Asgard Dirty Secrets

10 Eu estava aqui o tempo todo.. Só você não viu..


Notas iniciais
*Eu estava aqui o tempo todo.. Só você não viu.. - Trecho da música "Na sua estante" de Pitty. Olá!! Vocês não podem dizer que eu não gosto ou não valorizo vocês.. Para escrever o capítulo anterior eu comecei a escrevê-lo as 6h da tarde e só terminei as 11h da manhã do dia seguinte.. Não dormi.. Ontem dormi horrores para compensar.. Depois de ver os apelos de muitas, resolvi adiar o próximo capítulo da fic "The Unlikely" e atender aos pedidos. Depois de começar as escrever por volta das 9h da noite e estar terminando agora, as 7h da manhã.. Está aqui a pacificação da treta.. Espero que gostem das boas novas.. Sobre o capítulo.. Um pouco de paz.. hehehehe Ou não? O título dá uma dica.. Boa leitura..

Nicolas Stark abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi o teto branco de seu quarto, iluminado fracamente pela luz de um abajur que estava ao lado direito de sua cama. Mexeu a cabeça para o lado e sentiu uma fisgada em seu ombro. Baixou os olhos e viu que seu braço esquerdo estava engessado. Seus olhos seguiram vasculhando o ambiente e pousaram na figura de uma mulher loira que cochilava em uma poltrona ao seu lado.

– Ah, mamãe.. — ele murmurou olhando com pesar para Pepper que cochilava toda torta na poltrona.

De repente a porta do quarto se abriu e ele viu adentrar a sua namorada, Einmyria.

– Olá, dorminhoco.. — a jovem sorriu – Que bom que acordou. — sussurrou se aproximando da cama.

– Olá, minha boneca.. — Nick disse baixinho e estendeu o braço direito puxando uma das mãos de Myria e depositando um beijo demorado – Por favor, diga que não perdi o desfecho da guerra. — deu um sorriso irônico.

– Infelizmente você perdeu. — ela disse crispando os lábios em uma linha – Ainda a pouco os últimos robôs pararam de funcionar. O vírus que seu pai e o tio Bruce criaram foi extremamente eficiente. Conseguiu contaminar todas as máquinas controladas por Ultron e deu um fim a ele. Agora o tio Thor, meus irmãos e os outros estão por ai, espalhados por vários lugares do mundo, ajudando os governos locais na reconstrução e.. — repentinamente fez uma pausa e olhou fixamente para um ponto distante – Pelos deuses... — murmurou.

– O que foi? — o rapaz franziu o cenho – O que viu? — perguntou preocupado.

– Fenrir e Váli precisam voltar para Asgard com urgência. Eles precisam evitar que uma tragédia aconteça.. — Myria disse visivelmente aflita.





Em Asgard ainda era madrugada. O barulho da discussão e de Loki quebrando tudo o que via pelo caminho acabou por acordar seus filhos. Narfi, Igor e Eisa saíram no corredor e entreolharam-se assustados.

– Mas o que está acontecendo? — Narfi perguntou saindo do quarto, ainda fechando seu roupão.

– Eu não sei.. Mas sei que ouvi a voz do pai e da mãe gritando.. — Igor franziu o cenho.

– Ah.. Pelos deuses.. — afligiu-se Eisa, indo em direção às escadas e sendo seguida pelos irmãos.

Ao alcançarem o andar abaixo, viram Loki enfurecido destruindo a mobília do corredor.

– Pai! — gritou Eisa se aproximando dele.

– O que houve pai? — questionou Igor assustado.

– A mãe de vocês! — Loki gritou — Ela está me deixando louco! — rosnou.

Narfi e Igor, tentando segurar Loki, trocaram olhares solidários. Os rapazes imaginaram que o pai talvez tivesse descoberto sobre a gravidez de Aredhel. Eisa olhou por um tempo para Loki e, não se contendo, leu os pensamentos dele. A caçula franziu o cenho e seus olhos marejaram.

– Mamãe.. — ela murmurou e saiu correndo.

– Pai, tente se acalmar! — Narfi falou ajudando Igor a segurá-lo – Onde está a mamãe? O senhor não fez nada contra ela, não é? — indagou preocupado.

– Eu sei lá onde ela está! Larguem-me! — rosnou Loki se soltando – Eu não fiz nada a ela.. — resmungou.

– É melhor o senhor se acalmar, pai.. — falou Igor — Senão daqui a pouco o palácio todo vai ficar sabendo da discussão de vocês. — tentou argumentar.

Loki bufou e ainda resmungando seguiu para seu quarto.

