Assassinos do norte - Anny
1 Quando tudo mudou.
Notas iniciais
Eram quatro da manhã e eu já estava de pé. Não havia conseguido dormir, então resolvi ir ao meu jardim.
– Como estão vocês, minhas tulipas? Precisam de água? – sorri e tocando-as delicadamente – Talvez sim...
– Achei que só garotas gostavam de fazer isso... – dei um pulo para trás e logo olhei para frente onde pude avistar uma bela garota.
– Quem é você?
– Meu nome é Anny, e o seu?
– Thomas... – gaguejei um pouco e logo me levantei – O que faz aqui? É uma vizinha nova? – Ela sorriu e pude ver brilho em seus olhos.
– Acertou. Moro naquela casa. – apontou uma casa maior que a minha, com um balanço num quintal.
– Então o quê quer aqui?
– Não seja grosso... – ela olhou para baixo.
– Desculpa... Mas o quê quer?
– Bom... Eu posso te ajudar?
– Você está me assustando, são quatro horas da manhã!
– Tentei convencer minha irmã a acordar mas, pelo visto só temos nós dois acordados a esta hora. Eu não consegui dormir, então vi você aqui...
– Ah, tudo bem. Você sabe mexer com terra?
– Claro! Eu e Liza fazemos isso toda hora. – falou pulando uma cerquinha que havia ali.
– Quem é essa tal de Liza?
– Minha irmã. Posso te apresentá-la se quiser. Mas vou logo avisando, ela é muito chata. Acho que ela reencarnou dos vikings, só pode...
Eu ri e começamos a cultivar as flores e nos divertir assim. Não me dei conta do tempo que havíamos passado ali, mas as pessoas já andavam pelas ruas e com certeza estavam indo trabalhar, já deveria ser tarde.
– Ei, já deve estar tarde. – falei olhando para ela.
– É verdade! Vamos vou te apresentar Elizabeth! – falou levantando-se e puxando meu braço para pularmos a cerca e ir para a casa dela.
– Não. Meu pai não deixaria, e eu ainda não comi nada.
– Ora, porque seu pai não deixaria? E lá, aposto que já fizeram o café! Vamos?
– Tudo bem. – peguei a mão dela, pulamos a pequena cerquinha e fomos até a casa dela, mesmo estando com medo de meu pai descobrir que fui até lá.
Chegamos a casa de Anny, onde na cozinha podia-se ver uma bela mulher alta, magra, cabelos loiros e cacheados nos ombros e olhos verdes arrumando uma mesa para o café da manhã.
– Bom dia, mãe! Onde está Liza?
– Querida! Onde você estava, e quem é este rapaz? – perguntou ainda com a atenção em seu trabalho.
– Estava na casa dele, brincando no jardim. Ele cultiva flores sabia mãe? Além disto, é nosso vizinho e se chama Thomas. Mas onde está Liza, mãe?
– Ah, tudo bem. Ela está no quarto, ainda dormindo por certo.
– Tudo bem. Vamos Thomas! – ela me puxou e saiu correndo escada acima, quando chegamos num quarto onde tinha uma garota deitada numa cama dormindo. Ela tinha cabelos castanhos e uma pele morena clara, mas infelizmente não dava para ver seus olhos pois estavam fechados.
Anny foi de fininho até a garota, e tirou os cabelos que cobriam um pedaço de seu rosto, chamando-a para acordar.
– Liza? Acorde! Acorde!
– Me deixe dormir, Anny! Vá cuidar em arrumar outra coisa pra fazer... – falou se virando para outro lado da cama.
– Mas temos visita... – ela não obteve respostas então continuou – Vamos, eu sei que é difícil... Mas podemos passear por aí! – pude ver a Liza esbouçando um pequeno sorriso, abrindo os olhos devagar.
– Pode nos mostrar o quarteirão, Thomas?
– Mas nem eu conheço direito! – ri.
– Puxa... – ela riu um pouco – Sério?
– Sim.
– Já sei! – a garota que antes dormira já estava de pé, e pude ver seus olhos verdes – Que tal fazermos um jogo?
– Pensei que ela era chata, Anny... – brinquei.
– Disse que eu era chata pra ele? – falou olhando para Anny repentinamente.
– Não! Que jogo você quer fazer? – ela olhou para mim quando falou aquilo, pude ver em seus olhos que não devia ter dito aquilo.
– Não nos conhecemos não é mesmo? Podemos pegar uma garrafa e girar, e quando essa garrafa parar em alguém, este alguém vai falar todas suas informações e sua história!
– Tudo?
– Não, só o que você quiser...
– Tudo bem.
Descemos as escadas e fomos para o quintal delas onde tinha um balanço, uma árvore sem folhas e um jardim de flores.
– Quem morava aqui antes não tinha isso...
– É... A Liza ainda brinca de balanço... Não tem problema não é mesmo?
– Não. Tudo bem, deve ser legal. Mas afinal, qual a idade de vocês?
– Eu tenho dezessete. – falou Anny.
– Eu tenho vinte. – Liza se sentou no balanço e riu.
– Eu também tenho vinte... – me sentei num batente de pedra, e Liza sentou-se ao meu lado colocando uma garrafa no chão. A garrafa havia batido em Anny e ela começou a falar.
– Meu nome é Anny, tenho dezessete anos, tenho uma mãe que se chama Isabella, ou melhor, Bella, um pai que se chama Erick, mas ele trabalha a manhã inteira e só volta às duas da tarde, eu me mudei ontem, e eu acho que o resto não interessa não é gente? – ela perguntou, parecia que não sabia mais o que falar.
– O quê está escondendo, hein? – ela sorriu maliciosa, então me lembrei da garota do meu sonho, mas não sabia se era ela pois não me lembrava do rosto da garota do sonho. Então meus pensamentos foram interrompidos por um grito do meu pai, me chamando.
– Aquele é seu pai? – perguntou Anny.
– É. Tenho que ir, tchau meninas!
– Mas já? A garrafa bateu em você, fale algo pelo menos...
– Eu disse que meu pai não deixaria eu vir, você quis insistir!
– Amanhã você volta?
– Não sei...
Sai da casa dela e fui até meu pai, entrei dentro de casa e fui para meu quarto, mas fui impedido de entrar pois um grito de meu pai ecoou pela casa. Eu parei e me virei para trás.
– Eu ainda não terminei, Thomas!
Horas depois eu estava deitado no chão do meu quarto chorando. Eu não devia ter ido para aquela casa...
– O quê houve, Tommy?
Alguém me acordou naquela manhã, era Liza.
– Mas o quê faz aqui?
– Você precisa olhar para fora... – falou respirando fundo, e me ajudando a levantar.
Caminhamos até fora da casa, tudo estava acabado. Tudo estava pegando fogo, não tinha mais nada ali. Eu transbordei em lágrimas. Onde estava todo mundo? Não, não podia ser outra guerra. A última havia acabado em 1945, há 12 anos atrás. Só tinha uma resposta, uma escolha e uma chance.
– Vamos procurar os assassinos...
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