Assassin's Creed: Aftermath

44 Cobiça Templária II


Notas iniciais
Olá, Os tempos de calmaria da vida de Connor estão se dissipando. Inesperadamente, sua irmãzinha foi sequestrada por seu maior inimigo, em mais uma "surpresinha" da Maçã. Vejamos agora o desenrolar do sequestro de Tessa, Será que a menina escapará deste encontro com Charles Lee ilesa? Boa leitura!

Forte Duquesne, Fronteira.

Uma hora depois...

Charles Lee não se lembrava de ter tido um dia tão afortunado quanto este.

Apesar de aquele dia não ter começado muito promissor. Primeiro, porque ele fora encarregado de cuidar de uma tropa na região da Fronteira – nada mais que um bando de soldados medíocres, por sinal, ele lamentava pois os melhores sempre ficavam com George Washington. Ele aproveitou-se de seu “dever” para supervisionar de perto a busca pelo Local Precursor. Tinha, afinal, esperanças de que, ao localiza-lo, Howard Davidson pudesse enxerga-lo como algo melhor do que um capacho. Mas apesar de ter contratado um grupo de escavadores, seus esforços tinham sido em vão.

Para completar seu insucesso, o acampamento Templário que ele mantinha secretamente fora atacado por um grupo considerável de nativos naquela manhã. Charles já esperava hostilidade dos nativos, mas não contava que a batalha fosse tão sangrenta, a ponto de matar metade de seus homens. Havia um deles que se destacava por sua bravura e ira perante os brancos. Um nativo forte, de cabelos longos, usando uma Tomahawk. Havia ódio em seus olhos, sentiu Charles Lee. Percebendo que muitos homens estavam perecendo em suas mãos, Charles tentou ataca-lo por trás – afinal, seria o meio mais fácil de mata-lo. No entanto, o nativo percebeu sua aproximação e aparou de imediato seu golpe. Havia ódio em seus olhos, sentiu Charles Lee, especialmente ao notar que quase recebera um golpe desleal. O Templário engoliu em seco, temendo por sua vida. Não desejava embarcar neste combate, mas sabia que não havia escapatória. Apenas um deles sobreviveria.

Como uma puma, diante de sua presa, o nativo começou a se movimentar. Sacando sua espada, Charles partiu para o ataque, esquecendo de todos os ensinamentos de seu antigo Grão-Mestre, Haytham Kenway. “Espere seu adversário fazer seu primeiro movimento...” Aos diabos com isso, pensou o Templário.

A resposta foi imediata. Uma esquiva ágil do nativo, acompanhada de um golpe. E o que Charles Lee sentiu foi uma leve dor em seu braço. Uma ferida superficial, mas ainda assim, suficiente para fazer o Templário se enfurecer. Dando dois passos para trás, Lee se lembrou de sua pistola. Percebendo o que o Templário estava prestes a fazer, o misterioso nativo tentou intervir, tolamente. Charles Lee o venceu com um tiro em seu coração, dado por sua pistola. O nativo cambaleou de dor, sucumbindo ao chão. Sentindo-se vitorioso, o Templário guardou sua pistola, caminhando para longe dele.

–Canalha...

De costas para o nativo, Charles Lee se surpreendeu.

–Então, realmente sabe falar a minha língua... Estou surpreso. Mas afinal, por que está rindo, selvagem? Acha que há algum Deus capaz de salvar essa sua alma imunda e pagã? – questionou Lee, ao ver o nativo com um sorriso nos lábios, enquanto agonizava.

–Meus amigos... Irão te matar... Você vai ver...

Amigos. Charles Lee sempre soube dos laços entre nativos Mohawk e Assassinos. Decerto ele quis dizer os Assassinos. Afinal, quem mais iria interceder por estes selvagens?

–Diga a eles que ninguém menos que Charles Lee estará esperando, então.

Dando meia volta, para longe do nativo, Charles Lee acabou avistando dois soldados, que pareciam carregar alguém.

–Veja o que encontramos, senhor. Carne fresca.

Charles Lee se surpreendeu. Aquela não era outra, senão a filha de Haytham Kenway, cujo nome ele não se lembrava.

–Ora, ora... Mas veja o que acaba de cair em meus braços...

A jovem parecia claramente desesperada, se debatendo e esperneando, sendo necessários dois homens para contê-la – e ainda com dificuldade.

–Me soltem! – ela pedia, em vão. – Vocês estão me machucando!

–Ninguém aqui machucará você, se cooperar. – disse Lee, com clara malícia, enquanto acariciava a bochecha de Tessa.

Em resposta, ele recebeu uma mordida em sua mão.

–Pelo visto, é mesmo a filha do Mestre Kenway com aquela selvagem! – disse Lee, massageando a mão ferida pela mordida.

–Mas que cadela! – exclamou um dos soldados. – Como ousa atacar o comandante? Quer perder os seus dentes, vadia?

–Não toquem nela. – pediu Lee, contendo seus homens. – Vamos leva-la ao Forte Duquesne. Lá eu decidirei o que fazer.

–Está bem, senhor. – disse um dos soldados, dando uma coroada na cabeça de Tessa, fazendo-a desmaiar instantaneamente.

Tenho muitos planos pra você, menina... Mas precisamos chegar ao Forte Duquesne primeiro.

E foi com alívio que ele viu, após uma longa cavalgada pela mata, a fortificação dos britânicos, embrenhada no meio da selva. Alívio não só pelos mosquitos, que pareciam devorá-lo, mas também pela menina, que poderia acordar a qualquer momento e já tinha se mostrado arisca.

