Ashley

1 Suicide Season.


Notas iniciais
As datas citadas no capítulo não correspondem ao tempo atual, ou ao dia em que foram escritas. É minha primeira fic ok? Dêm um desconto se aparecerem furos na história ou erros de grafia. ;;

01 de janeiro de 2000.

Na porta, apenas o número 210 era marcado. As chamas consumiam o interior daquele apartamento. Os gritos intensos e a fumaça cinzenta, marcavam aquela cena como algo destruidor. Depois de um tempo, a silhueta de 3 pessoas estremeciam contra o chão e passos apressados de homens com mangueiras, eram notados no exterior do apartamento. Mas era tarde demais. O fogo já havia consumido tudo, inclusive as três vidas que se encontravam ali. Porém, algo havia quase passado despercebido. Não eram três e sim quatro. A expressão de contentamento no rosto de um dos homens com a mangueira se tornara visível. Ele colocara a pequena garota entre os braços enquanto o resto tentava inútilmente salvar mais algo ou alguém daquele desastre. A garotinha de cabelos negros chorava incansávelmente quando eles conseguiram retirar ela do local de perigo, mas de certa forma, aquilo era um bom sinal. Ao menos por enquanto, aquele era o sinal de que havia vida naquele corpo tão frágil e pequenino.

01 de Janeiro de 2010.

O vento batia de leve contra o rosto da garota de cabelos negros que se perdia em pensamentos, enquanto o veículo atingia seus 80 km/h. Ashley realmente detestava aquela situação. Não suportava passar algum tempo junto de seus tios. E sabia que não podia fazer nada para escapar de tudo aquilo, já que seus pais estavam mortos. A única coisa que poderia fazer, era ficar calada e esperar até o carro finalmente chegar à seu destino: o hotel Chant, que agora seria sua moradia provisória, já que seu tio, Charles, fôra obrigado a se mudar graças à um novo cargo em sua empresa. Aumentou o volume de seu mp4. Agora, a morena ouvia Blow da banda Atreyu e nem sequer havia escutado quando Charles a chamou:

- Hey, bruxinha. -Era assim que eles a chamavam. Era um apelido maldoso, graças ao incêndio que tirou a vida de seus pais. Chamavam Ashley assim, apenas pelo fato de que a garota foi a única que saiu ilesa de lá. Mas isso era o menor de seus problemas, já que nem seu tio, nem sua tia, a tratavam bem.

- O que foi? — Perguntou ríspida, após retirar um dos fones de sua orelha.

- Veja bem como fala comigo. Até onde sei, infelizmente ainda sou seu responsável. — Rspondeu com o mesmo tom da garota.- Estamos chegando no hotel. Não quero saber de você e suas estranhezas arranjarem encrencas com os hóspedes.

A garota apenas fez sinal afirmativo com a cabeça. Realmente queria sair dali o mais rápido possível.

************************

Ao chegarem em frente ao hotel, Ashley foi a primeira a tomar iniciativa e sair do carro. Correu para o porta malas e procurou por suas malas, após Charles ter o aberto.

- Acalme-se bruxinha, já vamos entrar, ninguém mais está morrendo, não é? — Era Mary, sua tia, que falava. Ashley realmente detestava quando ela usava este tom de ironia com ela.

Se segurou para não retrucá-la, pois saberia que depois seria pior. Após finalmente entrarem no hotel, o casal se dirigiu à bancada para se registrarem, enquanto Ashley observava ao redor. Era realmente um local refinado. Mas ao mesmo tempo que gostava daquele lugar, o detestava. Pois sabia o tipo de pessoa que frequentava esses hotéis. Apenas burgueses ao estilo \"fantoches\". Com a mesma maneira de se vestir e a mesma maneira de pensar. Assim como seus tios. Tinha repulsa à isso. Como previu que não iria aguentar ficar ali até terminarem de ser registrados, jogou um olhar para Charles e disse calmamente:

- Vou dar uma volta para conhecer o local, depois eu pergunto em qual quarto ficamos e vou para lá.

- Ótimo, assim poderei ter um tempo a sós com Mary, sem um estorvo ficar no meu caminho.

Apenas deu às costas. Já estava acostumada com o tom que Charles usava. Até o momento, Ashley não havia se interessado por absolutamente nada naquele hotel. Até que finalmente, visualizou uma espécie de bar, entre o corredor dos quartos e o hall de entrada. Não pensou duas vezes e entrou. Os olhares reprovadores das pessoas que lá estavam para Ashley, era fácilmente notado. A garota tinha apenas 16 anos e isso estava praticamente estampado em sua cara, apesar de ter uma mentalidade muito mais madura para alguém de sua idade. Mas isso só ficava claro, se alguém iniciasse uma conversa com a morena, o que não era o caso dos desconhecidos do suposto bar. Ashley sentou-se em um dos bancos em frente à bancada principal, onde um homem alto e velho, trajando uma roupa social, atendia aos pedidos. Era estranho um homem de aparência tão refinada como ele, trabalhar em um bar, mas logo, voltou a se perder em pensamentos, até uma voz grossa e rouca chegar à seus ouvidos.

