Asphalt Café
9 It is not a Meeting
Notas iniciais

Beck tocou a campainha da casa e uma voz lá de dentro gritou: “VOCÊ ABRE!”. Era a voz de Trina com certeza. Tori abriu a porta e sorriu para o canadense.
– Buuu! – Disse o canadense, sorrindo para a garota.
– Buuu! – Respondeu Tori levantando as palmas das mãos próximo ao rosto. – Pois é, oi de novo Beck! David! – Tori gritou e ouviu algo em resposta. – Ele disse que já tá vindo.
– Ah legal! Onde está a Jade? – Perguntou ficando um pouco com vergonha.
– Ela tá lá em cima... Fazendo alguma coisa que ela não me conta e nem vai contar, porque ela nunca me conta nada. – Beck riu.
– É bem a cara dela! – Dessa vez foi Tori quem riu.
– Então você realmente vai embora... Amanhã? – Perguntou com curiosidade.
– É... Hoje é meu ultimo dia, amanhã vou passar um pouco mais cedo na Hollywood Arts, assinar alguns papéis, e de lá vou direto para o aeroporto. – Explicou com ar tristonho.
– É uma pena! Pelo menos passa aqui antes, pra sabe... Se despedir de mim, da Cat, da Trina e da... Jade, e do David, é claro! – Tori tentou ser o mais sutil, mas Beck logo percebeu.
– Não se preocupe, Tori. Eu já meio que vou sair com a Jade hoje a tarde.
– O QUE? – Gritou e logo olhou para os lados para ver se alguém tinha notado.
– Não é um encontro. – Afirmou Beck levantando as mãos em sinal de rendição. – O David vai conosco e a Jade deixou isso bem, bem claro.
– Entendo, quem sabe eu não possa ajudar. – Beck não entendeu, mas assim que David chegou e pediu desculpas á Beck por fazê-lo esperar, Tori puxou o garoto para que conversassem a sós e disse algo para David, o fazendo sorrir largamente e assentir para a garota. – Até mais, Beck. – Tori sorriu travessa e Beck pode ter certeza que a garota fizera algo, mas não iria mencionar nada a David, é melhor que ficassem assim. André, Beck e David foram para á HA e Tori fechou a porta da casa e imediatamente subiu para ver Jade. Chegando ao andar de cima, bateu três vezes na porta até que uma morena irritada a abriu e olhou ameaçadoramente para Tori.
– O que quer, Vega? Não basta morarmos na mesma casa ainda quer ficar no mesmo quarto que eu? – Perguntou Jade arqueando a sobrancelha.
– Não é que... Fiquei sabendo que vai ter um encontro com o Beck e...
– QUEM FOI QUE TE DISSE ISSO? FOI ELE? – Jade passou pela garota como um furacão e já foi descendo ás escadas pronta para procurar e matar um certo professor canadense.
– Não, não, não, Jade, olha para mim... – Mas a garota não escutava. – JADE, NÃO FOI ELE! – Tori teve que gritar, mas logo se arrependeu disso.
– PAREM DE GRITAR AI EMBAIXO, NINGUÉM PODE GRITAR NESSA CASA! – Um grito foi ouvido de lá de cima e Jade e Tori se fitaram.
– NINGUÉM GOSTA DE VOCÊ! – Gritou Jade.
– CALA A BOCA, TRINA! – Gritou Tori se juntando à morena.
– E você, não grita comigo! – Ordenou Jade se voltando para a Vega.
– Tudo bem, relaxa. Não é um encontro, já entendi. Acalme-se! – Tori tentou tocar nos ombros de Jade para fazê-la sentar no sofá de forma delicada, mas a morena simplesmente afastou as mãos de Tori e sentou por conta própria.
– Não é um encontro. Nós só vamos sair para algum lugar que eu não sei onde é... – Tori a olhou de forma sugestiva. – Não é um encontro e o David vai conosco. – Resmungou Jade.
– Ok, já entendi! – Tori sorriu triunfante por saber que seu plano iria dar certo. – Mudando de assunto... Você viu que vão cortar a árvore daí do lado?
– E o que isso tem a ver com a gente? – Perguntou Jade.
– É que área ai do lado é um parquinho e só tem uma árvore impedindo a visão de lá do meu quarto. – Tori começou a ficar nervosa, só queria mudar de assunto, mas não queria entrar nesse tipo de assunto que a envolvia.
