Asgard Dirty Secrets

12 Como as pedras imóveis na praia.. Eu fico ao seu lado..


Notas iniciais
* Como as pedras imóveis na praia.. Eu fico ao seu lado.. - Trecho da música "Medo da chuva" de Raul Seixas. Olá minha gente!!! Mais um capítulo dessa treta, digo.. Fic... hehehehe Obrigada a todos os comentários!! Amo respondê-los!! Bem.. Esse capítulo eu dedico à minha amiga "Cavalo de Guerra", que ganhou esse apelido por não ter usado mímica no jogo "imagem e ação" e ter-se feito entender quando veio o nome desse filme para ela.. Detalhe.. Ela é uma Hiddlestoner!!! A super Stalker!!! E perdemos o jogo por conta disso.. u_u Foi imperdoável Carol.. imperdoável... Sobre o capítulo.. Acho que o título dele resume tudo.. E aqueles que gostam de ouvir música enquanto leem, digo para colocar "Medo da Chuva" e deixar rolar.. Nunca uma música se encaixou em todas as cenas de um capítulo inteiro.. Creio que ele fará alguns ficarem com raiva, com pena e como medo.. HAUHAUAHAUAH Boa leitura.. Toca Raul!

Naquela mesma manhã, mais cedo, James acordou e deparou-se com Aredhel encolhida junto ao seu peito. Ele não podia negar que um dia, muito tempo há trás, já desejou acordar assim ao lado dela. Quando Jim falou para a amiga que remexer nas memórias era algo perigoso, também falava de si mesmo. Ele, mais do que ninguém, sabia o que era ficar confuso com o que sentia ao ter as memórias reavivadas.

Jamess descobriu que estava apaixonado por Aredhel da pior forma o possível: quando a viu ser morta por Loki diante de si. Ao testemunhar aquela cena, Jim foi invadido por um turbilhão de emoções. Sentiu-se desesperado e também com muito ódio e pena de Loki. Ele sabia que, apesar de tudo o que acontecera, o rei de Asgard realmente amava a esposa e, por este motivo, se conteve. Carregou o luto, guardou dentro de si o que sentia e ofereceu seu apoio e ombro amigo à Loki.

Entretanto, ao ver que a amiga voltara à vida, uma confusão se instaurou dentro de si. Queria lutar por ela, mas sabia que isso não era possível. Primeiro porque tinha a consciência de que não era correspondido. Na ocasião da morte de Aredhel, Loki lhe havia revelado que ela o considerava um irmão. Segundo, seus preceitos morais e sua lealdade a Loki também o impediam. James, seria incapaz de trair a confiança de Loki, a quem já considerava um amigo. Esses fatos, somados à consciência do amor que o casal de amigos tinha um pelo outro, o fizeram recuar.

Jim negava veementemente o sentimento toda vez que era questionado ou acusado disso por Loki. Que bem faria ele revelar isso? James tinha fortes razões para negá-lo sempre. Dizer a verdade colocaria a sua vida em risco. E também poderia piorar a situação de Aredhel, uma vez que, mesmo após a sua morte, Loki continuava possessivo.

A persistência na falta de confiança e a violência do rei de Asgard em relação a sua esposa, revoltara James. Ele chegara a discutir de forma feroz com Loki, a ponto de quase não conseguir esconder seus reais sentimentos pela amiga. Passou a temer que Loki cometesse o mesmo erro e voltasse a ameaçar a segurança de Aredhel. Com esses receios em mente, Jim resolveu permanecer em Asgard e observar de perto o casal. Não deixaria que Loki magoasse ou voltasse a machucar a mulher que ele também amava. Nesse meio tempo algo inesperado aconteceu: ele conheceu Greta.

Greta era uma jovem bonita e tímida, mas que tinha o mesmo jeito doce de Aredhel. Partilhava do mesmo gosto dele pela leitura e pelas artes e sua alegria o contagiava. Uma amizade despropositada começava a mexer com as emoções do ator. Inúmeras vezes James se viu dividido. Seu coração ora ainda clamava por Aredhel, mas acelerava toda vez que via Greta. Angustiado, ao dividir o que sentia por Greta com Aredhel, chegou perto de confessar a ela seu amor platônico. Todavia, na ocasião, a amiga mal percebeu que o sentimento que ele desejava gritar era seu amor por ela e não o que sentia por Greta.

