Asphalt Café
38 One Disturbing Thing Knocked me Down
Notas iniciais

Beck arregalou os olhos e correu em direção á Jade que tinha uma expressão de dor, enquanto tentava tirar toda aquela sujeira de lama da cara. O Oliver havia percebido que o campo tinha alguns buracos por sua extensão e poderia ter chovido antes deles chegarem a Toronto, por isso a lama, mas pensou que Jade também tinha notado aquilo, ele não avisara, porque sabia que a garota era toda durona. Se avisasse, provavelmente a garota responderia grosseiramente. Beck pegou a mão de Jade, tentando levantá-la, mas quando ouviu um “Ai” vindo da morena, a soltou com medo, fazendo com que Jade caísse de bunda no chão, a irritando mais ainda.
— Qual o seu problema, garoto?! – Perguntou raivosa levantando-se por conta própria.
— Jade, eu... Eu ouvi você... Bom, parecia que eu tinha feito algo errado então te soltei... – Beck tentou explicar, Jade o fuzilou com o olhar, mas quando viu que a tia de Beck se aproximara, ela a encarou furiosa.
— E você? Qual o seu problema? – Jade andou até ela, fazendo com que Beck a seguisse.
— Eu? Eu não fiz nada, é só um jogo Jadelyn, e s e nem você, nem seu filho prematuro aguenta, porque não disse que eu deixava vocês saírem e irem fazer coisas mais... Simples? – Mercedes cruzara os braços de frente para a morena, Jade parecia ainda mais furiosa, se aquela lama toda em sua cara não estivesse ali, ela provavelmente estaria vermelha de ódio.
— Jade, calma! – Foi à vez de David aproximar-se, meio temeroso, pois conhecia mais do que ninguém o gênio da irmã. – Pensa pelo lado bom, agora temos um pênalti, não é pessoal? – Gesticulou para os outros que assentiram.
— Ah, vocês tem um pênalti?! – Jade ironizou soltando uma risada no final da frase. – Vocês tem uma jogadora a menos, seus babacas! – Falou dando as costas para todos e indo na direção da casa, Beck olhava para todos sem saber o que fazer.
— Vai atrás dela, filho. – Falou Charlotte e Beck resolveu se mexer, seguindo Jade que andava em passos rápidos e parecia segurar o braço esquerdo, como se o tivesse machucado. Assim que chegaram a casa, Beck a seguiu chamando seu nome, mas Jade não lhe dava atenção. A garota subiu as escadas, chegando ao corredor dos quartos. Basicamente o corredor tinha seis entradas, a primeira pelo que Jade pôde ver era a do casal, já que a porta estava aberta, e a outra de frente para aquela, era a do quarto de Beck, pois parecia quarto de menino, ela queria muito entrar ali com paciência e observar cada coisa daquele quarto, mas estava com bastante raiva para aquilo. Passando pela próxima entrada, Jade viu que um era o quarto do tio de Beck, Mason, pois tinha algumas coisas bem “caipiras” nele, como chapéus estranhos e estrelas de xerife penduradas na cômoda mais próxima. De frente para o quarto de Mason, era onde ficava um banheiro, ela não observou muito. E nas ultimas duas portas, uma era onde ficava o dois quartos de hospedes que a mãe de Beck comentara no almoço. Um deles parecia todo enfeitado com coisas caras, Jade teve certeza que aquele era o quarto da tia de Beck, mesmo que sendo de hospedes, ele dera um jeito de enfeitar como sendo dela mesmo. E o da frente, era o que seria deles por esses dois dias. Jade revirou os olhos, percebendo que ficaria bem de frente ao quarto daquela mulher. Logo que entrou, e notou a cama de casal no centro do quarto, com uma coxa de cor creme. As paredes eram revestidas por papel de parede florido, e tinha alguns pequenos moveis ali, fazendo com que o quarto fosse bem simples. A garota pensava que Beck ainda estava a seguindo, mas olhou para trás e não viu ninguém. Sua raiva apenas aumentou.
— Aquele idiota! – Quase gritou, enquanto batia os pés e chutava algo próximo, infelizmente seu chute acertara a cama, fazendo com que seu pé começasse a doer.
