Asgard Dirty Secrets

46 Everybody knows that you’ve been faithful


Notas iniciais
* Everybody knows that you’ve been faithful = Todo mundo sabe que você tem sido fiel - Trecho da música "Everybody Knows" de Sigrid. Gente! Demorei, mas voltei... Agradeço a todos os comentário e favoritações. Sou grata também pela paciência de vocês. Sei que tenho sido muito falha, principalmente com essa fanfic, mas a boa notícia é que a outra está terminando e com isso terei mais tempo para esta fanfic. Estava querendo escrever três (duas fanfics e o livro) coisas ao mesmo tempo e levar minha vida humana comum, o que estava difícil de conciliar. Com o fim de um dos projetos, creio que as coisas vão melhorar. Confesso que demorei mais porque andei desanimada. Tive alguns problemas com perseguição em outra plataforma por um usuário (que também estava perseguindo outras autoras de fanfics do Loki) e isso me deixou muito chateada. Em virtude disso, tomei algumas providências. Uma delas é que a partir do próximo capitulo, a fanfic passará a ser postada também em meu site (gnferreira.com, tem o link no meu perfil). Não só esta fanfic, como todos as demais também estarão disponíveis lá. Os novos capítulos serão postados um dia antes lá e depois nas demais plataformas de fanfics. Sei que muitos de vocês não vão achar justo, mas não é justo ver nosso trabalho sumir de um dia para o outro do site e deixar os leitores sem saber onde continuar lendo. Foi o que aconteceu com uma autora que conheço. Ela teve sua conta deletada e perdeu tudo. Peço a vocês um pouco de compreensão e apoio. Não quero correr o risco de perder pessoas com vocês que vem acompanhando meu trabalho desde o início e esperando cada capítulo com ansiedade. Sobre o capítulo... Eu juro que tento me conter, mas não consigo... Não consigo deixar a treta morrer, a treta acabar... Acho que sou feita de treta... Só pode.... Boa leitura...

O silêncio no salão era tão grande que Váli podia ouvir o próprio coração batendo acelerado. Embora tivesse sido o criador daquela revelação explosiva, ele não estava fora do alcance de suas consequências. Havia sido atingido e uma parte de si tinha morrido naquela explosão.

Ele encarou Sigrid e a expressão dela era um misto de incompreenção e dor. Lágrimas de humilhação começaram a descer pelo rosto dela e algo no subconsciente do príncipe lhe alertou que havia cometido o maior erro de sua vida. Lamentavelmente não tinha retorno. Os dados já tinham sido lançados sobre a mesa.

Do meio da multidão se precipitaram quatro pessoas na direção do casal.

— O que pensa que está fazendo? — Loki agarrou o cotovelo do filho, assim que alcançou os dois.

— Você ficou louco, meu filho? — sibilou Aredhel, chegando em seguida.

Váli nem teve tempo para responder.

— Então, vossa alteza — disse Týr saindo do outro lado do salão —, me permita salvar a honra da jovem, declarando que entre mim e a dama nunca houve nada além de amizade.

— Ah! — Váli encarou o Einherjar. — E nos encontros no jardim e na casa dela vocês discutiam o quê? Os preparativos do noivado ou assuntos da guarda de elite? — não conteve o sarcasmo.

— Váli… — alertou Loki. — Aqui não é o melhor lugar para discutir esse tipo de coisa — sussurrou.

— Você estava me espionando? — indignou-se Sigrid. — Você acha que eu estava te traindo? — tremia de raiva. — É disso que se trata? — ergueu os braços. — Esse espetáculo que você montou é sua vingança por uma traição imaginária? — as lágrimas desciam continuamente por seu rosto. — Esse noivado era uma armação o tempo todo? — berrou.

Murmúrios varreram o salão. Diante da explosão da jovem, Loki e Aredhel apenas trocaram olhares. Týr ficou em dúvida se deveria falar algo ou não.

— Imaginária? — o príncipe forçou uma risada. — Eu não sou idiota, Sigrid! Você nunca me falou que sequer se conheciam! E todas as vezes que os flagrei juntos, quando perguntava onde estava, você mentia! Negue que eu não tinha motivos para espioná-la! O que você esperava que eu fizesse diante desses fatos? — rebateu.

— Que você me perguntasse! — ela quase gritou. — Após tantos anos juntos, imaginei que se desconfiasse de algo, teria, pelo menos, me dado o benefício da dúvida e me questionado a respeito. Eu esperaria ser peitada… Ser interrogada... E não esse… — olhou ao redor — … teatro! — sacudiu os braços. — Depois de todos esses anos de namoro eu esperava um pouco de confiança e não a execução de uma sentença condenatória!

— Santo Cristo… — murmurou Aredhel. — Tal pai, tal filho… — disse tão baixo que apenas Loki a ouviu.

— Para quê? — Váli arqueou uma sobrancelha. — Francamente… — encarou-a. — Você mentiu para mim e teria mentido de novo — falou pausadamente.