– Sim, o terreno do lado é um parquinho gigante para crianças, mas sim, tem uma carvalho gigante e vão cortá-lo, o que você tem a ver com isso? A única coisa que vai dar pra ver da sua janela é a casa do Zac, isso não é nada demais. – Murmurou Jade não dando muita atenção para o assunto e ligando á TV. Tori agradeceu por dentro. Por mais que o vizinho fosse irritante, ela tinha curiosidade nele, e o achava muito bonito, que mal tinha ficar só olhando? Desde que não se envolvesse, o que parecia impossível com a arrogância do loiro, estaria tudo bem para os dois.
– Eu não aguento mais, me deixa em paz, Robbie. – Cat entrou na casa gritando com o garoto que a seguia.
– Cat, eu não fiz nada com aquela mulher. Eu só dei um biscoito para o cachorro dela. – Tentou Robbie entrando na casa.
– Ele não merecia biscoito extra. – Gritou Cat se jogando no sofá e cruzando os braços como uma criança que quebrara o brinquedo.
– Cat, eu...
– O que você fez para ela? – Perguntou Jade se levantando e cruzando os braços.
– Eu não fiz nada, mas que droga! – Robbie agora parecia mais preocupado, mas um pouco temeroso, afinal, Jade sempre defendia Cat, mesmo que às vezes parecesse que ela não ligava para a ruivinha.
– Cat, nos conta o que aconteceu?! – Perguntou Tori gentilmente.
– Robbie e eu estávamos lá na loja, e ele estava no escritório dele nos fundos enquanto eu examinava um cachorro de rua que havia sido atropelado. Uma garota feia chegou à loja e...
– Ela não era feia e... – Jade e Cat lançaram um olhar ameaçador para Robbie e ele se sentara no outro sofá ficando calado.
– Eu não podia parar de atender o cachorro atropelado e pedi para que o Robbie atendesse a mulher...
– Você sempre me pede para fazer isso. – Resmungou Robbie.
– Cala boca, Robbie. – Murmurou Jade.
– E quando eu acabei de atender o cachorro e chamei uma ONG responsável por animais de rua, o Robbie tava dando biscoito para o cachorro da mulher. Ele não merecia biscoito. – Cat falava enquanto fazia bico. Geralmente ela era doce e bondosa, mas quando estava com ciúmes, nem um cachorrinho escapava.
– O cachorro só tinha vomitado, segundo a dona, eu apliquei aquela injeção que você pediu para dar quando acontecesse isso e dei um biscoito ao cachorro, foi só isso. – Explicou Robbie.
– VOCÊ DEU BISCOITO EXTRA PRA ELE! – Gritou Cat com sua voz fina e com o dedo apontado para Robbie.
– Han, não quero me meter... – Começou Tori e Jade a olhou atenciosamente. – Tá bom, talvez eu vá me meter, mas... Cat, o Robbie só deu um biscoito a mais para o cachorro, que mal tem nisso? – Perguntou Tori tentando ajudar.
– Ele ficou olhando para a moça feia. – Sussurrou Cat depois de um longo tempo em silêncio.
– Não olhei, não! – Murmurou Robbie, Tori e Jade o olharam e ele se encolheu.
– O Robbie sempre olha para as moças que entram na loja. – Acusou Cat.
– É claro, afinal com eu vou atender as pessoas sem olhar para elas.
– Finja brincar de cabra-cega. – Revidou Cat.
– Você sempre me manda atender as pessoas da loja quando na verdade você devia estar fazendo isso, você têm ajudantes e nunca manda eles irem “ajudar”. – Disse fazendo aspas com as mãos.
– Você fica enfornado naquele computador o dia todo.
– Porque é o meu trabalho. – Afirmou o Shapiro.
– Pode estar fazendo coisas que eu não sei que esteja fazendo. – Jade e Tori apenas observavam a discussão dos dois.
– Cat, pelo amor de Deus, eu só estou trabalhando! – Tentou Robbie.
– Mas você olhou para ela. – Acusou Cat novamente. – Eu não vou falar com você! – Cat se levantou do sofá decidida e foi subir as escadas. – E agora eu quero brincar de cabra-cega, onde está o David? – Perguntou Cat se animando rapidamente e batendo as mãos umas nas outras.
– Ele foi para a escola. – Disse Tori.
– Ahh! – Murmurou a ruivinha já ficando desanimada e indo para seu quarto.
