Assassina De Aluguel
3 Capítulo 3 - - Fuga
Notas iniciais
Quando acordei, Carlos estava dormindo em uma cadeira ao lado da minha cama. Meus olhos estavam embaçados. Minhas pernas dormentes. A dor parecia ter passado para todo o meu corpo. Fiquei olhando para o teto, não queria acordar Carlos. De repente ouvi uma voz:
- Você é muito sortuda.
- Rafael?
- Bingo! O que aconteceu?
- Brendon atirou em mim...
Rafael apareceu ao meu lado, acariciou meu rosto e disse:
- Desculpe!!
- Pelo que?
Rafael pegou um travesseiro e colocou em meu rosto. Ele queria me matar. A força dele era gigantesca. Nunca venceria aquela batalha. Comecei a me bater, foi nessa hora que Carlos me acordou dizendo:
- Jullie, Jullie, calma garota, esta tudo bem agora. Calma!
Acordei. Agora de verdade. Aquilo tinha sido um pesadelo. Um aviso talvez. Sentei na cama e Carlos me abraçou. O médico entrou, pigarreou e disse:
- Jullie Steffans?
- Sim?
- Bom, nós conseguimos tirar a bala que estava alojada na sua perna. Terá alta amanha de manha.
- Amanha? Não, eu tenho que sair daqui hoje.
- Jullie, você esta impossibilitada de caminhar. Somente amanha.
Eu tinha que continuar a matar aquelas pessoas. Ou pelo menos conversar com elas, e saber alguma coisa sobre o Brendon. Carlos acompanhou o médico ate e porta e disse:
- Vou falar com ela. Ela ficara aqui até amanha.
Carlos fechou a porta. Foi ate uma mala que tinha ao lado de sua cadeira, e mexendo nela disse:
- Pra sua informação, antes mesmo de você pensar em vim ao mundo, eu trabalhava para os pais do Brendon. Com o tempo, fui me aperfeiçoando com armas, disfarces. Caramba cadê aquilo... Achei! – disse ele com uma identidade — Depois que seus pais morreram, o pai do Brendon passou a empresa para o filho. O menino tinha 15 anos, não queria saber de cuidar daquela empresa, e sim sair com as garotas.
- Porque ta falando isso pra mim?
- Pra te alertar de uma coisa. Os pais do Brendon eram traficantes de órgãos na época. Eles mandam matar aquelas pessoas para vender seus corações, pulmões, tudo, ate os olhos.
- E dai?
- Dai, que quando essa galera tenta te matar, quer dizer que quer acabar com as pistas da empresa. Quando eu entrei pra te defender, a luta piorou, agora seriam cinco para eles matarem.
- Cinco?
- Eu, Você, o Rafael, a Débora e o Miguel... Eles estão fritos, tudo bem que eu ensinei tudo, mas contra a cambada do Brendon... Ai, ai... Vai ser meio complicado!
- Ei, eu ainda estou aqui — disse abanando pra ele
- Desculpe, estava pensando auto.
- Quem são Débora e Miguel?
- Débora, uma menina esperta, especialista em bombas. 20 anos, mora com minha família. Miguel, esse garoto pode entrar na Casa Branca se quiser. Um bom garoto, 22 anos e também mora com a minha família. São ótimas pessoas, assim como você perderam as suas famílias cedo. A empresa os criou, e quando mandaram matar um ou outro, desistiram da vida de assassino.
- E quando eles desistiram, o que eles fizeram?
- Alem de se salvarem, foram morar comigo.
- E o que vai acontecer comigo? Ele vai vim atrás de mim e me matar?
- Não. Ele não vai. Você vai sair deste hospital hoje de noite.
- Como?
- Miguel, ele vai invadir e te tirar daqui.
Carlos pegou o seu celular, digitou alguns números, colocou o aparelho na orelha e disse:
- Hoje às 5 horas. Ok. E seja discreto, tá? Calma ai? Calma ai? Você esta falando com quem? Eu quero vocês pronto às quatro. Tchau.
Fiquei seria. E deixei Carlos me explicar. Ele me olhou e disse:
- Ele queria vim antes, mas não pode. Os médicos ficam aqui ate as quatro e 30.
- Humm... Pesquisou tudo?
- É você dormiu durante dois dias. A cirurgia foi forte.