— Claro… A confiança sempre foi uma chama ao vento em nosso relacionamento… — ela balançou a cabeça de forma lenta. — Sempre prestes a apagar repentinamente.

— Na verdade fui eu quem pediu segredo sobre nossos encontros e a respeito do conteúdo de nossas conversas — interferiu Týr.

— O quê? — Váli o fitou.

— Týr, não… — Sig disse entredentes. — Você não precisa fazer isso.

— Não… Eu preciso… — rebateu o Einherjar.

— Acho melhor irmos para algum lugar mais privado, onde vocês possam discutir isso — sugeriu Loki, sentindo que aquela conversa tendia a piorar.

— Não… — foi a vez de Aredhel se manifestar, erguendo a mão. — Nosso filho montou o palco, então que agora se prossiga o show — disse impassível.

Loki crispou os lábios e olhou na direção de Thor, inclinando a cabeça. Thor entendeu facilmente o pedido de socorro do irmão. Prontamente ele cochichou algumas palavras para os gêmeos, os sobrinhos presentes e alguns servos e logo os demais convidados começaram a ser conduzidos para o salão do jantar. Alguns saíam visivelmente contrariados, vez que preferiam continuar testemunhando a conversa.

— Eu pedi a ajuda de Sigrid para conquistar outra mulher — revelou Týr.

— Týr… — o nome dele saiu como um alerta dos lábios trêmulos de Sig.

Ignorando a amiga, o Einherjar prosseguiu.

— Pedi ajuda a ela para encontrar uma forma de cortejar… — baixou a voz para um sussurro — ...a senhorita Katarina.

Mais lágrimas desceram pelo rosto da jovem ruiva, enquanto a raiva a queimava por dentro.

— Kat? — surpreendeu-se o príncipe e olhou ao redor. Katarina não estava no salão.

— Sim… — anuiu Týr. — Pedi segredo pois sei o quanto a senhorita Katarina é tímida e discreta. Não queria que rumores surgissem e nem qualquer outro tipo de coisa que pudesse constrangê-la. Embora nada disso tenha alguma importância agora… — pensou alto, entristecido. — O importante mesmo é que vossa namorada estava apenas tentando me ajudar… Foi apenas um gesto de lealdade e amizade. Lamento amargamente que minhas pretenções a tenha prejudicado tanto… — dirigiu-se a amiga. — Se eu soubesse que isso aconteceria e pudesse voltar no tempo não teria me aproximado de você.

— Não… — Sigrid redarguiu. — Não se culpe, pois eu não me arrependo. Pelo menos isso serviu para que eu realmente conhecesse o homem que amava… O homem com quem eu sonhava me casar… — olhou na direção do namorado.

— Sig… — Váli disse em um fio de voz e cerrou os olhos. Definitivamente havia cometido o maior erro de sua vida. Desejou dolorosamente voltar no tempo.

— Eu não acredito que isso esteja acontecendo... — Aredhel riu sem humor e passou a mão pelo rosto em um gesto cansado. — Desconfiança parece ser uma maldição hereditária nessa família.

Váli olhou para a mãe e leu claramente em suas feições a decepção que aquelas palavras carregavam.

— E pensar que você criticou tanto o seu pai… — ela meneou a cabeça. — Você não é melhor que ele — olhou para o marido. — Vocês são iguais! — esbravejou.

— Mãe… — a palavra saiu quase como um apelo.

— Aredhel… — Loki começou.

O rei nem viu exatamente de onde surgiu o rapaz. Tudo que conseguiu testemunhar foi Siegfried avançar sobre Váli e acertá-lo com um soco. O que ocorreu a seguir foi muito rápido. Enquanto Váli cambaleava com o ataque, Týr se precipitou para conter Sieg. Ainda que em seu íntimo achasse que o jovem tinha o direito de defender a irmã, sua função ali era garantir a segurança da família real.

— Siegfried, contenha-se! — alertou o Einherjar, segurando o braço do rapaz.

— Sieg! — exclamou Hilda, chegando esbaforida.

O príncipe levou a mão à boca e massageou o local do soco. Sentiu o gosto de sangue, mas não pensou em revidar. Achou mais que justo a reação do amigo. Mal tinha coragem para encará-lo.

Loki fez menção de interferir, mas Aredhel segurou-o pelo braço e lançou-lhe um olhar.

— Você é um canalha! — gritou o ruivo, apontando o dedo indicador na direção de Váli.

— Deixe Sieg… — Sigrid lutava para conter as lágrimas.

— Como você pode humilhar a minha irmã dessa forma? — insistiu Siegfried. — Como pode duvidar da honra dela? Vocês se conhecem há anos! Justo hoje que… — um soluço escapou dos lábios dele.

— Justo hoje o quê? — Sig encarou o irmão, notando seus olhos inchados e o estado de descontrole dele.

Broomhilda escondeu o rosto entre as mãos e recomeçou o choro.

— O que está acontecendo? — inquiriu Aredhel.

— Sig… — o ruivo encarou a irmã. — Nossos pais… — tentou conter um soluço. — Eles…

— O que houve? O que tem nossos pais? — disparou a jovem, beirando a histeria.

