Notas iniciais
Oi, Quem achou que o fim de ano foi calmo nessa fanfic, pode ter certeza de que o primeiro cap de 2016 dará o tom da reta final da fanfic. Tempo fechado, com pancadas de chuva!!! Boa leitura!

Acho que nunca vi os olhos de meu pai brilhando tanto.

De todas as coisas que eu poderia imaginar ouvir naquela conversa, jamais poderia prever que Amália começasse com “eu e seu filho estamos juntos, Mestre Kenway”, dito sem qualquer cerimônia ou pudor. Claro, ela não deu maiores detalhes do que significava propriamente este “estamos juntos”, ou seja, o que havia realmente acontecido entre nós dois, mas meu pai era um homem vivido o bastante para entender o que aquelas palavras significavam, por isso dispensava detalhes.

–Oh. – foi só o que ele deixou escapar. Esperamos para ver se ele diria qualquer coisa além disso. Após quase dois minutos sem reação – isso sem mencionar o seu sorriso abobado e enervante –, eu decidi começar.

–Pai, desculpe por não ter dado notícias. – disse, com sinceridade.

–Desculpas aceitas, Connor. No entanto, eu gostaria que você voltasse para casa. Estamos perto da época da colheita de tabaco e você sabe que...

–Sim, eu sei de minhas obrigações. – disse, não tentando esconder meu desgosto.

–Você deixou sua mãe preocupada. Tessa ficou em estado de nervos, depois que se passaram três dias e você não deu notícias. Acredita que tive de... Que tive de procurar Achilles para saber notícias suas?

Fiquei surpreso.

–Você procurou Achilles?

–Dado seu prolongado e inexplicável sumiço, sua mãe presumiu que aquele velhote tivesse permitido sua volta aos Assassinos. Mas quando ele me avisou que Miss Lawler também não dava notícias há uma semana, logo presumi que vocês... Enfim, parece que meu palpite estava correto.

Notei que Amália estava corada, pela primeira vez. Claro, nosso romance não era mais segredo para ninguém, nem de minha família, nem dos Assassinos.

–Bom, de qualquer forma, eu tenho alguns negócios a atender aqui, em Nova York. Pretendo voltar para casa esta noite, então você terá algum tempinho para se despedir dessa sua vida emocionante de estalajadeiro.

Senti deboche em sua voz. Ele continuou.

–Irei passar aqui às seis da tarde para voltarmos juntos para casa. – ele disse, se levantando. – Espero que você não se atrase, pois pretendo chegar em casa antes do amanhecer. E não precisa me levar até a saída, Miss Lawler, eu já conheço bem o caminho.

–Não quer ficar para almoçar, Mestre Kenway? Hoje será costelinha de porco, especialidade da casa.

–Bastante tentador, Miss Lawler, mas receio que não. Marquei um almoço de negócios com um cliente da Herdade.

–Neste caso, obrigada por sua visita, Mestre Kenway.

–Não há de quê, senhorita. E por favor, vigie bem o desnaturado do meu filho. Amusez-vous!

Ele disse, antes de fechar a porta.

–O que ele disse, afinal? – perguntei, só reconhecendo que era francês.

–Não vai querer saber. – ela disse, num tom divertido. – Venha, vamos almoçar.

Após almoçarmos, Amália observou um grupo tocar uma cantiga irlandesa. Diante de alguns casais que dançavam, ela simplesmente decidiu me puxar pela mão e me arrastar até eles.

–Eu não sei dançar.

–Você aprende rápido. Já provou isso para mim.

Deixe escapar um sorriso bobo por seu comentário e a obedeci, começando a dançar com ela. Girávamos, rodávamos, enquanto eu tentava não pisar em seus pés. Aquele ritmo era agitado, diria que cansativo, mas isso não me impedia de tentar. Não sei quantas canções dançamos, pois tudo parecia andar devagar quando eu estava com ela. Aquele seria um dia perfeito se não fosse por um comentário surpreendente, soltado ao final de uma das cantigas irlandesas.

–Os Assassinos de meu tempo eram mais... Sérios.

Paramos de dançar rapidamente. Eu não estava vestido com o Manto, nem ela. Como aquele homem sabia que éramos Assassinos?

Claro. Ele era ninguém menos que Shay Cormac que estava sentado ali, em uma das mesas.

–Acho difícil entender porque estamos sendo derrotados por um bando tão estúpido. Talvez seja necessário um pouco mais de participação de minha parte. – ele disse, de maneira despretensiosa e arrogante, estalando os dedos. Aquilo trouxe arrepio à minha espinha. Imediatamente, me lembrei de todos os Assassinos mortos por suas mãos. Dobby, Clipper, Duncan... Todos mortos pelo Caçador de Assassinos, que até o momento esteve ausente do combate, não sei se porque estava ocupado atendendo a outros negócios, ou se graças à amizade para com meu pai, Haytham Kenway. Mas vê-lo ali, desejoso em nos dar um ponto final, enervava-me, a tal ponto que me fazia querer vomitar.

