Asgard Dirty Secrets
2 This time don't need another perfect lie
Notas iniciais
Finalmente James, Wagner, Katarina e Eisa retornaram de sua longa viagem a Vanaheim. O teatro itinerante de James, ao longo daqueles anos, ficara famoso em vários reinos. Geralmente se apresentavam durante alguns dias em cada localidade que iam. Por este motivo, as viagens por vezes levavam algumas semanas. Dessa vez, o grupo havia passado duas semanas fora.
O rapaz de cabelos loiros, olhos azuis claros e sorriso largo correu pelos jardins em direção aos braços de Aredhel.
– Mãe Aredhel! — exclamou Wagner – Senti tanto sua falta madrinha. — abraçou-a apertado e a rodou no ar.
– Também senti meu filho. — Aredhel se encolheu junto ao peito dele. — Que bom que retornaram. Eu já estava com saudades. E quanto aos outros? — indagou.
– Estão vindo aí e.. — ele começou a falar, mas foi interrompido pela chegada de sua irmã, Katarina.
– Madrinha! — a moça de cabelos loiros, abraçou Aredhel.
– Mamãe! — gritou Eisa se juntando ao abraço.
– Minhas meninas.. — murmurou Aredhel. — Então? Como foram as apresentações? Fizeram sucesso? — perguntou animadamente.
– Foram boas.. — disse James se aproximando e depositando um beijo na fronte de Aredhel – Mas o público sentiu falta de Fenrir e Hela nesta peça. — comentou.
– Verdade. — concordou Wagner – Perguntaram várias vezes sobre eles. — informou.
– Vocês sabem como o Loki é.. — Aredhel deu um sorriso torto – Ele insistiu que os dois precisavam levar o treino mais a sério. E como Eisa andava se dedicando mais que eles, o Loki só liberou ela. Hela foi quem mais ficou chateada por não poder ter ido. — meneou a cabeça negativamente – Por falar nela.. Jim, preciso falar com você e.. — começou a falar.
– Mãe! — interrompeu Váli entrando no jardim – Eu preciso falar com a senhora urgentemente. — disse meio nervoso.
– Jimmy, depois nos falamos. — Aredhel acenou para ele — Creio que vocês estejam com fome e cansados. Depois vocês me contam como foi a viagem. Com licença. — passou o braço pelo de Váli e afastou-se com ele.
Váli conduziu Aredhel até um dos salões. Chegando lá, ele deu as costa à mãe e começou a andar pelo local, de um lado para o outro. Ele ainda estava muito contrariado com a conversa que tivera com o pai sobre Sigrid.
– Filho, o que houve? Por que está não alterado? — ela perguntou preocupada.
– Papai não aceita que eu me case com Sigrid. — ele disse se virando para encarar a mãe e trancando os dentes com raiva – Diz que sou muito novo. — balançou as mãos irritado — Ah, por favor! A senhora era muito mais nova que eu quando casou com ele e estão bem e felizes até hoje. Nunca vi vocês nem discutirem. — Aredhel desviou o olhar — Papai diz que ainda tenho muito o que aprender e conhecer, mas ela é a mulher que eu amo. — desabafou – Já estamos namorando há anos. Creio que não faz sentido adiar mais. — franziu o cenho.
Aredhel deu um longo suspiro. Ela sabia o quanto o filho era ligado à Sigrid desde a infância. Aredhel se aproximou dele e deu um sorriso solidário.
– Filho, eu entendo o que está sentindo. — afagou o ombro dele — Mas de certa forma creio que ele tenha razão. — Váli a fitou incrédulo – Seu pai tinha mais de mil anos quando se casou comigo. Sei que eu era nova, mas é que naquela época ele sabia que eu viveria pouco. Ele pensava que as maçãs de Iduna eram apenas uma lenda. Seu pai queria aproveitar o máximo de tempo ao meu lado. — explicou.
– Sinceramente acredita que papai só casou com a senhora porque sabia que iria viver pouco? — Váli rebateu meio indignado.
– Não meu filho, mas acredito que o fato de eu ter uma vida breve acelerou as coisas. Nós dois praticamente pulamos a fase do namoro. — Aredhel gesticulava com as mãos — Até aquele momento nós convivíamos apenas como amigos. Nos amávamos, mas nós não éramos tão íntimos assim. — disse embaraçada.
– Quer dizer que vocês não.. — ele começou a falar, mas foi interrompido pela mãe.