Jim sempre usava a desculpa de Greta e ele pertencerem a realidades diferentes para justificar sua indecisão sobre a moça. Após remoer suas dúvidas, decidiu-se por namorar Greta. A simpatia aos poucos se transformou em paixão e Jim finalmente deixou para trás o que sentia por Aredhel. Greta passara a ser a dona de seu coração e tudo teria ficado bem, se não fosse Thanos interferir.

Quando James teve a mente controlada por Thanos e foi obrigado a agir como amante de Aredhel, foi demais para ele. Thanos cutucou velhas feridas, revirou memórias e deixou Jim perdido. O ator se culpava, acreditando que o inimigo de Loki pudesse ter lido em sua mente seu segredo e usado isso naquela ocasião. Por algum tempo Jim não teve certeza se foi realmente obrigado ou não a beijar Aredhel. Por várias vezes questionou o que sentia pela amiga enquanto esteve sendo controlado. Acuado, viu-se obrigado a revelar sua antiga paixão a sua namorada e isso acabou por separar o casal temporariamente.

Depois de um período de sofrimento para Greta e Jim, ele passou a ter certeza do que sentia pela jovem Asgardian. Não conseguia mais se imaginar longe dela. Ela, por sua vez, deixou que seu amor por James falasse mais alto e afastou a mágoa e o ciúme de si. O casal finalmente fez as pazes e casaram-se, mas a felicidade de Jim durou pouco. Alguns anos depois perdeu a esposa de forma trágica. Quis o destino que ela morresse dando a vida pela menina que na atualidade povoava os sonhos mais íntimos de Jim, Hela. Triste ironia.

Ele mal teve tempo para viver seu doloroso luto, pois tinha que ser forte para criar os filhos que a amada esposa havia lhe deixado. James mais uma vez se viu solitário e a agonia da dúvida trouxe de volta velhos sentimentos. Por muito tempo evitou pensar na forma como a esposa morrera. As circunstâncias o deixavam sofrido e confuso. Sabia que se não tivesse seguido os planos de Loki naquela noite trágica, quem teria morrido seria Aredhel, tentando evitar que a filha fosse raptada. E, quando esse pensamento vinha à sua mente, sentia-se culpado por não saber dizer quem teria escolhido se pudesse mudar o destino. Amava as duas, mas de formas diferentes. Algumas vezes sentia-se grato por esta escolha não ter ficado em suas mãos. Solitário, voltou a sentir seu coração ameaçar pulsar de forma diferente por sua amiga, mas novamente não alimentou tal sentimento. Resignava-se com o pensamento de que o importante era a felicidade dela e de seu amigo.

Quando Aredhel morreu pela segunda vez, ele, ao seu modo, confessou seus reais sentimentos a ela e a Loki também. Na despedida de sua amiga revelou o seu amor por ela, disfarçado em uma jura fraterna. No momento em que Loki gritara a plenos pulmões que Jim não sabia como ele se sentia a respeito da morte de Aredhel, o ator com amargura confessou a verdade. “Eu também a amava..”, declarou em meio a outras verdades. E quando a sua amiga voltou à vida, mais uma vez ele voltou a assumir sua posição de “irmão”.

Os anos se passaram e James, feito uma pedra imóvel, ficou ao lado de Aredhel guardando em segredo o que realmente sentia por ela. Mas como não existe mal que dure para sempre, seus sonhos, assim como o seu sofrimento, um dia chegaram ao fim. Um amor não correspondido tende a morrer, virar ódio ou se transformar em outro tipo de amor e foi o que aconteceu com James. Para ele, a felicidade de Aredhel já era o suficiente para si e seu amor carnal por ela virou um amor fraterno. Sua paixão não correspondida pereceu e só ficou a amizade verdadeira. Quase duas décadas depois ele já mal se lembrava do que era olhá-la de outra forma. Já tinha se apaixonado por outras mulheres, namorado por algum tempo com algumas, mas nada tão avassalador quanto Hela.

A jovem de cabelos negros e de olhos de um tom indefinido entre o azul e verde, entrou em seu coração feito uma brisa de primavera: sutil. Durante muito tempo James nutriu pela jovem um amor quase paternal. Para Jim, Hela era apenas uma menina que o fazia rir quando dizia que se casaria com ele quando crescesse. Todavia, com o passar dos anos e com as investidas da jovem, o amor que sentia por ela começou a seguir outro rumo. O vento que soprava levemente se transformou em um furacão.

