Asgard Dirty Secrets

22 I still believe in your eyes


Notas iniciais
* I still believe in your eyes = Eu ainda acredito em seus olhos - Trecho da música "L'amour Toujours (I'll Fly With You)" de Gigi D'Agostino. Olá!! Como vão?? Bem, peço desculpas pela demora, mas é que eu estava viajando. Passei alguns dias fora e andei entretida com alguns livros, o que acabou por atrasar um pouco a publicação. Mil perdões. Obrigada pelos comentários. Só lamento notar que muitos deixaram de comentar. Muitos leitores desaparecidos.. Isso me deixou triste... =( Mas aos leitores fiéis e que sempre comentam, trouxe para você um capitulo que acredito que será do agrado de quase todos.. (Espero..) Não darei spoilers... Boa leitura..

Aredhel olhou para James, esboçou um leve sorriso e mais lágrimas desceram pelo rosto dela. A felicidade em rever o amigo era evidente. Jim correspondeu ao sorriso e estendeu os braços, convidando a amiga para um abraço. A rainha deu um passo para frente, mas parou repentinamente. Ela olhou de esguelha para Loki e voltou a baixar os olhos. Aredhel respirava rapidamente e parecia presa em uma luta interna.

– Seja bem-vindo, Jimmy.. — Aredhel por fim falou — Fico feliz que tenha voltado.. — murmurou com a voz trêmula.

Ela deu as costas à James e olhou timidamente para o marido.

– Isso é um teste, não é? — ela franziu o cenho com os olhos cheios de lágrimas – Eu manterei minha palavra, Loki.. — disse baixinho e saiu andando rapidamente do salão.

Todos assistiram a cena estupefatos e trocaram olhares confusos.

– Pensei que ela ficaria feliz com a sua volta.. — falou Loki pensativo.

– Meu Deus.. O que houve com a madrinha? — indagou Kat levando as mãos à boca.

– Mas que tipo de ameaças você fez a ela? — James encarou Loki com severidade – Aredhel não parece ter medo de você, Loki. Parece ter pavor de você! — indignou-se — Você ainda não entendeu, Loki? Aredhel não fala mais comigo porque teme o que você possa fazer! Você não vê? — rosnou.

– Eu vou falar com ela.. — disse de repente, ignorando o comentário de Jim – Acho que ela entendeu tudo errado. — afligiu-se.



Loki deixou o salão a passos rápidos. Perguntou a alguns guardas sobre sua esposa e lhe informaram que ela havia se dirigido para os jardins. Rapidamente ele alcançou a área verdejante do palácio e iniciou sua procura por ela. Em poucos momentos a encontrou soluçando, sentada embaixo de uma árvore e visivelmente arrasada.

Com receio de espantá-la, Loki se aproximou devagar. Quando ele já estava bem perto, Aredhel ergueu a cabeça surpresa ao vê-lo ali diante de si. Ele a viu se encolher e unir as mãos junto ao peito, como se quisesse se proteger dele. Aquilo lhe doeu na alma.

A rainha de Asgard, antes a imagem de força e alegria, tinha sido resumida a uma mulher de aparência débil. Pálida e magra, nem de longe lembrava a Aredhel de curvas voluptuosas e carnes fartas que Loki conhecera. Na verdade, não se perceberia que estava grávida se não fosse pela barriga de quase vinte semanas. Os cabelos escuros, que sempre ela mantivera bem-arrumados, agora emolduravam de forma desalinhada um rosto com profundas olheiras. “Ela não vive ao seu lado, na verdade ela vegeta”, Loki se lembrou das palavras que James lhe proferira na noite anterior.

– Pelos deuses... O que eu fiz a você? — as palavras carregadas de culpa fugiram da boca de Loki.

Após engolir em seco algumas vezes, Loki, em silêncio, se sentou ao lado dela. Ele a observou por alguns instantes. Viu-a baixar os braços e aos poucos voltar à sua apatia.