– Não, filho.. Não tivemos intimidades antes do casamento. — riu Aredhel meio sem graça.
– Nossa.. Estou surpreso.. — murmurou aturdido e passou uma das mãos pelos lábios e queixo.
– Seu pai se comportou como um verdadeiro cavalheiro. Não que tenha esperado muito tempo. Ele só teve que esperar apenas algumas semanas, mas conseguiu se conter até o casamento. Isso deixou até eu mesma surpresa. — riu Aredhel – Afinal, seu pai é meio.. — sorriu cinicamente – ..tarado. — revelou ficando vermelha.
– Poupe-me dos detalhes, mamãe. — Váli retrucou todo sem graça.
Aredhel deu uma gargalhada e aproximou-se do filho.
– Não sei qual é exatamente o receio de seu pai, mas eu tenho meus motivos para querer que você espere. — ela falou segurando as mãos do filho entre as suas – Antes de seu pai, eu fui noiva de outro homem, o nome dele era Phillip. Morávamos juntos e éramos muito amigos. Nós nos conhecemos enquanto eu fazia faculdade. — deu um suspiro – Enfim.. Conheci seu pai e acabei me apaixonando por ele. Na verdade antes mesmo de conhecer seu pai eu já gostava dele, só não percebia isso. — riu – Depois que nos conhecemos esse “gostar” virou amor. — sorriu bobamente — Eu ainda amava Phillip, mas na verdade, eu o amava como amigo. — ela se afastou e fitou a janela da sala – Seu pai não sabe, mas mesmo que Sif ou ele não tivessem ido atrás de mim na outra realidade, eu estava decidida a desfazer o noivado. Eu amava seu pai e não seria justo casar com Phillip amando outro homem. Eu queria que Phillip fosse feliz. — foi sincera.
Váli se aproximou e abraçou a mãe por trás. Ele encaixou a cabeça em um dos ombros dela e depositou um beijo em seu rosto. Váli adorava ouvir as histórias de sua mãe.
– Você e Sigrid são amigos desde a infância. — Aredhel continuou — Talvez você possa estar confundindo amizade com o amor verdadeiro. Sei que parece bobagem. Mas às vezes fico pensando o que teria acontecido comigo se tivesse casado com Phillip e nunca encontrado seu pai. Acredito que não daria certo com o passar dos anos. — disse pensativa.
– Eu sei que a amo, mãe. Sigrid e eu somos praticamente um casal há anos. — ele murmurou.
– Phillip e eu também vivíamos como um casal.. — ela lembrou.
Váli deu um suspiro triste e ficou olhando em silêncio para a paisagem do lado de fora. Ele sabia que na realidade nem seu pai ou sua mãe poderiam impedi-lo de se casar com Sigrid, porém, como bom filho que era, queria a aprovação dos pais dele naquela união.
Aredhel inclinou a cabeça e fitou o filho nos olhos. Pensou que mesmo que não concordasse com a ideia do filho se casar tão cedo, não poderia se opor a isso. Sabia que não poderia ser superprotetora com seus filhos. Desejava acima de tudo a felicidade deles. Aredhel já havia cedido no caso de Hela, não havia motivos para não fazer o mesmo em relação a Váli. Sendo assim, a única coisa que lhe restava era torcer para que a decisão dele fosse a certa.
– Se é o que você realmente quer.. — Aredhel disse de repente, saindo de seus devaneios — Você tem meu consentimento e benção para pedi-la em casamento. — falou finalmente e viu o filho abrir um largo sorriso – Deixe que de seu pai eu cuido. Vou conversar com ele e tentar convencê-lo. Prometo. E mesmo que não consiga dobrá-lo, poderá contar com meu apoio. — afirmou.
– Obrigado mãe! — ele beijou a fronte dela – Eu sabia que podia contar com a senhora! — comemorou todo animado.
– Eu só quero que você seja feliz. — ela sorriu.
Igor estava a analisar alguns papéis na biblioteca para Loki. O filho adotivo do casal Aredhel e Loki exercia o papel de segundo braço direito de seu pai. Todas as leis, decretos e demais documentos eram analisados por Igor antes de irem para as mãos de Loki para serem assinados. Dessa forma, Igor passava boa parte de seu dia perdido entre papéis.
– Ora, ora.. Se não é o lobinho branco puxa saco. — disse Narfi se encostando na mesa onde Igor trabalhava.