— Que idiota? – Perguntou Beck encostado na porta do quarto e lhe lançando um sorriso cuidadoso.
— Você, Oliver. Você é o grande idiota dessa historia toda. Você e aquela sua tia... – Jade parecia buscar em sua mente o pior adjetivo para atribuí-lo a Mercedes.
— Tudo bem! Primeiro me deixa cuidar de você, depois pode me xingar a vontade... – Falou Beck entrando no quarto, Jade pôde ver que ele tinha em mãos, uma pequena tigela com água e uma toalha. A garota desviou o olhar para o chão, percebendo que ele não tinha vindo atrás dela não porque não queria ver como ela estava, mas sim porque fizera uma parada, apenas para pegar coisas que poderiam ajudá-la. – Olha, me desculpe... – Jade o olhou com pena, mas logo tratou de desviar o olhar, não queria que Beck pensasse que ela parecesse frágil. – Mas eu... Bom, eu odeio dizer esse tipo de coisa, mas eu avisei, Jade. Eu avise a você o quanto minha tia era... Horrorosa com as namoradas e os namorados dos meus primos, ela é assim até com meus pais, acho que você percebeu... – Jade fez que sim. – Isso tudo porque ela é bem...
— Maluca, isso sim! – Jade cruzou os braços com raiva.
— É, isso também... – Beck riu baixo. – Mas ela meio que ficou traumatizada com o seu relacionamento totalmente infeliz e bem... Deu no que deu.
— Não, ela não ficou traumatizada, ela provavelmente traumatizou o ex-marido dela. Que homem aguentaria aquela mulher? – Jade cerrou os dentes, aquela raiva em seu peito continuava ali tão firme como quando ela caíra por causa de Mercedes. Beck segurou a mão da morena, fazendo-a se sentar na cama, enquanto ele se ajoelhava de frente para ela. Com a toalha que ele havia trazido, ele a molhou na tigela de água e começou a passar no rosto de Jade, para retirar a lama seca ali contida.
— Eu sei é difícil de entender porque ninguém a enfrenta, eu sei, mas... Acho que todos no fundo sentem pena dela por ser do jeito que é, e não conseguem dizer isso a ela, e acho que por isso, ela acha que todos sentem medo dela, mas não é verdade... Acredite, é pena. Meu pai não a suporta, ele é o que mais não consegue suportá-la, mas veja só, ela praticamente assumiu o outro quarto de hospedes e ele até hoje tenta falar o menos possível com ela. Talvez, você devesse fazer o mesmo... Só não ligue para as provocações dela, por favor, só enquanto estivermos aqui. Depois eu juro que se viermos novamente para cá, nós vamos vir num dia que ela não esteja, o que acha? – Jade bufou irritada, mas concordou com a cabeça. Beck já tinha limpado metade do seu rosto de cima para baixo. A garota tinha se acalmado quase totalmente, mas... – E pense pelo lado bom, não foi tão ruim assim... – Jade arregalou os olhos quando sentiu a toalha molhada passando pelo canto de seu lábio. Ela logo fez uma careta e Beck abriu a boca em surpresa. – Jade... Caramba! Você deve ter caído em cima de alguma pedra. – A morena se levantou da cama e caminhou de frente ao espelho e logo se assustou com o que viu. Basicamente, seu lábio inferior estava cortado, fazendo o canto de sua boca ter inchado levemente.
— MAS QUE DROGA! – Jade gritou fazendo Beck estremecer, ele sabia que ela não suportaria mais aquilo. – Primeiro meu braço, depois a minha cara, eu... Eu preciso achar minha tesoura. – Jade começou a procurar em sua mala que estava por ali, mas Beck a agarrou por trás.
— Jade, calma, fique calma! – Falou respirando em seu ouvido esquerdo e fazendo a garota ter um rápido momento de lucidez.
— Não me peça para ter calma, Oliver. – Jade bufou largando sua mala por ali, sem conseguir encontrar sua tesoura. – Eu vou tomar banho, e vá pegar um pouco de gelo pra mim, ou eu faço meu trabalho com a faca da cozinha mesmo. – A garota o empurrou de leve, fazendo o se afastar e observá-la. Ela pegou suas roupas e sua toalha e saiu do quarto se dirigindo até o banheiro. David chegou segundos depois.
