Asas negras
18 Capítulo 8 - Expiar - parte 2
Notas iniciais
Acabei com o meu braço jogando volei.
– Não!
Minhas pernas tremeram.
– Não?
– Não.
– Mas, por que? Riley, eu não estou me sentindo bem. — e até era verdade. Aquela sensação estava presente, e era a mutação da antiga. A vacina de torpor não era forte o bastante para contê-lo A faze 1 já estava começando.
Mas ele não fez nada.
– Riley, é sério. Eu não estou me sentindo bem! — adverti-o. Já estava entrando na faze 2, infelizmente. Mas ele não fez nada — e eu não o culpava por aquela reação. Eu havia procurado exatamente por aquilo. E conscientemente.
– É mentira.
– Não, Riley! É sério. Eu tenho um ataque de asma. — falei já com uma dificuldade. — me leva de volta agora.
– Eu estou fazendo minha parte e vou cumpri-la. — murmurou tão baixo que quase não pude ouvir. Droga! Mais daquelas frases ininteligíveis! Primeiro — foi o cara que me salvou de mim mesma de pular do penhas, e agora Riley? O que mais faltava agora? Ter que decifrar um cofre de banco?! Era como eu me sentia.
Eu já fiz minha parte. Quer se matar? Vai em frente!
Claro, respondi a mim mesma.
– Ou... talvez... — murmurou enquanto me via desabar aos poucos no chão. -... não esteja... mentindo...
– C-c-claro que não seu... i-d-i-o-t-a... — soletrei para que entendesse bem que eu não estava mentindo. Já estava na faze 3, quase me matando, e ele ainda achava que eu estava mentindo?! Ele era mais desligado do que eu sequer imaginei.
Riley se agachou na minha frente — com o olhar nada cautelosos, aproposito — e ainda procurou algum sinal de mentira em mim. De fingimento. Será que eu mentia tanto assim? Nem me lembro. Os meus pulmões estavam tão contraídos que nem me deixavam mais raciocinar.
– Eu acho... — foi quando de repente algo caiu no chão do barco. Balançou tanto que me deu náuseas Um baque forte e duro coou quando essa algo aterrissou. Eu não consegui abrir os olhos — por causa da dor -, mas percebi que esse algo ou alguém o ergueu bem alto e ameaçou.
– Dirija essa porcaria. — disse a voz lenitiva, meio áspero.
Riley obedeceu quase que imediatamente quando ele o soltou. Tropegou ofegando até o painel para dar a partida. Quase nem percebi que ele tinha se agachado para me pegar no colo.
Lindo e suave comigo.
– Está melhor?
– Você é o único que pode me acalmar Kyle. — perto de mais, acrescentei mentalmente.
– Vou te tirar daqui. Liga logo! — gritou a Riley. — Ele te machucou?
Precisei de um minuto para responder.
– Hum... estou bem. Porque haveria de estar? Riley não... ele não faria isso, ok? Apesar de tudo, Riley gosta de mim. — respondi despreocupada A boca de Kyle firmou numa linha reta e severa. Se levantou, comigo no colo, e desceu para o andar de baixo.
Ciúmes? Novidade.
Eu gostava e não gostava de Kyle estar aqui. Eu gostava porque ele estava comigo, mas não gostava por ele tinha quase enforcado Riley. Ele não merecia. Eu que tinha provocado tudo. Se eu não fosse tão paranoica e peculiar — eu e Riley ainda estaríamos comendo o pão amassado por suas próprias mãos na cozinha de Ephane e seríamos só amigos. Apesar da ideia ser boa, estremeci em pensar que Kyle se ausentaria da minha vida. Mas a parte do quase-enforcamento de Riley até que tivera algo bom: não ia tao cedo pensar que eu sou mentirosa. Mas de onde tinha vindo isso mesmo? Nem fazia a menor ideia!
Kyle me colocou sentada ao seu lado na mini escada do andar de baixo. Estava com as mãos num punho, como trancas — eu podia sentir a tensão vindo dele. Ou, o ciumes.
– Kyle?
– Você está com ele, não é. — isso tinha sido uma pergunta também? Parecia uma certeza. Mas insisti em responder.
– Andou bebendo? Pois é o que parece. — bem direto.
– Mas que toda intimidade era aquela?
– Do que você está falando? Riley só tinha perguntado...
– Espere um pouco. — ele se levantou e subiu para o primeiro andar, para cabine. Fiquei com medo de que ele estraçalhasse Riley, subi também.
Escondida, claro.
– Você é um inútil mesmo. — disse dando a partida ele mesmo o barco. Riley olhou-o incrédulo
– Não estava funcionando! Como conseguiu? Afinal, quem é você? O que faz aqui? O que tem com Aure?
– Hum... que intimidade... agora cale a boca e dirija isso para o porto.
– Idiota. — resmungou. Pensei que Kyle ia dar-lhe um soco, mas ele simplesmente respirou fundo e veio na minha direção. Pensei em sair dali, mas minhas pernas pareciam desconectadas do resto do corpo. Fiquei meio envergonhada quando vi que já estava ao meu lado e decepcionada por ele falar em porto. Em ir embora.
Não levantei os olhos.
– Eu não ia machucá-lo, por mais que eu quisesse. Já fiz muita besteira nessa... vida. — não percebi a diferença do tom de voz.
– Você... Vai... Embora.
– O que?
– Você vai embora?! Me deixar sozinha de novo com aquela maldita sensação! — ergui as mãos para o céu exagerando a situação. Dei a volta e sentei novamente na mini escadinha colocando as mãos sob a cabeça — eu queria me matar! Esmagar meu cérebro só com as mãos.
Eu ia sofrer de novo.
– Você me deixou, e vai me deixar de novo. Tudo bem. Posso conviver com isso. Não se sinta obrigado, já basta um estar sofrendo.
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