– Aredhel.. Aquilo não foi um teste. — ele começou finalmente – Eu realmente trouxe James e nossos afilhados de volta, por você. — disse com sinceridade – Pelos deuses.. Acredita que eu seria tão cruel a ponto de trazê-lo de volta apenas para testá-la ou torturá-la? — perguntou incrédulo.

Aredhel apenas o olhou de soslaio em silêncio e voltou a baixar a cabeça, mas ela o fitou tempo suficiente para que Loki visse a dor nos olhos dela. Não fora preciso que ela respondesse. Loki entendeu rapidamente que aquilo significava um sim. Novamente ele se sentiu morrer por dentro.

– Aredhel.. — ele murmurou com a voz embargada – Sei que mereço toda essa desconfiança. Mas, por favor, acredite que eu realmente quero lhe mostrar o quanto estou arrependido por tudo o que lhe fiz e o quanto eu te amo. Eu nunca vou me perdoar por tudo o que você tem passado nesses últimos meses. — ela voltou a encará-lo – Sei que não posso consertar tudo o que fiz de uma hora para outra e nem tão pouco desfazer todo o sofrimento que eu causei, mas estou fazendo o meu melhor para tentar remediar. — algumas lágrimas escorreram pelo rosto dele – Juro que estou.. — passou uma das mãos pelo rosto – Não interferirei mais em sua amizade com James. Eu o trouxe por você.. Para você.. — tropeçava nas palavras — Por Frigga.. Eu faço qualquer coisa para lhe ver feliz novamente. — soluçou fitando os galhos da árvore que fazia sombra sobre os dois.

Aredhel, por mais que temesse ser enganada por ele novamente, não pode deixar de se enternecer por aquelas palavras. Em seu íntimo, o seu amor por Loki ainda vibrava. Ao ouvir aquilo e se lembrando das declarações dele mais cedo, ficou comovida.

Ela estendeu a mão e tocou a dele. Loki baixou a cabeça e olhou surpreso para a mão dela sobre a dele. Ela franziu o cenho e, emocionada, curvou os lábios em um sorriso tímido.

– Obrigada, Loki.. — ela disse baixinho.

Loki arfou e sorriu feliz ao vê-la sorrindo. Era tão pouco, mas para ele fora tudo. Era como um pequeno raio de sol, sob nuvens pesadas, que lhe trazia a esperança de dias ensolarados no futuro. Aquele pequeno sorriso era tudo no que ele podia se agarrar.

– Meu amor.. Tudo o que faço é por você. — Loki afirmou.

Aredhel o observou por alguns instantes e com uma expressão de angústia no rosto murmurou algumas palavras.

– Eu quero acreditar.. — ela sussurrou.

– Então me dê a chance de provar que eu te amo. Não se afaste de mim. Deixe-me te amar. Demonstrar esse amor. — pediu.

Ela mordeu os lábios inferiores e aquiesceu. Loki abriu um largo sorriso, se inclinou sobre Aredhel e timidamente depositou um beijo em sua testa.

– Obrigado, meu amor.. — ele disse ainda com os lábios sobre a fronte dela.

Repentinamente, Aredhel levou a mão ao ventre e deu um novo sorriso.

– Mexeu.. O bebê mexeu.. — ela disse surpresa.

O rei de Asgard olhou para a esposa fascinado, enquanto ela acariciava a barriga.

– Posso tocá-la? Posso senti-lo? — ele pediu meio receoso.

Aredhel anuiu e conduziu a mão dele até sua barriga. Loki mal a havia tocado, quando sentiu o bebê se mover novamente, fazendo a barriga dela estremecer. Ele deixou escapar uma risada de felicidade.

– Parece que ele gostou de mim. — Loki falou esperançoso.

– Claro que nosso filho gosta de você.. Por que não gostaria? — Aredhel disse despreocupadamente.

