Asgard Dirty Secrets

44 And if you call for me you know, I’ll run… I’ll run to you


Notas iniciais
*And if you call for me you know, I’ll run… I’ll run to you = E se você chamar por mim você sabe, eu correrei... Eu correrei para você -- Old Money de Lana Del Rey Olá gente! voltei! Trago notícias! Primeiramente vim avisar que vou voltar a ter maior regularidade nas postagens. Como farei isso? Bem... Reduzindo o tamanho dos capítulos... "The Unlikely" voltará a ter em média 2000 palavras até o final e ADS até 3500. Sei que muitas adoram capítulos longos, mas ficou difícil elaborar capítulos longos e isso acaba levando mais tempo do que devia. As fanfics estavam atrasando em média quase dois meses. Espero que com a diminuição possa reduzir esse espaço entre as postagens. Obrigada pelos comentários e sejam bem-vindos os novos leitores! O capítulo hoje foi embalado pelas músicas da Lana... Vão perceber que o tema desta vez gira em torno do que fazemos pelo amor e como fazemos tudo por ele... Boa leitura...

Loki andava pelo quarto, enquanto ninava Jörmungand em seus braços. O rei, com a ponta do dedo indicador, fez um carinho na bochecha do menino e o viu mudar de cor. O bebê de pele azul, agarrou o dedo do pai e o levou a boca, dando uma risadinha baixa. Um sorriso brincou no rosto de Loki.

— Nós deveríamos ter outros… — ele comentou e olhou na direção da esposa.

Aredhel passava a escova pelos cabelos, absorta em seus pensamentos. A questão de Merida e a fanfic não lhe saíram da cabeça.

— Ter o quê? — ela balançou a cabeça, tentando prestar atenção ao que o marido dizia.

— Outros filhos… — indicou o bebê em seu colo com a cabeça.

Ela quase se engasgou com a própria saliva e, nervosa, deixou a escova cair de sua mão.

— Apesar da barulheira — o rei prosseguiu, sem notar a agitação de sua esposa —, eu sinto falta do tempo que este palácio era cheio de crianças.

— Mas temos Jörmungand e agora a nossa neta Mintaka… — a voz dela saiu trêmula. — Creio que Hela logo também nos dará outro neto. Váli ficará noivo hoje e acredito que ele e Sig não demorarão a ter um filho.

— Netos não são filhos… — meneou a cabeça. — Hela nem mora em Asgard — fez um muxoxo. — Duvido que veremos muito nosso neto ou neta. Quanto aos demais... Não sabemos se nossos filhos vão querer viver aqui depois de casados. Meses atrás eu soube que Váli queria comprar um palacete para a noiva — arqueou uma sobrancelha. — E quanto a Fenrir… — fez uma careta. — Eu adoro a Mintaka, mas você conhece seu filho. Não duvido que se engrace por outra nômade e vá viver com ela, levando nossa netinha com ele.

Aredhel fechou a mão sobre a coxa, amassando o tecido do vestido.

— Loki… Eu não… Eu não sei… — começou incerta e com a voz falha.

— Pense só — continuou empolgado. — Poderíamos ter uma menininha. Eu já até a imagino… Linda como a mãe — sorriu saudoso. — Quem sabe gêmeas de novo. Ou um casal e…

— Não! — ela gritou.

Loki a encarou estupefato. A sua esposa parecia visivelmente perturbada e à beira das lágrimas.

— Aredhel?

— E-eu n-não posso passar por t-tudo aquilo de novo… — lágrimas desceram por seu rosto. — A gestação de Jörmungand… — baixou o rosto e chorou baixinho.

Ele franziu o cenho, paralisado com o menino em seus braços. Olhou do bebê para a esposa e finalmente compreendeu. Como sempre, a culpa lhe pesou nos ombros. Com cuidado colocou o menino no bercinho ao lado da cama e depois se aproximou dela.

— Aredhel… — ajoelhou aos pés dela, pegando suas mãos entre as suas. — Passarão mil anos... Minha vida inteira... E eu jamais me perdoarei pelo que lhe fiz passar — olhou-a apenado. — Se houvesse uma forma de desfazer todo aquele mal e as demais maldades que lhe fiz nesses quase quarenta anos de casamento, eu já o teria feito. Não sabes o quanto gostaria de voltar no tempo e apagar o tanto que já lhe fiz sofrer… — foi sincero.

Ela apertou as mãos dele e soluçou.