— Eles morreram… — revelou.

— Santo Cristo! — exclamou Aredhel.

Uma profusão de vozes e choros contidos tornaram aquele cenário mais confuso. De repente o noivado e o escândalo causado por Váli ficaram pequenos e perderam a significância diante daquela trágica notícia. Loki e Týr olhavam de Hilda para Siegfried, enquanto Aredhel tentava extrair mais informações sobre os motivos da morte repentina. A história parecia cruel e inesperada demais para ser verdade. Váli olhou na direção da jovem ruiva e a viu paralisada com uma expressão de choque no rosto. As vozes ao lado de Sig pareciam zumbidos que se distanciavam mais a cada segundo. O jovem príncipe testemunhou quando a pele alva da jovem ficou mais pálida e seus olhos perderam o brilho. Váli percebeu o que estava prestes a acontecer e, dando dois passos, amparou a namorada em seus braços no instante que ela sucumbiu sob aquela série de abalos seguidos. Sigrid era uma mulher forte, mas saber da morte de seus pais foi demais para ela depois da decepção de seu noivado.

— Sig! — gritou Váli.

≈≈

— Mas essa festa de noivado está saindo melhor do que imaginei! — gargalhou Nina.

— Como você pode rir de uma situação dessas? — bufou Fleur. — Pelos deuses! Seu irmão está envolvido!

— Envolvido? — Nina fez um muxoxo. — Ele não tem nada com aquela ruiva… Meu irmão só pensa em uma certa cabeleira loira — fez uma careta e deu um gole em sua bebida. — Patético…

— Pior ainda! Significa que ele e a Sigrid são inocentes! — Fleur levou ambas as mãos ao rosto.

— Nina — Modi se intrometeu na conversa —, você tem certeza de que seu irmão realmente não…

— Tem um caso com a ruiva? — completou a pergunta e o viu anuir constrangido. — Claro que tenho… — revirou os olhos. — Ele gosta de outra — crispou os lábios. — O priminho de vocês errou feio… Errou rude… — deu uma risadinha. — Pena que nos tiraram de lá… Eu queria ver o desfecho desse drama.

— Eu vou até lá ver o que está acontecendo — Modi franziu o cenho preocupado. — Quero me certificar de que Týr falará a verdade e desfará esse mal-entendido.

— Eu vou com você! — atalhou Fleur. — Precisamos salvar Sig dessa injustiça!

— Oras… — Nina balançou a mão. — Não se preocupem. Meu querido irmão sempre foi um homem justo. E ultimamente vem sendo irritantemente metido a correto…. Correto até demais… — fechou a cara.

— Ainda assim, eu irei… — Modi se precipitou na direção das portas.

— Espere-me! — Fleur saiu atrás.

Magni se aproximou, trazendo duas taças de bebidas.

— Onde eles foram?

— Seu irmão foi socorrer a honra de meu irmão e da ruiva… — deu de ombros. — E a sua amiguinha obviamente foi atrás dele — deixou seu copo vazio na mesa ao lado e apanhou uma das taças da mão dele. — Eu fico com a bebida dela.

O loiro deu um suspiro e bebericou a outra taça.

— Por que ela prefere o seu irmão quando tem você correndo atrás dela? — encarou-o.

— É tão evidente? — ele riu.

— Mais óbvio que isso, só a inocência de meu irmão.

Ele deu uma risada baixa. Nina arqueou a as sobrancelhas, deixando claro que ainda esperava a resposta da pergunta que fizera.

— Digamos que Fleur prefira o gêmeo bom — sorriu de lado.

— Ah! Você também é o gêmeo mau? — o sorriso dela se alargou. — Está olhando para sua versão feminina… — balançou a mão, referindo-se a si mesma. — Deixo as boas ações para meu irmão.

— São gêmeos também? — viu-a anuir. — Interessante… — bebericou.

— Então… O que fez para a morena te dispensar?

— Crescer juntos fez com que Fleur acompanhasse toda minha vida pregressa.

— Segredos! — ela riu. — Toda família tem os seus. O que você esconde no seu passado? — estreitou os olhos.

— Na verdade, eu não escondo… — Magni deu de ombros. — É algo do conhecimento de todos.

— E o que seria? — ela insistiu.

— Há muitos homens e muitas mulheres no meu passado — disse calmamente. — Digamos que tenho problemas em manter relacionamentos longos.

— Aversão a compromissos? — Nina sorriu. — Desde quando isso seria um defeito? Eu também gosto de liberdade.

— Então acho que podemos nos dar muito bem… — o sorriso dele se alargou.

≈≈

Com passadas largas Igor seguia decidido pelos corredores, puxando Liv pelo braço.

— Vossa alteza tem certeza? — indagou a ruiva receosa de estar se metendo em uma encrenca.

— Tenho… — afirmou, parando em frente a porta da ala de hóspedes do palácio. — Você vai ficar aqui — abriu a porta e indicou que entrasse.