– Bom dia para você também, Narfi. — Igor respondeu sem emoção para o irmão.
– Não precisa fingir ser amistoso. Papai não está aqui. — Narfi falou com desdém.
– Narfi, ao contrário de você, eu tenho muito o que fazer. — bufou o irmão adotivo – Se não sabe fazer nada útil, pelo menos não atrapalhe. — rebateu – Vá correr atrás das servas ou incendiar seu quarto, quem sabe assim papai possa lhe escolher para sucedê-lo. — ironizou.
Narfi trancou os dentes, agarrou o traje do irmão e o fez encará-lo.
– Você pode se fingir de bonzinho e desinteressado, mas comigo isso não funciona! — disse entredentes – Fique esperto, não vou deixar que papai entregue o governo de Asgard a um bastardo! — rosnou.
– Eu não tenho interesse. Você está gastando sua munição na pessoa errada. — Igor riu — Mas vamos ver quem leva essa. Se é você, o filho problema, ou se Váli, a virtude em pessoa. — desafiou – Acho que essa você já perdeu. Mesmo não concorrendo, eu sei que tenho mais chances que você. — disse em um esgar.
– Ora seu.. — Narfi trancou os dentes e ergueu o braço para bater no irmão.
– Ei! — gritou Fenrir apartando os dois – Será que vocês vão sempre brigar? — separou-os – Vocês sabem como a mamãe fica chateada com esse comportamento de vocês. Parecem dois moleques! — ralhou – Vamos Narfi, você vem comigo. — puxou o irmão mais velho – Deixe Igor trabalhar em paz. Mas que droga.. — resmungou, levando Narfi para a saída da biblioteca.
– A gente continua essa nossa conversa depois! — gritou Narfi.
– Vou esperar ansiosamente! — rebateu Igor com ironia.
Loki fitava a filha pasmo. Sua menininha havia tido a audácia de se recusar a cumprir uma ordem sua.
– Eu não quero casar com alguém que nem conheço! — Hela rosnou.
– Eu não perguntei se você quer, falei que você vai casar. — foi autoritário.
– Ah, mas não vou casar mesmo! — a filha disse com raiva — O senhor pode ser meu pai, mas não manda em mim! — sibilou – Se é tão importante para o reino, case o senhor com ele. — retrucou.
– Não seja abusada, mocinha! Sou o rei de Asgard e seu pai! Você me deve respeito e obediência! — Loki rebateu.
– Como posso respeitá-lo se o senhor desrespeita minha vontade querendo me obrigar a casar? — ela indagou indignada – Além disso, eu amo outro homem. É com ele que irei me casar! — revelou aos berros.
– Como é? — o pai se surpreendeu.
– É isso mesmo que o senhor ouviu! — bufou Hela — Eu estou apaixonada por outro homem! Na verdade ele já me pediu em casamento, estou noiva! — confessou.
– Mas isso é um absurdo! — Loki berrou irritado — Não dei autorização a ninguém para desposá-la! Eu quero saber quem é esse audacioso! Agora mesmo é que você vai casar! Quer queira, quer não! — rosnou.
Hela se desesperou com a situação e resolveu apelar.
– Não posso me casar com o príncipe de Alfheim! — gritou — Ele não me aceitará. Eu não sou mais virgem! — sibilou.
Loki passou a mão pelo rosto tentando controlar sua ira. Desceu as escadas do trono e aproximou-se de Hela.
– Quem é ele? — perguntou entredentes, respirando pesadamente.
A filha não teve tempo de responder. Siegfried entrou no local depois de ouvir a gritaria ao longe.
– O que houve, Hela? — o rapaz perguntou se aproximando da moça.
– Sieg! Papai quer que eu me case com o príncipe de Alfheim! — contou toda trêmula.
– Meu rei, não pode fazer isso com sua filha. — disse Siegfried com seriedade – Além disso..
– Então é você! — rosnou Loki enquanto se aproximava do rapaz – É você por quem ela está apaixonada! — trancou os dentes com raiva e agarrou o traje de Sieg – Foi você quem deflorou minha menina! Você é um homem morto! — berrou e lançou homem para o outro lado do salão.
– Papai! Não! — gritou Hela correndo para socorrer Siegfried.
– Mas o que está acontecendo aqui? — indagou Aredhel entrando às pressas no salão, acompanhada por Váli.
– Siegfried? — Váli ajoelhou ao lado do amigo – O que houve? — indagou o ajudando a se levantar.
