Assassin's Creed: Aftermath

55 A Provação do Grão-Mestre


Notas iniciais
Olá! Em comemoração ao aniversário dessa fanfic (1 ano de existência!!!), estarei postando um cap excepcionalmente hoje. Não devo ter comentado isso por aqui, mas postar em dia de semana é extremamente complicado para mim, mas acho que vale a pena o esforço. E, é claro, gostaria de agradecer a todos que acompanharam essa fanfic, desde o dia 5 de Janeiro de 2015 até os que começaram agora. Espero que gostem do cap!! Boa leitura!

Charles Lee jamais estivera tão ansioso por uma reunião com Davidson.

Afinal, ele tinha se mostrado um Templário prestativo e leal, no fim das contas. Fora sua expedição que encontrara um aparente sítio Daqueles Que Vieram Antes no meio da floresta, e também foram seus homens que encontraram o Diário do infame filho de Haytham Kenway, seu ex-Grão Mestre. Por sorte, trapos de um Manto Assassino preso à fresta de um muro chamaram a atenção de um guarda, após o resgate da menina mais jovem dos Kenway. Quando soube da notícia de que a menina havia sido libertada por Assassinos, Charles Lee ficou enfurecido. Tinha planos para a menina, mas ao menos o Diário rústico com o Símbolo dos Assassinos gravado em sua capa atenuou a derrota daquele dia.

A princípio, Charles Lee tomou tudo aquilo como delírio de um lunático, mas quando a palavra “Maçã” apareceu logo nas primeiras páginas... Talvez fosse interessante tomar aquele “delírio” com alguma seriedade.

Há quatro meses atrás, Lee reuniu sua melhor esquadra de navios e os mandou para Kingston. Ele tinha avisado o Grão-Mestre Davidson, mas duvidava que o Templário fosse chegar a tempo para ajudar. Apenas deu-se ao trabalho de mandar notícias sobre sua descoberta, e comunicar quanto à sua decisão de mandar uma forte expedição para capturar o Artefato das mãos dos Assassinos Caribenhos.

Há dois meses atrás, sua expedição mandou notícias. Disse que a busca foi bem sucedida, graças a “apoio adicional”. Charles ficou desconfiado do que seria este tal “apoio”, mas limitou-se a esperar por seus subalternos.

E há exatos dois dias, seus homens atracaram na baía.

Junto a ninguém menos que o próprio Grão-Mestre Templário Howard Davidson.

–Grão-Mestre? – questionou Charles, ao vê-lo desembarcar do famoso George Lendário, um dos navios mais poderosos da Europa.

–Surpreso em me ver, Mestre Lee? Pois creio que tal sentimento é mútuo, quando estava velejando pelo Caribe e avistei sua “turma” com a minha luneta.

Charles Lee tomou-se de pânico, como um menino sendo pego pelo pai a aprontar.

–E-E-Eu mandei notícias para avisá-lo de minha expedição. Pensei que estivesse na Inglaterra.

–Tive negócios pessoais para tratar em Havana. Estava à caminho de lá quando avistei sua esquadra. Provavelmente, reuniu seus melhores navios, não?

Os olhos de Charles Lee brilharam, diante de uma súbita demonstração de admiração, rara de se ver daquele Grão-Mestre tão arrogante que o fazia ter saudades de Haytham.

–Sim, foi o que fiz.

O brilho nos olhos de Charles Lee se dissipou, no estalar de um tapa, que fez o Templário se desiquilibrar, tanto pela força inesperada do Grão-Mestre, quanto pela abismação com o gesto, dado na frente de todos os demais Templários – especialmente seus subordinados.

–És um tolo, por arriscar perder toda a nossa tropa de navios Templários naquelas águas turbulentas e repletas de piratas e brigues Assassinos, sem pedir por meu apoio! Sabe como encontrei seus homens, Mestre Lee? Lutando por suas vidas, enquanto eram invadidos por um bando de piratas caribenhos!

Atordoado, Lee massageava seu rosto, vermelho pelo tapa e também por vergonha.

–M-Mas eu pensei que piratas não mais existissem!

–Pois pensou mui errado, Mestre Lee! Ainda há muitos deles no Caribe! Talvez não tantos como no início desse século, mas há o bastante para exterminar uma tropa de navios despreparada como a sua! É uma sorte que o George Lendário tenha aparecido a tempo. Agora, acompanha-me. Vamos continuar essa conversa em privado. E vocês, voltem aos seus malditos afazeres! – esbravejou Davidson, ao notar que se tornara atração de praticamente todo o cais.

Olhando da janela da sala privada de reuniões, Lee voltou seus olhos para a embarcação famosa de Davidson. Não era conhecedor de navios, mas sabia o mínimo para reconhecer quando um deles estava em estado crítico.