- Não sabia que aqui também era creche. — Um rapaz de cabelos escuros e arrepiados, trajando uma calça jeans envolta à correntes, zombava aos berros para Ashley que até o momento se mantinha em silêncio.

- O que diabos você disse?! — Levantou-se do banco irritada, deixando à mostra sua camiseta do Bullet for My Valentine, que estava usando.

O rapaz a fitou por alguns instantes, até finalmente descer seu olhar à camiseta, e finalmente se pronunciar:

- Hm, desculpe. Confesso que agora paguei pau pra você, Bullet é? É meio raro ver gente com esse gosto neste hotel.

- Desculpa o caralho, só porque tenho uma banda em comum com você, não quer dizer que eu vá relevar a zombaria, idiota.

- Wow, nossa. Calma aí, senhora sutileza. — O rapaz ria indo em direção à Ashley e sentando-se em um banco ao seu lado. — Não falei por mal, você apenas tem cara de ser nova.

- Ok, e o que você tem haver com isso?

- Olha eu apenas estou tentando ser gentil. Meu nome é Brian, mas por favor, me chame de Synyster. — Estendeu uma das mãos após bradar uma expressão forçadamente simpática no rosto.- Ou Syn, se quiser. — Piscou o olho esquerdo para a garota.

- E que tal eu te chamar de imbecil? — Rebateu Ashley fuzilando Synyster com o olhar.

O rapaz, nada disse, apenas \"guardou\" sua mão e se retirou, dando espaço às risadas de uma garota que estava em pé ao lado dele e assistia à toda a cena.

- Caralho, cortou legal o Syn hein. — A garota tentava abafar o riso com as mãos, mas ele teimava em sair em altas gargalhadas.

- Ele tem cara de se achar melhor do que os outros. Não gosto deste tipo de gente.

- Ele é um idiota mesmo. Mas me diga, você é nova hóspede aqui não? — A estranha perguntava em um tom curioso.

- Sim, cheguei hoje. Me chamo Ashley. Não que isso seja de alguma importância mas enfim...

- Ah é importante sim, senão como diabos eu vou te chamar menina? — A garota voltava a rir. — Me chamo Tainah. Mas pode me chamar de Tai. — Piscou um dos olhos para Ashley, imitando a patética cena de Brian anteriormente e ambas riram.

- Mas me diga, porque você está em um bar se você não pode pedir nada? — Era Tai voltando a falar.

- Ah, é que estava apenas conhecendo o lugar e então acabei vindo pra cá, não achei nada mais interessante.

- Entendo, esse lugar é puta chato mesmo. Se eu pudesse ia embora, mas enfim...

- E porque você não vai?

- Não quero falar disso. Mas enfim, o que acha de sairmos daqui? Assim posso te mostrar o resto do hotel o que acha?

- Acho ótimo, já estou ficando tonta, sem nem ao menos beber e sim de tédio. — Falou após se levantar e se dirigir à saída do local.

Ashley achava Tai um tanto estranha, já que a garota era elétrica e ria de tudo. Ashley não estava acostumada com isso, já que sempre se mantinha fechada e não gostava muito de falar. Mas retribuiu a atenção que a garota estava lhe dando, não deixando transparecer que ela não gostava muito de falar. Tainah falava sem parar, arrastando Ashley de um lado para o outro e mostrando cada canto do hotel.

- ... e aqui era uma garagem antigamente. Mas como eles construíram outra, esta àrea fica, como posso dizer... não \"habitada\", se for colocar em termos populares. — Ela agora, apontava para uma porta na cor cinza.

Neste mesmo momento, Ashley estremeceu. Ela conseguia ouvir uma melodia intensa que vinha de trás daquela porta. Simplesmente permaneceu parada, tentando prestar atenção à cada parte. Após alguns segundos, um solo de guitarra veio à tona e aí sim pôde ouvir com clareza, tirando suas dúvidas de que não era apenas ela que estava ouvindo isso. Em um ato um tanto ousado, não pensou duas vezes antes de abrir a porta. Ela precisava saber quem estava tocando.

- Hey, o que você está fazen... — Mas antes mesmo que Tainah pudesse impedi-la, a garota já havia aberto a porta.

Mas para a surpresa de Ashley, o que encontrara naquele local era muito diferente do que esperava encontrar. E logo, aquela voz rouca e grossa que tanto temia, lhe enchia novamente os ouvidos.

- Vejam se não é a estourada idiota do bar que eu estava lhe contando, Matt. — Synyster agora, largava sua guitarra e se dirigia aos outros rapazes que estavam tocando junto com ele, mas sem deixar de encarar Ashley.

Notas finais
Se ler por favor deixe Review, ok? <3