Liv olhou em volta e sorriu. Havia limpado tantos cômodos como aquele, mas jamais sonhara que dormiria um dia em um deles. Acreditava que sua hora finalmente tinha chegado.

— Peço desculpas pela irresponsabilidade de meu irmão — ele inclinou a cabeça. — Amanhã mesmo, meus pais serão informados da situação.

— Acha mesmo que eles interferirão em meu favor? — rebateu desconfiada.

— Minha mãe é muito justa e compreensiva. E quanto a meu pai… — crispou os lábios. — Bem, ele é muito rígido e desconfiado, mas sabe o filho que tem. Duvido que fique espantado... Na verdade, creio que ele ficará surpreso de ter demorado tanto isso acontecer. Eu mesmo estou surpreso ser a primeira vez que uma serva venha revelar que espera um filho dele.

— Não deveria ficar surpreso… — meneou a cabeça. — Creio que seu irmão já demitiu ou transferiu outras servas, não? — viu-o anuir. — Faça uma lista e terá uma ideia de quantos sobrinhos bastardos você tem.

Um quase sorriso se formou no rosto do loiro.

— Não se preocupe, Liv… O seu não será outro bastardo — afirmou.

≈≈

— Obrigada por me acompanhar até o meu quarto… — Rebecca sorriu de leve.

—A dor ainda está muito forte? — Narfi perguntou preocupado.

— Um pouco… — massageou as têmporas. — Esses últimos dias tenho dormido pouco e minha cabeça hoje está latejando desde cedo. Só preciso dormir um pouco.

— Imagino que deixou de dormir porque estava estudando, estou certo? — ele sorriu.

— Culpada… — ergueu a mão.

— Você não consegue ficar longe dos livros… — riu. — Você sempre foi tão diferente de seus irmãos. Sempre com a cabeça nos números e nas estrelas. O tio Thor diz que você segue os passos da tia Jane. Ele tem muito orgulho disso… e eu também…

O rosto da jovem se tingiu de vermelho.

— Tem certeza de que não quer ao menos jantar? — o príncipe insistiu.

— Tenho... Eu só fui para o jantar por causa de Váli e Sigrid… — entristeceu-se. — Por quê ele fez aquilo? Será que ela o traiu mesmo?

— Não sei… A Sig que conheço jamais faria isso, mas Váli parecia tão certo disso… — mordeu o lábio.

— Torço para que não seja verdade, mas… Depois do que ele disse e fez… — suspirou. — Duvido que ela o perdoe.

— Também acho que ela não o perdoaria. E se ela o traiu mesmo, ele nunca a perdoará.

— Eu também não perdoaria. Confiança é tudo em um relacionamento — disse séria.

Narfi entendeu como uma indireta.

— Eu jamais trairia você — afirmou. — Tenho feito de tudo para provar que sou digno de sua confiança — indignou-se.

— Não foi uma indireta… — ela balançou a cabeça. — Se eu não confiasse na palavra que me deu, não seriamos namorados. Por quê arriscaria meu coração com alguém de quem eu desconfiaria a todo momento? Seria estúpido de minha parte correr o risco de me magoar, se não confiasse em você.

Ao ouvir isso, Narfi não se conteve. Ele deslizou a mão pela cintura dela e a beijou. Quando a língua dele massageou os lábios de Becca, ela entreabriu sem medo e o recebeu com gosto. Um grunhido escapou da garganta de Narfi e ele enrolou os dedos da outra mão nos cachos dourados dela. A jovem subiu as mãos por aquele peitoral definido e afundou os dedos dela no negro dos cabelos dele. Perdido na excitação crescente que aquele beijo despertava, o príncipe se inclinou mais sobre ela, até baterem contra a porta. Com o som da batida, ele afastou o rosto e a deixou respirar.

— Becca… — ele sussurrou.

O coração dela batia de forma acelerada e o tamanho da excitação que cutucava sua coxa era definitivamente recíproca, entretanto não se achava pronta para prosseguir. Ela encarou aqueles olhos azuis-esverdeados e quis muito entregar seu corpo e alma a Narfi, mas ainda tinha medo. Percebeu que sua confiança nele não era tão forte quanto proclamava.

— Narfi… Eu… — não sabia o que dizer.

— Boa noite, Becca… — ele disse soltando-a e se afastando.

— Boa noite… — pestanejou aturdida.

— Ah… Ia esquecendo… — moveu as mãos, conjurou um livro e o depositou nas mãos da jovem. — É para você.

Rebecca arfou ao passar as pontas dos dedos pelo nome de sua mãe, impresso na capa do livro.

— Esse foi o último trabalho da tia Jane publicado… A primeira edição.

Os olhos dela marejaram e ela abraçou o livro.

— Obrigada, Narfi… Muito obrigada…

— De nada… Até amanhã… — fez um leve aceno com a cabeça.

— Até… — ela respondeu baixinho.

Mesmo que a noite não tivesse terminado como realmente desejava, Narfi seguiu pelo corredor feliz da vida. Ao virar a esquina, trombou com Igor.

— Ah… Você… — o moreno fechou a cara.