– O que será que eles discutiram? — murmurou Igor passando uma das mãos pelos cabelos.

– Não sei.. Mas pelo jeito isso vai terminar mal.. — disse Narfi dando um suspiro exasperado – Vamos atrás da mamãe.

Eisa, Narfi e Igor se espalharam pelo palácio procurando pela mãe.



Loki entrou em seu quarto e continuou quebrando tudo. Depois de descontar toda a sua ira na mobília, ainda bufando de raiva, ele se sentou na cama e aos poucos começou a se acalmar. Loki tentava controlar sua respiração. Logo ele olhou ao redor e finalmente começou a raciocinar sobre o que tinha ocorrido. Sobressaltado, percebeu que havia passado dos limites novamente. Tinha a consciência de que ao invés de resolver as coisas com a esposa, fora desnecessariamente cruel com ela. Mais uma vez havia se descontrolado e descontado sua fúria na pessoa errada e acabou por falar inverdades. Levou ambas as mãos à boca ao perceber as besteiras que falou.

– Pelos deuses.. Aredhel.. — ele pensou alto — O que fui dizer? — condenou-se.

Apesar de todas a brigas e de tudo o que disse, Loki era perdidamente apaixonado pela esposa. Aredhel era seu ar, sua vida, seu tudo. Depois de todas as dificuldades, sacrifícios e sofrimentos que eles passaram juntos, Loki não conseguia nem imaginar sua vida sem Aredhel ao seu lado. Tinha a fé cega de que o amor dos dois seria eterno.

Loki jamais havia se perdoado por tudo que fez de ruim a Aredhel. Nunca se esquecera de que, mesmo que acidentalmente, ele a matara. Também ainda remoía a vez na qual quase a agredira e que chegara perto de cometer um ato monstruoso. Loki levara quase duas décadas se dedicando a amá-la e fazê-la feliz, em uma tentativa de se redimir por tudo o que a fizera sofrer. Havia prometido a si mesmo nunca mais voltar a machucá-la.

Porém a intenção é apenas escrava da memória. É natural que o tempo traga consigo a amnésia do que um dia foi prometido. Loki acabou por se deixar esquecer da promessa que um dia fizera a si. Envolto pela névoa da mágoa, do ciúme e da possessividade, mais uma vez ele voltou a ser quem sempre fora: alguém de língua ferina. Uma pessoa que atingia a tudo e a todos com seu ressentimento, sem pensar nas consequências que isso pudesse trazer.

Relembrando tudo o que dissera nas últimas semanas à sua esposa, Loki franziu o cenho e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. De repente, feito alguém que desperta de um longo sono, ele tomou a consciência da imensa dor que causara a Aredhel. Uma angústia tomou conta de si.

– Fui cruel demais.. Ela não vai me perdoar.. — lamentou meneando da cabeça e com lágrimas descendo pelo rosto.

De forma exasperada, Loki deixou o quarto e rumou pelos corredores atrás da esposa. Seguiu correndo, indo direto para o quarto dela. E, com um estrondo, afoitamente abriu as portas do quarto de Aredhel.

– Aredhel? — chamou com a voz embargada.

Loki não a avistou e adentrou no quarto, dirigindo-se até o banheiro. Vazio. Voltou para o quarto e olhou ao redor. Com um pressentimento ruim a lhe apertar o peito, ele abriu o guarda-roupa e passou os olhos rapidamente pelas peças. O alívio de ver que as roupas continuavam lá foi rapidamente substituído pelo frio na espinha ao perceber a ausência de uma peça: o vestido com o qual ela chegara naquela realidade. Passou as mãos pelos cabelos, sentindo o desespero apoderar-se de seu ser. Caminhando pelo quarto, inadvertidamente seus olhos pousaram em um pequeno objeto que brilhava sobre a penteadeira. Loki prendeu a respiração ao reconhecer a aliança que um dia dera a ela e que Aredhel nunca tirara do dedo.

Ele se aproximou lentamente do móvel e, com a ponta dos dedos, alcançou a pequena joia. Loki sentiu-se morrer por dentro.

– Ela me deixou.. — disse em um fio de voz.

Incrédulo e desesperado, ele saiu do quarto gritando o nome dela. Mais que isso, ele clamava por Aredhel a plenos pulmões. Desceu as escadas aos tropeços e ao chegar ao andar do salão principal viu sua filha, Eisa, vir em sua direção.

– Como pode dizer aquelas coisas à mamãe? — ela berrou com o rosto banhado de lágrimas e bateu com os punhos cerrados no peito dele – Você foi tão cruel! — deixou escapar um soluço – Ela sumiu! Se algo acontecer a ela culpa é sua! — gritou.

