Na escola, não me envolvia com as pessoas, mantinha um sorriso que mantinha as pessoas a uma distância amigável. Neste dia um novo professor de Educação Física apareceu para dar aulas. E esse professor era um tanto quanto estranho. Ele não era tão velho, parecia ter uns 27 anos. Só que ele..... meio que......falava umas coisas estranhas. Me dava uma atenção em especial, pois mesmo sendo um tenista, eu sou um péssimo atleta em outras áreas. Ele me falava que eu tinha o rosto muito bonito. Então ele pediu para que eu passasse na sala de Educação Física após o treino de Tênis, e eu fui. Estranhei o fato de estarmos sozinhos. E.... e, ele tocou minhas pernas. As alisou. Falou que eram bonitas, que eu tinha uma boa bunda. Ele.... alisou por entre minhas pernas........ Tirou minha roupa.......... B-baixou as calças e....... e.... me penetrou. Fez sem avisar. Doia tanto. Doia muito, mas muito mesmo. Senti nojo dele e de mim mesmo, pois eu nunca pensei em sexo, ou sexualidade, mas eu me senti enojado. Não conseguia me mexer e sentia que eu não deveria reagir, pois eu sentia medo. Quando ele terminou e deixou aquela nojeira dentro de mim, saiu e eu percebi que eu estava sangrando.

_ Fofinho, não chora — Ele falou enquanto limpava meu rosto — Nós só estavamos tendo um.... treinamento especial! E é um segredo , pois como você é especial não pode contar pra ninguém que eu estou te treinando, pois se não ficarão com inveja e não poderei mais fazer isso. Assim você vai jogar muito melhor!

Fiquei quieto, me vesti e fui pra casa. Não olhei nem falei com ninguém. Cheguei em casa , tomei um banho, troquei de roupa e fui pro meu quarto e peguei meu celular e mandei uma mensagem ao Galius. Começamos a conversar, banalidades. Estava tendando me distrair.

_ Moleque, sai, preciso ficar sozinho — Mitsuki entrou falando.

_ Mitsuki, hoje não tá? Não estou com humor pra brincar de submisso!

_ Não é brincadeira, eu estou mandando.

Não me movi. Então ele me pegou e me empurrou contra a parede e me encontrei nela fortemente. Ele se aproximou de mim e ficou bem perto, com seu rosto bem perto.

_ Você é um viadinho mesmo, se estremesse todo só por eu ter me aproximado. — Falou e eu fiquei quieto. Ele passou a mão sobre meu rosto e foi descendo pelo meu pescoço e chegou as costas.

" Não me toque"

" Eu estou mandando"

"Esqueceu de quem eu sou? Eu te sustento, eu dou a roupinha que você veste, eu dou a comidinha que você come, eu, EU, EU QUE SUSTENTO AQUELA CASA, ENTÃO VOCÊ ME DEVE RESPEITO! SE QUER ALGO LIGUE PRA SUA MÃE! Se é só pra isso que você me ligou me dê licença pois tenho que trabalhar! "

"Olha aqui moleque, vamos repassar as regras, não me veja como irmão, não somos irmãos, aquela não é sua mãe, é minha mãe, a sua tá morta"

Todas essas frases queimaram em minha mente. Mas o pior foi quando o olhei nos olhos. Ele tinha o mesmo olhar que meu professor. Me irritei. Essa foi a primeira vez que eu realmente me meti numa briga, e vi que isso é uma coisa que eu não posso fazer, não por ser fraco mas porque eu não conseguiria me controlar. Me levantei furioso e o empurrei mas ele não caiu, então eu peguei minha raquete de tênis e dei contra a cabeça dele. Peguei um trofeu meu e joguei contra a cabeça dele e o derrubei no chão. Sentei em cima de sua barriga e comecei a dar diversos tapas em seu rosto. Eu berrava, chorava, não me importava se estava fazendo escandalos ou não.

_ IDIOTA, IMBECIL, EU TE ODEIO SEU PERVERTIDO, HENTAI, HENTAI, SHOTACON, MORRA DEZ VEZES, NOJENTO, REPULSIVO, HENTAI, MORRA, IDIOTA, BAKA, BAKA, BAKA! — gritava e nisso Haruna e meu pai apareceram pra ver o que acontecia e me encontraram em cima de Mitsuki com uma cara surpresa e cheias das marcas dos meus dedos — EU SEMPRE LIVRO ESSA SUA CARA E É ASSIM QUE ME RETRIBUI? MITSUKI NO BAKA! — continuei a bater enquanto eles tentavam me tirar de cima dele e quando fizeram me afastaram dele.