Olhei para o relógio e disse:
- Caramba, já é 16 horas. Podia pegar alguma cois pra eu comer?
- Aham.
Carlos ficou de pé e indo pra porta disse:
- Tenta não quebrar nada ok?
Sorri e fiz positivo com a cabeça.
Fiquei sozinha naquela sala. Eu comecei a lembrar do meu próximo alvo. Ele se chamava Ismael Peticoviti, tinha 56 anos, morava na Roma. Mais especifico no Vaticano. Mexi minha perna. Ela estava normal. Tirei o lençol de cima do meu corpo. Coloquei meu pé no chão e no momento que me senti firme, sai da cama. A janela estava entre aberta. Fui ate ela e com o rosto ao vento, ouvi Carlos dizer:
- Agora eu sei como eles enriquecem rápido.
- Do que esta falando?
- O sanduiche é caro, sabia? Tomara que ainda goste de frango.
Fui ate Carlos e pegando o sanduiche disse:
- Eu gosto de frango, valeu.
Sentei na cama e comecei a tirar o plástico que estava em roda do sanduiche. De repente batidas na porta. Parei. Carlos foi atender. Ao abrir a porta, pude ver um homem negro, alto. Vestia camisa polo, calça jeans. Tinha uma mochila marrom. Eles conversaram, e minutos depois ele foi embora. Carlos fechou a porta e pegando sua mala disse:
- Jullie, você terá que ficar sozinha por um tempo.
- Tudo bem.
- Eu volto com Miguel e Débora, ok?
- Aham...
Carlos estava saindo quando eu disse:
- Carlos, cuide da safira pra mim... Ela foi à única coisa que tenho da minha família
- Pode deixar...
Carlos pegou a mala com a mão e saiu. Eu fiquei ali, sentada, pensando. Uma enfermeira então entrou e perguntou:
- Srt. Jullie, tudo bem com você?
- Sim.
- Precisa de algo?
- Na verdade sim, meu celular, uma caneta, um bloco de papel e meu MP3. Você consegue isso pra mim?
- Claro. Volto em alguns minutos.
- OK!
A moça saiu e eu voltei para a janela. A minha fome já tinha passado. O quarto de hospital era grande. Três janelas, uma porta, uma cama, uma mesa, uma cadeira — que Carlos estava dormindo — e uma porta no final da sala. Caminhando devagar, fui ate lá. A porta estava destrancada. Empurrei-a e dentro da sala estavam alguns armários. De repente uma voz aparece dizendo:
- Aqui esta o que me pediu...
Dei um pulo. Fiquei assustada. Com a mão no peito disse:
- Ai que susto você me deu... E muito obrigado.
- Desculpe não foi minha intenção.
- Tudo bem. Mas cadê as minhas roupas?
- Estão nesses armários.
- Valeu!
A moça largou as coisas em cima de cama e saiu. Eu ainda estava naquela sala. Abri as portas dos armários e peguei algumas mudas de roupas e sapato. Já com a roupa trocada, fui ate a cama, coloquei meu fone (slipknot — dead memories), no bloco de papel coloquei os nomes dos meus alvos pelo menos os que eu lembrava -, e com o celular liguei para Rafael. Deu direto na caixa de mensagem, eu deixei um recado:
- Carlos me disse sobre o Brendon, se conseguir ligar pra mim agradeço.
Já eram 20 horas. Eu estava cansada, e farta de ficar esperando o tal Miguel me buscar. Eu caminhava para todos os lados, até achei que tinha criado um buraco no chão.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac...
As horas passavam. Eu planejei como eu mataria Ismael. As fases seriam colocadas em ação quando eu entrasse no avião. Mas isso iria demorar um pouco. Já eram 23 horas. O tempo estava passando, mas bem devagar. Sentei no chão e ali comecei a meditar — uma coisa que não era frequente. Os meus fones também estavam me acompanhando. Musica da vez (slipknot-Gehenna), eu amava NEWMETAL. Tudo estava calmo. Eu estava a um bom tempo ali. De repente senti algo e meu ombro, eu tinha um ótimo reflexo, em segundos deixei a pessoa no chão. Abri meus olhos, tirei o fone e perguntei ficando de pé:
- Quem é você?
- Uall... Carlos não mentiu quando falou que você era forte. Me chamo Miguel, vim tirar você daqui, tá afim?
- Lógico.
Peguei minhas coisas, e perguntei:
-Como vamos sair?