–Então... Posso julgar que seu navio enfrentou momentos difíceis com os Assassinos.

Davidson estalou os dedos, o que fez Lee se recolher de medo.

–Sua empreitada por Kingston acabou atraindo atenção indesejada. Numa só batalha, enfrentei os Assassinos de Havana, Kingston e Porto-Príncipe. Imagine a desordem, todos aqueles encapuzados fedidos me enfrentando numa noite de tempestade caribenha... Mas não se preocupe, eu mandei todos aqueles pretos e índios para o quinto dos infernos. Não sei se reparou, mas você perdeu metade de sua esquadra por causa dessa batalha. Consegui resgatar alguns Templários ainda vivos em alto-mar, se deseja saber. Só espero que os navios sejam seus.

Charles Lee engoliu em seco, quando ainda a observar pela janela, percebeu que realmente, só havia metade da esquadra. Teria muito o que explicar à Marinha Britânica, que emprestou os navios.

–O senhor deseja descansar?

Davidson deixou suas costas estalarem alto. Charles Lee ficara admirado, pois todas as articulações do homem estalavam com incrível facilidade. Isso era estranho – e para completar, ele não sabia o que pensar a respeito disso.

–Não, meu descanso pode esperar. Ainda quero entender o que fez você pensar em ir à Kingston atrás... Disso.

Retirando do largo bolso de sua casaca, Charles Lee ficou admirado ao ver o objeto esférico, de um material que ele jamais vira em vida, de uma cor dourada um tanto antiga e rodeado de desenhos e símbolos que ele jamais vira igual.

–Sabia que é grosseiro ficar boquiaberto, Mestre Lee? – reclamou Davidson, fazendo Lee se retirar de seu estado de abismação e logo fechar a boca.

–Então... Esta é a Maçã. A tão famosa Maçã! Mas que magnífico!

–Segure-a, Mestre Lee. – disse Howard, oferecendo-a.

–Mas Grão-Mestre, eu...

–Vamos, segure.

–É que...

–Será que dá para segurar logo a porra da Maçã?! – esbravejou Davidson, irritado. Ao perceber que perdera momentaneamente a classe, o Templário voltou ao seu tom educado de sempre. –Há algo que quero testar. Por favor, tire as luvas.

Lee obedeceu, retirando as luvas e colocando-as sobre a mesa. Com hesitação, ele tocou a Maçã. Nada aconteceu.

–É... Isso?

–Maldição! – reclamou Davidson, dando um soco na mesa. – Você também não é capaz de ativá-la. Nenhum templário de minha embarcação tem tal dom, também.

–Pensei que qualquer um era capaz de usar.

–Não é. Parece que só alguns poucos privilegiados têm tal dom. Mas conte-me. Como fez para descobrir a localização dessa Maçã, em um local tão distante daqui?

Lee pigarreou, orgulhoso.

–Pelo Diário interceptado de um Assassino, chamado Connor Kenway.

Davidson ficou claramente surpreso.

–Kenway? A julgar pelo sobrenome, presumo ser alguém relacionado àquele bastardo do Haytham.

–Sim. Este Assassino é filho de Mestre Ken... Digo, Haytham.

–Sangue chama sangue...

Ao perceber que Davidson tinha a expressão distante, Lee decidiu questiona-lo.

–Como, sir?

–Nada. Apenas pensando alto sobre aquele Traidor filho da mãe. De qualquer modo, o que mais sabe?

–A julgar pelo relato do rapaz, esta Maçã tem o poder de viajar ao passado, alterá-lo, e então mudar o futuro.

Para pasmo de Lee, essa menção não surtiu efeito esperado em Davidson.

–Será mesmo?

–Por que está desconfiado, sir?

Howard Davidson parecia ponderar.

–Precisamos sempre estar desconfiados com estes Assassinos, Mestre Lee. Eles são perigosos e perspicazes, mas cegos pelo seu Credo. Portanto, não. Não posso confiar plenamente no que esse Diário diz. Preciso ter certeza do que essa Maçã realmente faz, e não há melhor forma de fazê-lo senão ativar. A propósito, há mais alguma coisa a me relatar?

–Sim. É a respeito de Mestre Cormac.

–Hum... O que foi, desta vez?

–Houve um... Problema insignificante em um dos nossos fortes. Uma invasão de Assassinos, mas conseguimos controlar a situação. Entretanto, Mestre Cormac acabou sendo levado por um dos Assassinos.

–Então... Ele está morto?!

–Isto é o que me espanta, sir. Mestre Cormac está vivo. Retornou após alguns meses, aparentemente se recuperando de um ferimento à bala. Tenho forte suspeita de que ele foi cuidado pelos próprios Assassinos.