Jim perdera várias noites de sono tomado pelo remorso. Inúmeras vezes se sentiu um monstro por nutrir pela jovem um amor que considerava quase incestuoso. Ele a tinha visto crescer, a moça era um pouco mais velha que seus filhos e, para piorar, era filha de seus amigos. Tomado pelo desespero, James, que nunca fora dado a pensamentos pessimistas, chegou acreditar que era um homem amaldiçoado para o amor. Pensava que estava fadado a sempre amar mulheres que não poderia ter ou que seriam tiradas dele.

Após muitos tormentos e conflitos internos, James deu um basta ao seu sofrimento e entregou-se ao que sentia. Decidiu-se por tomar para si a filha da mulher que um dia já amou perdidamente. Estava convicto que dessa vez tinha a chance de ser feliz. Determinou que lutaria até o fim pelo amor de Hela.





James olhou mais uma vez para a amiga que dormia e sentiu seu rosto se aquecer. De repente tomou consciência do estado em que estavam e envergonhado puxou o lençol para cobri-la. Aredhel sentindo os toques acidentais de seu amigo em seu corpo seminu, abriu os olhos e arqueou as sobrancelhas surpresa ao dar de cara com ele.

– Jimmy.. — ela murmurou e viu que suas mãos estavam repousadas sobre o peito nu dele – O que... Como.. Nós.. Nós.. — gaguejou quando notou que estava só de peças íntimas – Meu Deus.. Nós não.. — meneava a cabeça.

– Aredhel.. Acalme-se.. — ele a interrompeu – Você teve um daqueles “episódios” de hipotermia. — disse rapidamente – Eu não conheço a técnica que Eisa usa para lhe aquecer, então fiz o que podia para fazer sua temperatura se normalizar. – explicou dando um sorriso sem jeito.

– Ah.. Entendo.. — a amiga riu sem graça – Perdoe-me por colocar você nessa situação tão embaraçosa. — riu nervosamente – Obrigada.. Obrigada por tudo que tem feito por mim.. — fitou-o nos olhos.

– Não precisa agradecer. Sei que faria o mesmo por mim. — beijou a fronte dela.

James puxou sua calça e vestiu ainda deitado. Aredhel por sua vez virou-se de costas, alcançou seu vestido e o vestiu rapidamente. Depois de devidamente vestidos, os dois amigos começaram a conversar sobre o plano que executariam naquela noite.

– Pegarei Hela e passarei aqui para apanhar você e os meninos. — comentou Jim – Depois partiremos para a nossa Terra. Eu ainda tenho uma garrafa com a água do lago. — explicou.

Aredhel deu um suspiro e mordeu os lábios.

– Sei que você não gostaria de voltar para lá, mas é onde temos chance de nos escondermos. — ele disse percebendo a tristeza da amiga — Lá o tempo não passa como aqui. Podemos ficar escondidos por alguns dias. — coçou a nuca – Aqui, todos os reinos dessa realidade reconhecem o Loki como rei e nos denunciariam. E ficar na Terra daqui também facilitaria nossa localização. Não sabemos se Thor apoiaria ou não as decisões dele. Sei que com a técnica que você me ensinou podemos nos ocultar de Heimdall e da água com facilidade, mas ainda assim poderíamos “esbarrar” com algum informante de Loki. Na outra realidade, acredito que estaremos mais seguros. — tentou argumentar.

– Tem razão.. — ela concordou vencida – Vai ser melhor assim. Pelo menos até que ele se esqueça de nós. Alguns dias vivendo por lá, serão anos aqui, assim poderíamos retornar e recomeçar. — murmurou.

– Ou podemos recomeçar por lá mesmo. — ele ergueu uma sobrancelha – O tempo mal passou por lá. Podemos retomar nossa antiga vida. Ainda tenho bens e todo o dinheiro que ganhei com os filmes guardado. Você, depois que o bebê nascer, pode voltar a trabalhar com informática e eu posso tentar dar aulas de teatro na RADA. Já que as portas para o cinema se fecharam para mim. — deu de ombros.

– Mas Jimmy.. Nós não somos mais como eles. Vamos viver mais e temos poderes. — sobressaltou-se – Você sabe que não poderemos levar uma vida normal lá. E eu também não quero viver tanto tempo longe de meus outros filhos. — disse exaltada.

– Eu sei.. — ele meneou a cabeça – Vamos ver como as coisas se ajeitam. Não vamos sofrer por antecedência. Seus filhos podem ir nos visitar. Você revela a eles onde estaremos e onde está guardada a água mágica. Sei que a localização daquela caverna, por segurança, sempre foi um segredo seu e de Loki, mas creio que é a única saída. — sugeriu.