Já dentro do forte, Lee acabou se surpreendo com a presença ali de alguém bastante inusitado por aquela área.

–Shay Cormac? – perguntou, ao notar o Caçador de Assassinos, conversando com alguns oficiais.

–Charles Lee. Soube que você estava por este região.

–De fato, estou. Por que pergunta?

–Os Templários precisam de você em Boston, o mais rápido possível. Um de nossos informantes foi capturado e está em poder do Exército Continental...

–Como isso pôde acontecer?! – questionou Lee. – Se ele abrir a boca, minha posição no Exército Continental estará comprometida. Perderemos nossa única chance de infiltração relevante nestes rebelados e tudo os nossos esforços em enfraquece-los terá sido em vão.

–De fato, Mr. Lee. Eles querem que você se aproveite de sua posição no Exército Continental e... Intervenha no caso, libertando esse informante e...

–Se depender de mim, esse descuidado acabará morto. Só o que farei é garantir que ele não me denuncie.

–Mas senhor, este homem é um de nossos melhores informantes e...

–Está decidido, Shay. Não quero fracos ao meu lado. Ele morre.

–Er, General... – pediu um soldado, com cuidado, interrompendo a conversa entre Shay e Charles Lee.

–Ora, mas o que é agora?

–A menina, senhor. O que fazemos com ela?

–Menina? – questionou Shay, sendo ignorado pelos dois.

–Levem-na para meus aposentos. – pediu Lee, a um dos soldados. – Alimentem-na e a mantenham devidamente amarrada, enquanto eu estiver fora. Precisarei ir à Boston agora, mas creio que em dois dias estarei de volta. E se eu souber que alguém encostou um só dedo nela, eu matarei por desobediência. Entendido?

–Entendido. – disse o soldado, enquanto Charles Lee voltava a montar ao cavalo.

Quando Charles Lee já tinha galopado para longe dali, Shay procurou o outro soldado, discretamente.

–Poderia me informar que menina é esta?

O soldado parecia temeroso em dizer qualquer coisa, mas por fim cedeu.

–Nosso acampamento foi atacado por índios Mohawk. Conseguimos retaliar, mas tivemos baixas. Essa menina acabou aparecendo por lá, armada com esta pistola.

O soldado mostrou a pistola a Shay.

–Uma arma incomum. – disse Shay, notando de imediato algo que decerto passou despercebido pelo soldado: o símbolo dos Assassinos, talhado em sua coronha.

–Chama essa coisa ordinária de incomum? Já vi pistolas melhores.

–Então acho que não irá se importar se eu compra-la de você.

Após receber algumas moedas, o soldado assentiu, satisfeito, se afastando de Shay. Quando prestes a guardar sua pistola na bolsa, Shay foi alertado pela presença de um Templário, esbaforido.

–Mestre Lee! Onde está Mestre Lee!

Shay estranhou o tom desesperado do sujeito, que ele percebeu ser um templário, a julgar por uma pequena cruz de malta marcada na alça de sua bolsa. Por sua vestimenta, ele era, sem dúvida, um dos exploradores contratados para vasculhar a área da floresta em busca de Locais Precursores para a Chave Templária. Apesar de Shay ter sido inicialmente contrário a idéia quando soube, ele acabou por se oferecer para acompanhar a busca de perto, como forma de garantir que problemas do passado não mais se repetissem, e que os Locais Precursores estivessem à salvo dos Assassinos e suas cobiças.

–Mestre Lee não está, senhor. Em que posso ajuda-lo?

O homem pareceu desconfiado, mas Shay sabia como tranquiliza-lo.

–O Pai da Compreensão me Guia. Pode falar comigo livremente.

–Ótimo. Agora há pouco, durante o ataque dos nativos, um de meus exploradores correu até uma caverna para fugir do combate e acabou encontrando um local misterioso. Creio ter as características do Templo que procuramos. Ele não ficava muito distante de uma Aldeia, por isso, ele apenas anotou o local no mapa, porque temia se aproximar ainda mais dos Mohawk. Os nativos dizem que esta é a Morada de Iottisitíson.

À medida que contava de sua descoberta, o sujeito estendeu diante de Shay um mapa. Em um local montanhoso, e realmente próximo demais da Aldeia. Uma comitiva de Templários ou soldados chamaria muito a atenção e certamente desencadearia em combate. Shay já estivera naquela Aldeia algumas vezes, em seu tempo de Assassino, mas não sabia se os nativos já sabiam de sua “traição” aos aliados Assassinos.

Se ele tivesse de se aproximar da Morada de Iottisitíson, teria de fazê-lo sozinho. E discretamente.

–Está bem. Darei uma olhada por lá, ao amanhecer. E por favor, não tentem se aproximar. Aquele é um território hostil.

–Está bem, senhor.

Notas finais
E parece que os Templários localizaram justamente a porta do Templo. Para que não sabe, Morada de Iottisitíson é a mesma caverna em que fica a porta do Templo, onde Ziio levou Haytham. Sabemos que o Desmond abriria séculos depois aquela porta com uma Maçã, mas não com a chave. Ou seja... Adivinhem só o que está faltando?? Obs.: Iottisitíson é a deusa Mohwak de quem Ziio conta a história para Haytham. Chamei de Morada de Iottisitíson porque não há um nome exato para aquela caverna, se alguém souber me dizer é só me avisar. No próximo cap: Connor tomando decisões difíceis. Difíceis MESMO!!! Até lá, e obrigada por acompanharem!