— Parece que estraguei o entusiasmo de alguém… — foi irônico.

— Você estragou todo o meu entusiasmo quando seus avós o deixaram nos portões do palácio. Nem eles queriam você — foi cruel.

O loiro trincou os dentes, mas não rebateu.

— E então? — o mais velho o encarou. — Fez o que mandei? Terminou com ela?

— Terminei… — disse entredentes. — Ela ficou arrasada…

— Ela vai superar. O importante é que não será usada por você — falou seriamente. — Mas pense no lado bom… Imagino que no momento ela ainda tenha algum sentimento por você. Agora ela o odeia — foi sarcástico. — É alguma coisa… Afinal você não merece nem isso. Merece que ninguém sinta nada por você. Nem de ódio ou pena você é digno.

— Você nunca me aceitou como irmão… — murmurou. — Nunca aceitou que nossos pais...

— Você não é meu irmão! — gritou. — Eles não são seus pais! Coloque isso de uma vez na sua cabeça! — apontou o dedo. — Somos primos! Você é apenas um parente! Um agregado que abrigamos sob nosso teto! — cuspiu as palavras.

Igor se limitou a fitar o irmão inexpressivamente. Narfi respirou fundo e saiu pisando forte para longe dali.

— Você sempre me odiou… Agora terá motivos reais para me odiar… — Igor disse baixinho, assistindo o irmão se distanciar.

≈≈

Váli assistia assustado Eir e Ada ditarem ordens às demais servas da sala de cura. Em seu íntimo um misto de remorso e medo o mantinham em agonia e com os olhos cheios de água. Pedia em silêncio para que Sigrid estivesse bem.

— O que ela tem? — indagou com a voz embargada.

— Ainda não sabemos, alteza… — Eir o encarou apenada.

— Você nem deveria estar aqui! — Siegfried alteou a voz.

— Eu não vou sair de perto dela — rebateu o príncipe entredentes.

— Por favor… — Hilda pediu. — Aqui não é hora e nem lugar para discutirem.

— Aqui não é lugar para vocês ficarem — Ada disse com seriedade. — Por favor, peço que todos se retirem — ergueu a mão indicando a porta do local.

— Mas… — Váli tentou protestar.

— Alteza… Por favor… — a serva foi irredutível.

Os três deixaram o local e na sala de recuperação encontraram Aredhel e Loki, que conversavam com Fenrir.

— Quem é essa moça? — indagou Loki, olhando para Merida que dormia em uma das camas. — E o que faz por aqui? Por quê você estava na festa? Por quê Mintaka não está na cama ainda? — encarou o rapaz que segurava a menina adormecida no colo.

— Olhem! — exclamou Aredhel propositalmente. — Os três estão retornando.

— Ada os expulsou, eu presumo — comentou Loki.

Os três anuíram em silêncio.

— Ela sempre faz isso… — Aredhel tentou amenizar. — Mas tenham calma… As servas sabem o que fazem. Sig ficará bem — olhou para o marido e inclinou a cabeça.

— Váli… Você e eu precisamos conversar… — Loki pegou o braço do filho.

— Mas pai, eu…

— Vamos! — o pai foi firme.

— E você vá colocar minha neta na cama — dirigiu-se a Fenrir.

O caçula nem discutiu, se levantou com a menina nos braços e saiu. Váli buscou ajuda na mãe, mas esta o ignorou, dirigindo sua atenção a Sieg. Sem alternativa, o príncipe acompanhou o pai para fora do local.

— Onde está Týr? — indagou Hilda.

— Ele foi chamado por Thor para verificar algo que aconteceu nos jardins — a rainha balançou a mão, após abraçar apertado Sieg. — Parece que hoje aconteceu de tudo neste reino. Até uma chuva de estrelas.

— Será que ela tem a mesma doença que os... — Sieg não conseguiu terminar a pergunta e levou a mão à boca.

— Doença? — indagou Aredhel, com o medo ecoando na voz.

— Não… Não… — Hilda balançou a cabeça com veemência e os olhos cheios de lágrimas. — Não deve ser isso… Deve ser… Oh… — piscou os olhos.

— O quê? — indagou o rapaz angustiado.

— Deve ser o quê? — insistiu a rainha.

Broomhilda fitou os dois sem saber se deveria dizer. Não se sentia confortável em revelar algo que sua amiga tinha lhe confidenciado, ainda mais depois do final trágico de seu noivado. Contudo, ao encarar os olhos esperançosos de seu noivo, percebeu que não podia lhe negar aquela esperança e possível boa notícia.

— Bem… — a moça mordeu o lábio inferior. — Sig esta manhã estava se queixando de enjoos, disse que estava atrasada e que não se prevenira direito…

— Oh, meu Deus, ela está grávida! — exclamou Aredhel. — Vou ser avó de novo! — exultou.

— Grávida? — espantou-se o outro.