_ Eu quero saber o que está acontecendo aqui.

_ ELE É LOUCO! — Mitsuki gritou e começou a falar um monte de coisas que eu sinceramente não ouvi pois minha cabeça rodava e de repente, escuro.

_ Saika..... Saika.... você está bem? — Comecei a abrir os olhos e eu estava no sofá, minha visão estava turva, Haruna estava na minha frente me balançando enquanto uma médica estava com meu braço preso tirando a minha pressão.

_ Como ele está doutora? — Haruna perguntou.

_ A pupíla não está dilatada e a pressão está normal — falou enquanto eu me sentava. Segurei minhas pernas enquanto olhava pro lado. A médica olhou para o meu rosto e olhou para o resto da " família ".

_ Aconteceu alguma coisa aqui?

_ Saika chegou, foi pro quarto, e quando Mitsuki chegou, não deu cinco minutos e eu ouvi gritos, pois Saika atacou o irmão dele enquanto gritava um monte de coisas sem sentido. — Meu pai falou.

_ Isso é verdade mocinho? — se abaixou até a mim e falou olhando pro meu rosto e eu assenti. — Por que você atacou o seu irmão? — me perguntou gentilmente.

_ Eu não tenho irmão. Mitsuki não é meu irmão. Haruna não é minha mãe. Minha mãe morreu. Não me toque. Esqueceu de quem eu sou? Eu te sustento, eu dou a roupinha que você veste, eu dou a comidinha que você come, eu, EU, EU QUE SUSTENTO AQUELA CASA, ENTÃO VOCÊ ME DEVE RESPEITO! SE QUER ALGO LIGUE PRA SUA MÃE! Se é só pra isso que você me ligou me dê licença pois tenho que trabalhar. Olha aqui moleque, vamos repassar as regras, não me veja como irmão, não somos irmãos, aquela não é sua mãe, é minha mãe, a sua tá morta — comecei a misturar frases fazendo que as coisas perdessem o sentido.

_ O que está acontecendo aqui senhor e senhora Totsuka? Ele está em choque. Parece que tem sofrido algum tipo de abuso. Sabem de alguma coisa, algum comportamento estranho nos últimos dias..... vocês reparam ao menos nele? Isso está me parecendo caso de abuso infantil. Vocês estão mau tratando essa criança?

_ Não , claro que não, que absurdo, tratamos com total carinho e amor — Haruna falou.

_ Certeza??? De onde ele tirou essas frases ein? Podem me dizer? Estão atentos as atitudes do seu filho?

_ Realmente........... eu estou grávida, então não tenho dado muita atenção a ele e Daisuke trabalha muito.

_ Vou ficar de olho em vocês Totsukas, pois na menor desconfiança que eu tiver eu aciono o conselho tutelar.

Os membros Totsuka me olharam estranho. Começaram a tentar prestar a atenção em mim. Só tentaram, pois a partir daquele dia eu..... desisti de mim. Galius, Xiemi e Izumi estranhavam minhas atitudes, mas eu não dizia nada. E a partir daqueles momentos eu..... passei a transar com meu professor. Não é como se eu quisesse, mas eu só.... não me importava. Ele queria e eu não me importava de dar a ele o que ele queria. Só isso. E assim o tempo passava. Izumi, Xiemi e Galius eram bons amigos. Era só que eu.... parei de me importar. Sorria para todos acharem que eu estava bem mas meus amigos percebiam. Não eram burros. Em casa estavam muito preocupados com o bebê, uma menina, Satsuki,uma mistura dos nomes Saika e Mitsuki. E finalmente nasceu.

O tempo passava e eu não me importava com nada nem ninguém. Meus amigos tentavam de qualquer jeito me chamar a atenção, falavam que o Saika que eles conheciam tinha sumido, eu só jogava e permitia o professor fazer sexo comigo. Eu apenas permitia, mas eu não gostava nem desgostava. Passei a ser uma casca vazia para o mundo e apenas um buraco em potencial para o professor.

Os anos passavam e Satsuki crescia e meu professor passou a tentar mais coisas. Ele nunca me bateu nem nada, se tivesse dias que eu falasse que não era não. Ele sempre quis me beijar por exemplo, mas eu nunca deixei. Já que ele tirou uma virgindade minha que eu nunca planejei perder, ao menos meus lábios seriam guardados ao meu amor.