Parecendo reconhece-lo, Amália cochichou em meu ouvido.

–Connor, é aquele Templário do beco. Nós devemos...

–Não Amália. Vamos embora.

–Mas...

–Vamos. – disse, não mais em cochicho e já arrastando-a pelo braço para fora do pub. Quando eu estava perto da porta, ouvi uma risada, vindo dele.

–E definitivamente, eram mais educados com as mulheres.

Sem pensar duas vezes, Amália agiu por instinto e atirou uma faca. Ele parecia ter previsto seu gesto, pois se esquivou facilmente, sem hesitar. A faca foi parar em sua cadeira, cravada na madeira velha daquela mobília, arrancando gritos de surpresa dos presentes no pub. Ele soltou outra risada e provavelmente mais um comentário, mas não tive conhecimento do que ele disse exatamente e carreguei Amália para fora do pub.

–Connor, você pode me explicar o que está acontecendo?

–Posso, mas não aqui.

Ela assentiu, me acompanhando até um beco distante, longe de qualquer ouvido intrometido. Sentada em um barril e de braços cruzados, ela me fitava atentamente.

–O que houve? Você disse que eu não deveria fazer nada, mesmo sabendo que ele é um Templário. Por que?

–Amália, não é bem assim...

–Então, o que é? Você sempre parece tão hesitante em me permitir matar esse Templário... Será que dá para me explicar o que está havendo? O que esse homem tem de tão especial que eu não posso confrontá-lo?

Não havia escapatória. Eu não queria mentir para ela, desta vez tão diretamente. Até então, eu tinha omitido sua verdadeira identidade a ela. Mas desta vez, seria diferente. Eu iria mentir para ela, e isso eu não queria, não quando estávamos realmente juntos, sendo felizes. Eu já estava me sentindo mal por omitir a verdade. Mentir seria ainda pior, por mais que eu temesse as consequências.

–Amália... Há algo que você precisa saber sobre Shay Cormac.

–Shay Cormac? Não é este o mesmo Templário que atacou Jamie Colley?

Assenti. – Sim, e estávamos diante dele não faz muito tempo.

Amália riu. – Então, realmente perdemos a oportunidade de matar uma clara ameaça à Irmandade.

–Esqueceu-se do nosso juramento? “Ande com discrição”. Não poderíamos mata-lo em um pub, ao redor de pessoas inocentes. Alguém poderia se ferir.

–Céus, Connor! Nós poderíamos aguentar a provocação e segui-lo! Procurar mata-lo em outro local... Ou até mesmo descobrir seu esconderijo.

–Ele já sabia de nossa presença, Amália. Dificilmente seríamos bem-sucedidos. No entanto, não é este o ponto em que quero chegar. O fato é que eu quero você longe daquele homem.

Amália pareceu espantada.

–Ciúmes jamais foi de seu feitio, Connor. Muito menos por um Templário. Aliás... Nós não estávamos vestindo o Manto. Como ele sabia que éramos Assassinos? Se eu realmente não o conheço, então... Vocês dois se conhecem.

Ela já reuniu os pontos, pensei. O que fazer agora, senão contar a verdade? Eu balancei a cabeça, ainda procurando dizer as palavras corretas.

–Ele é um velho amigo de meu pai.

–Não duvido. Mas como vocês dois se conhecem, afinal, se seu pai não é mais um Templário?

Respirei fundo. – Ele esteve em minha casa recentemente.

–Oh, Deus! Entendi! Ele é o Templário que matou Minowhaa! Agora eu entendo porquê fiquei tão ocupada naquela época com Contratos...Você não queria que eu o encontrasse na Herdade de sua família!

Beco sem saída, Connor.

–Eu omiti algo muito sério de você, Amália. Espero que me perdoe.

–O quê? – ela arregalou os olhos. – Do que você está falando? E o que isso tem haver com esse Shay Cormac? Eu não estou entendendo mais nada...

–A carta de sua mãe... – comecei, deixando-a surpresa. – Benjamin Franklin conseguiu traduzi-la naquele dia. E eu... Eu sempre soube de seu conteúdo.

–O quê?! – ela exclamou, claramente irritada. Se rosto estava se tornando vermelho de raiva.

–Eu estava tentando te proteger, entenda!

–Me proteger, Connor? Poupe-me desse discurso desprezível! Eu sou uma mulher experiente, já passei por muita coisa! Não preciso que alguém tente me resguardar! — ela se levantou. – O que estava escrito naquela carta?

–A verdadeira identidade de seu pai.

–De-De meu pai?

–Sim. Sua mãe veio para cá atrás de seu pai. Sua mãe era uma portuguesa e foi embora para a América atrás de seu pai verdadeiro. Um ex-marinheiro que ela conheceu em Lisboa chamado... Chamado Shay Cormac.