≈≈

Com um baque surdo, as costas de Nicolas se chocaram contra a calçada dura e fria daquele beco. Com o peso de Einmyria sobre seu corpo, mal conseguia respirar. Algo tinha travado sua respiração na queda. Ainda deitado, ele deslizou a mão sobre o corpo dela e exalou o ar lentamente, quando se certificou de que ela estava intacta.

— Eu devia ter pensando em trazer duas armaduras… — ele gemeu. — Será que achariam estranho me verem vestindo uma? — riu da ideia patética. — Droga de água imprecisa… Tinha que ser algo místico para ser tão falho e inexato — bufou, enquanto retirava a namorada de cima de si com delicadeza.

Ele se pôs de joelhos ao lado de Myria e a tomou nos braços, seguindo em direção ao chique hall de entrada de seu apartamento.

— Senhor Stark… — murmurou seu secretário pessoal, quando o viu com a jovem nos braços. — O que houve com a senhorita Einmyria?

— Ela desmaiou de emoção o ao me ver… — sorriu. — Dean… Por hoje você está dispensado. Aliás… Por essa semana inteira… — arqueou a sobrancelha em direção a namorada.

— Oh, sim… Claro… — corou o homem. — Eu apenas vim deixar os papéis que o senhor pediu para eu providenciar — apontou para a mesa. — Tenha uma boa semana… — acenou com a cabeça e se apressou em direção à porta.

— Uma excelente semana para você também…

Nick ouviu a porta de fechar e deitou Myria no sofá da sala. Ajoelhou-se ao lado dela e tomou-lhe uma das mãos entre as suas.

— Espero que você não demore para acordar… — franziu o cenho preocupado. — Também torço para que acorde de bom humor — fez uma careta. — Senão… Estou muito ferrado...

≈≈

Váli entrou cabisbaixo no escritório do pai e se deixou afundar na primeira poltrona que surgiu. Loki entrou, fechou a porta e se escorou na mesa, encarando o filho com os braços cruzados.

— Embora eu não esteja com clima para ouvir sermões — começou o filho —, sei que não escaparei do seu… — passou ambas as mãos pelo rosto. — Imagino o quanto deve estar satisfeito por meus atos provarem que você estava certo… Deixei o monstro do ciúme escapar — murmurou entristecido.

— Ah, meu filho… — meneou a cabeça. — Satisfação não está na minha natureza e não vejo porque eu ficaria satisfeito em ver meus filhos cometerem os mesmos erros que eu.

Surpreso com a resposta, o príncipe ergueu a cabeça e encarou o pai. Loki o fitava com compaixão.

— Embora eu geralmente sinta prazer em provar a alguém que eu estava certo — o rei prosseguiu —, isso não se aplica a você… Nenhum de vocês… — murmurou pensativo.

Loki puxou outra poltrona e se sentou de frente para o filho, bem próximo.

— Quando eu falei que éramos parecidos não só fisicamente, como também no jeito de ser, não era uma ameaça… Nem uma maldição… — suspirou. — Eu apenas tentei alertá-lo. Sou seu pai e o conheço bem... Conheço-o por uma vida inteira — encarou-o.

— Pai… — murmurou o rapaz, franzindo o cenho.

— Sempre discordei da ideia de sua mãe de poupá-los de algumas coisas — Loki reiniciou. — Eu cresci crendo em uma mentira, cercado de segredos... Segredos que só trouxeram destruição e mágoas… — perdeu-se em pensamentos por alguns instantes. — E não queria o mesmo para vocês. Penso que a verdade, por mais dura que seja, pode ajudar a evitar que tragédias se repitam. Que os mesmos erros sejam cometidos... Mas sua mãe tinha uma opinião diferente e muito firme. Desejava que vocês se espelhassem no que nós tínhamos de melhor — deu um sorriso triste. — Váli, um dia você será pai e vai perceber que o maior sentimento que vai sentir é medo. Vai se sentir perdido em vários momentos, sem saber se o que está fazendo é certo ou errado, se isso fará bem ou mal… — gesticulava. — Muito medo… Medo de perder seus filhos, de que se machuquem, de vê-los magoados, de morrer e deixá-los desamparados… Medo de errar como pai… — fitou-o longamente com os olhos marejados.

Um nó se formou na garganta de Váli. O pai se remexeu na poltrona e tentou se recompor, antes de continuar.

— Eu não sou o melhor exemplo de homem — riu sem humor. — E meu relacionamento com sua mãe beira a insanidade. Não consigo explicar e nem controlar a obsessão que tenho por sua mãe. Isso já causou tanta dor, tantos problemas… Tragédias… — seus olhos brilharam aquosos novamente. — Pelos deuses… Estou longe de ser o homem que desejo ser para sua mãe… O homem que ela merece ter... Nem nisso consigo acertar… — uma lágrima solitária escorreu pelo rosto dele. — Nunca quisemos que vocês se espelhassem em nós nesse ponto.

Váli ergueu a cabeça buscando uma forma de conter as lágrimas que ameaçavam transbordar de seus olhos. Ele fitou o teto dourado e cheio de runas e pensou no que dissera no baile. De repente tudo parecia infantil e mesquinho. “Eu sou um idiota...” Cerrou os olhos com força e trincou os dentes. “Porque não ouvi meu coração?”