- Pela porta ué, você quer ir pela janela?
- Hã!?!? Sei lá, eu pensava que... Deixa pra lá, vamos sair daqui.
Miguel abriu a porta, olhou para fora, e fez sinal para eu sair. Caminhamos como se tivéssemos algodão nos pés. Passamos por muitas salas. Tenso. Minutos depois, estávamos no hall do hospital. Um furgão nos esperava. Caminhamos até a porta, ao chegar perto dela, Miguel bate e uma garota abre — poderia ser Débora. Ela sorri e diz:
-Oi, entrem. Carlos esta esperando vocês.
Entramos e eu fiquei em silencio. Eles falavam sobre algumas missões, mas não quis me meter. Coloquei meus fones e continuei minha musica (Linkin Park- Lost in the Echo). Miguel olhou para mim e disse algo que eu não entenderá. Tirei os fones e perguntei:
- Disse algo?
- Sim.
- O que quer?
- É verdade que você mata escutando musica?
- Sim. Você tem alguma coisa contra?
- Não. Claro que não.
- Então, porque queria saber?
- Curiosidade.
- Humm... E você, como os mata?
- Como todos, com um tiro na cabeça.
- E a garota ali?
- Da mesma maneira — disse ela olhando pelo retrovisor
- Porque começou a matar assim? — perguntou Miguel
- A minha primeira missão foi matar um garoto, por causa de drogas. Eu ouvia os gritos dele, os pedidos de ajuda. Aquilo me fez querer esquecer aquilo, então eu dia, eu matei outros com o meu fone. E apartir dai tudo começou.
O carro parou de repente. Débora falou:
- Chegamos.
Descemos do furgão. Quando olhei a casa de Carlos arregalei os olhos. Miguel e Débora passaram por mim, e foram ao encontro de uma mulher. Eles se abraçaram e entrara em casa. Não fiquei ali fora. Caminhando devagar, entrei. Carlos estava sentado no sofá lendo um livro. Ao me ver, sem se quer marcar a pagina que estava lendo, fechou o livro, e veio ate mim. Abraçou-me e disse:
- Que bom ver você minha filha. Como foi a viagem?
- Bem... Curiosa, hehe. Como você esta?
- Estou bem. Hã, minha esposa, Bruna, mostrara o seu quarto. Tome um banho, temos muito que conversar.
- Tá bom.
Bruna veio ate mim e disse:
- Venha comigo, seu quarto é logo aqui.
Fomos por um corredor grande. Caminhamos bem pouco. Ela estava na minha frente, então perguntou:
- Há quanto tempo conhece o Carlos?
- Hã, há alguns anos. Ele me ajuda...
- Sempre assim...!
- "Sempre assim"? Do que você esta falando?
- Carlos, sempre ajudando os outros. Isso o deixa muitas vezes triste.
- Por quê?
- O seu amigo. Rafael, ele não é um bom sujeito. Não confio nele. Algo me diz que ele não é bom.
- Nossa. Eu conheço ele há anos, e não acho isso.
- Bom aqui este seu quarto. Tome seu banho, às 8 horas é o café.
A mulher saiu dali transtornada. Entrei no quarto, fechei a porta e fiquei olhando para ele, por alguns segundos. O quarto era grande. Uma cama de casal, dois armários, um bidê, duas janelas e uma penteadeira. Coloquei todos os meus apetrechos em cima da penteadeira. Abri um dos armários e vi que tinha algumas roupas. Peguei uma muda de roupa. Nas gavetas da penteadeira, tinha armas, munições e toalhas. Peguei uma toalha. Tinha uma porta ao lado da cama. Fui ate ela. Era o banheiro. Ali, naquela água quente, comecei a pensar no que eu tinha passado. Sentei no chão do Box, e com um choro desesperado, fiquei ali por um tempo. De repente batidas na porta. Fiquei quieta. Uma voz apareceu dizendo:
- Jullie, tudo bem?
- Hã. Aham, eu já estou saindo;
- Tudo bem, estarei na sala.
- OK!
Vinte minutos se passaram. Eu sai do quarto e indo em direção a sala, ouvi vozes, eram Miguel e Débora. Fiquei encostada na parede, não queria que me vissem, Miguel dizia:
- Ele não falou pra ela.
- Eu percebi. Pensei que com ela no hospital, ele contaria.
