que aparentemente já conheciam as armas de fogo, tentaram fugir do local, mas o Assassino disparou contra suas cabeças, estilhaçando-as com apenas um tiro para cada uma.
Quando outro infectado tentou lhe morder, Oliver apenas deixou que viesse e no último segundo agarrou-lhe o braço e o girou.
Enquanto era segurado pelas costas, o infectado virou a cabeça o máximo que pode e tentou morder o ombro de Oliver com dentes praticamente podres, seu azar foi que o manto era praticamente blindado.
Assim que percebeu que o infectado quebrara a mandíbula tentando morde-lo, Miles empurrou uma pistola sobre seu queixo e puxou o gatilho.
Assim que o monstro morreu, ele o largou e encarou os últimos quatro monstros. Já havia perdido tempo demais.
O Assassino guardou as pistolas e rapidamente levou a mão direita a um compartimento do cinto, em seguida lançou alguma coisa nos monstros, que imediatamente caíram se contorcendo enquanto pereciam. Três tiveram mortes rápidas, mas o quarto e último começou a se arrastar enquanto deixava uma trilha de sangue.
Oliver foi até ele e olhou bem para o infectado. Apesar de a shuriken japonesa ter lhe perfurado o peito sobre o coração, o monstro ainda parecia capaz de ficar vivo, embora com dores.
— Vou acabar com a sua dor — disse Oliver acionando sua lâmina oculta comum — Requiescant in pace — e enterrou a lâmina completamente no coração do infectado.
— Obrigado...
Oliver olhou para trás, o velho ainda estava parado lá, olhando para ele.
— O que disse?
— Obrigado. Eu fico muito agradecido por você ter me salvado a polícia e o exército nunca ajudam o povo, só você.
Oliver guardou a lâmina e digitou algo na parte de cima de seu bracelete. Em resposta, uma parte da parede do prédio de biologia se deslocou emitindo o som que lembrava uma moto. Quando o zelador achou que estava ficando louco, e vendo paredes se moverem, a camuflagem que ocultava uma moto explodiu em pequenos triângulos de luz.
O humilde transporte do Assassino era uma moto Kawazaki Ninja, modelo S8-X e totalmente preta com um símbolo da Ordem brilhando em vermelho sobre o tanque de combustível.
— Vá para casa, senhor — disse Oliver enquanto subia na moto — E tente comprar uma lanterna de UV, a luz torna os infectados fracos.
— Sim, farei isso.
Antes que a conversa pudesse continuar, Oliver acelerou a moto e desapareceu na noite tão rápido quanto surgira.
Notas finais
Até a próxima!
Fale com o autor