Os anos passaram e parece que meus amigos se acostumaram ao meu novo eu. Que sorria por sorrir, por puro e mero costume do ato. Mas no meu último ano de escola eu só consegui suportar mesmo por causa de uma pessoa. Essa pessoa nunca soube de minha existência. Foi mais fácil, pois Mitsuki já estava no primeiro ano do colegial, mas mesmo assim. Esse tempo todo, eu sabia dos boatos de que eu " estava dando pro professor " e e ficava quieto. Não havia porque brigar, o que eu fazia. Sorria.

" Hahaham..... Oh, pessoal, não falem essas coisas estranhas....."

Eu olhava a uma pessoa que me dava força. Uma pessoa que..... parecia aguentar tudo sozinho. Os boatos sobre mim só pararam quando os boatos de uma pessoa assustadora, quieta, sombria, que não falava com ninguém. Desculpa, acho que não há necessidade de falar isso. Só basta saber que olhar como essa pessoa convivia com tudo me dava força.

Depois da minha formatura, consegui até manter um contato com Galius, Izumi e Xiemi, mas o frente a frente foi ficando cada vez mais escasso.

Um dia estava em casa, lendo um livro. Haruna saiu e meu pai trabalhava, então Mitsuki e eu estavamos sozinhos. Tinhamos que cuidar de Satsuki.

_ Vou sair. Tenho ensaio da banda — E desde quando o Mitsuki tem banda? Pensei que ele só piruetava, mas parece que ele já toca, canta, faz as bagaça toda. — Fica de olho na pequena, me cobre aí, papai e mamãe tão fora, e falaram pra eu não sair, mas eu preciso. Me cobre aí..... é.... isso... é uma...ordem. É, uma o-ordem — Ele estava com medo é?

_ TSC...... Faça o que quiser. Só deixe a pirralha aqui, não me moverei de onde estou. — falei sem tirar os olhos do meu livro. Na verdade não prestava atenção a ele.

_ É.... vou botar o lixo fora.

_ É sua vez não? — perguntei.

Pegou tudo e saiu. Ouvi o barulho da porta. Satsuki tinha três anos, brincando na sala. Lia meu livro, no meu canto. Uns minutos depois olhei pro lado e ela não estava. Comecei a procurá-la com os olhos, e percebi que a porta estava aberta. Corri. A menina andava até o meio da rua. O que chamou a atenção desta retardada, para que ela fosse a rua?

_ Neko-chan.....kawaii — Ahm, explicado, a monga iria dar com a fuça na frente de um carro que estivesse passando por causa do neko-chan kawaii?

Olhei. Tinha um carro desgovernado. Um carro desgovernado numa zona residencial? Corri. Pulei em cima dela, e..... nós dois fomos atropelados. Não consegui tirá-la da frente. Nós dois fomos atropelados. Não lembro de mais nada. Lembro que após isso eu estava acordando. Um quarto branco, minha cabeça doia, soro na minha veia.

_ Sai-chan??? — Haruna me olhou e começou a chorar — Sai-chan — se agarrou a mim chorando.

_Onde tá a pirralha? Onde? — perguntei.

_ É...... muito obrigada Sai-chan. Você protegeu ela. Só que..... ela mesmo assim ficou muito machucada. Ela..... ela....... — não conseguia falar.

_ Tá em coma Saika.- Mitsuki falou. — Se você não tivesse se jogado junto com ela, pelo tamanho dela e a velocidade que o carro que atingiu vocês estava, ela teria morrido. Você a salvou. — Continuou.

_ Foi..... culpa minha. Foi culpa minha.

_ Tem uns policiais aqui querendo ouvi-lo Saika — óh? Meu pai estava aqui também? Não tem trabalho?

_ Pai, você deveria estar trabalhando.

_ Não Saika, os filhos dele estão no hospital e ele trabalhando? Seria um absurdo não? — Haruna falou.

Os policiais entraram. Um cara gordo e um com cara de mais novo, mais amigável.

_ Desculpe o incômodo mas temos que perguntar umas coisas a você — o mais magro falou — Sou Shinomyia Io e este é Dimond Iori, prazer.

_ Prazer... tem como conversarmos em particular? — perguntei.

_ Não. Você é menor, tem que ter ao menos um responsável junto a você. — Dimond falou.

_ É algo rápido , não se incomode. Só queremos saber o que você lembra.