Howard fez uma careta desgostosa. A busca de Shay pela Caixa Precursora tinha causado grande repercussão na França, com a morte de um Assassino em pleno Palácio de Versalhes, feito este que deixou muitos irmãos Templários satisfeitos com a performance de Shay. Mas havia certa rebeldia, certa falta de convicção – ou diria, excesso de questionamento – em Shay Cormac que o tornava uma figura problemática. E para completar, ele foi um Assassino. Conhecia bem os dois lados da guerra. Escolhera os templários, mas por quanto tempo? Isso tornava Shay um caso delicado, que exigia maior atenção.

–Isso é preocupante. – concluiu Davidson.

–Sem dúvida, sir. Desde seu retorno, eu tenho monitorado seu comportamento. Com discrição, uma vez que sei que ele é esperto o bastante para notar quando está sendo vigiado. E esta tarde, um fato curioso aconteceu, enquanto Shay estava almoçando em uma taverna chamada The White Dragon e...

Charles foi interrompido pelo bater da porta.

–Pode entrar. – disse Davidson, sendo surpreendido pela chegada de ninguém menos que o assunto da conversa, o próprio Shay Cormac em pessoa.

–Shay! – disse Davidson, numa ensaiada simpatia, sentando-se a mesa principal. – É bom vê-lo.

–Mestre Davidson. – assentiu Shay. – Estou surpreso em vê-lo aqui, na América.

–É bom inspecionar com meus próprios olhos os meus domínios. Não é mesmo, Charles? – disse Howard, lançando um sorriso fatal a Charles Lee, que se limitou a assentir.

–Bom, percebi pelo estado de seu navio que enfrentou mau tempo em sua viagem ao Novo Mundo...

Howard assentiu, com desgosto. – De fato. Eu estive na Jamaica, para ser mais exato. Um grupo de corsários ligados aos Assassinos atacou o George Lendário, mas conseguimos escapar. No entanto, os danos foram consideráveis. Creio que meu navio precisará ficar ancorado aqui por um mês, no mínimo.

–Uma lástima, sir. Se quiser, posso providenciar o melhor conserto...

–Fico grato, Shay. Mas já deixei seu quartel-mestre Gust encarregado disto.

–Então, seu navio estará em boas mãos. – concluiu Shay, com um sorriso repleto de confiança.

–A propósito, Shay... Sua presença aqui antecipa uma reunião que pretendia fazer convosco...

Enquanto falava, Howard se levantou novamente, retirando um objeto do bolso de sua casaca. Diante dos olhos de Shay, revelou-se o que ele sabia ser uma Maçã.

–O-O-Onde conseguiu isto, sir? – perguntou Shay, surpreso.

–Na Jamaica. Por isso fui até lá. Os Assassinos guardavam este Artefato dentro de uma floresta, e por isso pensei: nada melhor do que colocar este artefato em mãos plenas e mais capazes para usá-la.

–Usá-la?! – questionou Shay. – Sir, estes artefatos são muito perigosos...

–Bobagem, Shay. – retrucou Howard. – Eles podem ser bastante eficazes, podendo ser utilizados na hora certa. E pela pessoa certa, aliás.

Um silêncio estranho ficou no ar.

–O que quer dizer, sir?

Howard sorriu.

–Não se sei sabe, Shay, mas não é qualquer pessoa capaz de ativá-la. E infelizmente eu não consigo. Eu toco nela, e nada acontece. O mesmo com Charles, e com todos os demais templários. Pensei que a sorte não estivesse ao nosso lado, mas lembrei-me de algo a seu respeito: como ex-Assassino, você deve ter a visão.

–A visão de Águia, não é assim que chamam? – disse Charles.

Howard fez um semblante de asco. – Ah sim. Haytham adorava usar esse termo para esse dom Assassino. Não importa. Você realmente tem esse dom, não tem?

–S-Sim, eu tenho.

–Então... Fique a vontade. – gesticulou Howard, para que Shay tocasse no artefato. No entanto, Shay estava hesitante.

–Mas...

–Nós estamos perdendo a Guerra para os Assassinos, Shay. Prometo que assim que vencermos, nós esconderemos este artefato em um local seguro. Nós saberemos utilizá-lo com sabedoria. Eles, não.

Após um longo silêncio, Shay assentiu, estendendo sua mão para a esfera. Ao aproximar seus dedos, o artefato começou a se iluminar.

–Incrível! — exclamou Charles. – Está funcionando!

E então, sobreveio a escuridão sobre os olhos de Shay, no instante em que seus dedos tocaram a Maçã. Seria este o seu fim, ser destruído por um artefato que ele tanto lutou para que permanecessem escondidos?

Mas quando Shay abriu seus olhos, ele não estava mais na sala do Forte.

Notas finais
HOHOHO!!! Para onde será que a Maçã transportou Shay? Alguém tem um palpite?? Respostas neste fim de semana!! Espero que tenham gostado, e não deixem de comentar!!! Até o próximo!