— Como lhe falei naquele dia em que pedi que me desse uma nova chance — ele foi adiante —, eu não posso desfazer o que fiz, mas posso lhe oferecer um recomeço. É o que venho tentando… — seus olhos marejaram. — Sei que já cheguei perto de fracassar de novo, mas persisto… Eu realmente acredito que posso fazê-la feliz de novo — disse com a voz embargada.

— Oh, Loki… — ela murmurou emocionada. — Você tem feito… Tenha certeza disso — beijou-lhe a fronte.

— Fico feliz de saber disso… — ele deu um sorriso fraco. — Creio que possamos escrever um presente e um futuro feliz para nós de novo. Mas se não quiser mais filhos, eu entenderei e respeitarei a sua vontade. A decisão final sobre isso sempre foi sua… — afagou as mãos dela. — Fomos muito felizes antes de Váli nascer e durante todos esses anos, depois que nossos filhos ficaram adultos. Quando eu lhe propus casamento, eu não tinha certeza de que poderíamos ter filhos. Confesso que fiquei surpreso e assustado quando soube de sua primeira gestação. Até onde eu me lembre, nunca ouvira falar de frutos da união de midgardians com jotuns… Mas era algo que não me importava. Ainda que não pudéssemos ter filhos, isso não me abalaria. Ter você ao meu lado sempre foi o mais importante. Tudo o que eu queria era amá-la.

Aredhel deu um suspiro e novas lágrimas desceram por seu rosto.

— Eu apenas… — ele suspirou. — Gostei da ideia de ser pai novamente, de vê-la com aquela barriga... Com suas medidas arredondadas… — sorriu. — Você fica linda.

— Medidas arredondadas? — arqueou uma sobrancelha. — Gorda, você quis dizer… — estalou a língua.

— E ser gorda é algo ruim? — provocou e a viu fazer uma careta. — Acho que está sendo preconceituosa, minha querida. Entenda como o elogio que é… Você fica linda mais gordinha. Meus atributos favoritos em você — deu uma olhadela no decote dela — ficam mais voluptuosos… E apetitosos…

— Seu tarado… — ela riu.

— Só estou sendo sincero… — beijou-lhe os dedos. — Suas medidas nunca foram um problema para mim. Eu a amo do jeito que é e como estiver. Coloque isso na sua cabecinha — levou a ponta do dedo indicador à testa dela. — Eu sempre vou amar você.

— Meu amor… Eu também… Sempre vou te amar — uma lágrima desceu pelo rosto dela e ela crispou os lábios. — Então tudo bem… Vamos tentar ter mais um filho — sorriu emocionada.

— Sério? — encarou-a estarrecido. — Mas… Você quer mesmo? Não quero obrigá-la a nada e…

— Eu quero — afirmou. — Você sabe o quanto gosto de crianças e de ser mãe.

— Sei… Até demais… — riu. — Você adotou e acolheu todas as crianças que podia sob o teto deste palácio. Criou muito bem nossos filhos e também ajudou na criação e educação de sua futura nora, de Siegfried e de seus afilhados. Isso sem contar o Igor.

— E você foi e é um excelente pai e padrinho… — afagou o braço dele. — Mesmo que as vezes seja tão ciumento e controlador — franziu os lábios.

— Eu já prometi não interferir mais nas escolhas deles… — revirou os olhos. — Assim como lhe prometi fazer de tudo para me redimir pelo que passou. A sua próxima gravidez há de apagar as tristes lembranças da anterior. Darei o meu melhor para isso — afirmou.

— Assim espero… — ela o olhou de lado.

— Confie em mim… Agora… Que tal começarmos agora mesmo a tentar fazer um novo herdeiro? — deu um sorriso malicioso e beijou-a de leve nos lábios.

— Você não tem jeito… Seu tarado...

≈≈

— Como assim a encontraram morta e não sabem quem foi o assassino? — Lenwë falava transtornado. — Ness estava na merda deste palácio! Não estava na rua ou na floresta! — berrou.

— Meu filho… — a velha serva de cabelos brancos fez um afago na mão do rapaz. — Os soldados disseram que houve um invasor.

— Um invasor? — franziu o cenho. — Como assim? Não soaram o sinal de invasão.

— Eu não sei… Foi tudo o que disse o guarda pessoal do príncipe.

— A guarda pessoal do príncipe? — olhou-a desconfiado. — O que eles faziam aqui embaixo no meio dos criados?

