Asas negras

15 Capítulo 7 - Pena - parte 3


Já estávamos dentro do carro.

- Esse passeio turístico.. bom... hoje... ele... apesar de ter passado o maior tempo com você hoje... fui bem recompensado. Ah, e claro. E aquele cara lá não te machucou quando você saiu. Também é uma boa recompensa. — disse sando a partida e continuando a viagem de volta para casa. Eu sinceramente não sabia o que fazer. Eu não sabia se esclarecia a ele que não tínhamos nada ou se eu ria pelo fato de Kyle me machucar. Como se fosse possível! Quer dizer, emocionalmente ele já havia me machucado, mas fisicamente nunca. E foi pensando nisso que eu percebi.

Kyle estava com ciumes! E de mim!

Não pude deixar de rir. Mas ri com muito gosto, muito mesmo. Só por Riley ser abusado daquele jeito... Kyle veio até a mim. Eu nem precisava ter pensado em me jogar do penhasco — bom, naquela hora eu sabia que ele não ia me salvar (era quase evidente Eu ia estragar minha vida por nada) -. Em pensar que foi Riley que me ajudou, mesmo que não fosse sua intenção.

Ciúmes.

Ótimo. Aquela era a chave de ouro a qual eu ia me agarrar de corpo e alma. Era por uma causa boa. Eu não queria fazer nada com ele. Eu só queria perguntar se tudo aquilo que tínhamos vivido não era nada, só isso. Eu ia viver em paz, ia deixá-lo em paz. Bem como prometi aos Genoom. Mesmo se eles não cumprissem a promessa do lado deles. Ele não precisava fugir. Eu não ia obrigá-lo a nada — só a uma resposta, claro.

Se então é por ciúmes que ele vem — é por ciúmes que ele vai vir.

gh

Riley estacionou o carro a alguns metros de casa. As janelas estavam abertas e as luzes ligadas. Com certeza eles já haviam chegado em casa.

Ele suspirou, de novo.

- Bom, até amanhã?

- Uhum. Pode ser.

- Onde?

Pensei um pouco.

- Tem um barco?

- Awm... hum... tenho, mas...

- Ótimo. Eu ouvi falar que vai ter uma festinha lá em baixo, perto do mar, podemos... ah, sei lá... navegar um pouco.

- Ah, claro. A festa vai ser de tarde. As 2h no cais, tudo bem?

- Perfeito Riley. — ele pareceu gostar que eu dissesse seu nome, mas soou mas como se um cientista maluco tivesse encontrado o lugar perfeito para a execução do seu plano infalível e maléfico.

- Até amanhã, então. — dei um beijo na bochecha dele e cai fora. Abri a porteira e entrei em casa — nem ousei olhar para trás.

Joanne estava depilando as sobrancelhas com uma pinça e o espelho estava sob a mesa de centro, Athos estava secando a louça do jantar e Ephane estava a poucos passos de mim. Ela uniu as sobrancelhas, de desconfiança.

- Onde esteve?

- Eu? Amw... fazendo um tour por ai. Conhecendo a ilha, sabe.

- Com quem?

- Riley, o cara do pão.

Um sorriso de repente iluminou seu rosto.

- E como foi? — perguntou com um entusiasmo exagerado.

- Hum, existe muitos lugares bonitos por aqui. Fomos a praia, a Moinho, etc. Coisa de guia turístico

- Que bom que se divertiu.

- Traindo meu irmão ex-amiga? — perguntou Joanne sem nem ao menos levantar os olhos.

- Joanne Umbridge Genoom! não comece.

- O que é? Só estou dizendo a verdade. Essa ai gosta do Kyle, mas fica traindo-o com o Riley. Você troca de homem como quem troca de roupa.

- Eu. Não. Estou. Traindo. Ninguém. — falei pausadamente para que as palavras não fosse confundidas. — Riley não é nada meu.

- É Você que diz.

- Joanne, nós já conversamos.

- Sim, mãe, conversamos, mas não vou ficar calada enquanto essa ai não for embora e nos deixar em paz.

- Joanne...

- Tudo bem, Dona Ephane. Eu só vou ficar mais dois dias. Creio que não tenho tanto dinheiro nem para ficar aqui, sei que não sou bem-vinda também. — dois seria o bastante para fazer tudo.

- Claro que é Aure. Só Joanne que esta com T.P.M. — disse Athos secando a mão com a toalha de prato.

- Desculpe Ephane, mas vou me deitar.

- Ah, claro. Desculpe por isso.

Eu assenti e entrei no quarto.

Estava tudo como sempre. Estava silencioso e aquela sensação já me esperava. Eu já não me incomodava tanto quanto antes, talvez até... acostumada nunca, mas... vacinada. Ela vem, me assusta com sua sensação, mas minha mente reage a ela criando um torpor a minha volta.

Desabei na cama. Fiquei imaginando Kyle na minha frente, lindo e elegante como sempre. Mas isso tirou uma parte do meu coração, pude sentir a dor, apesar do torpor a minha volta. Tentei tirar aquela imagem da minha cabeça pegando uma revista dentro da gaveta da estante no pé da cama. Quando fui pegá-la sem querer bati no fundo, mas não fez o barulho que devia. Parecia oco. Mas como? Era a ultima gaveta.

Fundo falso, pensei comigo.

Perguntei-me o porquê disso. Então tirei o fundo falso e vi.