— Como a Jade está? Raivosa? – Perguntou já sabendo a resposta. Beck assentiu. – Ainda bem que tirei as tesouras da bolsa dela, imagina o estrago. – O pequeno garoto o olhou de cima a baixo lhe dando um sorriso orgulhoso enquanto Beck riu baixo. Ele tinha o cabelo molhado de suor, e suas bochechas estavam incrivelmente vermelhas. Beck nem havia percebido, mas olhando pela janela, viu que já era noite, eles tinham passado muito tempo jogando.
— E então, quem ganhou? – Perguntou Beck mudando de assunto.
— Eles, é claro! – David revirou os olhos. – Depois que a Jade saiu, ninguém teve coragem para enfrentar aquela mulher, ela me assusta. – Falou balançado a cabeça e fazendo Beck sorrir.
— Ela assusta a todos. – David lhe deu um olhar como se perguntasse se acontecia o mesmo com ele. – Não, a mim ela não assusta. Mas me assusta o fato de o que pode acontecer se a Jade perder a paciência. – David concordou.
— Você ficou sabendo sobre a Tori e o Zac? – Perguntou o pequeno, Beck pareceu surpreso em ele saber daquilo. – Digamos que fiquei sabendo pela Trina, ela me ligou hoje de manhã contando os detalhes, e também perguntou se a Jade já tinha matado toda sua família. – Beck riu mais alto.
— Melhor deixar que Zac conte isso a Jade. Ela gosta dele... – Beck pareceu pensar nisso. – Como amigo, é claro. – Mas um pouco de sua incerteza ainda estava ali. – E vai ser engraçado poder ver como ela reagirá a isso. – David sorriu. – Eu vou pegar um pouco de gelo para sua irmã, parece que ela machucou o braço... Ah, e David... – O garoto prestou atenção em Beck. – Muito esperto de sua parte ter tirado as tesouras da bolsa da Jade... Obrigado!
Chegara a hora do jantar e já estavam todos na mesa. A família Oliver costumava fazer as refeições com todos presentes e Charlotte adorava ainda mais a presença de seu filho ali, assim como a namorada dele, por isso todos esperavam Jade descer já que ela era a única que não estava ali. Todos encararam a escada quando ouviram o barulho de passos. Mercedes pareceu incrivelmente feliz quando viu que Jade segurava uma toalhinha enrolada no gelo e a pressionava sua boca que estava levemente inchada. A morena se sentou à mesa sem falar uma palavra e todos começaram a comer até que Jade foi pegar um pouco mais de suco no centro da mesa e ao levantar o braço, sentiu um pouco de dor, fazendo uma careta, mas logo se recompondo, infelizmente Mercedes havia percebido.
— O que aconteceu com seu braço, Jadelyn? O machucou na derrota de hoje à tarde? – Perguntou a senhora rechonchuda com sorriso malicioso no rosto. Jade engoliu em seco, tentando se controlar para responder á Mercedes.
— Sim, o machuquei de leve quando uma coisa incômoda me derrubou no chão. – Falou comendo e encarando Mercedes. A tia de Beck se remexeu na cadeira, feliz por Jade ter revidado em alguma de suas provocações.
— Percebi que você não come seus legumes... O que você tem? Algum transtorno alimentar? Eu até entenderia... Depois da gravidez, principalmente as prematuras, as mulheres ficam com algumas maluquices em suas cabeças. – Provocou semicerrando os olhos para a morena.
— Você quer um pouco mais de frango, Jade? Está delicioso... – Charlotte tentou mudar de assunto.
— Conte-nos mais sobre sua família, Jadelyn. Como seus pais lidam com essa sua carreira de artista iniciante? – Jade cerrou os punhos por debaixo da mesa, mas sentiu as mãos de Beck indo de encontro as suas para acalmá-la.
— Eles não ligam muito. – Falou cada palavra calculadamente. Odiava entrar no assunto de sua família. Seu pai praticamente desprezava tudo que Jade fazia, e sua mãe apesar de querer sempre se aproximar, não estava fazendo muito enquanto viajava por ai com seu pai. Isso não era assunto para se debater na mesa da família do namorado.