— Eu não sei… — a velha balançou a cabeça. — Só sei que foram eles que a encontraram.

Lenwë olhou para sua noiva morta e seus olhos marejaram novamente. As servas a arrumaram sobre uma mesa, preparando-a para seu funeral. Ele pôs uma flor nos cabelos dela e se inclinou para lhe beijar a face. Ainda inconformado com a morte de sua amada, estava achando toda a história da invasão muito estranha.

Uma jovem loira se aproximou de forma afobada.

— Vocês souberam da última mudança sobre os calabouços?

— O que menina? — a senhora enrugou a testa.

— Os criados estão proibidos de irem até o calabouço — informou a loira. — Só guardas podem ir até lá.

— Hum… — a idosa levou a mão ao queixo. — Será que o invasor foi preso?

— Tem algo muito errado acontecendo aqui — Lenwë trincou os dentes. — E eu vou descobrir o que é.

— Bem… Você pode ir até lá e descobrir. Você é um guarda — anuiu a loira.

— E eu vou descobrir quem foi o canalha que matou minha futura esposa.

≈≈

Einmyria terminava de se vestir quando ouviu baterem à sua porta. A cerrou os olhos e respirou fundo. Sabia exatamente quem a aguardava do lado de fora.

— Entre… Nick… — ela disse e se levantou para encarar seu destino.

O jovem Stark entrou decidido, mas estacou ao vê-la. Ele amava perdidamente aquela mulher.

— Myria… — ele murmurou, enquanto Eisa acenava com a cabeça para a irmã e deixava os dois a sós.

A princesa se aproximou lentamente, mas a poucos centímetros, correu e se atirou nos braços dele. Nicolas a abraçou apertado e ela correspondeu, se encolhendo contra ele.

— Minha princesa… — sussurrou contra os cabelos dela. — Senti tanto a sua falta.

— Eu também Nick… — disse baixinho com a voz embargada.

Ele a encarou de forma demorada e subitamente tomou seus lábios. Sorveu e brincou com a língua dela, arrancando suspiros entrecortados.

— Não consigo viver longe de você… — ele murmurou, abandonando a boca dela temporariamente. — Sinto falta de sua voz, de nossas conversas, de sua sagacidade, de suas piadas inteligentes… — beijou-lhe o pescoço. — Sempre amei a sua mente...

— Eu sempre pensei que o piadista era você… — a voz dela falhou em soar brincalhona.

— Senti falta de seu cheiro — inspirou lentamente o pescoço da jovem, provocando um arrepio nela —, do seu calor — empurrou-a contra a coluna — e do seu gosto — tomou-lhe a boca novamente.

As mãos dele desceram perigosamente pelas costas dela, passaram pela cintura e pararam em seu bumbum. Ele os apertou deliberadamente e um sorriso se formou em seus lábios, quando a ouviu arfar.

— Nós nunca fizemos sob o teto de seu pai… — levantou uma sobrancelha e deu um sorriso malicioso. — Ah… Imagino a cara que ele faria — o sorriso se alargou. — Ele já me detesta mesmo… — começou a puxar o vestido dela para cima, ainda a pressionando contra a pilastra.

Nick começou a se esfregar contra ela, enquanto beijava-lhe o colo, até alcançar a beira do decote. Suas mãos rapidamente alcançaram a barra do vestido e os dedos logo deslizaram para dentro da calcinha dela. Ele calou com um beijo o grito de surpresa de Myria, quando começou a massagear o ponto de prazer dela.

— Nick… — ela suspirou, tentando ser racional e falhando miseravelmente. — Precisamos conversar…

— Hum Hum… — balançou a cabeça negativamente. — Conversamos depois — disse trêmulo, acelerando os movimentos dos dedos e com a outra mão abrindo a calça.

A princesa desistiu de lutar e se deixou levar pelo prazer que ele lhe proporcionava. O rapaz ergueu-a, colocando as pernas dela ao redor de sua cintura. Apenas afastando a calcinha, ele a penetrou e, beijando-a ferozmente, iniciou suas investidas.

Acelerando as estocadas, Nick a deixou respirar apenas para ouvi-la gemendo, toda entregue a ele. Enfeitiçado pela visão do prazer dela, ele prosseguiu a observando, até vê-la refolegar, alcançando seu orgasmo. Satisfeito com o êxtase de sua amada, ele continuou até alcançar o seu próprio e se derramar dentro dela.