– Nosso filho.. — ele murmurou e a viu sorrir novamente para si.

Um pouco distante dali, o casal era observado do pátio do palácio por um pequeno grupo.

– Que cena meiga! — suspirou Kat.

– Que lindo! — Rebecca deu pulinhos.

– Não dá para ouvir o que dizem. — resmungou Igor.

– Mas dá para ver no rosto da mamãe, que estão felizes. — Fenrir concluiu.

– Será que eles fizeram as pazes? — Wagner questionou.

– Não sei.. Espero que sim.. — murmurou James.

– Por que você não acaba com esse mistério todo e nos diz o que eles estão pensando, Eisa? — bufou Narfi.

– Tudo o que posso dizer é que eles estão felizes.. Muito felizes. — Eisa afirmou toda sorridente.





Ainda bem cedo naquela manhã, na vila, Váli bateu à porta da casa de Sigrid. A jovem abriu a porta e, sem muita emoção, o deixou entrar. Nervoso, Váli aceitou o assento indicado pela namorada e passou as mãos de maneira nervosa pelos cabelos. Sigrid se sentou à sua frente e aguardou que o mesmo começasse a falar. Ela já o havia alertado que aquela seria sua oportunidade de ser franco.

– Sig.. Eu nem sei por onde começar. — ele apertou sua capa entre os dedos.

– Comece a me explicar porque você mudou tanto nesses últimos meses. — disse Sigrid de forma inexpressiva.

Váli se empertigou na poltrona e limpou a garganta antes de começar.

– Bem, tudo começou naquele dia em que meus pais discutiram e que culminou com o fim do namoro de Hela e o tio Jim.. Uma coisa que por sinal, eu nem sabia.. — balançou os braços — Não imaginava que o tio Jim tinha finalmente cedido às investidas de Hela.. — meneou a cabeça.

– Certo.. De fato desde aquele dia, você está muito mudado. — ela anuiu.

– Devido àquele fatídico dia, certos segredos vieram à tona. — ficou sério — Coisas que eu jamais imaginei que poderiam ter acontecido. — disse sombriamente.

Váli narrou todos os detalhes da briga de seus pais. Sem nenhum constrangimento, contou sobre as falsas acusações que a mãe sofrera nas mãos de seu pai. E, por fim, foi com horror que Sigrid o ouviu revelar sobre a fatídica noite da primeira morte de Aredhel. De repente, a moça compreendeu a revolta de seu namorado com Loki. Ela se levantou, ajoelhou ao lado dele e pegou uma de suas mãos entre as suas.

– Eu sinto muito, Váli.. — Sigrid disse com os olhos marejados – Eu jamais imaginei que.. — levou uma das mãos à boca – Sua mãe tivesse sofrido tanto.. Agora eu entendo a tristeza dela. — fungou.

– E ainda assim ela voltou para ele.. — ele trancou os dentes — Está lá no palácio.. Definhando dia após dia.. — fechou os punhos sobre as coxas.

– Váli, eu até entendo sua revolta.. — ela mordeu os lábios — Mas creio que você precisa ter cautela nessa situação. Acho que você deveria conversar com seus pais para esclarecer melhor as coisas. — aconselhou.

– A mamãe foge do assunto.. — disse contrariado — E quanto a ele.. — bufou – Eu realmente não quero nem falar com ele. — revelou.

– Meu querido.. Não deveria ser tão intransigente. — Sig fez um afago nas mãos dele — Deve dar uma chance a seu pai de se explicar. Quanto a sua mãe, eu lhe aconselho a deixar que os dois resolvam a situação sozinhos. Eles são um casal. É natural que não queria que outros interfiram no relacionamento deles. Principalmente os filhos. — tentou argumentar.

O jovem príncipe soltou resmungou e jogou a cabeça para trás. Sabia que a namorada tinha razão.

– E quanto a nós? — ele indagou de repente.

