Ascensão do Tempo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
— Maylin, eu te desafio — Uriah passou a garrafa para a minha mão — a entrar naquele prédio e do alto pular no lago.
Eu precisava de adrenalina, mas não tanto quanto que Uriah estava propondo para mim, sequei minhas mãos na barra da camiseta e esperei que aquele gesto tivesse passado despercebido; mas ao olhar o prédio perdido em meio a escuridão, minha boca tinha ficado seca então abri a garrafa e tomei o resto do álcool. Só aquilo era capaz de preencher a minha coragem.
— Odeio quando você já não tem mais criatividade para uma coisa que estou totalmente disposta a fazer, Uriah — joguei a garrafa em seus braços e fui em direção a aquele bendito prédio.
Quando entrei no prédio um cheiro forte me fez recuar, mas eu não podia me dar o direito de dar meia volta. O brilho suave da lua era capaz de clarear o que um dia foi um saguão luxuoso. Encontrei a escada e fui em sua direção.
Medo de escuro, era o maior problema daquele desafio. Eu sempre gostei de manipular as pessoas, mas manipular a escuridão era uma dádiva não alcançada. Era frustrante andar no desconhecido, e não saber o que te esperava no final era motivo de pânico.
Meu principal objetivo nas escadas era não encostar minhas mãos no corrimão corroído pela ferrugem, mas também era tentador pegar uma amostra e levar para observar em um microscópio; porém logo me veio à lembrança os perigos que podiam conter.
Parei de subir as escadas assim que vi um corpo caído entre um degrau e outro. Uma poça de vômito estava ao lado de uma garrafa.
Era um homem sem facção, pela maneira em que ele misturava as cores em sua roupa.
Ele poderia estar bêbado, como também poderia estar morto.
Deixei de lado meu nojo por sujeira e cheguei perto o suficiente para segurar seu braço e checar seus batimentos, mas não existia quase nada. Eu sabia que os próximos passos que deveria tomar seria fazer a massagem cardíaca, mas ele era um sem facção, talvez sua morte fosse uma dádiva.
O cheiro forte me enjoou novamente, e descobri que vinha da sua garrafa.
E então os fatos começaram a fazer sentido.
Só uma pessoa que eu conhecia vivia nesse prédio, e era Owen.
E Owen tinha uma maneira peculiar de matar as pessoas. Veneno.
Rapidamente fique em pé, e já estava em estado de alerta assim que eu o vi encostado na porta iluminada pelos dizeres "Saída de emergência"
— Fascinante, não é? — a voz grave soou.
Owen era lindo, não pelas diversas tatuagens espalhadas em seu braço ou pelo seu cabelo loiro escuro ser iguais aos meus, mas sim pelos olhos estrelados que já estavam cheios de vida, mas no momento não passava de um homem cansado em busca de satisfazer seus desejos.
— O que você quer Owen?
— Você sabe muito bem o que eu quero, querida — ele desceu os degraus e ignorou o homem morto.
— Me deixe em paz — cruzei meus braços e ri com escárnio — Você não consegue viver com o fato que eu amo o Eric, não é?
— Mas não foi isso que você disse a ele. Maylin, você voltou a ficar obcecada por Dax.
— Você sabe alguma coisa sobre ele? — perguntei esperançosa
— Sim — ele chegou perto o suficiente, mas nem por isso eu dei passos para trás — mas primeiro temos que terminar o que começamos aquele dia.
— Vá sonhando — desviei dele e voltei a subir as escadas — Você não é muito apto a julgar, já que matou um homem inocente para ter minha atenção, então no caso você é que está obcecado por mim.
—Eu penso em várias maneiras de chamar sua atenção Maylin, mas você ainda prefere o Eric.
— Pelo menos ele é corajoso o suficiente para continuar na audácia, e não virar as costas como você fez.
— Eu sei de coisas que você ignora — um sorriso discreto apareceu nos seus lábios — você sabe da minha proposta, e ela ainda está de pé.
Olhei mais uma vez para Owen antes de abrir a porta de emergência e logo tornei a fechar.
O vento bagunçava meu cabelo, e eu comecei a perceber que a sensação de adrenalina estava morrendo dentro de mim. Fechei meus punhos e deixei com que minha unha cortasse minha pele.
Owen tinha tantas respostas das quais eu precisava, e tinha sido sua vez de jogar, mas agora era a minha, e se fosse preciso um xeque-mate eu estava disposta a dar. Tudo pelo Dax.
Então lembrei do desafio, e sorri diante da altura.
Corri até a beirada do prédio e de braços abertos eu me joguei.
Aquela sensação era de liberdade.
Minhas mãos estavam frias, e elas tremiam. Não por medo, mas sim pela energia gerada pelo meu corpo.
O mundo então se tornou apenas a batida acelerada do meu coração.
E o encontro com a água tinha sido rápido e silencioso.
Essa era a minha vida, e ninguém poderia me dizer o contrário.
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