— Eu a amo desesperadamente… — o filho disse com a voz embargada.

— Eu sei… Sempre deu para perceber… — murmurou o pai.

— Pai… Eu a perdi, não é? — finalmente encarou o pai e deixou as lágrimas rolarem.

— Eu não sei… — balançou a cabeça. — Nem toda mulher é louca como sua mãe para aceitar homens tão errados como nós… — disse apenado. — Até hoje não entendo como ela me ama — deu de ombros e limpou as lágrimas com o dorso da mão. — Eu apenas agradeço aos deuses todos os dias por ela ainda me amar.

— Ah, pai… — a voz saiu engasgada. — Eu não posso perdê-la… — inclinou-se na direção do outro. — Não posso… — rompeu em soluços.

Loki o abraçou e deu um tapinha em sua costa.

— Independente do que acontecer entre vocês, ela precisa de seu apoio agora... — lembrou.

O choro do jovem se intensificou. Algo dizia a Váli que ainda lamentaria muito esse dia no futuro.

≈≈

Týr e Thor observavam os gurdas vasculhando os jardins do palácio.

— Repita o que viu — pediu Thor a um dos guardas que vigiava o local antes de sua chegada.

— Hoje teve uma chuva de estrelas cadentes — começou o jovem — e vi muitos servos pararem para assistir. Devido à quantidade de estrelas, tudo ficou muito claro. Parecia dia. Foi quando vimos uma movimentação e um grito vindo daquele lado — apontou.

— Segundo outro guarda — Týr começou —, eles viram a sombra de um homem cambaleando, mas assim que foi avistado ele se escondeu de forma misteriosa. Quando chegaram ao local somente encontraram marcas de seus calçados e sangue — explicou.

— Então não deve estar longe — Thor balançou a cabeça. — Ele está ferido.

De repente um dos Einherjars gritou, anunciando que encontraram um homem. Týr e Thor correm para a área. Chegando lá encontraram um rapaz de cabelos escuros desmaiado e com um grande corte na testa. Thor se ajoelhou ao lado do jovem e franziu a testa, pensativo com a aparência do rapaz.

— Levem-no para a sala de cura — ordenou Thor.

Quando um dos guardas tocou no braço do homem, ele abriu os olhos assustado e se preparou para atacá-lo.

— Ei! — Thor segurou seu braço. — Acalme-se. Não vamos machucá-lo.

O rapaz se sentou de supetão, olhou ao redor, parecendo perdido. Encarou o filho de Odin, piscou seus olhos azuis-esverdeados e entreabriu os lábios.

— Thor? — murmurou pasmado.

— Sim… — o loiro estreitou os olhos. — Nos conhecemos?

— Eu o conheço — o moreno deu um sorriso que pareceu estranhamente familiar à Thor —, mas creio que nunca fomos apresentados… Eu sou Nari… — apresentou-se.

— Nari? — repetiu confuso.

— Nari… Filho de Loki… Sou seu sobrinho — revelou.

≈≈

James chegou à sala de cura caminhando apressado. Assim que Aredhel o viu, lhe estendeu as mãos e ele as acolheu entre as suas. Os olhos inchados da amiga o deixaram preocupado.

— Como ela está? — indagou visivelmente angustiado.

— Ainda não sabemos… — Aredhel limpou as lágrimas do rosto. — Mas tudo leva a crer que teremos uma boa notícia em meio a uma tragédia — olhou entristecida na direção de Siegfried.

— Encontrei Fenrir e ele me contou sobre os pais deles… — murmurou compadecido. — E nem que Hela tivesse aqui poderia ajudá-los…

— Não… — anuiu a rainha. — Ela poderia curá-los se os tivesse encontrado no início da doença, depois que ela se instala, não há o que possa ser feito.

— E se a morte é natural ou de alguma doença, ela não pode ressuscitá-los — crispou os lábios.

— Loki até hoje diz que se ela tivesse seguido o treinamento dele, poderia fazer tudo isso e muito mais — ela passou a mão pela testa. — Perturbou tanto a menina na adolescência… Lembra da vez que ela fugiu com o Fenrir para a floresta? Loki estava obcecado com os poderes dela.

— Quando ele não foi obcecado por poder? — fez uma careta.

Aredhel mordeu os lábios e Jim se aproximou de Siegfried e Broomhilda.

— Meus sentimentos… — dirigiu-se ao rapaz e o abraçou.

— Obrigado… — fungou Sieg.

O ator voltou sua atenção novamente para Aredhel.

— Mas qual seria a boa notícia?

— Há fortes suspeitas de que esteja grávida — cochichou.

Jim suspirou aliviado.

— Váli vai ficar tão feliz… — comentou emocionado.

— Ele não tem porque saber disso! — protestou Sieg com raiva.

— Sieg! Ele é pai da criança! — rebateu Hilda.

— Que belo pai! — foi sarcástico. — Acabou de dizer na frente que quase todo o reino que outro pode ser o pai, então que direitos tem?