– Meu amor.. Esperaremos as coisas se resolverem. Não acho prudente você começar uma briga com seu pai. Só pioraria a angústia de sua mãe. — ela deu um sorriso franco – Eu esperarei o tempo que for. Estarei sempre ao seu lado. — afirmou.

– Ah, Sig... — ele murmurou a puxando para seu colo – O que seria de mim sem você? — roçou o nariz no dela e beijou suas mãos – Mal espero a hora de fazer de você minha esposa. Será o dia mais feliz de minha vida. — deu um beijo nos lábios de Sigrid.





No palácio, Hela acordara um pouco mais tarde e desceu para o café, imaginando não encontrar mais ninguém à mesa. Porém, ela foi surpreendida pela presença de James e os filhos no salão de jantar.

– Bom dia. — ela cumprimentou animada – Vocês tão cedo por aqui? Pensei que depois da festa de ontem, viriam apenas para o almoço. — comentou.

Wagner e Kat se entreolharam e riram.

– Nós voltamos para cá, Hela. — anunciou James.

– Vamos morar no palácio novamente. — completou Wagner.

Hela mal percebeu, mas abriu um largo sorriso. Não podia negar que de fato James vinha sendo mais que uma companhia diária. Mesmo sendo um dos mais interessados em sua recuperação, ele se tornara um amigo com quem podia conversar sem cobranças e confessar suas frustrações por conta de sua amnésia. A jovem princesa não sabia definir o que era, mas que havia algo no ator que a fazia se sentir confortável e segura. Percebia que sentia algo mais do que simpatia por ele, só não sabia dizer o que era.

– Fico feliz de saber disso.. — as palavras escaparam dos lábios de Hela.

A princesa se aproximou dos três e deu um abraço de boas vindas em Wagner e Katarina. Quando foi cumprimentar James e o abraçou, sentiu algo estranho. Hela franziu o cenho e o encarou por alguns instantes.

– Algo errado, Hela? — Jim indagou ao ver a expressão dela.

– Não.. — ela meneou a cabeça ficando rubra – Seja bem-vindo.. De volta.. — sorriu sem graça.

Os quatro se sentaram à mesa e começaram a discutir sobre uma apresentação que fariam na vila. Hela se comprometeu em começar a acompanhar os ensaios e demais atividades do grupo de teatro para, quem sabe, voltar aos palcos. Após terminarem a refeição, todos partiram para o teatro.





No meio da manhã Eric chegou ao palácio munido de um buquê de lírios para Hela. Entrou no salão todo animado e encontrou Fenrir.

– Bom dia, majestade. — Eric fez uma reverência – Onde eu poderia encontrar a sua irmã? Eu vim vê-la, como todos os dias. — disse todo sorridente.

– Bom dia, príncipe Eric. — Fenrir acenou com a cabeça – Bem.. — coçou a nuca — Hela foi para o teatro da vila. Ela foi para o ensaio de uma peça. — informou.

– A princesa é atriz? Eu não sabia. — o outro disse meio desconfiado.

– Bem, antes dela perder parte de sua memória, ela era atriz. — revelou Fenrir — Desde menina participava do grupo de teatro do tio Jim. — comentou.

– Ah, aquele parente de vocês.. — comentou Eric com certo desagrado – Ainda não entendi direito sobre essa amnésia de Hela.. — falou com o olhar afiado – Ela quase não comenta sobre isso comigo.. Afinal, o que ela esqueceu? O que causou? — indagou.

– Bem.. É um assunto que a incomoda um pouco. — titubeou Fenrir — Ela perdeu a memória em um pequeno acidente. — mentiu – Ela não lembra direito da infância e de alguns eventos. — foi sucinto.

– Entendo.. — aquiesceu Eric.

– Estou indo para o teatro agora, também vou para o ensaio. Se quiser posso levar um recado seu. — ofereceu o jovem.

