Notas iniciais
Olá! Gostaram da tensão do último cap?? Acalmem-se, porque... Tem mais ainda por vir!!! Boa leitura!

Davenport Homestead. 09 de Janeiro de 1779.

O dia mal havia raiado, mas Achilles Davenport já estava em sua mesa, no seu escritório. O idoso Mentor dos Assassinos estava abarrotado de documentos e relatórios de seus Assassinos, bem como cartas que traziam notícias de outras Irmandades ao redor do mundo. Desde que a Irmandade das Colônias Britânicas revivera, as demais Irmandades pareciam ter se “lembrado repentinamente” da América do Norte, Achilles percebia com certa decepção. Afinal, desde o último Purgo, ele tinha se reduzido a um velho cansado, esquecido pela Ordem dos Assassinos e condenado a viver em reclusão, até um nativo Mohawk guiado por um amor não-correspondido viver a bater em sua porta em busca de treinamento e redenção. Desde então, sua vida fracassada de Mentor parecia ter sido deixada para trás.

Para não dizer dos inúmeros relatórios que chegavam dos pombos-correios. Nem nos tempos de Liam, Chevalier, Hope e dos demais Assassinos do passado Achilles recebia tal volume de correspondência. O velho sabia o porquê disso: Connor os treinou para serem obedientes, relatarem tudo ao seu Mentor.

Como sinto falta daquele menino, queixou-se o Mentor, amargurado.

Antes de voltar sua mão à pena, Achilles foi surpreendido pelo abrir repentino da porta de sua casa. Sacando sua espada – e também sua bengala – o idoso se levantou, para investigar o que estava acontecendo, afinal ele não estava esperando por visitas. Não precisou andar muito, pois logo descobriu que sua casa estava repleta de pessoas– algumas delas nem um pouco bem-vindas ali.

-Kenway. – ele disse, referindo-se a pai e filho. – E vejo que estão acompanhados. De fato, não esperava vê-los juntos por aqui, ao mesmo tempo.

Ao lado de Connor e Haytham, estavam Dobby, Duncan e Clipper, que traziam um olhar tenso e preocupado.

-Amália foi capturada pelos Templários. – contou Connor, que usava o Manto de Minowhaa. Seu manto, na verdade.

Achilles parecia pesaroso, sacudindo a cabeça.

-Uma pena.

Connor estranhou o tom de seu Mentor, mas continuou.

-Já sabemos que ela está no Forte Arsenal. Os demais Assassinos estão dispersos pelas Colônias, cumprindo contratos, mas ao menos eu consegui reunir Dobby, Duncan e Clipper, para juntos invadirmos o forte e...

-Como ousa?! – interrompeu Achilles. – Você aparece em minha casa, sem ser convidado, usando um Manto que não mais é digno de estar em sua possessão, e ainda convoca meus Assassinos para provavelmente enfiá-los em um resgate inútil?

As palavras proferidas por Achilles provocaram desgosto em todos os presentes – inclusive os Assassinos.

-Amália faz parte da Irmandade. – disse Dobby, revoltada. – Qualquer um de nós poderia estar nessa situação. – disse a Assassina, recebendo assentimentos de Duncan e Clipper.

-Não mesmo. E sabem por que eu digo isto? Porque ela não é como nenhum de vocês.

Ao perceber olhar de confusão nos presentes, Achilles deu mais um passo para frente, usando sua bengala como apoio.

-Acaso contou a eles, Connor? Contou a eles a respeito das verdadeiras origens de Amália Lawler? Vejo que não. Pois bem. Amália Lawler é filha de um Templário. Não um Templário qualquer, mas o principal responsável pela destruição da Irmandade há anos atrás. Por sinal, o braço direito de seu pai, naquela época. Ela provavelmente foi atrás do “pai dela”, e como resultado, foi aprisionada por eles.

Connor estava indignado.

-Não tem o direito de descartar Amália apenas com suposições! – esbravejou Connor, quase em vias de atacar seu Mentor se não fosse detido por seu pai, Haytham. Os Assassinos assistiam a tudo perplexos.

-Eu não vou arriscar a Irmandade em prol de uma Noviça! – esbravejou Achilles, deixando escapar uma tosse leve após gritar. – Não vou arriscar a vida de três Assassinos por uma jovem que a esta altura provavelmente já está morta!

