Moça, o que aconteceu? Olhe para mim, desce daí, dei-me a mão, vamos sair daqui.

Calce um sapato, cubra suas pernas, o chão está cheio de cacos de vidro daquele copo que quebrou anos atrás.

Meu coração só guarda suas asas, mas acredite, se pular daí, elas não abrirão.

Você está se equilibrando num só pé. O vento sopra forte e não brinca quanto a morte. Se eu pudesse, moça, mudaria o nosso destino, aquele antigo, onde nos separamos de mãos dadas. Saiba, que ainda te amo, e subirei essa escada correndo mesmo se negar-me o amor, não desejo beijar seu corpo gelado, num asfalto qualquer. Somos um, e se um pedaço for embora, mais uma vez, não haverá volta. Não haverá nada.

Achei as suas fotos, amo aquela que come um donut de olhos fechados. Acredite, há tantas moças diferentes de você, que nasceram de olhos fechados e preferem morrer com eles assim... A minha única crença, em um deus, resume no seu nome.

Não sou poeta, e nem almejo ser, nas minhas frases, há uma dor, um vazio tão substancial que parece falar tanto no meu ouvido ao deitar-me na cama, quando passo o braço no seu local intacto, e lembro-me das cordas que nos prendiam ao colchão: amor e lençóis... Onde está o futuro? Ele morreu com o nosso sonho? Não. Prove-me o contrário.

Desça dessa laje, a Lua me disse que reservou um quarto para nós. Dessa vez, só para nós.

Admito que errei o bastante, rasguei o seu vestido de bolinhas dado pela sua vó. Essa mazela, tem nome, e é saudade, entre os mais puros sentimentos.

Eu arrumei a cama, lustrei tudo que havia para ser lustrado, senti a dor que um dia pudera negar... Uma fogueira sem luar, queimo-me, e o seu fogo, aglutinado a gentileza, é o único modo de me domar, um insano caçador de noites.

Seus cabelos de tremolite são fios condutores para o meu amor, que tamanho egoísmo... Escoar ele apenas para a auto-piedade.

Moça!

São luzes... Sirenes ou o dia amanheceu?

Responda-me moça, é só o que me resta.

FIM

24/04/2015

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!