–Não... – ela disse, decepcionada. – Meu pai, um... Um Templário?!

–Eu sinto muito, Amália.

–Você é um mentiroso, eu não posso ser filha de um... De um Templário! Você está mentindo, Connor... Você quer que eu abandone os Assassinos assim como você, quer que eu me compadeça dos Templários porque um deles é o meu pai.

Com eu entendia sua dor! Entendia perfeitamente. Por mais que fosse apenas uma Noviça, Amália já estava com a vida comprometida com a Irmandade, quase da mesma forma que eu. E saber que estava ligada pelo sangue a um homem que age completamente ao contrário de tudo que ela acreditava era, realmente, penoso. Quão cruel tinha sido o destino, por colocar em meu caminho e fazer-me apaixonar por uma mulher belíssima, e ao mesmo tempo, com um dilema de vida tão parecido com o meu. Queria poder dizer a ela que eu não era insensível, que eu sabia perfeitamente o que ela estava passando, contar a ela sobre minha história de vida, minha verdadeira história de vida. Porém, eu tinha medo. Medo de sua reação, quando ela descobrisse ouvindo minha experiência com a Maçã que eu não confiara nela o bastante para também contar a respeito do porquê de minha repentina saída da Ordem – que até então, aos seus olhos, tinha sido uma insubordinação ao Mentor, e só. Fora que ela teria pena de mim, e provavelmente jamais me olharia da mesma forma. Não queria ver o mesmo olhar pesaroso de Achilles e Eseosa em seu semblante. Isso me desmoronaria.

–Amália...

–Afaste-se de mim, Connor! E não ouse me seguir, ou eu vou te matar!

–Amália! – gritei, em vão. Seu vulto já tinha desaparecido na esquina. Nem quis tentar alcança-la, pois sabia que ela precisava absorver esta revelação.

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Já era noite alta no White Falcon. Shay sabia que tinha passado o dia todo, bebendo cerveja enquanto jogava damas ou ouvia ao grupo de música irlandesa, que lhe dava boa sensação de nostalgia. Embora não fosse irlandês, seus pais eram, e boa parte daquelas canções era cantada em sua casa, na época de sua infância, ou mesmo quando em alto-mar, ao lado de seu pai. Sentindo-se à beira de alcançar a façanha de ficar embriagado – ele era bastante tolerante à bebida – Shay lançou algumas moedas sobre o balcão do pub. Certamente, era hora de ir embora.

Observar aquele casal de Assassinos, dançando alegremente ao som da música irlandesa do pub mais cedo, lhe deixou incomodado. Ele não se lembrava de tal ar descontraído na Ordem. Tudo bem, havia seu amigo O’Neill e suas conversas sobre mulheres de três continentes, mas nada chegava perto daquilo. O que tinham se tornado os Assassinos de Achilles, agora? Um bando alegre e sem maiores preocupações? Onde estava a rispidez de Chevalier? Ou o humor sarcástico de Hope? Ou a seriedade de Kenosagawa? O que havia de diferente ali?

E havia a moça, também. Ela lhe parecia estranhamente familiar. Uma Assassina. Diferente de Hope e seus vestidos elegantes, ela usava as vestes, inclusive calças e espadas. Deveria lutar igual a um homem, e para estranheza dele, se vestia bem, ou melhor, se sentia bem daquela forma. Mas havia algo nela bastante familiar. Perturbadoramente familiar.

Afastando os pensamentos estranhos, Shay decidiu que era hora de voltar ao Forte Arsenal, sua morada em Nova York quando não estava em alto-mar.

Ao se aproximar, enquanto contemplava o cais próximo do forte, Shay acabou avistando um navio diferente atracado. Era um Man O’War poderoso, mas bastante danificado. Sua bandeira era inglesa, mas havia uma pequenina bandeira com uma Cruz Templária, um pouco abaixo dela, deixando bem claro que bandeiras aquele navio defendia: o Rei Jorge e os Templários.

–Desculpe-me perguntar, mas acaso sabe de quem é aquele navio? – perguntou Shay a um grupo de marinheiros sentados em barris.

–Do Mestre Davidson, sir. – respondeu um deles.

Howard Davidson... Então, ele estava na América!

Notas finais
AGORA FEDEU DE VEZ!!!! Com certeza a Maçã está com ele, pessoal. Vamos ver o que vai acontecer. Para não mencionar o Haytham abobado, dizendo "divirtam-se" em francês. Rsrs Pobre Connor. Aliás, irei postar um cap na terça e depois voltarei com as postagens nos fins de semana. Obrigada pelos reviews e pelo constante carinho! Espero que estejam gostando dos rumos da fanfic. Ainda há mais água turbulenta para rolar debaixo dessa ponte! Até mais!