Terminado o ato de paixão descontrolada, ele a desceu lentamente. Ainda respiravam com dificuldade, quando notou as lágrimas correndo pela bochecha dela.

— Nick… Eu não posso ir ainda… — disse chorosa. — Não posso abandonar a minha família… Não agora…

— Imaginei… — ele acariciou o rosto dela. — Vim decidido a dar um ultimato e terminar com você.

— Eu sei… Eu vi… — fungou. — Eu vi você terminando comigo.

— Mas não vou terminar — falou muito tranquilo.

— Não? — espantou-se.

— Ah, minha princesa… — ele sorriu abertamente. — Estamos juntos tempo o suficiente para que eu saiba exatamente como funcionam seus dons.

— O que você quer dizer? — franziu o cenho.

— Você prevê todas as decisões que já foram tomadas. Contudo… — arrumou uma mecha atrás da orelha dela. — Você namora um homem imprevisível e impulsivo. Alguém que troca de ideia repentinamente e que torna difícil, até mesmo para você, prever os passos.

Algo perpassou pelos olhos dela e ela entreabriu os lábios estupefata. A decisão dele finalmente se apresentou àquela vidente.

— Eu não decidi apenas fazer você minha e partir… — agarrou-lhe o pulso. — Decidi levá-la comigo… Por bem...

— Não Nick!

Um choque elétrico percorreu o corpo da jovem e ela desmaiou nos braços dele.

— Ou por mal… — ele franziu o cenho. — Sabia que seria útil instalar eletrochoques nessas pulseiras — olhou para o objeto no próprio pulso.

Nicolas levou a mão ao ouvido e pressionou um pequeno comunicador.

— Natan… Mudança de planos… — crispou os lábios. — Vou precisar da ajuda do disfarce “cavalo de troia”.

≈≈

Eisa retornava ao salão, quando foi abordada pelo namorado.

— Ei, apressadinha… — ele a enlaçou pela cintura.

— Wawa… — sorriu.

— Você nem me acordou — beijou-lhe os lábios. — A cama estava tão vazia… — disse baixinho. — Acordei apenas com as lembranças da madrugada — sussurrou.

Ela corou.

— Você estava dormindo tão tranquilo. Não quis perturbá-lo — deu-lhe um beijo na ponta do nariz.

— Eisa… Tenho uma coisa para lhe perguntar — mordeu os lábios. — Ontem, quando o meu pai retornou, creio que notou que ele e a madrinha estavam agindo estranho.

A jovem retesou.

— Como assim?

Ele a fitou sério e ela baixou os olhos.

— Eles estão escondendo algo, não é?

— Wawa… — encarou-o, mas ele ergueu a mão para que ela o ouvisse.

— Você sabe ou não o que aconteceu para o tio Loki andar tão irritado com o papai?

Sendo filha de quem é, Eisa também sabia mentir muito bem. Convicta e parecendo sincera, respondeu com tranquilidade.

— Não sei… — mentiu. — Percebi o mesmo que você. Que não falaram tudo.

Ele franziu os lábios.

— Pena — suspirou. — A forma como papai lhe olhou e como você pareceu constrangida, me fez pensar que tinha “ouvido” algo.

— Ultimamente o tio Jim anda me olhando daquele jeito — entristeceu-se. — Parece as demais pessoas… Sabe... Como que incomodado com a possibilidade de eu ouvir algo — não foi de todo insincera.

— Isso só prova que ele está escondendo algo — meneou a cabeça. — Ele mudou muito. Está estranho, arredio e muito evasivo em nossas conversas.

Eisa se limitou a abraçá-lo e a esconder o rosto contra o peito dele.

— Eisa… Se descobrir de algo, por favor me conte. Estou preocupado com ele.

Sem saída e coragem para encará-lo, ela anuiu em silêncio. As mentiras e segredos entre eles começavam a formar uma bola de neve.

≈≈

Katarina acordara animada. Seu pai estava de volta ao palácio e naquela noite participaria de uma festa de noivado. Sonhadora, isso a fazia imaginar com seu próprio noivado. “Será que serei a próxima?” Seu rosto se tingiu de vermelho e ela acelerou o passo até o escritório de seu namorado secreto.

— Bom dia, Igor! — ela sorriu ao encontrar a porta aberta e encontrá-lo no local.

— Bom dia, Kat… — respondeu sem tirar os olhos do papel que lia.

