Asas negras

23 Traição - parte 2


– Riley? — perguntei sem me virar.

– Olá, Aure-meron. — disse uma voz arrastada.

Virei-me, assustada, por pensar que fosse aquele quem eu pensava.

– O que faz aqui?

– Ai, eu sempre tive vontade de fazer isso desde a primeira vez que a vi. Acabar com o seu enorme ego e, quer dizer, com você e ouvir seu ultimo suspiro.

– Hein?

– Líriel era uma ótima pessoa, mas acabou com nosso futuro. — disse saindo das sombras.

Meus olhos se esbugalharam. Arfei.

Ckipton estava todo Punk e flutuava. Compreendi porquê. Ele tinha asas. Com a mesma cor das penas que jaziam na minha bolsa, negras. Ele era um anjo caido! Meu Deus!

Mas a única coisa que pude perguntar foi:

– Como sabe de Líriel? Como assim "nosso"?

– Acho que o trabalho acabou com sua mente. Porque não ficou em casa com a barriga no fogão como todas as outras mulheres?

– Os tempos mudaram, Ckipton. — avisei, estridente.

– Mas você não vai mais vê-los mudar... — suas asas negras aumentaram de tamanho e, enquanto isso, ele tirou uma adaga afiada do bolso. Era decorada de ouro e tinha algo escuro em volta dela — o mesmo que tinha em volta do corpo dele. Aura negra. A aura cinza de Kyle podia parecer branca se ficasse perto de Ckipton.

– Onde está Riley?!

– Distraindo seu querido amado. — cantarolou o felino.

– Você... era um... plano. — uma pergunta que não era realmente uma pergunta. Algo que eu tinha adquirido sem querer de Riley. — Entendo o que quer dizer.

– O que quero fazer. Já fiz uma vez, com Líriel. Morreu tragicamente com uma bala perdida em uma persegção no shopping. Ninguém descobriu até hoje quem realmente a matou.

– Não acredito que você era um anjo.

– Nem eu. Mas agora sou caído, ah, e vou matar você.

– Porque? — eu queria ganhar tempo. Nós dois sabíamos disso.

Suspirou.

– Porque, mulher, eu e Kyle perdemos tudo por aquela simples mortal. Eu ai... eu ai virar guardião do portal e ele um anjo da guarda. Queríamos isso há milénios e ai...

– Vingança?

– Com certeza. E eu cai também por causa de Kyle. Prometi que eu ia me vingar dele, ia matar toda mortal que ele se apaixonasse. E até que estou gostando disso!

Ele não era maligno, torturante, atroz, algoz, desumano, carrasco, cruel, réprobo, misantropo, desprezável, rancoroso, vingativo ou impiedoso — isso era só o apelido. Alguém assim como ele era a pior coisa do mundo, não tem descrição. Ele é tão mau! Imagina quando eu me afastar dele — ou se conseguir me afastar viva dele -, aquela sensação vai me matar! O de Kyle nem faria cócegas.

Algo se agitou no meu estômago. Afiado.

– Bom, vamos logo acabar com isso. Tenho coisas a fazer e não quero que Kyle te salve. — disse esticando mais as asas e atirando-se em minha direção. Sombras escuras vieram a mim em volta dele e me abraçaram para ajudar Ckipton a me matar. Elas arranhavam, mordiam, eu sentia a dor, mas não causava marca nenhuma fisicamente. A dor era uma ilusão, muito bom. Já vi alguns casos em livros. Anjos caídos desse tipo pode entrar na mente das pessoas e causar ilusões — livre arbítrio, acredito. Mas esse tipo de coisa era só com anjos caídos, pelo menos foi o que O Livro dizia (aquele do fundo falso).

Suas asas negras me envolveram, precionavam meus músculos enquanto Ckipton erguia a adaga.

Matar.