Connor parecia tomado de ódio. Duncan o observava com preocupação. Ele sabia que o jovem estava em ponto de ruptura, tentando se manter forte. Mas havia nada mais que desespero e ira em seus olhos. E estes eram sentimentos imprevisíveis. Talvez, tenha sido por isso que Achilles o expulsou da Irmandade. Nunca ficou claro o motivo, mas sabia que tinha sido algo grave entre os dois. Algo que foi privado da Irmandade.

Após dar alguns suspiros, tentando se recompor, Connor voltou a falar.

-Profere tais palavras como se fosse o grande responsável pela construção da Ordem. Como se tivesse partido de você a iniciativa de reconstruí-la.

Achilles parecia ofendido.

-Está querendo reduzir o meu papel agora, Connor? Querendo minimizar o homem que te treinou, que te educou nos moldes Assassinos, que abriu seus olhos e sua mente à Ameaça Templária? Sem dúvida expulsá-lo foi a melhor coisa que fiz como Mentor. Agora, sumam daqui, vocês dois! – gritou Achilles, para Haytham e Connor. – E vocês, estão dispensados de suas obrigações. E se eu souber que se uniram aos Kenway em algum plano insensato, vocês serão expulsos por insubordinação. Entenderam?

Na saída da casa de Achilles, Connor e Haytham estavam quase embarcando em sua carruagem, quando foram interceptados por Dobby, que os procurou correndo.

-Connor! Não vá, por favor! – disse a Assassina, sendo seguida por Duncan e Clipper. Connor decidiu esperar, para ouvi-la.

-Iremos ajudar. Com a permissão de Achilles, ou não. – disse Dobby, com determinação, fazendo Connor esboçar um leve sorriso com a lealdade de seus recrutados.

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Kenway Homestead. 09 de Janeiro de 1779.

(Duas horas depois...)

—E aqui... – disse o ex-Templário Haytham Kenway, apontando para um desenho improvisado que fizera do Forte, formado por suas lembranças de Grão-Mestre. — ... Fica a quinta guarita do forte. Como podem ver, eu a coloquei exatamente aqui, perto da terceira saída de esgoto, para evitar invasões.

Duncan, Clipper e Dobby suspiraram.

—O senhor fez um belo trabalho em tornar esse forte uma fortaleza impenetrável, Mestre Kenway. Não vejo qualquer forma de invadirmos, sem estarmos respaldados por um exército de milhares.

-Connor, alguma sugestão? – perguntou Dobby.

Connor parecia preocupado, durante a explicação de seu pai. Olhou mais uma vez para o mapa.

—Se ela está no Forte Arsenal, teremos grandes problemas. Há uma boa quantidade de soldados por ali. Mesmo a furtividade não será eficaz. Duncan está certo. Só mesmo um combate frontal, com o Exército, nos daria força o bastante para entrar, mas infelizmente, a morte de Minowhaa retirou nosso único contato com George Washington. Fora uma batalha, não vejo alternativa.

—Pois eu vejo. – disse o próprio Haytham. – Uma distração, boa o bastante para deslocar os soldados da saída de esgoto, faze-los se dispersar, ou quem sabe, leva-los até este local. – disse o ex-Templário, levando seu dedo em direção ao cais.

—Podemos atacar por mar, então. Pega-los desprevenidos.

—Boa idéia. Podemos arranjar alguém para navegar o Áquila. — sugeriu Clipper, que em seguida suspirou desanimado. – O Mentor jamais aprovaria isso.

—É verdade. A não ser que... A não ser que enganemos o Mr. Falkner. – sugeriu Duncan, fazendo Dobby mais esperançosa.

—Mas quem irá comanda-lo? Minowhaa está morto e precisaremos de gente para invadir. E infelizmente, já somos poucos.

—Eu posso navegar o Áquila. – sugeriu Connor.

Um silêncio mortal caiu sobre a sala.

—Você? – retrucou Duncan. – Sei de sua boa vontade, Connor, mas você não tem experiência para isso. A batalha será difícil e precisaremos de alguém experiente para comandar aquele navio. Pediremos ao Mr. Falkner para comandá-lo.

—Duncan está certo. – disse Dobby. – Mas creio que Connor serve como um quartel-mestre, pelo menos, se deseja se fazer útil.

—Mas se ele está querendo navegar, então...

Connor interferiu na conversa entre os Assassinos. Sem dúvida, arquitetar uma ação com tantas cabeças pensantes era algo complicado.

—Acho que estamos perdendo tempo com essa discussão de como eu devo ou não participar, quando a cada minuto que se passa diminuem nossas chances, quando eu poderia muito bem tomar o leme.