Loki encarou a filha boquiaberto. Rapidamente ele percebeu que ela lera em sua mente o ocorrido. Olhou para Eisa com pesar e fechou os olhos deixando que ela descontasse toda a sua fúria em si. Hela surgiu no salão e olhou confusamente a cena.

– O que houve? — indagou a jovem.

Eisa olhou para a irmã e voltou a encarar o pai.

– A culpa de tudo é sua! — ela apontou um dedo na cara de Loki e saiu correndo em direção às escadas.

Loki, desolado, lembrou-se de Heimdall e saiu correndo em direção à Bifrost. Ele ainda estava a caminho das baias para pegar seu cavalo, quando avistou Narfi e Igor se aproximarem. Ambos estavam encharcados. Ainda chovia ferozmente sobre Asgard.

– Vocês viram a sua mãe? — perguntou Loki aflito.

Os dois jovens trocaram olhares e balançaram a cabeça em negativo.

– Não, pai.. — murmurou Igor.

– Heimdall vai localizá-la.. — Loki disse passando apressadamente por entre os filhos.

– Não, pai.. Ele não sabe onde mamãe está. — Narfi falou rapidamente – Acabamos de vir da Bifrost. Ele não conseguiu vê-la em lugar algum. — informou cabisbaixo.

Loki ergueu a cabeça e deu um longo suspiro.

– Claro que ele não pode vê-la... — Loki murmurou – Maldita hora em que eu a ensinei a se esconder dele! — rangeu os dentes.

Desconsolado, Loki tomou a consciência de que só encontraria Aredhel se ela quisesse ser encontrada. Entretanto, ele se recusava a aceitar tal fato. Decidiu que vasculharia o reino inteiro até encontrá-la.

– Ela ainda pode estar aqui. — ele disse esperançoso — Aredhel está magoada comigo. Pode estar invisível, escondida em algum lugar do palácio. Continuem procurando. Vasculhem cada canto! — ordenou.

Narfi e Igor olharam para o pai com pena, mas anuíram e retiraram-se rapidamente. Loki seguiu vagando pela parte externa, procurando pelos arredores do palácio.





Longe dali, Aredhel caminhava a esmo. Não tinha um plano ou ideia para onde seguir. Apenas caminhava e seguia errante, sem destino certo. Absorta em seus pensamentos, mal sentia o peso e o frio da chuva que lhe encharcava até os ossos. As únicas coisas que rondavam a sua mente, eram as palavras rudes que Loki lhe proferira. “Eu sou um nada para ele..”, remoía. Sentia-se miserável e desolada.

Depois de quase uma hora de caminhada, Aredhel avistou as primeiras luzes da vila. O frio começava a lhe incomodar, já não sentia as pontas dos dedos. Outrora, em uma situação daquelas, não se importaria se morreria de frio ou não, mas naquele momento deixou a autocomplacência de lado e começou a pensar no filho que carregava. O bebê que esperava era tudo que tinha lhe restado.

– Será que um dia você irá me odiar ou irá me ignorar também? — ela perguntou com amargura, passando as mãos pelo ventre.

Aredhel havia notado a desconfiança nos olhos de Narfi e Igor. Sem saber ao certo o real motivo, ela imaginava que eles, após presenciarem a terrível discussão onde todo aquele tormento começara, agiam daquela forma por terem a mesma opinião de Hela. Tinha a crença de que seus filhos acreditaram que ela e James haviam tido algo no passado. “Pelo menos Eisa sabe a verdade..”, ela deu um sorriso fraco. Deu um suspiro lembrando com saudade dos filhos que estavam em Midgard. “Será que eles acreditariam em mim?”, questionava-se. Ela sempre falava com Myria através das projeções. Entretanto, não havia trocado nenhuma palavra com Váli e Fenrir. Temia que eles também a julgassem de forma errônea.

A vila parecia deserta àquela hora. Desnorteada, Aredhel se afligia ao pensar que não tinha dinheiro e nem outra forma de conseguir abrigo e alimento. Pensou por um instante e percebeu que não tinha outra alternativa senão procurar por Jim. Não queria incomodá-lo com seus problemas, mas precisava de um lugar para descansar pelo menos por aquela noite. Esgotava-lhe o esforço que fazia para se manter invisível aos olhos de Heimdall e dos poderes da água do lago. Além disso, ela tinha que cuidar de si para garantir a segurança do próprio filho.