— Sieg… Essa não é uma decisão que cabe a você — alertou Aredhel.

— E nem a vocês! — retrucou. — Não é porque vocês governam Asgard que podem mandar em nossas vidas! Melhor ser bastardo que filho do homem que jogou a honra da mãe dele na lama! — sibilou.

Aredhel articulava uma resposta, quando Jim interferiu.

— Por favor… — o ator ergueu as mãos. — Vamos tentar se acalmar. Eu entendo que tudo o que aconteceu deixou a situação dos dois complicada, mas não adianta discutirmos sobre um assunto que só diz respeito ao casal.

Siegfried ensaiou protestar, mas James levantou a mão.

— Se Sig estiver grávida, sabemos que o filho é de Váli. Então ele tem o direito de querer legitimá-lo, assim como a Sigrid tem de rejeitar a proposta.

O jovem bufou e deu as costas a ele. Aredhel cruzou os braços e ficou quieta. Conhecendo a amiga há anos, Jim percebeu que ela matutava algo. Sabia que ela não abandonaria a ideia de legitimar o neto.

Repentinamente Váli adentrou no local. A rainha logo notou os olhos inchados e o ar abatido do filho e sua raiva pelo que acontecera logo passou.

— Como está Sig? — indagou aflito.

— Ah, meu filho… Ainda não sabemos.

Siegfried se precipitou na direção de Váli, mas Jim o segurou pelo braço.

— Por favor, Sieg… — sussurrou. — Dê uma trégua. Todos estamos preocupados com o estado dela. Santo Cristo, faça isso em memória de seus pais. Pelo menos hoje…

As palavras do ator fizeram o rapaz repensar e considerar a questão. Aquele estava sendo um dia de inferno, mas descontar sua raiva em Váli não faria o tempo voltar e nem devolveria seus pais. Ele respirou fundo e voltou a se juntar a sua noiva, dando as costas ao ex-amigo.

A porta da sala de cura se abriu e Eir surgiu. A serva chegou a se assustar ao encontrar todas aquelas pessoas esperando.

— E a minha irmã? O que ela tem? — Sieg disparou a perguntar.

— Ela está febril e ainda dorme — informou Eir.

— Febril… — repetiu Sieg, sentindo o corpo gelar.

— Oh, Deus… — arfou Hilda.

— É algo grave? — peguntou Váli confuso com as reações de Sieg e Hilda. — Ela vai ficar bem, não é?

Aredhel trocou olhares com James e deu um passo a frente.

— Eir... Acha que pode ser a doença da boa morte? — criou coragem de perguntar.

— Bem… — a serve enrugou a testa. — Soubemos do novo surto na vila, mas acham que é o caso? — espantou-se.

— Os pais dela faleceram hoje da doença — foi a vez de Jim se manifestar. — Ela cuidou deles durante todo o período da doença.

Váli encarou o ator chocado. Até então não sabia dos detalhes da morte dos pais de Sigrid. A cor se esvaiu do rosto da serva, o que fez todos os presentes engolirem em seco. Siegfried fechou os olhos com força e Aredhel agarrou o braço do filho. Váli sentiu a sensação de mau-agouro se intensificar. Não sabia se queria ouvir o que a serva tinha a dizer.

— Vou repetir os exames de forma mais minuciosa e pedir o isolamento da jovem — Eir começou afobada. — Ah… Bem… Diante das suspeitas, nem sei dizer se isso vai servir de alívio ou mais angústia, mas… A senhorita Sigrid espera um bebê — revelou.

— Um filho… — a voz de Váli falhou. — Meu filho… — repetiu e novas lágrimas rolaram por seu rosto.

Ainda sobre o efeito anestésico da notícia, o príncipe assistiu, meio alheio, sua mãe pedir que tivesse fé, enquanto segurava suas mãos e as apertava. Sentiu a mão de James sobre seu ombro a lhe fazer um leve afago e proferir palavras inteligíveis. Ouviu Broomhilda soluçar e Sieg começar a chorar. Mal lembrava da última vez que viu o amigo chorar. Não... Lembrava bem... Foi ainda garoto, quando sua mãe falecera pela segunda vez. Viu Eir abrir a porta e anunciar uma espécie de protocolo de emergência e dizer para isolarem a mãe de seu filho. “Meu filho...”

Váli teve vontade de gritar. Em um mesmo dia havia feito amor com Sigrid, a acusado de traição, a humilhado, descoberto sua inocência e que ela carregava seu filho. Em um único ciclo em que o sol nasce de um lado e se põe no horizonte contrário, tinha colocado a perder tudo que levara uma vida para conquistar. Entrara naquela sala decidido a se humilhar, a rastejar, a fazer qualquer coisa pelo perdão da mulher que amava. Contudo descobrira que talvez a vida lhe cobrasse um preço que não podia pagar. Talvez o destino, como castigo por sua ingratidão, tiraria a sua chance de ser feliz novamente. Perderia o amor de sua vida antes que ela pudesse lhe perdoar.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.