— Não deveriam mesmo, não é uma coisa da qual eles possam se orgulhar. – Jade olhou para Beck como se pedisse autorização para voar em cima daquela mulher. O garoto apenas parecia tenso, prestes a explodir, mais do que Jade parecia. — Ok, assunto de família encerrado... – Jade agradeceu aos céus por isso. – Mas ainda não sabemos nada sobre você, apenas que o Beck trouxe uma estranha para apresentar a sua família e levando em consideração o pouco tempo que ele ficou em Los Angeles, ele também não deve saber nada sobre você... – Continuou Mercedes.
— Mercedes! – Alertou Damian, a olhando cuidadosamente.
— Mas é a verdade, Damian. Já pensou? A Jadelyn ai, pode até traficar drogas ou fazer coisas piores em becos de esquina e não nos contar por que...
— CHEGA! – Gritou Beck se levantando e jogando o guardanapo na mesa. Ele não falou mais nada, apenas encarou sua tia com o maior ódio que podia. Jade esperava que ele continuasse, mas Beck apenas ficou ali, em pé sem dizer nenhuma palavra depois de gritar. Mercedes parecia bem surpresa, idêntico quando mais cedo Damian também a enfrentou, nem que por pouco tempo. Jade se levantou, encarou Beck esperando que ele prosseguisse, mas Mercedes sorriu de canto, e olhou para a garota que parecia completamente indefesa. Ela olhou para todos da mesa, e saiu dali, subindo as escadas. David apenas a seguiu e Beck voltou a se sentar, bufando enquanto ficava calado pensando no que iria fazer a seguir. Já era por volta das 22h e Jade e David estavam na cama, olhando para o teto sem falarem nada, até que...
— Você tá bem? – Perguntou o garoto já quase dormindo.
— Não, mas vou ficar, Dave. – Falou Jade fitando os olhinhos brilhantes de seu irmão, no escuro. – Você deveria dormir, pirralho.
— E você devia ir falar com o Beck. – Comentou David. – Vocês se gostam, não sei por que adultos complicam tanto. – Jade riu baixo e alisou os cabelos do irmão.
— Boa noite, Dave! – Falou sorrindo de canto para ele.
— Boa noite! – Falou ele, se erguendo um pouco na cama, e beijando a bochecha da irmã, depois voltou para sua antiga posição e dormiu. Jade ficou ali por um tempo, observando o garoto dormir, até que refletiu sobre as palavras dele. David, era apenas uma criança, mas ele estava certo. Ela devia ir falar com Beck e foi isso que ela fez.
Passando pelo corredor, de ponta de pés, como uma criança fazendo algo errado, Jade começou a andar, passando pelo banheiro e pelo quarto de Mason, e depois chegando finalmente a porta do quarto de Beck, bateu fraco e rapidamente o garoto apareceu, a encarando surpreso. Jade se jogou pra dentro do quarto e trancou a porta, puxando Beck para si. Os dois se encararam e Jade suspirou irritada.
— Porque não me defendeu lá embaixo, Oliver? – Perguntou o encarando firme.
— Porque você não é o tipo de garota que precisa de alguém pra defendê-la. – Explicou indo se sentar na cama, Jade fez o mesmo, de frente para ele. – Mas às vezes acho que precisa... Isso me deixa confuso. Eu não sei, você é tão forte, mas ao mesmo tempo é frágil. Eu sempre sinto vontade de te proteger, mas acabo me limitando a fazer pouca coisa, porque sei como você é, mas hoje eu... Eu realmente deveria ter digo algo a mais. Me desculpe. – Falou sinceramente e Jade desviou o olhar enquanto aqueles olhos castanhos a encaravam com a expressão mais séria que ela já tinha visto. O quarto estava totalmente escuro, exceto pela luz da lua que era refletida principalmente na janela de Beck, e ainda mais porque as cortinas estavam abertas.
— Sobre hoje, eu queria te dizer algo, eu... – Jade o encarou, mas as palavras não queriam sair agora então ela mudou de assunto. – Você não me contou o porquê de seus pais se separarem e depois reatarem. – Beck sorriu. Ela não era o tipo de pessoa que fazia perguntas como essa e depois dizia “se puder me contar é claro”, Jade apenas queria saber e não se envergonhava disso.
