Ascensão dos lobos
2 Não me esqueça
Notas iniciais
Em memória de Kathan
Cai no sono e acordei assustada, sonhei com a morte dos meus pais, seus corpos ensanguentados ao chão, aquele dia se marcou em minha memória. Todas as noites sonhava com a mesma cena, acordava aos gritos e chorando e Thomas me acalmava tirando pouco a pouco aquilo da minha mente. Thomas, onde será que ele estaria agora? Talvez fugindo, em uma missão suicida de me encontrar, não sei. Já se passou um ano, pelas minhas contas, que estou aqui. Não havia maneiras de escapar, era úmido e frio e tudo em minha volta era parede, havia uma porta grande e marcas de unhas nas portas. Provavelmente de lobos presos aqui também.
Hoje era noite de lua cheia, pude ouvir os uivos vindos de fora, talvez em meu antigo lar estivesse havendo uma daquelas fogueiras com as histórias antigas. Não vou a essas fogueiras há anos, depois que Thomas e eu fugimos fizemos as nossas próprias fogueiras mas não era como as de Gael, meu pai querido. Como sentia falta dele, como eu sairia daqui, se não morresse antes. Um estrondo forte veio de trás da grande porta, tudo estava escuro e então a porta se abriu, lançaram uma pessoa ao chão e trancaram novamente, era uma garota, desacordada, aparentemente havia batido a cabeça com força, havia sangue em todo seu rosto. Me encolhi esperando que ela não acordasse e me encontrasse lá sozinha. Passou-se um tempo e a garota levantou, me encolhi com o olhar dela para mim. Ela sentia o sangue escorrer sobre seu olho esquerdo e então rasgou um pedaço da sua própria blusa para tampar o ferimento. — Você esta bem? – perguntei — Só me machuquei um pouco batendo naquele grandão ali fora. Como uma menininha como você veio parar aqui? — Não sou daqui, sou da tribo Windwolf. — E pra que eles te trariam para esse lugar?— Muitas perguntas, quem é você?— Eu sou Becca, todos estavam na festa da lua e eu apenas roubei alguns pertences, era necessário — Você é uma ladra?— E você, foi traficada ou algo do tipo?— Não!— Quantos anos têm?— Tenho 11 anos— Bem acho que temos um bom tempo aqui, me conte o que te fez parar aqui.— E por que eu confiaria em você?— Não precisa confiarContei a ela sem detalhes, o que havia acontecido comigo e como vim parar naquele lugar, que nem eu mesmo sabia onde era. Assim ela contou sua história, era uma guarda forte e líder, porem as ordens que ela teria que seguir não satisfaziam seus ideais. Não gostava de guerras com outras tribos, e também ia contra leis antigas de sua tribo, assim o chefe acabou tirando tudo dela, sua casa, dinheiro e ela tinha que arrumar uma forma de alimentar sua filha. Os dias e noites foram se passando, era difícil, em dias que ela precisava se transformar, tinha medo que me atacasse mesmo isso nunca acontecendo. Becca era uma mulher triste, talvez só quisesse sua filha novamente. Viramos colegas de cela por falta de opção. Nós recebíamos comida, água e roupas por uma pequena passagem na porta. Nossa cela tinha uma privada e um chuveiro, não havia privacidade.Logo de manhã dois homens nos levaram por um longo corredor, chegamos a uma sala onde havia pessoas de preto nos observando e anotando, o chefe da tribo com guardas também estava lá. Olhei atenta por todo o lugar, pensando se haveria alguma forma de fugir. —Vocês serão julgadas e condenadas. Analisaremos seus motivos e daremos sua sentença, começaremos com Rebecca George. — Rebecca George, esta presa por seis meses e 27 dias, por roubo e inflação das leis reais desta alcateia, acusada de roubo e trafico de alimentos. Alguém do conselho a favor?Ninguém disse nada, uma mulher nova, loira ia dizer algo até olhar para o guarda a sua esquerda e abaixar a cabeça novamente.— Matem e espalhem seus pedaços ao redor da vila, para que não haja mais problemas desse tipo.— EU APENAS ROUBEI PARA MINHA FILHA, NADA MAIS ACONTECEU. ESTE GOVERNO ME CULPA POR NÃO CONCORDAR COM A LEI A ANOS, SEMPRE ME QUISRAM MORTA, NÃO FOI ISSO QUE ACONTECEU, ME ESCUTEM. Ela gritava e chorava, não sabia o que fazer.— O que? Não, ela não precisa morrer. – todos ignoraram. Ela se despediu balançando a cabeça de vagar lagrimas escorriam do meu rosto. Eu iria morrer, tinha certeza, este homem cruel não iria me deixar em paz nunca.— AJUDE MINHA FILHA, TIRE ELA DAQUI, POR FAVOR. – gritou Becca a mim. Pelo que eu sei de sua filha ela tinha apenas três anos a mais que eu. Havia me dito que o seu nome era Jessie, que estava com amigos quando a deixou em busca de alimento. Ela estava fraca e suas mãos estavam amarradas, não conseguia se transformar, um guarda se aproximou dela, quebrou seu pescoço, seu corpo caiu ao chão.— NÂO! – gritei com lagrimas aos olhos. Nunca esquecerei aquilo, irei vingar sua morte e ajudar sua filha. Arrastaram seu corpo, ela se foi.—Alana Stark, detida a 4 anos e 5 meses, por infringir leis, desrespeito ao chefe atual e invadir nossa tribo. — Eu nunca invadi esse lugar, você me raptou, me levou por eu ser a próxima herdeira dos Windwolf, você é um mentiroso!Impressionei-me ao dizer que eu estava lá a quatro anos, estava com 15 anos, Thomas já haveria se esquecido de mim.Começaram se murmúrios na sala, olhavam para mim e comentam. — Silencio! – ordenou o chefe.— Como ousa falar desta maneira comigo, ira passar o resto de sua vida aqui, não merece nem a própria morte.