– Pode ser.. Vamos esperar e ver como se arrumam as coisas após nossa fuga. — ela concordou – Faço qualquer coisa para não me separar de meu bebê.. — afagou o ventre.

Acreditando que o marido não a amava mais, Aredhel estava decidida a fugir para evitar que Loki tirasse seu filho de seus braços. Ela juntou suas forças e deixou a tristeza de lado, tendo como meta o desejo de poder recomeçar.

– Ah.. Tem uma coisa que gostaria de lhe mostrar e pedir a sua opinião. — ele disse de repente.

James foi até seu armário, pegou uma pequena caixa dourada e entregou a Aredhel.

– Abra.. — ele pediu.

Aredhel abriu e dentro da caixa havia um anel de ouro, cheio de entalhes florais e com uma grande pedra verde água no topo.

– Acha que Hela vai gostar? — ele franziu o cenho.

– Ah, Jimmy.. Mas é obvio que ela vai adorar! — sorriu Aredhel – É tão lindo! — disse maravilhada.

– Sei que não é um costume daqui, mas como você a ensinou nossos costumes, creio que ela entenderá o significado. — falou todo sorridente – Venho o guardando há algum tempo. Queria fazer o pedido oficialmente de forma tradicional e com a permissão sua e de Loki, mas pelo jeito não será tão romântico assim. — passou as mãos pelos cabelos – Enfim.. O importante é que Hela e eu finalmente estaremos juntos. — disse esperançoso.

– Sim, Jimmy.. Isso é o mais importante. — anuiu Aredhel.

Após o café da manhã, James, Katarina e Wagner partiram para o teatro e deixaram Aredhel em casa.



Narfi franziu o cenho e levou ambas as mãos à cabeça ao ver a confusão que armara. Hela saiu correndo do local e Igor o encarou estupefato.

– Mas o que aconteceu? — disse Váli entrando acompanhado de Eisa – Ouvi gritos e Hela passou correndo por nós.. — comentou.

– Narfi! Mas que merda você fez! — exclamou Igor irritado – Ele vai matar o tio Jim e sabe os deuses o que fará com a mamãe! — disse exasperado.

– Do que vocês estão falando? — Váli perguntou aflito.

Eisa olhou para os irmãos e mais uma vez não se conteve, leu os pensamentos dos presentes.

– Pelos deuses! Papai vai matá-los! — ela gritou de repente – Seu estúpido! Egoísta! Idiota! — voou em direção à Narfi e começou a esmurrá-lo.

– Eisa, acalme-se! — Váli agarrou a moça.

– Papai ouviu Narfi e eu comentando sobre a gravidez da mamãe. — disse Igor.

– Caralho! — exclamou Váli – Isso vai terminar em tragédia. — afligiu-se.

– É.. E pelo jeito ele ouviu eu comentar que vi a mamãe e o James na cama juntos. — revelou Narfi – Eu fui na casa dele ontem e os vi na cama, juntos! Estavam seminus. — baixou os olhos.

– Como é? — indagou Váli surpreso.

– Esqueçam isso! Não há tempo para explicar agora! Precisamos evitar que o papai faça algo contra os dois! — disse Eisa com urgência – Temos que avisar a mamãe e o tio Jim sobre o papai! Como não sabemos para onde ele irá primeiro, teremos que nos dividir. — explicou — Vocês dois vão atrás do tio Jim no teatro! A essa hora ele já deve estar lá! — disse a Narfi e Igor – Enquanto isso Váli e eu vamos para a casa do tio Jim. — falou exasperadamente.

Todos anuíram. Por mais raiva que Narfi estivesse sentindo do que testemunhou e das dúvidas que Igor tivesse, nenhum dos dois queria que algo de ruim acontecesse à James e muito menos à própria mãe. Os quatro jovens saíram apressados, o tempo estava contra eles.





Hela entrou em seu quarto aos soluços. A novidade sobre a gravidez de sua mãe fora demais para ela. A jovem vinha se retraindo e tornando-se fria para tentar sobreviver à dor que vinha sentindo, mas o novo golpe a desestruturara de vez.

– Ela está grávida dele.. Grávida! — chorava copiosamente – Mamãe.. Por quê? Por que fez isso comigo? Por que mentiu para mim? Por que me iludiu? — gritou e avançou sobre a penteadeira de seu quarto.