— É complicado. Mas... Minha mãe deixou meu pai para morar com um cara mais novo, ele ficou arrasado, até arrumou outra mulher, mas eles não deram certo. E então quando o namorado da minha mãe a deixou, ela correu para meu pai, porque ele era a primeira pessoa com quem ela precisava conversar. Eu a admiro por isso, ela não precisou esconder o que sentia por ele, ela simplesmente se abriu para ele quando estava em um momento delicado. Meu pai sempre quis voltar para ela, então quando ela chegou aos prantos na sua casa para desabafar com ele, ele simplesmente nunca mais a deixou sair de lá. Então eles compraram essa casa e voltaram a se “casar”, eles não tinham se divorciado de verdade, tipo no papel... – Jade apenas escutava. – Pareciam sentir que aquilo realmente não tinha terminado e então quando voltaram, tudo estava normal de novo, eles apenas renovaram os votos, tenho que dizer, foi uma cerimônia bem bonita. – Beck sorria parecendo orgulhoso. – E ai chegou minha tia. Não tem um dia em que ela não passe na cara que sua irmã deixou meu pai pra ficar com alguém mais novo, ele se irrita com isso, mas sabe que sua esposa o ama, então acho que é por isso que ele não diz nada. – Termina Beck.
— Uhum! – Jade só disse isso, Beck a encarou, achando engraçado, principalmente porque a expressão dela parecia dizer “é uma linda história”. U momento de silêncio ficou entre os dois até que Beck se aproximou de Jade e a beijou delicadamente, porque precisava daquilo e também porque não poderia apressar as coisas, Jade tinha o lábio um pouco inchado, talvez nem devesse estar começando com isso, por isso se afastou. – Porque você parou? – Jade o olhou irritado, Beck sorriu de leve.
— Porque seu lábio tá inchado... – Explicou, Jade o olho com a expressão de “e daí?”. – Não dói? – Perguntou e Jade o puxou para mais perto.
— Sim! – Respondeu simplesmente, lhe dando um selinho.
— E então? – Beck insistiu, não queria machucá-la, apesar de querer muito aquilo.
— Eu gosto de sentir dor às vezes. – Falou o olhando com cuidado enquanto tinha as mãos sobre seu peitoral.
— Hum... – O garoto falou sem jeito e colocou as mãos atrás da nuca de Jade, a puxando para si. Rapidamente os dois estavam deitados, Jade por cima dele, enquanto se beijavam devagar. – Logo isso vai ficar melhor e ai se você quiser, podemos fazer algo mais... – Beck tocou no lábio inferior de Jade, sorrindo malicioso.
— Selvagem? – O garoto sorriu ao ouvir as palavras da morena. – Porque acha que eu apareci no seu quarto de pijama, se não para isso, Oliver? – Beck riu, mas Jade colocou suas mãos na boca dele, a tapando, e fazendo sinal de que não podiam fazer barulho.
— E um belo pijama, aliás, West. – Falou observando as pernas nuas de Jade, com aquele short folgado, ela também usava uma blusa grande por cima, mas como estavam se beijando, a blusa havia levemente subido e Beck sabia como, afinal, estava com a mão na barriga de Jade.
— Você que não pareceu se preocupar muito em me esperar, não é? – Falou Jade olhando para os trajes do garoto. Ele usava um calção azul, com uma blusa de manga por cima. – Nada sexy, Oliver.
— Se tivesse me avisado, teria me vestido melhor. Eu sempre me preparo para coisas boas como essa... – Beck fez Jade rir enquanto ele a puxava para mais um beijo. A língua dos dois se encostavam em suas bocas, em plena harmonia, em um beijo calmo, mas cheio de desejo.
— Ainda acho uma idiotice seus pais não terem nos colocados no mesmo quarto. – Opinou Jade tirando o cabelo do rosto para que pudesse fitar Beck.
