Ashley
3 209.
Notas iniciais
Desculpem pela demora, semana corrida. Capítulo mais ou menos curto, mas postarei mais um até domingo.
O rapaz encarou Ashley, como se ainda esperasse por uma resposta, porém, esse seu pensamento foi quase que automáticamente \"calado\" quando percebeu certa umidade na região abaixo dos olhos, no rosto da garota.
- Acho que vai chover hein. Aliás, chover não, desabar um temporal. - O que? — A garota por um momento esquecera daquele inferno que se passava em sua cabeça, pois não estava entendendo porque diabos Syn havia feito um comentário tão inútil.- Você está mostrando que também é gente, está chorando! — Respondeu com um imenso tom de sarcasmo. - Seu viado, cala essa boca! — Ashley fechou seus dedos contra a palma de sua mão, deixando apenas o do meio de fora e o mostrando abertamente para Synyster. Era tão idiota.. mas de certa forma, ele foi o único que a tirou daquele momento de tensão. Ela estava grata, realmente, muito grata. Mas é óbvio que não deixaria isto transparecer.- Então estressada que eu não sei o nome. Quer ir lá pra trás e conversar ou seu celular vai tocar e você vai sair novamente correndo como um condenado foge da cadeira elétrica? — Ashley ficava abobalhada perto do rapaz. Era incrível como conseguia fazer piadas até em momentos sérios, como conseguia ser tão insensível e como conseguia fazer com que a morena quisesse discutir com ele. - Ahn.. tudo bem, acho que dessa vez aceito seu convite.- Fez sinal afirmativo com a cabeça, após sua fala. Brian sorriu ao canto dos lábios ao ouvir a resposta da menor. Ambos se dirigiram ao final do corredor, que era apenas uns 5 passos de distância de onde estavam. Passaram pela recepção e caminharam até a porta cinza, onde a banda de Brian ensaiava, porém, ao chegarem na frente da mesma, dobraram a esquerda para um outra porta, que seria uma suposta saída traseira. Os dois permaneceram em silêncio, até finalmente a porta ser aberta e o ar mudar repentinamente. Um jardim. Era isso que havia na extensão traseira do hotel. Ashley de certa forma se familiarizou com aquele lugar. A grama era aparada, e tanto na parte esquerda, como na direita, havia uma espécie de \"muro\" baixo. Onde se concentravam as flores do jardim. Mas a maior parte do local, era coberta por rosas vermelhas e brancas, o que dava um ar até mesmo soturno ao local, se considerasse o fato de que era noite, e de que a lua era a única coisa cintilante que reluzia ao solo em que pisavam. - Então... — Synyster quebrou o gelo entre os dois ao iniciar um diálogo. — Agora pode me dizer seu nome ou quer que eu continue te chamando de estressada? - Ashley. — Falou curta e diretamente, sem nem mesmo olhar para o rosto do rapaz ao falar. - Hm.. Ashley. Não é um nome feio. - Também não é bonito. — Continuava com aquele tom ao falar, porém agora, iniciava uma caminhada a passos curtos e lentos, acompanhada de Syn. - Olha aqui, eu sei que você não me conhece nem a um dia, e que também adora tentar se colocar acima dos outros. Tudo bem, você pode ter seus motivos, mas você acha que só porque você fica tentando agir de má vontade comigo desde que chegou aqui ou porque te vi chorando que vou relevar seu tom comigo? Você não é mais do que eu, não é mais do que ninguém. Todo mundo tem problemas e motivos sabia, você não vai ser privilegiada no mundo só porque deixa transparecer que tem problemas por cada poro de sua pele. Isso pra mim é fraqueza. Você pra mim, não passa de uma fraca e olha que eu deduzi tudo isso apenas em um dia, tem certeza de que eu sou apenas um idiota como você mesma diz e ainda adora estufar o peito ao me chamar assim? — O tom de voz de Synyster mudou repentinamente. Era como se agora ele estivesse realmente motivado em falar aquilo e não hesitava em olhar fundo nos olhos de Ashley ao fazê-lo. Ashley entreabriu os lábios tentando falar algo, mas nenhum som foi emitido de sua boca. A garota ficou pasma ao ouvir tudo aquilo. Porque ele sempre tinha que estar certo? Era verdade, cada palavra... era tudo verdade. - Não precisa falar nada. Se eu te trouxe aqui, é porque eu queria provar para mim mesmo que não valia a pena fazer algum tipo de esforço pra tentar te conhecer.A garota apenas viu a sombra de Synyster passar por sua frente e se dirigir à saída do jardim. Em um ato tão rápido, que nem mesmo conseguiu dizer nada, quanto menos fazer alguma coisa. Mas logo após, fez o mesmo. Já era tarde e estava cansada. Cansada de todo aquele choque, cansada de ouvir as verdades que não queria ouvir. Queria apenas uma boa noite de sono. E assim o fez ao finalmente conseguir entrar em seu quarto. 210. Era algo que que queria superar, era algo que precisaria superar. E foi com esses pensamentos que Ashley adormeceu. Nem mesmo trocou de roupa. Quando se jogou por cima da cama, ficou naquela mesma posição, deixando sua camiseta completamente amarrotada, assim como sua calça e seus sapatos completamente desajeitados por cima dos lençóis. ******************O barulho da água batendo contra o chão era incessante e se misturava com o vapor que predominava no banheiro em que Ashley agora, tomava banho. Fazia poucos minutos que havia despertado e não pensou duas vezes: realmente precisava de um banho. Ao sair do banho, envolta a uma toalha, e com gotas de água escorrendo por seus fios de cabelo negro, Ashley se dirigiu ao criado-mudo, à procura de suas malas. Que por sinal já estavam ali desde o dia anterior. Logo pensou que algum dos funcionários do hotel deveria ter colocado as coisas da garota em seu respectivo quarto, já que seus tios nunca o fariam.