_ Eu estava lendo......... deitado no sofá. Acho que era meu dia de botar o lixo fora, então .......coloquei. E..... eu acho que quando eu voltei, eu deixei a..... porta entre aberta. Ela não teria como alcançar a maçaneta. Não tinha. Voltei a ler. Não lembro onde Mitsuki estava. Acho que estava dormindo. Voltei a ler e quando eu percebi... ela já não estava mais, o resto vocês já sabem. É culpa minha. Foi culpa minha. Foi tudo culpa minha.

_ MENTIRA! — Mitsuki gritou — MENTIRA, MENTIRA, MENTIRA, NÃO É CULPA SUA, NÃO É , NÃO É , A CULPA É MINHA, MIIIINHA! A culpa é minha, a culpa é minha, minha.

_ Então conte a sua versão senhor Totsuka onii-san. — Dimond falou.

_ A história tá certa, mas algumas coisas são mentiras. Eu não estava dormindo, não era o dia do Saika de por o lixo fora, era o meu dia. Meus pais falaram pra eu não sair, mas eu sai. Fui pro ensaio da minha banda. Eu sai tirando o lixo, só que...... eu deixei a porta entre aberta. O Saika estava lendo sim, estava, só que não era só responsabilidade dele cuidar da Satsuki, mas a culpa foi minha. Ele estava só me protegendo.

_ Crianças — Shinomyia falou — a culpa não é de ninguém. A culpa é do motorista bêbado que atingiu vocês. Não se culpem. Totsukas, venham venham aqui um minuto.

Conversavam com meu pai e Haruna enquanto Mitsuki ouvia atrás da porta e arregalava os olhos.

_ Desculpa Saika. Você estar assim é.... minha culpa.

_ Tsc........ Não é como..... se eu me importasse.... ou algo do tipo....... eu nem me machuquei de verdade.

Sai do hospital e até hoje não sei se investigaram ou não. Só sei que minha irmã ainda está em coma.

Flashback off

Saika pov off

_ Totsuka...... desculpa. Não sabia disso tudo — Hachiman falou.

_ Não há porque você se desculpar. Você não teve nenhuma participação nisso.

_ Eu sei. Só não sei o que falar mesmo. Muito obrigado por ter confiado isso a mim. — falou abraçando o garoto.

_ Quero que me diga uma coisa. Diga a mim. Me analise como você analisa a todos. Eu sou um mentiroso? Um falso? Um farsante? Por favor. Me diz!

_ Uhm... você... é um farsante. Um mentiroso. Só que as vezes ser um mentiroso é bom. Suas mentiras é um modo de defesa. Seus sorrisos não são falsos, porém, você o usa para manter uma distância amigável das pessoas, pois as vezes eu acho é que você não quer mostrar seu lado feio. Seu lado que chora, que reclama, que contraria as outras pessoas e todos nós temos todos esses lados, em contra partida, é isso que você mostra em casa. Isso faz com que você não vire intimo de ninguém porém não vira inimigo de ninguém. Então, você teria tudo pra ser uma pessoa diferente, só que você não é. Você é uma pessoa melhor do que eu, e não importa o que você faça, ao menos a você eu sempre direi isso.

_ Mas como? Como eu sou melhor que você? COMO? Eu sou falso, finjido, promíscuo...

_ Como assim promíscuo?

_ Você não ouviu Hachiman? Eu ficava fazendo sexo com meu professor, sexo esse consentido por mim! CONSENTIDO!

_ Você não consentiu nada a ninguém Totsuka. Ele se aproveitou de você. Ele é o culpado, ele é o errado, o pervertido shotacon. Não é sua culpa. Não é! Não importa que você diga que você queria, pois não é verdade, você nunca quis, você só não resistia a isso. E sabe, depois da aula não iremos pra casa. Antes eu vou levá-lo a uma delegacia. Você irá denunciar esse professor.

_ Mas como? Eu nem tenho mais como provar nada!

_ Não é questão de provar ou não, que isso eu sei, mas você denunciando-o, mesmo que ele não possa ser julgado pelo que fez a você, isso vai fazer com que ele seja investigado e se ele estiver fazendo algo com outra criança, iremos salvá-la. Você quer que outras crianças que passaram pela mão dele fiquem sem justiça?

_........ é que....... tenho medo. Não sei.... se conseguiria.

_ Não há nada a temer. Eu vou estar com você. Ao seu lado, ouviu Totsuka?

_ Hachiman.... já que....você é o único que me conhece verdadeiramente..... gostaria que..... você.... me chamasse pelo primeiro nome. Como você fez daquela vez.

_ ......S-Saika.

Saika sorriu ao ouvir seu nome.