Ascenção: O Império
2 Memorias ruins
Notas iniciais
Os homens que conversavam na parte da frente do carro eram nada mais nada menos que Jonathan Belmont e Lucca Ottoni, eram dois dos seus cinco seguranças particulares. Aos quais ela confiava inteiramente à sua vida e seus negócios. A conversa em si girava em torno do evento que aconteceria naquela noite, e das novidades que corriam entre os empregados, sempre é claro havia algum boato sobre Melissa.
Lucca Ottoni por ser o mais novo dos cincos, era o oque mais falava, sempre agitado por qualquer novidade, mesmo que esta fosse uma mentira. Já Jonathan Belmont, era o segundo mais velho do grupo, apenas por uma diferença de um ano entre ele e o mais velho. Sendo assim, ele era reservado, sempre evitando assuntos comprometedores ou que falavam sobre o passado, coisa que para ele deveria ficar enterrado.
Por esse motivo, a conversa em si, era apenas Lucca falando e uma vez ou outra Jonathan dando pequenas opiniões sobre o assunto. E foi assim que eles seguiram até a filial da empresa, que não foi um trajeto tão demorado.
Após chegarem, Melissa não tardou a ir direto na sala da diretoria da empresa, mesmo que tivesse chegado um pouco adianta, sabia que já estavam a sua espera.
Alfred Hutchinson, o diretor encarregado, nomeado pelo próprio Robert Roosevelt, sabia que a qualquer momento ela podia chegar, por isso já estava tudo pronto, os relatórios já estavam em cima da mesa, os empregados já estavam avisados, e por fim o discurso do rendimento da empresa já estava decorado.
E assim que o relógio marcou que era 8hs, ela entrou no escritório, deu um típico sorriso amigável e um bom dia, e esperou então o diretor a convidar para sentar. Ele logo o fez, sabia que senhorita Roosevelt odiava esperar, então assim que ambos tomaram o seu devido lugar, ele tratou de iniciar seu tão ensaiado discurso.
— Bom senhorita, como pode ver aqui estão os relatórios pedidos, gostaria de dizer que a empresa está tendo um rendimento muito maior que o esperado e que ...
Para o azar de Alfred, Melissa logo o interrompeu, ou ela já estava satisfeita com o que ouvira, ou tão indignada que nem deixaria ele terminar.
— Senhor Hutchinson, entendo seu nervosismo, mas não precisa o ter, já tenho conhecimento do rendimento acima da média que a empresa vem tendo, e confio no senhor, meu pai não o pôs aqui apenas por serem amigos. Sei que tem cuidado dos negócios como se fossem seus, e eu agradeço profundamente por isso.
Ela deu pausa, e foi naquele momento que Alfred entendeu que ela o estava elogiando e agradecendo. Era verdade, ele e o senhor Roosevelt eram amigos, por esse motivo a confiança mutua um no outro, além e claro dele ter acompanhado a vida do amigo tão de perto, visto a pequena Melissa se tornar em uma mulher independente, o menino Marcos ganhar juízo; ele tinha acompanhado todas as mudanças daquela família, tinha visto sorrisos virarem lagrimas. Mesmo depois de tudo, da tragédia que jamais seria esquecida, ele continuava ali, sempre apostos para ajudar o que restara do seu falecido amigo.
Quando Melissa voltou a falar, ela tirou o senhor Hutchinson de seus devaneios, agradeceu mais uma vez e pegou os relatórios, o lembrou da festa que teria naquela noite e a comemoração de sabado, e por fim se despediu. E mais uma vez ela estava na carro, mas agora em direção ao hotel.
Os rapazes sabiam que havia algo de diferente com ela, uma vez que ela passou todo o trajeto calada, sem nem mesmo dar um bom dia. Mas tanto Jonathan quanto Lucca sabiam que aquele dia em especial estava sendo difícil, os motivos disso eram um tanto obscuros.
Chegando no hotel Melissa sem pestanejar foi direto para o seu quarto, o que ela mais queria agora era dormir, e quem sabe talvez isso fizesse a sua dor sumir. Mas o resultado foi totalmente o contrário.
"- Senhor Roosevelt, será que poderíamos conversar, em particular?
Enquanto o homem falava, seu olhar era totalmente dirigido para a jovem moça, que estava sentada em uma poltrona lendo um livro, tão concentrada que se quer ouviu o que ele dissera.
Apenas saiu da sua leitura quando o Senhor Roosevelt, seu pai, a chamará, lhe pediu educadamente que se retirasse do escritório, e que avisasse a sua mãe para não interrompe-los. E por fim ele disse as três palavras que jamais sairiam da cabeça daquela jovem.
—Te amo, querida!
E com a voz carregada de amor e ternura ela lhe respondeu, no seu tom mais amável possível.
—Também te amo papai."
Fale com o autor