– Talvez isso seja o casamento. – Disse Jade e nem Robbie nem Tori entenderam. – Sabe... Vocês dois parecem estar casados, trabalham juntos, saem juntos, e fazem outras coisas juntos que eu nem quero saber. Até irem naquela maratona juntos você vão. Talvez estejam precisando de um tempo. – Tori e Robbie a olharam chocados enquanto Jade focava sua atenção no nada e apenas dizia as palavras aleatoriamente.
– Tá dizendo que Robbie e Cat deviam se separar? – Perguntou Tori.
– Sim... Não... Quem sabe são eles, só acho que deviam parar de parecerem tão... Casados. – Jade começou a subir as escadas na direção de seu quarto, já que a escada da casa era dupla, para a direita eram os quartos de Trina e Tori, respectivamente e para o lado esquerdo eram o de Cat e o dela. – E vê se não magoa a ruivinha. Eu não me importo com ela, mas... – Jade deixou o “mas” subtendido e sumiu de vista no seu corredor.
– É Robbie! Tenta não ficar olhando para as garotas da loja. – Disse Tori também indo subir as escadas só que para na direção contrária a de Jade.
– Mas ela nem olhou para mim! – Murmurou Robbie saindo da casa preocupado. Por mais que ele tivesse dado uma repaginada no visual, do tipo, não usar mais óculos e sim, lentes de contato da cor de seus olhos, não ficar mais para cima e para baixo com Rex que agora ficava em casa e ás vezes saía com as garotas de North Ridge, mas nunca ficava com a galera, mesmo assim, as garotas ainda não prestavam muita atenção no Shapiro, ele continuava a ser o “Nerd” da escola, apenas um pouco mais bonito do que antes. – Talvez o Rex me dê conselhos. – Disse para si mesmo indo na direção de seu carro. – Ou vai ver ele vai me dizer para esquecer a Cat, porque sou um erro para o mundo, acho melhor eu pedir desculpas para minha moranguinha. – Falou sorrindo e planejando quando iria fazer isso.
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– Atende a porta, Jade! – Disse Trina colocando os pés no centro da sala e cortando suas unhas, Jade fez cara de nojo, mas levantou-se para atender a porta.
– Só porque quero! – Disse olhando feio para Trina. Antes de atender a porta, pensou bem e se voltou para Trina novamente. – Você não tem nada melhor para fazer, não?
– Eu vou para o Shopping com a Paulina, nós vamos comprar os novos saltos que estão à venda. Quando eu sair de casa todos os paparazzi vão vibrar de emoção. – Trina falava convencidamente. Ela não perdia a pose por nada, Tori dava os shows, e a irmã era sua dançarina, o que Tori só fizera por que Trina implorara muito e prometera que não iria arrancar o microfone da irmã como fizera em uma apresentação no Shopping logo no inicio da carreira da Vega. Mesmo sendo dançarina, Trina ficava bem lá atrás no palco, pois não sabia dançar tão bem, mas sabia até disfarçar e isso era suficiente para que ela se colocasse no topo do ranking das celebridades, o que não era verdade.
– Ai garota, cala a boca e vai se arrumar lá em cima! – Ordenou Jade apontando para o andar de cima da casa.
– Você não manda em mim, garota! – Disse Trina. – Só vou quando a Paulina ligar e... – O telefone milagrosamente tocou e Trina o pegou e subiu falando com Paulina sobre uma suposta “sessão” de fotos que ela iria fazer amanhã. Jade finalmente abriu a porta.
– Porque demorou? Pensei que não estivesse pronta... – Disse Beck assim que viu a morena. Rapidamente passou seus olhos pela roupa de Jade, ela usava suas típicas roupas pretas, mas sua maquiagem estava incrivelmente mais leve naquela tarde, o que deixara mais linda do que já era.
– Não faça perguntas idiotas, Oliver. Abro à porta a hora que eu quero. DAVIIID! – Gritou e o garoto apareceu instantaneamente na sala. – Vamos moleque! – Jade disse delicadamente, o que fez o irmão rir.
– Espera! Ei, David, porque você não pega sua bicicleta pra gente poder ir? – Perguntou Beck incentivando o garoto.
– Bicicleta? Para onde nós vamos? Uma estrada de terra abandonada? – Perguntou Jade sarcasticamente, Beck não deu bola para o seu comentário.