– Papai quer me casar a força com o príncipe de Alfheim. — disse Hela começando a chorar.
– Mas que conversa é essa, Loki? — Aredhel marchou em direção ao marido.
– São assuntos do interesse do reino. — Loki disse rapidamente.
– Deve ser mais um de seus muitos planos mirabolantes. — começou Aredhel visivelmente contrariada — Não vou deixar que você obrigue a nossa filha a se casar com alguém que ela não conhece, ainda mais com contra a vontade dela. — gesticulou.
– Quer dizer que eu sou novo demais para casar, mas Hela não? — Váli se intrometeu – Em suma, se fosse do interesse do reino o meu casamento com Sigrid o senhor já teria autorizado. Vai mesmo entregar minha irmã por um acordo político? — questionou – Sempre tive orgulho do senhor e o apoiei em todas as suas decisões, mas agora.. — meneou a cabeça negativamente – A sua atitude me deixa enojado. — franziu a testa.
– Pelos deuses, é só um casamento de papel. Um engodo. Ela nem precisará deixar Asgard! — Loki falou todo exasperado. – Mas isso agora já não importa. Existe um assunto mais urgente agora. O que fazer com Siegfried. — olhou para o rapaz.
– O que tem ele? O que ele fez para que o atacasse? — questionou Aredhel.
– O que ele fez? Você não faz ideia da audácia dele! — apontou para o rapaz — Esse traidor, que tratei quase como um filho, ousou deflorar nossa filha! — acusou.
– Deflorou? — Aredhel indagou olhando surpresa para o jovem casal.
Hela olhou ao redor e ficou rubra. Váli encarou boquiaberto de sua irmã para Siegfried. Não podia crer que seu amigo tinha um romance escondido com Hela. Ficou decepcionado, não por Siegfried namorar sua irmã, mas sim por esconder isso dele.
– Mãe.. — Hela meneou a cabeça negativamente – É que..
– Sieg.. Como você pode? — Váli questionou visivelmente chateado.
– Meu rei, senhora Aredhel, Váli.. — Siegfried começou — Eu não..
– Será que eu poderia saber o porquê desse alarido todo? — perguntou Narfi entrando no salão acompanhado por Fenrir.
– Dá para ouvir a gritaria até no jardim. — gesticulou Fenrir.
Loki passou a mão pelo rosto impaciente. A situação inteira estava fugindo de seu controle. Sabia que os filhos se juntariam ao grupo contra o casamento e ficariam do lado de Hela.
– Seu pai quer obrigar a sua irmã a se casar com o herdeiro do trono de Alfheim. — explicou Aredhel rapidamente.
– O senhor que obrigar Hela a fazer algo? — riu Narfi – Boa sorte tentando. — ironizou.
– Papai me desculpe, mas isso é um verdadeiro disparate. — disse Fenrir balançando a cabeça em negativa.
– Mas o que isso? Um complô? Um motim? — indignou-se Loki.
– Não, pai. Só estamos tentando lhe fazer enxergar o quão absurda é essa sua ideia. — Fenrir tentou amenizar.
– Chega! — rosnou Loki – Não ligo a mínima para a opinião de vocês. O que importa é o que eu acho certo! — vociferou — Hela, você vai casar com Eric, o príncipe de Alfheim e ponto final! — decidiu – E você.. — apontou para Siegfried – Vai ficar longe de minha filha e será banido daqui do palácio! — gritou.
– Hela não vai casar com esse tal Eric e você não irá banir ninguém daqui. — disse James entrando no salão acompanhado pelos filho e pelas gêmeas – Obrigada por me avisar, Einmyria querida. — disse se virando para a moça.
– Ah! Só estava mesmo faltando você também vir interferir nos meus assuntos! — disse Loki crispando os lábios – Esse assunto só diz respeito à minha família e ao reino, James. Sei que seu assunto é com teatro e que isso aqui está parecendo um circo, mas você não foi convidado a fazer parte dessa conversa. — foi sarcástico.
– Mas ele faz parte da família. Jimmy é praticamente um irmão para mim e há anos está morando conosco. — disse Aredhel com seriedade.
– Ser seu amigo e morar no palácio, não o torna membro da família. — rebateu Loki.
– Tanto faz. — James interrompeu a discussão dos dois – Pois agora irei fazer parte da família de fato. — sorriu — Hela não pode se casar com o príncipe de Alfheim porque ela é minha noiva. — declarou.
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