—Impulsividade ainda irá te matar, Connor. – retrucou Haytham, após escutar a discussão entre os Assassinos. – Mas então, me parece que este é o plano que nos resta, visto a total falta de opções. Connor seguirá com Mr. Falkner até Nova York, por mar. O Áquila tem potência o bastante para atacar o forte e criar uma distração, mas temo que... Temo que o navio acabe por sofrer graves danos no processo. Por isso, vocês terão de ser rápidos. – disse, em direção aos demais Assassinos. – Após a primeira salva de tiros do Áquila, comecem a entrar. Há duas galerias de esgoto que levam ao Forte Arsenal. Podem fazer sua passagem por elas. Aproveitem a distração, e resgatem Amália.

—Pelos meus cálculos, o Áquila só terá uma hora para atacar. Se passar disso, o navio será atacado pela frota britânica e desencadearíamos um conflito que envolveria a Guerra. Temos de transformar o ataque em um caso isolado, não uma batalha naval não programada. Não é este o objetivo de nossa missão. Concordam?

Todos assentiram, à exceção de Haytham, que parecia desgostoso com o último comentário de Connor.

—Oque foi, pai? Algum problema? – perguntou Connor, incomodado com o questionador olhar que recebia de seu pai.

—Francamente, meu filho, atacar o Forte Arsenal apenas com o Áquila...

Connor rolou os olhos, ao perceber que seu navio estava sendo menosprezado.

-O Áquila é mais forte do que pensa. – retrucou Connor. Não foi o bastante.

-Contra alguns brigues britânicos, sim. Contra as resistências de um forte, talvez. E contra tudo isso, e também o George Lendário? Duvido muito.

Connor hesitou, ainda que contrariado. Seu pai estava certo. Ele tinha esquecido por completo do temido George Lendário, que estava ancorado nas proximidades do Forte Arsenal. Sem dúvida, aquele Man O’War de Howard Davidson daria trabalho, ou mesmo colocaria seu plano em xeque. Sobreviver a uma batalha contra ele tendo um Forte por cobertura seria quase impossível.

-Tem um plano melhor? – deu de ombros Connor, teimosamente.

-Sim. Vamos contar com apoio dos Patriotas. É de meu conhecimento que Minowhaa comandou o Áquila algumas vezes, ajudando a frota dos Patriotas. Tenho certeza de que invadir o Forte Arsenal faz parte dos objetivos deles também. Só o que faremos é antecipá-los. Portanto, basta chama-los para participarem desta batalha.

-Mas precisamos ser discretos e...

-“Mas precisamos ser discretos e”... – resmungou Haytham. – Outra vez vocês, Assassinos, e estas suas doutrinas de não causar muito barulho. Não vê que se não tornarmos a nossa batalha como algo público nós jamais teremos condições de vencer?

Após ponderar, Connor pensou, por fim.

-Está bem. Vamos chamar os Patriotas. Procuraremos Marquis de Lafayette para intermediar com o responsável pela frota do Exército Intercontinental. Partiremos agora para a baía de Davenport Homestead. Precisaremos nos aproximar do cais com cautela, senão iremos denunciar nossa presença a Achilles. Teremos de ser rápidos, e torcer para que Mr. Falkner não tenha recebido novas ordens dele.

Já na saída de casa, Connor procurou dar uma última palavra a seu pai.

—Pai, seria bom que você permanecesse em casa. Iremos atacar os Templários, e temo que minha mãe e mina Ista sofram represálias.

—Ficar em casa? Não mesmo! – resmungou Haytham, inconformado.

-Você deveria ficar em casa, pai. Cuidar de sua esposa e filha.

-Enquanto meu outro filho se lança à morte? Acha que é justo?

Connor suspirou forte. Não queria envolver mais pessoas nisto. Mas, por fim, o Assassino acabou por aceitar.

-Está bem. Você tem cinco minutos. – disse o Assassino, se retirando para se reunir com os demais Assassinos.

-Mas que petulante... – resmungou Haytham, quando seu filho já estava longe.

Enquanto seu filho estava em companhia de outros Assassinos, conversando e repassando o plano, Haytham subiu as escadas de sua casa com velocidade. O templário começou a reunir toda a munição que tinha. A julgar pela quantidade que colocara na bolsa, mais parecia que ele estava prestes a ir para uma guerra. Havia munição, bombas de fumaça, explosivos, granadas e facas, além de sua inseparável espada e lâminas ocultas.