A moça arrastou os braços sobre o móvel e derrubou tudo que estava em cima, gritando com raiva. Caiu de joelhos no chão e fitou a própria imagem no espelho por um tempo. Ela passeou os dedos pelo tapete, juntou a escova de cabelos que estava ao seu lado e atirou contra o espelho, partindo-o em pedaços.

– Eu odeio parecer com você! — bradou – Eu odeio você, mãe! — berrou histericamente – Por isso a senhora fez aquela cara quanto contei sobre o Jim.. — meneou a cabeça se lembrando – Você não gostou da notícia porque era amante dele! — socou o chão.

Hela desoladamente pensava no quanto se arrependia por ter se iludido em relação à James. Rememorou todos os pretendentes que teve e ignorou. Lamentava os amores que a vida lhe trouxera e que não pudera viver. Sua desolação era tamanha, que desejava que toda a dor que sentia desaparecesse. Queria poder arrancá-la de seu peito. Implorava mentalmente poder se esquecer de Jim e seguir em frente.

Os olhos de Hela pousaram inadvertidamente sobre o pequeno frasco de líquido azul que jazia no chão. Ela engatinhou pelo tapete e alcançou o vidrinho. A jovem apertou o frasco contra o peito e chorou desconsoladamente.





Loki cavalgava furiosamente em direção à casa de James. Seus pensamentos se resumiam em remoer a revelação que tivera. Montado em Sleipnir, ele amaldiçoava o dia em que Jim entrara em sua vida. Em seu íntimo sempre teve a certeza de que James sentia algo a mais por sua esposa, além daquele suposto amor fraternal.

– Fraternal.. — sibilou entredentes.

Não lhe restava mais dúvidas. Seu maior medo havia se tornado real: Aredhel havia se apaixonado por James. Por anos esse receio lhe assombrou, corroeu e o consumiu. Alimentado por uma série de situações dúbias, enganos e excessos de carinho, Loki chegou perto de agredir a esposa, por conta do ciúmes que sentia dela com o amigo. O quanto um homem possessivo pela esposa é capaz de suportar? Durante todos aqueles anos Loki vinha se contendo, tentando ignorar aquela relação pseudo-fraterna em nome da confiança que depositava em Aredhel. Depois da tragédia que ele mesmo causara por ciúmes, prometeu a si mesmo confiar nela cegamente.

Anos a fio Loki manteve sua promessa de nunca fazer mal a James. Mesmo quando descobriu sobre ele e a filha, manteve a palavra. Loki tinha a consciência de que Aredhel jamais o perdoaria se ele matasse James. E por amor a Aredhel, controlou sua ira e apenas o expulsou do palácio. Às duras penas, durante aqueles mais de vinte anos, ele passou a confiar em James e ficara demasiadamente decepcionado com o seu envolvimento com Hela. Mas nada o havia preparado para a devastação que fora descobrir que sua esposa esperava um filho de seu ex-amigo. Para Loki, James havia ultrapassado todos os limites da audácia.

Loki parou seu cavalo a uma certa distância da casa e resolveu se aproximar a pé. Não queria que os dois fugissem. Ao se aproximar da casa, invisível, ele observou Aredhel varrer, despreocupadamente, a frente da casa. A fúria o cegava e pensamentos caóticos pululavam em sua cabeça. Tudo o que vinha à sua mente era a forma como a esposa o vinha rejeitando na intimidade e de que ela visitava o amigo diariamente. Na cabeça dele não restavam dúvidas de que sua esposa e James eram amantes. Cego de ódio, Loki estava decidido a não deixar que Aredhel e Jim ficassem juntos.

– Você me traiu.. — ele murmurou com raiva e com lágrimas descendo pelo rosto, enquanto via a esposa voltar para dentro da casa.

Ele marchou até a porta da casa e esmurrou-a.

– Aredhel! Eu sei que está aí dentro! Abra esta porta! — rosnou.

Ela, ao ouvir a voz dele, se desesperou. Correu para a cozinha, encolheu-se em um canto e ficou invisível. Loki, sem obter uma resposta, chutou a porta e escancarou-a com um estrondo.

– Eu sei que está aqui! Eu lhe vi entrar! — falou alto ao entrar na casa — Eu lhe avisei, Aredhel! Você é minha esposa e não pode me abandonar! — gritou – Você não será de James nunca! — berrou.

Notas finais
Pode-se ser feliz tendo amado apenas uma vez? Gostaram? Odiaram? Comentem. Aguardem que o próximo é só a destruição.. Destruição de sonhos, amizade, família, amor, corações, almas e vidas..