– Eu não tenho bicicleta... Mas posso levar meu skate? – Perguntou David.
– Claro! – Beck assentiu e David foi buscar seu skate no quarto. – Eu já disse que você está linda?
– Não, e nem diga, pois não me arrumei para esse encontro. – Disse mal-humorada.
– Então isso é um encontro? – Perguntou Beck sorridente.
– Não, não é!
– Mas você acabou de falar. Eu escutei muito bem... – Agora motivado a irritar Jade, Beck não iria desistir. – E se não se arrumou bem para esse encontro, não se empenhou muito, continua linda. – Beck falou indo para fora da casa, pois vira que David já voltara com seu skate.
– Idiota! – Resmungou depois que o irmão passou pela porta e o seguiu.
[...]
– Chegamos! – Disse Beck sorridente.
– O que? Um parque? Jura? Se eu quisesse ir para um parque teria ido para o que tem do lado da minha casa. – Disse Jade olhando chocada para onde Beck a levara, aquilo definitivamente não era típico de um encontro.
– Eu gostei. Tem uma pista de skate, olha! – David apontou para a pista de skate e saiu na direção dela.
– Garotos não levam garotas no parque para seu primeiro encontro. Como disse que não seria um encontro, pensei logo aqui. Passei por esse parque quando cheguei do Canadá. É adorável! – Disse pegando algumas coisas em sua mochila.
– Ainda não vim aqui!
– Hum... Interessante. – Disse Beck por fim conseguindo tirar uma toalha preta da bolsa. – Me ajuda a forrar, comprei uma preta porque sei que você gosta.
– Isso é uma toalha de piquenique? – Jade continuava a fazer perguntas, incrédula. Mesmo assim ainda ajudou Beck a forrar a toalha preta. – Me passa as comidas, prefiro arrumar a deixar você fazer isso.
– Não tem comida. – Falou Beck. – Estamos num parque, há barracas de cachorro quente por ai, batata-frita, pipoca, pirulitos e tem uma sorveteria bem ali. – Beck apontou para um ponto todo rosa na lateral do parque. Jade observou o lugar. As folhas das árvores faziam barulho quando o vento as agitava, o sol estava esplêndido no céu, eles haviam conseguido um lugar afastado e debaixo de uma árvore e bem a vista para a pista de skate que fazia possível Jade ficar observando David. Tudo era idiota e perfeito ao mesmo tempo. Não era um encontro, era um piquenique sem comida, um lugar apenas para os dois conversarem sem ninguém por perto, quer dizer, ninguém que os atrapalhassem, pois pessoas passavam para cá e para lá toda hora. As crianças corriam em volta das árvores, algumas compravam guloseimas nas barraquinhas, pessoas faziam corridas por ali, mulheres e homens passeavam com seus cachorros, havia alguns velhinhos nos bancos a conversar. Tudo era bonito e mesmo assim não era um encontro. Beck conseguira um milagre. Deixar tudo tão calmo e perfeito, mesmo que aquele fosse um lugar idiota e que Jade não gostasse de ficar perto de tantas pessoas, mesmo que aquelas não os observassem, deixando-os sozinhos. – O que foi? Não gostou?
– É que aqui é bem diferente de onde os garotos geralmente me levam. – Disse Jade. Beck temeu perguntas, mas arrumou coragem e fez assim mesmo.
– E onde os garotos costumam te levar?
– Hum... Boates, festas na casa de alguém, restaurantes, corridas de moto, o Clube do Gorila... – Explicou olhando para o nada. Beck encostou-se a uma árvore e se deitou relaxadamente.
– Corridas de moto? Clube do Gorila? – Jade prestou atenção nele e voltou a ficar irritada.
– Porque está espantado, Oliver? Eram encontros, o que você esperava? – Perguntou preocupada em Beck ter pensando mal dela.
– Não sei, tudo menos isso. – Ele riu suavemente. – Que tipo de caras já namorou?
– Eu não namoro com frequência. – Determinou. – Não que isso seja da sua conta.
– Qual é? Eu não to tirando onda com você e seus encontros, só estou fazendo uma pergunta. Quero te conhecer melhor. – Jade sentiu-se relaxar, Beck ficou surpreso quando a garota deitou-se ao seu lado e encarou as folhas das árvores acima deles.
– Sei lá, motoqueiros, guitarristas de algumas bandas de rock, pilotos de rachas, mas esses não eram meus namorados, apenas...