—O que está fazendo?

Haytham virou-se, sobressaltado. Era Ziio, sua esposa, a observá-lo com curiosidade que não dava margens para ausência de respostas.

—Estou indo para Nova York.

Ziio parecia refletir.

—Eu ouvi a conversa dos Assassinos.

Haytham suspirou pesadamente. Estava esperando ouvir impedimentos de sua esposa, mas não foi tal comentário que ele escutou de seus lábios.

—Você não consegue se manter fora de qualquer batalha, não é?

Haytham deixou um breve sorriso escapar de seus lábios. Ziio sempre parecia lhe compreender neste ponto. Uma esposa qualquer teria ficado preocupada por vê-lo partir para mais uma guerra, ou mesmo teria desaconselhado a prosseguir, mas Ziio era diferente. Ela sempre o apoiaria neste quesito.

—Eu quero garantir que Connor volte inteiro. Jamais me perdoaria se algo acontecesse ao nosso filho. Não quando eu posso ajuda-lo.

—Os Assassinos sabem disso?

—Tenho certeza de que estão perdidos o bastante para contar com qualquer ajuda.

Haytham se levantou, colocando sua bolsa em suas costas, e caminhando levemente, andou até Ziio, dando-lhe um forte abraço. A nativa prontamente correspondeu, deixando seu rosto recostar sobre seu peito.

—Eu vou voltar, com o nosso filho. Você tem a minha palavra.

O casal trocou um beijo apaixonado, tornando o abraço mais forte. Com os lábios próximos ao pescoço dela, sentindo seu aroma, Haytham tornou-se hesitante. Ele a amava tanto, e muitas vezes, ele não se sentia merecedor de tamanho amor. E ainda assim, ele tinha Ziio, e seus filhos. Não preenchia o amor de sua mãe, que ele perdera em sua infância, nem o amor de sua irmã, de quem só recebera desprezo, mas era o bastante.

—Eu te amo. – ele disse, por fim, as palavras que jamais dissera imediatamente. Ziio sempre tomava as iniciativas para tal gesto, dizendo estas mesmas palavras em seu dialeto, e Haytham sempre se limitava a dizer “eu também”. Mas uma sensação estranha acossava Haytham, suplicava para que ele dissesse as palavras, as “tais” palavras que uma mulher tão extraordinária como ela merecia ouvir.

—Eu também te amo. – disse Ziio, seguindo seu gesto. – E pare com isto, esta não é uma maldita despedida. Você irá voltar, e trará nosso filho de volta.

Haytham riu, sentindo seu peito estremecer.

—Eu nunca faltei com minha palavra, Ziio. E eu vou cumpri-la.

Ziio acompanhou Haytham até o lado de fora, ambos de mãos dadas. Antes de prosseguir, Haytham deu-lhe mais um beijo, desta vez mais breve.

—Daqui a algumas horas, reúna suas coisas e vá para a Aldeia com nossa filha. Estaremos mexendo em um vespeiro e não quero que nada atinja vocês. Fiquem por lá e aguarde nossa chegada. Eu não me perdoaria se...

—Está bem. – interrompeu Ziio, assentindo.

Quando Haytham se preparava para montar em seu cavalo, ele percebeu que Tessa estava no limiar da porta principal da casa, a lhe observar, atemorizada.

—Raké:ni? O que está acontecendo? Para onde você está indo?

—Tessa... Venha cá.

A menina deu ligeiros passos em sua direção. Ao ver seu pai de braços estendidos, a moça não hesitou em abraça-lo firmemente.

Haytham deu um afago no cabelo liso e negro de Tessa, e após acarinhar seu rosto, ele levou sua mão ao seu delicado queixo, erguendo-o e fazendo seus olhos azuis se direcionarem aos seus. Ela era tão parecida consigo, ele notou com orgulho e tristeza. Só esperava que ela fosse mais sábia e bem-sucedida em suas escolhas que ele e Connor.

—Você vai viajar, é isto?

—Vou. Mas prometo que vou voltar.

Após dar um beijo em sua testa, Haytham montou em seu cavalo, dando um último aceno para sua esposa e filha, antes de cavalgar para longe de sua casa sem dar qualquer olhar para trás.

Algo lhe dizia que ele não voltaria.

Notas finais
Gostaram da tensão?? Tem mais semana que vem!!!! Um abraço e até o próximo!!!