No palácio, após procurar pela esposa por mais de uma hora, Loki começou a cair em si: Aredhel o havia realmente abandonado. Desolado, ele caminhou na chuva para fora do palácio. Atravessava os jardins quando sentiu o perfume de jasmim. Fatalmente, lembrou-se da esposa. Ele se aproximou da pequena árvore e colheu algumas flores. Olhou para baixo e viu que havia algumas caídas no chão. Loki caiu de joelhos no meio da grama molhada e, chorando, jogou a cabeça para trás, fitando o céu cinzento carregado pelas nuvens de chuva.

– Aredhel! — ele gritou com todas as forças – Onde você está, meu amor? — perguntou baixinho, deixando escapar um soluço.





Na vila, James despertou ouvindo algumas batidas à porta de sua casa. Ele se levantou, vestiu o roupão e saiu do quarto. Percebeu que os filhos não tinham acordado com as batidas. Estranhou a possível visita que poderia ter àquela hora da madrugada. Novas batidas, agora mais fracas, se fizeram ouvir. Ele caminhou rapidamente até a porta e, ao abri-la, espantou-se.

– Aredhel! — ele murmurou chocado – O que houve? Meu deus, você está ensopada! — disse sobressaltado, puxando-a para dentro de casa e fechando a porta em seguida.

– Acabou, Jimmy.. — ela disse baixinho – Loki.. Ele... Ele não me ama mais.. — rompeu em soluços e abraçou-o com força.

Ainda surpreso com tal revelação, James a levou para a frente da lareira da sala. Colocou mais lenha no fogo e olhou novamente para Aredhel.

– Vou pegar uma muda de roupa para você e fazer um chá. Você está gelada. — ele falou se encaminhando para o quarto.

Aredhel ficou parada em silêncio, apenas observando a lenha queimar na lareira, enquanto mais lágrimas desciam por seu rosto. James foi até seu quarto, apanhou uma muda de roupa e um cobertor para Aredhel. Ele retornou à sala e a guiou até a porta do banheiro.

– Tome.. — ele disse entregando um par de calças e uma camisa sua — Vão ficar grandes, mas estão secas. Tire essas roupas rápido e tome um banho quente, antes que pegue um resfriado. — disse preocupado.

Depois de algum tempo, Aredhel saiu do banheiro cabisbaixa. Jim a envolveu com o cobertor e a conduziu até o sofá que ficava à frente da lareira. Ele lhe serviu uma xícara de chá e a ficou observando por algum tempo. Aredhel, toda trêmula, deu alguns goles na bebida, enquanto olhava inexpressivamente para a lareira.

– Conte o que houve, Aredhel.. — Jim pediu repentinamente – Loki lhe machucou? — indagou olhando-a dos pés a cabeça.

Ela meneou a cabeça em negativa e ergueu os olhos, finalmente o encarando. Aredhel deu um longo suspiro e começou a narrar todo o ocorrido. No decorrer da narrativa, a expressão de Jim foi se transformando, ficando endurecida. Uma revolta foi se apoderando dele. Ao concluir o relato, Aredhel reiniciou o pranto. James mal podia acreditar no que lhe fora revelado. Passou as mãos pela coxa e roeu os lábios nervosamente. Por mais que soubesse da agressividade de Loki, jamais imaginou que um dia ele praticamente expulsaria Aredhel do palácio. Para ele era quase impossível imaginar que chegaria o tempo em que Loki abriria mão de Aredhel e que seu amor por ela acabasse.

Ele passou a mão pelo queixo e fitou-a pensativo. James, ao ouvir o relato, não pode deixar de achar tudo aquilo irônico demais. Em um passado remoto, há mais de vinte anos atrás, tudo o que ele mais desejou era que Loki finalmente deixasse Aredhel ser livre. Não apenas porque ele achava que Loki representava um grande perigo para Aredhel ou porque desejava que a amiga parasse de sofrer nas mãos dele, mas também por um motivo mais egoísta: ele a queria para si. Há muitos anos atrás, James, em segredo, já fora apaixonado por Aredhel.

– O que eu faço agora, Jimmy? — ela murmurou o tirando de seus devaneios.

Ele franziu o cenho, abriu a boca e fez menção de dizer algo que veio à sua mente, mas desistiu de falar. Aredhel ergueu os olhos e o encarou com lágrimas escorrendo pelo rosto. Jim limpou as lágrimas com as pontas de seus dedos e, pesaroso, afagou os cabelos dela. James se inclinou, recostou sua fronte na de Aredhel e exalou o ar lentamente.

– Vai ficar tudo bem, Aredhel.. — ele murmurou — Eu prometo.. Nada faltará a você e ao bebê.. Eu cuidarei de vocês dois.. — disse calmamente e a abraçou.

Notas finais
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