— Digamos que eles são bem tradicionais, daria uma bronca danada se eles vissem você aqui, em especial se minha tia nos visse. – Explicou o canadense. – Mas e você, queria mesmo ficar no mesmo quarto que eu? – Beck sorriu com olhar malicioso. – Acho que não deixaríamos ninguém dormir, você concorda?
— Como sabe? Nunca fez nada comigo pra saber. – Falou Jade referindo-se ao fato de que eles nunca tinham ido mais longe à relação, apesar de os dois não serem mais virgens, Jade queria ter certeza quanto a isso e Beck concordava inteiramente com a morena, apesar de em algumas horas ficar bem tentado a iniciar coisas como essa.
— Sempre tem uma primeira vez pra tudo... – Falou Beck fazendo Jade rir.
— Eu sou o sábio, Oliver, olhem para mim. – Foi à vez de Beck rir com a imitação da garota, até que os dois se calaram, pois ouviram barulhos no corredor. Parecia uma porta se fechando, os dois pararam para escutar, mas depois de um tempo não havia mais barulho então continuaram a se olhar. Beck afastou os cabelos que estavam caídos sobre o rosto de Jade, e a beijou bem na bochecha.
— Você machucou muito o braço? – Perguntou preocupado, fazendo carinho em sua nuca.
— Já estou bem, Oliver. Não tenho tanta frescura assim. – O garoto riu baixo.
— Eu sei bem disso! – Beck a puxou para si, ainda com a garota em cima dele. Jade rapidamente abriu os lábios pronta para recebê-lo. Os lábios do garoto finalmente encontraram os dela, e os dois começaram o que sabiam fazer muito bem. Rapidamente aquilo já estava deixando os dois excitados, Beck segurava a cintura de Jade fazendo com que ela pudesse mexê-la sobre ele, e a garota apenas levava seu corpo de encontro ao corpo de Beck como podia, sempre os apertando mais e mais. As mãos de Beck foram para as pernas da garota, enquanto eles se beijavam. Beck as ajeitou fazendo-a ficar com as pernas abertas em volta dele. A morena se movia conforme o beijo ia ficando mais quente, apenas subindo e descendo com a cintura, aproximando a intimidade dos dois juntamente com os movimentos. Logo ela pôde sentir, o membro já duro de Beck roçando seu pijama. O garoto soltou um gemido enquanto Jade dirigiu os beijos para o pescoço dele, o mordendo ali. Beck a afastou de leve, enquanto pedia passagem para retirar a camisa, Jade deixou, sentindo seu sangue subir ao olhar para o peitoral definido do canadense. – Melhor assim, West? – Perguntou sorrindo malicioso, enquanto Jade fazia que sim com a cabeça. Logo voltaram a se beijar, cada um tocando no corpo do outro, os conhecendo mais até que aquilo ali não parecia mais possível, pois precisavam de mais. Beck sentou com Jade ainda por cima dele, os dois ficaram se olhando por um tempo, até que Beck se lembrou de algo que precisava perguntar. O momento necessitava de algo a mais se eles realmente fossem fazer aquilo. — O que você ia dizer antes de... Perguntar sobre meus pais? – Jade arregalou os olhos e se não fosse pela quase escuridão do quarto, Beck podia jurar que viu Jade corar.
— Porque isso agora, Oliver? – Perguntou envergonhada e tentando disfarçar.
— Porque eu realmente preciso saber, Jade. Também quero te falar uma coisa e acho que é a mesma que a sua. – Jade pareceu pensar um pouco mais e abriu a boca para dizer algo, mas simplesmente não conseguiu. – Eu não faço ideia se você ia dizer mesmo isso, mas eu... Eu, bom depois de hoje, eu posso afirmar tanto pra você como para mim que, bem... Eu amo você. É serio. – Falou deixando-a ainda mais afetada. Jade não conseguia falar mais nada, apenas sentir seu coração batendo mais forte. Beck aproximou seus lábios do dela, em busca de mais um beijo, mas Jade afastou o rosto, ainda sem dizer nada. Ele arqueou a sobrancelha como se pedisse uma explicação para aquilo, mas ela apenas desviou o olhar e disse em tom baixo.