— Quando acordei, você já tinha saído e… — olhou para a porta. — Senti sua falta — riu baixinho.

Igor engoliu em seco. Na noite anterior vira Eisa entrando sorrateira no quarto de Wagner e isso o devastou. Consumido pelo ciúme, ele voltou a beber e a buscar consolo no seio de Kat.

— Tinha algumas coisas para resolver e hoje tem o noivado de Váli — foi evasivo. — Precisei me apressar.

— Entendo… — ela mordeu o lábio e cruzou as mãos atrás das costas. — Por falar no noivado… Bem… Andei pensando… O papai voltou para o palácio e pelo jeito acertou as coisas com o tio Loki. Ele inclusive não se opôs ao namoro da Eisa e de meu irmão... Então eu pensei que poderíamos aproveitar a ocasião de hoje e assumirmos publicamente nosso namoro.

O rapaz congelou onde estava. Ele sabia que um dia Katarina chegaria com esta conversa, mas ele, até então, vinha tentando nem pensar no assunto. Seu estômago embolou e Igor percebeu que precisaria de mais tempo para tomar uma decisão para sua situação com Kat.

— Eu não sei Kat… — finalmente a encarou. — Acho melhor deixar isso para outro dia.

— Mas… Por quê? — ela franziu a testa.

— Não seria legal dizer isso no mesmo dia do noivado. Bem… — pensou em algo rápido. — A nossa declaração seria ofuscada pelo evento.

— Oh… — sorriu. — Entendi. Todos estariam distraídos com o noivado que nem ligariam para o que tivéssemos a dizer — balançou a cabeça. — Tem razão. Ninguém nem nos notaria…

— Pois é… — ele se levantou e foi ao encontro dela. — Hoje a noite, quando eu tiver desocupado, pensarei em uma data.

— Claro… — disse com uma expressão sonhadora no rosto. — Mas você vai dançar comigo hoje, não?

— Vou… — falou apressadamente. — Agora… Eu realmente preciso continuar trabalhando.

— Está bem! — ela disse toda alegre. — Até à noite! — beijou-lhe o rosto.

— Até, coração — forçou um sorriso.

Assim que a moça saiu, Igor soltou um suspiro de alívio. Teria mais tempo para decidir se realmente ficaria com a jovem ou se acabava com aquela mentira.

— Estou ferrado… — pensou alto.

— Ah… Eu concordo… — disse uma voz masculina, vindo de fora. — Afinal, lobinho branco, o que está fazendo com a Kat?

— Narfi… — Igor empalideceu ao ver o irmão de criação entrar no local.

— Se eu não me engano — o moreno prosseguiu —, você nunca a notou e sempre foi apaixonado pela Eisa.

— Como… — resfolegou, estupefato.

— Eu sei de tudo… — cruzou os braços e se recostou no batente da porta. — Praticamente há pouca coisa que aconteça por aqui que eu não saiba…

≈≈

Dando uma desculpa aqui e ali, Lenwë conseguiu ter acesso aos calabouços do palácio de Alfheim. Ele mesmo havia ajudado a aprisionar alguns dos presos dali. Percorreu cada uma das celas e não achou nenhum prisioneiro que já não estivesse ali antes daquela tragédia acontecer.

— Por quê todo esse mistério se não tem nenhum prisioneiro novo? — passou a mão pela nuca.

Antes que pudesse pensar em alguma possibilidade ouviu a conversa de dois guardas pessoais de Eric.

— O que será que ela fez? — indagou um deles.

— Eu não sei e isso não nos diz respeito — respondeu com rispidez o outro.

— Ela é bruxa? Por que a aprisionaram nas celas mágicas?

— Não faça perguntas! Você não é pago para isso! — relhou. — Você fará a guarda até a noite. Não deixe que ninguém entre nem a autorização de vossa alteza.

— Está bem… — fez um muxoxo.

Lenwë esperou até os dois se afastarem e se encaminhou para a área das celas mágicas. Estes eram locais que eram à prova de feitiços e não permitiam comunicação nem mesmo através de projeções.

Ele se aproximou silenciosamente e conteve um gemido de espanto ao ver quem estava na única cela ocupada. A pessoa estava desacordada e com os joelhos semiflexionados, sustentada por correntes presas no teto.

— Princesa Hela… — murmurou estarrecido.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. Vejo nuvens escuras no horizonte... O que será?