— O que??? Não pode me deixar aqui, alguém ira me ajudar, você vai ver. Tacaram-me na cela novamente, chorei pela morte de Becca, por não ter Thomas, e por estar lá novamente, sozinha. O dia havia se passado, chorei a maior parte do tempo, ouvi dois toques na porta,me disseram para comer, a voz não era familiar. Passaram meu jantar pela pequena entrada. Não me movi, estava sem fome. Pensei em tudo que faria assim que fugisse de alguma forma daquele lugar, procuraria por Jessie, filha de Becca e levaria ela deste lugar. A lua estava quase completa esta noite, ouvi passos, provavelmente o guarda que fica em minha porta como vigia. Alguém colocou a chave e destrancou a porta, fiquei alerta com medo de que tivessem mudado de ideia e decidiram me matar. Uma garota entra e me encara. — Você é a Alana certo?— Sim, por quê?— Sou Jess, filha da RebeccaMeus olhos instantaneamente se encheram de água, era pra eu ajuda-la e ela que me encontra, Jess é mais velha do que eu, aparenta 16 a 17 anos de idade, seus cabelos são longos e escuros, uma garota bela. — Já sei que minha mãe se foi, agora vamos, temos que fugir.Passamos por corredores e vi homens ao chão, ela conseguiu fazer tudo aquilo sozinha? Quando sai havia pessoas a nossa espera, duas garotas e dois garotos, todos nós ao total de seis, fugimos por uma trilha na floresta e caminhamos por aproximadamente 30 minutos. Chegamos em um tipo de abrigo no meio da floresta, não fazia parte da tribo deles, de nenhuma tribo.— Você era amiga da minha mãe, sei que ela morreu.— Eu sinto muito. – disse sendo sincera — Eu sei.- Entramos em uma cabana, ela pediu para eu me sentar em uma cadeira e perguntou se eu queria algo. Agradeci e não pedi nada. — Estamos em um abrigo, fugimos por “desrespeitar” as leis do chefe James, alguns aqui apenas não concordam com os seus termos. Ele abusa de seu poder e esta errada. Fugimos mas ainda somos procurados, nós iríamos antes, mas não tínhamos guerreiros suficiente, pelo que vejo fui tarde demais. Tenho informantes dentro da tribo firewolf e sei o que se passa com você. — Vocês sabem algo da minha tribo Windwolf?— Pelo que sei o antigo chefe morto pelo James trabalhava para ele, a futura herdeira é você. Estão decidindo regras e organizando a tribo por conselhos. Mas não poderá ir para sua tribo agora, eles saberiam, seria o primeiro lugar a procurar, enquanto isso pode ficar aqui. — Obrigada.— Vá tomar um banho e durma, amanhã treinaremos e preciso de você. — Obrigada novamente. – Ela assentiu com a cabeça e saiu. Assim que amanheceu Jess me deu instruções para treinar, lutando com facas. A tribo era bem distribuída em classes de organização, as pessoas que estavam lá eram de jovens e crianças. Pensei em Thomas, ele estaria com 17 anos, precisava vê-lo. —Jess, posso falar com você?— Diga— Tenho um amigo, e preciso falar com ele, pode enviar algo a ele? — Irei ver o que posso fazer, não é sempre que minha comunicação com Windwolf é boa, existem muitos olheiros de James. Escreva algo, e me entregue.— Obrigada. Fui diretamente a cabana e procurei por algo para escrever, encontrei um papel e uma caneta, o que escreveria e como diria a Thomas que estou viva? Que estou bem e preciso encontra-lo. Depois de anos ele ainda estaria me esperando?“Estou viva, fugi de Firewolf,não me procure ainda, estou bem e te encontrarei”– A.S.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor