Ascensão dos lobos
1 Caçada
1914, norte do Canadá.
— A partir deste momento, nenhum de vocês atravessara as terras do outro, vamos tentar promover a paz, essas brigas entre vocês, Lorenzo e Edgard, apenas promovem mais conflitos. Não queremos isso ao futuro das pessoas que vivem aqui. Estamos de acordo?
— Sim – disse Edgard.
— Como quiser. – retrucou Lorenzo.
— Que assim seja!
***
Dias de Hoje
Estava chegando em casa após mais um dia aprendendo a caçar com papai, mamãe estava preocupada com algo e me mandou dormir mais cedo. Meu pai, Gael, era o chefe atual da nossa alcateia, a Windwolf, tinha este nome porquê quando lobisomens éramos mais rápidos do que qualquer outra espécie de lobo. Todos os homens e mulheres maiores de idade se transformavam em lobos, vivíamos bem com outras alcateias como Stonewolf e Warterwolf, porem sempre éramos culpados de algo pela aldeia do norte, Firewolf. As brigas nossas tribos sempre existiram. Quando temos noite de lua cheia, nos reunimos e ouvimos histórias do passado, sempre nos contavam que esta guerra começou a 100 anos atrás e nunca teve um termino.Eu ainda não era lobo, era uma criança, mas desejava crescer para poder lutar ao lado de meu pai. Assim que fui dormir, ouvi sussurros de meu pai e minha mãe na cozinha. paredes da nossa casa não eram grossas e pude ouvir perfeitamente, mesmo não tento uma audição de lobo ainda.
— Ela não pode estar aqui, você sabe o que acontecerá, temos que esconde-la ao anoitecer de amanhã
— Eu sei Lenah, precisamos ser fortes, nossa aldeia sofre pelas mãos dessas pessoas a um século, não quero mais viver desta maneira, e um dia Alana será chefe daqui, como eu fui, não quero que o futuro dela seja repleto de guerra.
— As pessoas aqui sabem que ela é nossa filha, o inimigo não sabe, mas ira saber, temos que esconde-la – disse mamãe em prantos.
Então ouvi gritos, alguns lobos já estavam uivando e meu pai correu para fora. Neste momento minha mãe veio até mim para me esconder, eu sabia o que estava acontecendo, ataque dos Firewolf.
— Escute bem, entre de baixo do piso de madeira, não saberão que você esta aqui, não saia até acharmos você, ouviu bem? Não saia.
— Ouvi. – disse chorando.
— Se algo acontecer, lembre-se que nada te impede de fazer o que realmente quer. – beijou minha testa e abriu um alçapão no chão para eu entrar.
— Eu te amo filha.
— Eu também te amo mãe.
Desci as pequenas escadas e me sentei no local, era pequeno e escuro, não havia nada ali, apenas livros. Levei as mãos a boca para não poder chorar alto e alguém escutar, ouvi gritos da minha mãe e comecei a chorar ainda mais. Como aquelas pessoas poderiam ser tão cruéis? O que poderia ter acontecido de tão ruim para elas nos odiar desta maneira. Senti passos sobre mim, segurei mais firme as mãos contra a boca, os passos se acabaram e esperei um tempo, estava com medo do que haveria fora daquele lugar.
Depois de um tempo subi novamente e sai para ver o que havia acontecido, meus pais estavam mortos, haviam mordidas em todos os lugares. Chorei sem saber o que fazer, sentei ao lado de seus corpos, entrei e fiquei sozinha chorando sem saber no que pensar, de que maneira agir. Ouvi passos e automaticamente vi um garoto, criança como eu, pareceu que estava chorando a algum tempo também, então veio até mim.
— Seus pais morreram?
— Sim, o seus também? – disse ainda choramingando um pouco.
— Perdi minha mãe, nunca conheci meu pai.
— Como é seu nome? — perguntei.
— Thomas e o seu?
— Alana.
— O que vamos fazer agora? – disse pensando no que minha mãe havia dito mais cedo.
— Vamos fugir – disse ele
— Para onde? Como?
— Conheço uma casa, não muito longe da nossa aldeia, podemos ficar lá.
— Certo.
Pegamos o que podíamos e fugimos para a linha da divisão da nossa aldeia de uma floresta. Vivemos e fomos crescendo, um dia após o outro, até que um dia um guarda me encontrou, fomos levados a aldeia novamente. Se passou dois anos, o novo chefe era amigo de meu pai, e logo me reconheceu. Eu estava com 10 anos e Thomas com 12, sempre me protegeu de tudo o que havia, como um irmão mais velho.
— Alana, fico feliz que esteja viva, cuidaremos de você até que cresça e tome o lugar de seu pai. – Disse o chefe substituto da aldeia.
—Não quero comandar essa aldeia.
Todos começaram a especular a respeito de minha afirmação, vi um brilho no olhar dele assim que eu terminei a frase.
— Esse processo não é discutível com uma mera garotinha ainda humana.- Disse com desprezo.
— Veja bem como trata ela, mesmo sendo mais nova é mais forte do que imagina. – Disse Thomas a minha defesa.
— Levem-na para dentro, isto é indiscutível.
Uma mulher cuidou de mim e Thomas por uns dias, ela nos ajudava mesmo nós dois sendo muito independentes. Uivos começaram, talvez outro ataque, imediatamente Thomas me levou para sairmos pelas portas do fundo, mas havia gente a nossa espera.
— Boa noite, entrem antes que eu arranque suas cabeças. – Disse um homem alto e magro. Seus olhos eram vermelhos como o fogo, sabíamos de que tribo se tratava. Thomas me segurou atrás dele com força tentando me proteger. Apenas vi um vulto escuro pulando no homem magro, era a mulher que estava cuidando de nós. Os dois começaram a brigar até ele enfiar as presas na sua jugular. Seus olhos cinzas foram perdendo a cor até retornarem ao preto da mulher que nos ajudou tanto. Gritei e corri para o lado oposto do homem e Thomas me seguiu, entraram mais dois outros lobos dos olhos vermelhos com a boca ainda sangrando. Dizia o mito dos dias de fogueira que eles eram chamados de Firewolf pois apenas uma mordida deles parecia queimar toda a carne. Tremi me lembrando das histórias.
— Pode sair menininha, não vou te matar.
Me segurei a Thomas e ele me abraçou, estávamos agachados atrás de um balcão que havia na cozinha, um dos homens me puxou pelos cabelos e Thomas gritou. Imediatamente pulou no homem socando e batendo para ele soltar, com uma mão livre deu um soco na cara de Thomas e ele voou para o balcão de volta.
— Se você se aproximar eu mato ela.
— Quem é você?
— James a seu dispor, agora afaste-se
—Tudo bem, tudo bem, diga o que quer e vá embora.
— Ela
Olhei chocada ao homem sem entender, virou-se para mim com um sorriso nos dentes pontudos.
— Ela? E para que?
— Digamos que o atual chefe de vocês me passou a informação de que esta menininha aqui era filha do famoso Gael, só não me avisou que ela trazia bagagem. A propósito Lenah gritou seu nome diversas vezes quando estava morrendo – Disse se aproximando do meu rosto.
Comecei a socar o homem com raiva e ele me chutou, Thomas quis se aproximar mas ele o impediu.
— Vamos adiantar as coisas, matei o chefe atual de vocês mas não quero mata-la, você não quer se tornar líder, e esse era o meu maior medo, agora levarei você comigo para ter a garantia de que nada acontecerá é claro.
— O que??? Esta maluco, deixe-a em paz, ela não merece isso.
O homem ignorou Thomas e me levou, ele tentou correr mas já era tarde demais. Chegamos a um lugar e todos me olhavam por saber que eu era de outra alcateia, um homem me jogou em uma sela escura. Não havia ninguém lá, procurei um jeito de escapar mas não havia como.
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