– Hum.. — pigarreou o príncipe de Alfheim – Apenas diga que eu vim vê-la e que amanhã retornarei no horário do almoço. Creio que a esta hora ela estará aqui e obviamente não planejo ser um empecilho as atividades dela. — disse galantemente.

– Eu a avisarei. — sorriu.

Eric se retirou do palácio pensativo. Começava a desconfiar da proximidade e presença constante do famoso “tio Jim”. “Afinal, foi ele quem trouxe Hela de volta a Asgard”, ponderava Eric.

– Quem é esse homem? — resmungou o príncipe a caminho de sua residência.





Loki deu um beijo na bochecha de Aredhel, enquanto ela cochilava à sombra de uma árvore. Ele deixara seus afazeres de lado naquela manhã e aproveitara a companhia de sua esposa. Os dois ficaram conversando sobre os filhos, relembrando a infância deles e fazendo planos para o bebê que em breve chegaria. O rei de Asgard estava radiante com a sua reaproximação de sua rainha. Conseguira finalmente fazê-la sorrir e lhe dar uma chance de reconquistá-la. Sentia falta do tempo que eles conversavam sobre tudo e de como era fácil estar dividir seus anseios e temores com ela. “Será que um dia voltará a ser assim?”, peguntava-se. Loki suspirou e afirmou para si mesmo que sim. Era nessa esperança que ele se agarrava todos os dias.

Após acomodá-la melhor no gramado, Loki se levantou e foi buscar algo para Aredhel comer. Ele estava saindo do jardim, quando encontrou Thor.

– Loki.. Eu estava à sua procura.. — disse o loiro.

– Diga.. — disse Loki com displicência.

Ele estava bem-humorado e não notou o olhar sério de Thor.

– Eu notei que a pequena anda meio abatida. Está extremamente magra. — começou Thor — Sif comentou que tentou conversar com ela, mas Aredhel foi evasiva. E Rebecca.. — revirou os olhos ao lembrar da teimosia da filha — Também não quis esclarecer nada, disse que era melhor eu perguntar a você. James tinha deixado o palácio e hoje retornou. Aconteceu alguma coisa enquanto estivemos fora? — foi incisivo.

Loki exalou o ar de forma exasperada. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que revelar ao irmão tudo o que acontecera em sua ausência. Conhecia bem Thor e tinha a consciência de que ele não se contentaria com uma explicação simples, mas preferia falar sobre isso em outra ocasião. Já imaginava a reação dele e o quanto lhe irritaria ter mais uma pessoa apoiando a ideia de deixar Aredhel partir.

– Aconteceu.. — bufou Loki – Se você puder me acompanhar lhe explicarei o ocorrido.. — disse vencido.

O moreno solicitou a um servo que fosse preparado um lanche para a rainha e se encaminhou para um salão a fim de conversar com Thor. Lá, Loki iniciou a longa narrativa sobre Hela, James e todas as consequências que culminaram na amnésia parcial de sua filha e na depressão de Aredhel.

– Loki, você nunca aprende mesmo! — rosnou Thor após a breve explanação – Sempre colocando suas ambições acima dos sentimentos dos outros. — acusou.

– Poupe-me de seus sermões! — retrucou o moreno – Você também não teria reagido bem se descobrisse tamanha traição! Abriguei James durante todos esses anos, fiz dele um de meus homens de confiança e olha como ele me pagou! — sibilou.

– Eu entendo sua revolta, pois passei por situação semelhante. — o loiro fez uma careta ao se lembrar de sua filha Thrud e o Capitão – Mas o que você fez com a pequena foi imperdoável! — vociferou – Acho que você deveria deixá-la ir e dar um tempo para ela pensar. Está presa a você por puro medo, obrigada. — balançou a cabeça – Ela vai acabar te odiando. — alertou.

Loki se lembrou da vez que a ouviu gritar que o odiava, quando perdera a memória. Ele piscou longamente e deixou escapar um suspiro triste.