– Curtição? – Jade levantou as sobrancelhas. – Isso é normal, mas me fala de algum namorado que já teve.
– Hum... Uma vez namorei com um garoto, ele era garçom de um restaurante chique da cidade.
– Então ele foi... O mais normal que namorou? – Perguntou Beck receoso de levar um fora.
– Não, pelo contrário. Ele era revoltado com a vida, de noite participava de uma espécie de gangue que roubava e depois destruía os restaurantes da cidade. – Beck arregalou os olhos. – Eu não fazia nada com ele. Eu até sabia que ele fazia coisas desse tipo e foi por isso que o namorei, ele era... Interessante por não ser como os outros garotos idiotas que ficam com várias garotas por ai e saem contando para os amigos... Mas, ele foi preso depois que eu terminei com ele.
– E porque terminou? – Jade arqueou a sobrancelha. Pensava que o garoto iria ficar chocado por saber daquilo tudo, mas ele não ficara, apenas estava curioso.
– Porque ele ficou chato. Não saíamos mais como antes, ele só queria saber de andar com a gangue dele e quebrar as coisas, uma semana depois que terminamos, ele foi preso. – Explicou por fim.
– Que linda história de amor. – Soltou Beck, Jade não aguentou e começou a rir feito uma boba, quase não se reconheceu. O Oliver apenas a observava, percebendo isso, ela parou de rir.
– E você? Devia ser o pegador da escola. – Jade ficou séria, mas demonstrava interesse na vida do garoto.
– Nem era, eu estava dedicado apenas a estudar atuação, sabe, lá no Canadá também tinham algumas escolas de artes, e embora não fosse tão famosa quanto á Hollywood Arts, eram boas. Eu consegui entrar em uma e...
– Entrou porque pegou a diretora? – E lá estava o humor sarcástico de Jade novamente. – Sei que gosta de mães de alunos, daqui a pouco serão professoras, quem sabe já não foram diretoras.
– Não, não. Fique você sabendo que eu entrei porque eles gostaram do meu cabelo. – E mais uma vez Jade riu alto enquanto Beck balançava sua cabeleira negra para um lado e para o outro. A West pensava que como a maioria dos caras, ele não iria resistir às provocações que ela geralmente fazia para afastar os garotos, mas não, ele se mantinha firme, até agora.
– Ei pessoal, alguém pode me comprar um cachorro quente? Eu to morrendo de fome depois de ter zoado com a cara daqueles caras ali que são iniciantes. – Disse David chegando perto deles e apontando para a pista de skate, onde haviam adolescentes aprendendo a andar de skate.
– Claro! – Disse Beck levantando-se e indo com David a barraca de cachorro quente, eles compraram e Beck também trouxe para Jade e ele.
– O que estavam fazendo? – Perguntou David.
– Só conversando sobre nossas vidas. – Explicou Beck.
– Adultos são tão chatos. – Os dois riram e Jade bateu na cabeça de David de leve o fazendo rir também. – Eu vou voltar para lá e arrebentar com aqueles manés. – Disse depois de comer seu cachorro quente às pressas.
– Então... O que faz da vida? – Perguntou Beck. Jade já estava se soltando na conversa com ele. – Você já sabe que trabalho na HA e que vou embora amanhã, mas eu não sei o que você faz. – Ao escutar as palavras “ir embora”, Jade engoliu em seco, por mais que não gostasse de admitir, não queria que Beck fosse embora. Isso mudaria tudo!
– Eu canto, atuo, dirijo, escrevo peças. Faço coisas assim... – Beck a olhava pedindo mais informação enquanto comia seu cachorro quente. – Agora eu estou um pouco parada, admito. Mas já gravei um CD e por enquanto estou me dedicando á o meu novo, que ainda não tem previsão de sair. Tipo, não escrevo músicas, mas algumas vezes o André escreve e acha elas a minha cara, apesar dele compor para a Tori. Enfim, a realidade é que estou à procura de um compositor, só assim conseguirei gravar meu novo CD. – Explicou.
– Ah, que interessante! A Tori também canta, não é? Vocês já pensaram em fazer alguma parceria?
– Sim, ela canta, e vai lançar seu próximo CD daqui á uma semana. E não, nunca pensamos, isso não daria muito certo, eu acho... – Beck assentiu entendendo a situação, as duas eram difíceis de conviver, imagina trabalharem juntas. – A gente até já cantou, foi legal, mas se fizermos isso mais vezes não vai dar em nada, além do que, a Tori tá na fase propaganda.