Estava um pouco frio naquela manhã, o que fez a garota colocar um sobretudo preto, sobre a blusa branca de manga curta de trajava. O coturno que envolvia sua calça até a altura do joelho, combinava com o sobretudo. Não sabia porque, mas naquela manhã acordou disposta. \"Só precisava de uma noite de sono mesmo.\" — Pensou ao mesmo tempo em que seu estômago suplicava por comida. Abriu a porta do quarto, olhando para ambos os lados do corredor. Estava vazio. A maioria dos hóspedes deveriam estar na ala de alimentação, para o café da manhã. Ashley fez o mesmo e se dirigiu a ala, pegando um dos pratos e se servindo com variados tipos de comida. O hotel servia em estilo \"buffet livre\", no café da manhã, almoço e jantar. Porém, eram em horários tabelados e quem perdesse tais horários, teria de comer fora do estabelecimento. A garota se sentou em uma das poucas cadeiras livres e começou a ingerir seu café da manhã, composto por elementos -por sinal nada saudáveis- diversos que coloriam seu prato. Fez questão de não direcionar seu olhar para aqueles que estavam à sua volta. Realmente não estava interessada naquelas pessoas. Comeu quieta, assim como se retirou igualmente quieta ao terminar. Caminhou com certa malemolencia, em função da comida, ao percorrer o caminho de volta à seu quarto, porém, deu uma parada brusca ao encarar quem saía do apartamento em frente ao seu, o 209. Sim era ele. Seus cabelos arrepiados estavam mais bem trabalhados naquele dia e o rapaz parou em frente a porta para visualizar algo no celular que o mesmo tirou do bolso, porém, quando Syn visualizou Ashley, fez menção e o fez, instantes depois, passando pela mesma sem dizer uma palavra. A morena não se importaria por ter agido novamente de má vontade, já que mal o conhecia. Mas não iria deixar isso passar assim. Se virou, de maneira completamente espalhafatosa e berrou o nome do rapaz: - Synyster, ESPERA!- O que foi agora? — Disse ao se virar e encarar os olhos radiantes da garota. - Desculpa por ontem. — Respondeu, completamente séria, e deixando isso transparecer à vontade, pela primeira vez.Syn continuou a encarando. De certa forma, conseguia ver a sinceridade que aqueles olhos transmitiam, e também era estranho, mas inegável que algo atraía a atenção do rapaz naquela garota.- Então.. admite seu erro? - Eu sei que você esteve certo o tempo todo, não jogue na minha cara. — Deixou uma risada abafada escapar por entre os lábios. - Ashley... vem comigo para o ensaio de hoje. Arregalou os olhos. Pensava que Synyster estava puto.. e aquele convite tão repentino. Realmente, se surpreendeu.- Acho que estou te devendo essa, não? — Retomou sua postura, aceitando por fim, o convite.- Ótimo, 18 horas. Você sabe onde nos encontrar. Dessa vez sim, poderei te apresentar o resto da banda.- Certo, até lá.Logo que se virou, pôde alcançar a porta de número 210, e finalmente retornando ao seu quarto. Nenhum dos dois perceberam, que ao conversarem, não estavam sozinhos no corredor. Alguém, por entre o espaço vago das janelas e das plantas decorativas, se escondia tentando ouvir a conversa. Só podia ser uma pessoa: Tainah.
Notas finais
Agradeço sempre aos reviews, eles me motivam bastante.
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