Asquerosa
1 Mata logo!
Notas iniciais
— Você não acha que assassinato é um pouco extremo? — Charlie perguntou, tentando não rir da situação; e falhando, miseravelmente, com uma careta engraçada.
— Não! Tire essa coisa asquerosa daqui! — Lola implorou, encolhida junto ao box, agarrada a sua escova de dentes, como se ela fosse algum tipo de escudo protetor.
— É só uma aranhazinha, mana… não um monstro assassino — O garoto finalmente riu, pegando com cuidado o animal minúsculo, que tentava escalar para a torneira da pia.
— Mata logo esse bicho, Charlie! — A menina insistiu, nervosa e verdadeiramente amedrontada.
— Tudo bem… eu já matei — Ele fingiu esmagar o bichinho entre os dedos, e saiu rápido do banheiro, antes que ela pedisse uma prova de sua façanha — Vou jogar o cadáver lá no quintal.
Charlie nunca entendeu muito bem, o medo gigantesco e absurdo que sua irmã caçula sentia por aranhas. Mas, ele também nunca se importou, em fingir exterminar todos os seres minúsculos que insistiam em persegui-la; e que ele sempre dava um jeitinho de devolver, em segurança, ao jardim.
Porque era, exatamente, para isso que ele estava ali: salvar as criaturas fracas e oprimidas. Fossem elas adolescentes com tendências assassinas, ou aranhas perigosamente inofensivas.
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