– Nunca ouvir falar dessa fase. – Admitiu Beck.
– É a fase onde o artista fica longe por algum momento e volta do nada. Depois que Tori gravou seu segundo CD, ela teve fama, mas logo que suas músicas já estavam bastante conhecidas, ela foi se dedicando á outro CD, e enquanto ela trabalhava nele, ficou “desaparecida” para o publico. Agora, está voltando com novidades, então propostas vão ser feitas. Vão aparecer paparazzi em sua porta, Tori aparecerá em eventos, fará shows, essas coisas, resumindo, ela vai estar no auge. Vai ser uma onda de propagandas da Tori, ou no caso, da Victoria Vega. Argh! – Jade revirou os olhos só de pensar em como o rosto de Tori iria aparecer tanto na TV nas próximas semanas.
– Ah, entendi! Então agora esse é sua fase “escondida”? – Perguntou Beck.
– É! Tipo isso... Aqui tá melado, olha! – Disse Jade sem perceber que já estava limpando um pouco de maionese no rosto de Beck, ele sorriu com isso e ela logo afastou a mão. – Sabe, eu poderia já ter gravado, sei lá, uns onze CDs, mas eu também me dedico ao teatro. Por mais que Tori goste de atuar, ela se dedica mais a carreira de cantora, e essa é a diferença entre nós, além de várias outras.
– E o que fez no teatro recentemente? – Perguntou Beck interessado.
– Eu dirigi algumas peças em um dos teatros daqui de Los Angeles. Mas ainda penso em atuar. – Beck ficava cada vez mais curioso sobre Jade, mas ambos perceberam que já estava ficando escuro.
– Que tal irmos para a sorveteria? David! – Perguntou Beck e depois chamou o garoto que veio correndo com seu skate.
– Que seja, Oliver. Mas eu escolho os sabores. – Disse Jade. – Vamos á sorveteria? – Perguntou ao garoto.
– Não to afim, não! – Tanto Beck quanto Jade ficaram surpresos. – Na verdade eu queria ir para casa, posso ir?
– Mas... – Tentou Jade sem saber o que falar. David nunca recusava sorvete e agora vinha com essa?! E ela também não queria demonstrar ao Oliver que estava interessada em ir para a sorveteria com ele, mas não queria ir para casa.
– Eu posso ir sozinho. – Disse David.
– Nada disso, você é louco? – Perguntou a morena.
– Na verdade, Jade. Ele pode, sua casa é duas ruas depois dessa. Mas se quiser, eu posso levá-lo de carro, enquanto você escolhe os sabores.
– Você o leva, Oliver. Não quero esse pirralho aprontando por ai. – Resmungou Jade.
– O que ela quis dizer, foi... Ela não quer que eu me machuque. – Disse David.
– Tanto faz! – Murmurou à morena. Beck sorriu e depois de guardar a toalha de piquenique na bolsa, foi levar David em casa enquanto Jade se dirigia á sorveteria. Depois que deixou o garoto em casa, estava voltando para o parque e a sorveteria e pensava que se Jade dissera que não era um encontro porque David estava com eles, o que seria agora que David não estava? Pensando nisso, o garoto sorriu e estacionou o carro de frente ao lugar.
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– Deu tudo certo? – Perguntou Tori.
– Sim, eu deixei os dois conversarem a tarde toda enquanto arrebentava no skate e me recusei á ir à sorveteria com eles. – Disse David na sala com Tori, ele levantou a palma da mão e ela bateu com a palma dela na dele.
– Isso ai garoto, você é dez.
– Eu sou cem! Agora cumpra o que prometeu. Eu quero ver a aranha.
– Argh, como você pode gostar dessas coisas? – Perguntou Tori. – Ah, você é irmão da Jade. – David riu. – Então tudo bem, vou cumprir o prometido, vai guardar esse skate que vou te levar na casa do Zac para que ele te mostre a aranha que ele cria como... Animal de estimação. Argh! Afinal esse foi o prometido né? – David foi guardar o skate pulando de animação deixando Tori sozinha perguntando-se sobre como seria essa ida à casa do Smith.
Próximo Capitulo:
“Você que é a intrusa...”.
“Você não pode me beijar!”
“Estou... Sem cueca.”
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