Notas iniciais
Bom, este é só começo. Preparem-se para o terror, a ação! Wahahahahaha!

– Bom dia. – falei descendo as escadas.
Ninguém me respondeu, apenas resolvi falar mais alto enquanto caminhava para a cozinha.
– Bom dia! – exclamei esbouçando um pequeno sorriso ao sentar na mesa para comer
– Cale a boca, imprestável! Deixe-nos em paz! – gritou meu pai, sem tirar a atenção da lâmpada que concertava.
– Mas eu... – tentei explicar, mas o Roger, me irmão me interrompeu.
– Ah, pare de falar! Não vê que assim não consigo escutar o rádio?
– Suba para seu quarto, se só for atrapalhar.
Nada sensível não é? Eles mudaram muito...
Subi para meu quarto, e deitei-me em minha pequena cama olhando para o teto. Logo levantei-me e olhei me reflexo no espelho. Tinha cabelos castanhos claros e lindos olhos cor-de-mel. Era meio “magrelo” mas isso não importava. Com alguma coisa eu me incomodava. Mas com o quê? Eu tinha tudo, uma casa, um jardim, um quarto só pra mim. Não. Eu não tinha tudo. Faltava algo a mais. E era justo o que eu não podia ter. Nunca. Cai em minha cama, com algumas lágrimas nos olhos, mas logo adormeci.

– Thomas?

Thomas!

Venha aqui!

Não me deixe sozinha, eu quero brincar!

Thomas?

Acordei assustado, suando. Percebi que havia sido um sonho, mas algo me assustava mais ainda. A Garota. Quem ela era? Tão parecida comigo. Será que era eu? Não. Impossível. Seus olhos eram verdes, cabelos castanhos, mas tinham um toque de laranja. Ela era alta, tinha aparência de cantora e... E eu acordei.
Desci correndo as escadas, mas ao chegar no segundo degrau, parei e caminhei em silêncio até a porta, mas meu pai me pegou.
– Ao jardim. – menti.
– Que jardim? Não temos jardim! – ele me olhou, desta vez.
– Temos sim. Eu o fiz.
– Ah, pare de fazer coisas tolas de menininhas! Vá ajudar ao seu irmão no porão.
– Mas tenho que pôr água em minhas flores!
– Pôr água em suas flores? – ele me olhou, indignado. – Vá ajudar seu irmão, imediatamente!
– Tudo bem... – gaguejei e desci ao porão, para minha surpresa, não encontrei o Roger lá. Ele estava no quintal, mas reclamou e disse que não queria minha ajuda.
Resolvi, então, subir para meu quarto. Lá havia uma pequena varanda, que dava para uma fábrica de sapatos. Pulei lá de cima, por sorte não fiz nenhum barulho e não me machuquei. Caminhei até uma praça e olhei para o céu, recordando-me de meu sonho. Adormeci em poucos minutos e logo encontrei aquela garota que desta vez caminhava até mim estendendo uma de suas mãos.

Venha, Tommy.

Não tenha medo.

Apenas siga-me.

Siga-me Thomas.

Pude ver um toque de malícia em seu sorriso, mas logo fui derrubado.
– O que pensa que está fazendo aqui a esta hora? Entre já! – adentrei a casa, sem nada falar. Mas pelo visto já era bem tarde mesmo. Suponho que tenha dormido por quatro horas, pois já estava escurecendo.
Novamente, aquele pensamento veio a minha mente, mas acompanhado por outro. Fugir. Eu podia fugir daqueles ogros a qualquer momento, mas não, eu fiquei ali por dez anos, e não fiz porcaria nenhuma! Eu precisava ir embora, algo me chamava. Mas para onde iria? Meus pensamentos foram interrompidos por uma forte chuva que estava para chegar, então achei melhor dormir.

Notas finais
Espero que tenham gostado, beijos da Tia Frost
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.