— Eu também te amo, Oliver. – Beck conseguiu escutar e Jade temeu que ele não tivesse escutado, mas quando levantou os olhos e viu que o garoto a encarava com um sorriso realmente largo, ela apenas sorriu de volta e depois tomou sua expressão séria de novo para que ele não pensasse mais alguma coisa dela.
— Pode repetir, Jade? – Perguntou Beck se sentindo tão feliz naquele momento que mais nada poderia explicar tal sensação.
— Não vou repetir, Oliver. Terá que se contentar com isso. – Falou sorrindo malvada de canto.
— Isso já basta pra mim. – Beck a agarrou em seus braços, a beijando mais rapidamente, os dois começaram tudo de novo, algumas vezes Jade gemia baixo, mas Beck não sabia se era de prazer ou se apenas seus lábios estavam doendo, cada vez que ele a beijava mais aceleradamente. Os dois se deitaram na cama novamente, Jade prestes a tirar seu short quando ouviram alguém chamando seu nome lá fora. Parecia a voz de David. Os dois se separaram e Jade e Beck saíram da cama, quando escutaram uma detestável voz.
— David? O que faz aqui? – Mercedes parecia tentar ajudá-lo.
— Ele vai dizer que eu não to no quarto. Tchau, Beck. – Jade falou rapidamente e em um segundo, destrancou a porta e passou por ela. Beck arregalou os olhos, assustado, sabendo que sua tia iria vê-la saindo de seu quarto, e não ficaria nada bem. O garoto saiu também do quarto, alarmado.
— Jade? – Falou em alto e bom som, fazendo com que sua tia e David prestassem atenção nele. Os dois pareciam tão distraídos que pelo que Beck percebeu, eles nem tinham notado Jade saindo de seu quarto, mas onde estaria a garota? – Jade? Hum... Onde está a Jade? Estão procurando por ela? O que aconteceu? – Sua tia lhe olhou desconfiada, sabia que o garoto parecia nervoso.
— O que tem eu? – Perguntou Jade saindo do banheiro. Ela os encarou despreocupada, Beck não sabia como ela podia transparecer tão normal, mas Jade parecia totalmente confiante. – Eu estava no banheiro, o que aconteceu?
— Eu tive um pesadelo e procurei por você na cama, mas você não estava, então saí pra te procurar. – Explicou David esfregando os olhos, ele parecia ter chorado, Jade sentiu pena dele. Se não fosse verdade, sabia que o garoto não teria a intenção de prejudicá-la, principalmente porque ele nem sabia o que ela estava fazendo.
— E você, Beckett, o que estava fazendo acordado há essa hora? – Perguntou Mercedes cruzando os braços.
— Estava sem sono, digamos que o jantar me deu um grande dor de cabeça. – Mercedes pareceu resmungar e Jade sorriu com a resposta do canadense.
— Tudo bem, andem, vão para seus quartos antes que acordemos a casa toda por nada. – Ordenou Mercedes e Jade foi até David entrando no quarto com ele, mas antes de fechar a porta, fitou Beck sorrindo maliciosamente. – E Beckett, trate logo de vestir a camisa, não está nem quente. – Falou Mercedes entrando no quarto.
— Ah, a senhora não faz ideia. – Sussurrou Beck para si mesmo, antes que pudesse entrar no quarto, Jade abriu a porta do seu e colocou a cabeça pra fora para fitá-lo. – Boa mentira, West. – Sussurrou pra ela.
— Tenha uma boa noite, Oliver. – Sussurrou de volta para ele.
— Não vai dizer mesmo que me ama? – Perguntou entre sussurros.
— Ah, vá se danar, Oliver. – Falou Jade em tom de voz normal, os dois perceberam a besteira que tinham feito e taparam suas bocas enquanto sorriam um para o outro, logo trataram de entrar quando ouviram Mercedes em seu quarto. A senhora abriu a porta e colocou a cabeça pra fora, mas quando viu que não tinha ninguém no corredor, entrou novamente. Beck e Jade estavam de costas para a porta, cada um na sua, rindo internamente da cena, mas foram dormir, pois amanhã seria um dia maior do que fora este, se é que é possível.
Próximo Capítulo:
“Uma linda garota carrancuda.”
“Você está grávida dele.”
“Fique longe da minha namorada!”
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