– Eu posso viver com ela me odiando.. Só não posso viver sem ela.. — Loki disse com tristeza ao olhar para Thor.

Thor encarou Loki boquiaberto.

– Tem certeza disso? Será que esqueceu de como ela reagiu quando perdeu a memória? Ela nem queria que você chegasse perto. — lembrou – Além disso, ela está visivelmente definhando e para piorar está grávida. Loki.. — gesticulou nervosamente com as mãos — Eu realmente temo que a pequena talvez não sobreviva a essa gravidez se as coisas continuarem assim. — preocupou-se.

Loki olhou para Thor e passou ambas as mãos pela cabeça. Ele, mais do que ninguém sabia do estado da esposa.

– Eu vou cuidar dela.. Tudo vai dar certo.. — Loki afirmou mais para si, do que para o irmão.

– Loki.. E se ela não quiser ficar ao seu lado? Ela tem o direito de ser feliz.. — murmurou o loiro.

– Então eu a farei feliz! — rebateu Loki — Eu vou não desistir de Aredhel. Nunca! — foi firme e deixou a sala a passos firmes.





A noite chegou ao palácio e Aredhel bordava um macacão para o bebê quando Loki entrou no quarto. Ele não pode deixar de ficar feliz ao vê-la acordada, uma vez que ultimamente ela vinha se recolhendo cedo a fim de evitá-lo. Loki se aproximou da cama e sentou-se ao lado dela.

– Como você está, meu amor? — perguntou carinhosamente.

– Estou bem. — ela respondeu afável e pôs o bordado sobre a mesa ao lado – Hoje os enjoos deram uma trégua e não tive nenhum sintoma estranho. — disse aliviada.

– Fico feliz de saber disso. — ele falou colocando a mão sobre a dela – Lamento que venha se sentindo tão mal. Se eu pudesse passar por isso em seu lugar eu passaria. — foi sincero.

Aredhel o encarou e deu um sorriso tímido.

– Ah, Aredhel.. — suspirou Loki a fitá-la – Dia e noite eu sonho com você ao meu lado. Sorrindo de novo. Voltando a ser o que era antes. — apertou a mão dela entre as suas – Quando casei com você, eu prometi que tudo ficaria bem e falhei. Só a magoei. — lamentou.

Aredhel observava o marido em silêncio. Em seu íntimo a dúvida ainda pulsava. As palavras duras dele tinham deixado marcas tão profundas, que para ela era difícil acreditar na atual doçura dele. Mergulhada no azul-esverdeado daqueles olhos, durante anos ela imaginou que conhecia a alma dele. Entretanto, depois de tudo o que ocorreu, essa certeza fora abalada. Tentando reconstruir os pedaços de seu coração e de si mesma, ela se apoiou em seu filho e decidira que ignoraria o clamor de seu coração.

Ledo engano. Assim como Loki, Aredhel poderia enganar a todos, menos a si mesma. Ela ainda o amava desesperadamente. E bem no fundo de seu coração ferido, ela ainda acreditava nele.

Enquanto Loki ainda lamuriava sua culpa, ela estendeu a mão e tocou delicadamente o rosto dele. Ele a encarou surpreso. Aredhel passou os dedos carinhosamente por sua face e Loki cerrou os olhos, se deixando desfrutar daquela saudosa demonstração de afeto.

– Eu sinto tanto a sua falta.. — ele murmurou, enquanto segurava a mão dela sobre sua bochecha.

– Eu também.. — a resposta dela saiu quase inaudível.

Loki abriu os olhos e os dois ficaram em silêncio enquanto se observavam. Ele se inclinou na direção de Aredhel, intencionando beijá-la, mas a poucos centímetros dos lábios dela, parou.

– Eu posso te beijar? — ele perguntou com o cenho franzido.

Aredhel o olhou meio confusa.

– Eu prometi que não te tocaria a menos que quisesse.. Não quero forçá-la a nada e.. — Loki começou a falar nervosamente.