- Porque ele não falou?
- Medo. Ele tem medo — disse Bruna
- Medo do que?
- Não sei talvez da reação dela?
- Caramba, ela não tem isso há anos, o mínimo que ela poderia fazer era aceitar bem. Não acha?
- Sim. — todos falam
- Bom, vamos os deixar conversar, talvez agora ele fale, né?
-É!
Todos saem, e eu começo a caminhar para a sala. Chegando à sala, Carlos estava sentado naquela mesma cadeira. Sentei em frente dele e perguntei:
- O que quer falar pra mim?
- Uall, que susto Jullie... Mas, eu queria te perguntar uma coisa.
- O que?
- Quem é seu próximo alvo?
- Um padre. Se chama Ismael.
Carlos ficou de pé, e começou dizer algumas coisas, mas não consegui entender. Ele caminhava para todos os lados. Ele ia e voltava da estante cheia de livros e documentos. Ele os colocava sobre a mesa e dizia:
- Esse cara, nossa, ele é muito esperto.
- Porque você esta dizendo isso? — perguntei levantando
- Esse padre, foi um homem que mandou matar os membros da BOXSPACE, há alguns anos. Como ele não conseguiu matar todos foi para o Vaticano.
- Porque o Brendon me mandaria matar esse cara?
- Ele sabe de algumas coisas, que não se deve contar.
- Tipo?
- Segredos.
- Das pessoas da BOXSPACE?
- Isso mesmo.
- Humm... Então ele pode saber alguma coisa sobre os meus pais?
- Pode... — disse Carlos frio
- E você sabe alguma coisa deles? O porquê de o Brendon matar eles?
- Jullie, eu não sei de nada. Vamos dormir, amanha você terá que ir para o Vaticano. Boa noite!
Carlos saiu da sala e foi para seu quarto. Ele tinha deixado todos os livros em cima de mesa. Eu então fui ate lá e comecei a ver o que ele estava pesquisando. Carlos pesquisava sobre todos os mortos. Olhei os nomes. Nenhum eu conhecia. Decidi sair dessa casa e ir para o Vaticano. Fui ate meu quarto e arrumei minhas coisas. Achei uma mala em baixo da cama. Ela era marrom e bem grande. Coloquei algumas roupas nela, e armas e munições. Eu precisava dos meus documentos. Coloquei a mala nas contas e sai pela janela. Corri para a rua. Caminhei ate um ponto de taxi. Ele me deixou na frente do meu condomínio. Eu tinha um pouco de dinheiro, paguei o motorista. Passando pelo portão, ouvi José fala:
- Jullie, como chegou aqui?
- De carro?
- Rá, Rá, você é engraçada.
- Bom, tenho que ir.
- Hehe, tudo bem.
Corri até a entrada, e fui para meu apartamento pelas escadas. Elevadores podem automaticamente parar. Chegando ao meu apê, tirei a chave do bolso e abri a porta. Safira veio ate mim, e começou a abanar a cauda. Passei a mão em sua cabeça e disse:
- Minha linda vai ter que ficar sozinha. Mas eu volto Ok?
Ela acuou e saiu da sala. Fui ate o meu quarto, peguei meus passaportes e minhas identidades — eu tinha várias, de todos os lugares do mundo, eu também falo fluente 14 línguas. Guardei todos em uma pequena bolsa, e coloquei dentro da mala. Peguei a chave do meu carro, mais armas, mas munições e mais facas. Levei tudo para o carro. Coloquei tudo no porta-malas, fechei e entrei no carro. Abri o portão do condomínio e cantando pneu, sai dali. Minutos depois parei na frente do aeroporto e liguei para um antigo amigo e disse:
- Marlon? Aqui é a Jullie, podia me dar uma força?
- Hey, quanto tempo. É claro, o que você precisa?
- De um avião.
- Uou, para que lugar?
- Vaticano.
- Missão?
- Sim. Vai me ajudar ou não?
- Claro linda. Você o terá no aeroporto em 10 minutos, pode ser?
- Maravilha. E ai, fazendo o que?
- Ajudando uma velha amiga. Por quê?
- Hehe, bom, você esta a fim de viajar comigo?
- Claro to saindo agora. Beijos.
- Tá!
Peguei a lista de nomes que eu tinha ganhado de Brendon, e lendo peguei no sono, dentro do carro com o meu fone ligado.
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