– Eu quero.. — ela o interrompeu em um sussurro – Eu quero que me beije.. — completou enrubescendo.

O coração de Loki disparou. Um lampejo de incredulidade perpassou por sua mente. “Eu não mereço tanta felicidade em um único dia”, pensou. Ele tocou o rosto dela com cuidado, ainda aturdido com a nova situação. Loki se aproximou lentamente e seus lábios tocaram os dela de forma airosa. Ele fechou os olhos e, para sua satisfação, percebeu claramente Aredhel corresponder àquele beijo.

Como uma flor, ela desabrochou nos braços de Loki. Aredhel, mesmo ainda não crendo nas juras de amor dele, precisava daquele beijo. Tinha a necessidade de se sentir amada novamente. Ainda que fosse uma farsa, ela precisava daquela mentira para continuar vivendo, mesmo que se arrependesse na manhã seguinte.

A língua de Loki contornou os lábios dela e invadiu a sua boca, fazendo-a arfar em seus braços. Loki estremeceu ao perceber que ela ainda o desejava. De forma faminta, ele desceu a boca pelo queixo e pescoço de Aredhel, enquanto ela alcançava os botões de seu traje e os desabotoava habilmente.

– Ah.. Senti tanta falta de seu perfume, Aredhel.. — ele disse com a voz entrecortada ao inspirar a pele do pescoço dela.

Perdidamente excitado, Loki desfez os laços da camisola de Aredhel em segundos. Beijou e sorveu a pele do colo de sua esposa e desceu até alcançar os seios dela. Passeou a ponta de sua língua por um dos mamilos e seguiu até alcançar a parte de baixo do seio, enquanto que com a outra mão massageava o outro seio.

Após dar beijos esparsos na pequena barriga de Aredhel, Loki se afastou e despiu-se. Ele arrumou os travesseiros da cama e debruçou Aredhel sobre a cama, deixando o quadril dela elevado. Consciente, ele queria evitar pressionar o ventre dela.

Apesar de estar a ponto de explodir, Loki estava, mais do que nunca, preocupado em dar prazer a sua esposa. Mais do que possuí-la, queria amá-la. Ele mordiscou e beijou as pernas dela, uma a uma, subindo até alcançar as coxas. Vagarosamente, Loki retirou a calcinha de Aredhel e tomou em seus lábios a intimidade dela. Aredhel gemeu alto ao ser invadida pela língua dele. Loki se demorou no sexo de sua esposa, massageando o clítoris, até senti-la estremecer em sua boca.

Aredhel ainda respirava pesadamente, tentando se recuperar de seu orgasmo, quando Loki a penetrou lentamente. Apoiando-se em um dos braços, ele a olhou nos olhos e acariciou seu rosto.

– Eu te amo, Aredhel.. — declarou-se.

– Eu também te amo.. — ela disse com a voz fraca.

Loki começou a se mover e cerrou os olhos, enuviado pelo prazer que sentia ao estar novamente dentro daquele corpo apertado que tanto amava. Aos poucos ele acelerou seu quadril, arremetendo de forma eletrizante. Ele teve que se conter para não gozar, ao ouvir os gritos de prazer de Aredhel. Mordendo os lábios inferiores, ele manteve o ritmo das estocadas, até ver Aredhel arquejar, alcançando pela segunda vez o ápice. Já mal podendo se conter, Loki, com um grunhido alto, se derramou dentro de sua esposa.

Ele saiu de dentro dela, deitou ao seu lado e a puxou para perto de si. Ainda arfando muito, Loki beijou a fronte dela e a aninhou em seus braços. Cansada, Aredhel logo adormeceu.

– Eu te amo, Aredhel.. Para sempre.. — ele murmurou antes de também adormecer.

Notas finais
Devemos seguir sempre a voz do coração? Gostaram? Odiaram? Comentem.